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terça-feira, 20 de janeiro de 2026

#Livros - Leonor Teles, de Isabel Stilwell

 

Ilustração de uma mulher usando uma capa vermelha, montada em um cavalo negro, em meio a um campo aberto.

Sinopse

Três de rubi. 
Três de diamante. 
E, o maior de todos, de esmeralda. 

Sete anéis, símbolos de poder, que passariam, um a um, das mãos do rei D. Fernando para os dedos da sua adorada mulher, como prova do seu amor e do seu desejo de a proteger. Leonor Teles não esquecia que haviam pertencido ao assassino de Inês de Castro. Mas, não, apesar de partilharem o mesmo cabelo cor de fogo, a mesma paixão pela vida e a mesma ambição pelo poder, não, Leonor não teria o mesmo destino da sua prima. Seria rainha em vida. Teria o poder nas suas mãos. 

Casada, mãe de um rapaz, Leonor não se deixa ficar presa nem à vida num paço perdido, nem ao senhor de Pombeiro, seu marido. Parte para Lisboa, onde a sua beleza, inteligência e artes de sedução conquistam o coração de D. Fernando e o ódio das gentes e da nobreza que a apelidam de adúltera. O tom das críticas sobre ainda mais quando corre o rumor de que se tornou amante do Conde Andeiro. Mas Leonor tem um plano e não olhará a meios para o concretizar, nem que para isso tenha de desafiar todo um reino. 

A autora best-seller Isabel Stilwell traz-nos a fascinante história de Leonor Teles, maltratada pela História, que a apelidou de Aleivosa. Entre as guerras com Castela, intrigas e conspirações familiares, Isabel Stilwell traça o retrato desta mulher, sem medo, que lutou por aquilo em que acreditava. 


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Opinião 

Leonor Teles é o romance histórico de Isabel Stilwell que decidi ler em 2026 e que vem retratar esta última rainha da primeira dinastia, figura enigmática e controversa da História de Portugal. O livro situa-se no século XIV, um período conturbado em Portugal, marcado pelos conflitos constantes com Castela e pelo início da aliança com a Inglaterra, a mais antiga do mundo. Nesta época, a sociedade era fortemente influenciada pelos valores medievais, com uma estrutura social hierárquica e uma grande concentração de poder nas mãos da nobreza e do clero. A figura de Leonor Teles emerge num ambiente de intrigas palacianas, onde interesses políticos e alianças familiares moldavam o destino do reino. 


Foi rainha consorte de D. Fernando I, mas foi muito mais do que isso e talvez seja esse o motivo para ter conquistado tantas inimizades. Numa época que as rainhas eram figuras decorativas que serviam apenas para procriar e manter a linhagem real, Leonor governou lado a lado com o rei e não procurava esconder a sua inteligência e capacidade estratégica. Deste modo, foi uma figura central em momentos decisivos da História portuguesa, envolvendo-se em questões políticas e familiares que moldaram o destino do reino. Nascida por volta de 1350, teve uma vida marcada por intrigas, poder e controvérsia. Filha de Martim Teles de Meneses e de Aldonça de Vasconcelos, e prima da trágica Inês de Castro, ascendeu ao trono, apesar de ser casada quando seduziu D. Fernando e o conquistou para sempre, o que lhe valeu acusações e suspeitas de manipulação e ambição desmedida. 


Podes ler também a minha opinião sobre Filipe I de Portugal 


Ao longo deste romance histórico, são destacados diversos episódios marcantes que revelam a complexidade da vida da rainha Leonor Teles e o contexto político da sua época. A narrativa aborda a sua infância, em Portugal e em Espanha, com a tragédia que culminou com o assassinato do pai e a morte da mãe, e que a fez regressar a Portugal órfã e aos cuidados dos tios que iriam ditar o seu futuro. Depois, segue com o seu crescimento e os tempos do seu primeiro casamento, que tão infeliz a fazia, e a rejeição dos filhos gerados desse homem tacanho. Seguidamente, somos confrontados com a sua ascensão ao trono de Portugal, marcada por intrigas e alianças estratégicas, bem como os momentos de crise que enfrentou durante o reinado do seu marido. São destaques os episódios de disputas pelo poder, os conflitos com a nobreza e as dificuldades na manutenção do seu papel de rainha, sobretudo com a perda de saúde do rei a colocar uma nuvem sobre a sua cabeça. 


"Leonor, os rumores são a forma como os traidores matam as mulheres, cobrindo-as de imerecida vergonha, conscientes de que dependemos do bom nome para legitimar a nossa descendência." 


O livro evidencia a complexidade de Leonor Teles, as suas ambições e as adversidades enfrentadas, o que oferece uma visão aprofundada do contexto histórico e das dinâmicas de poder na corte portuguesa. Graças ao estilo de escrita da autora, envolvente e acessível, que combina uma narrativa clara e bem estruturada com uma linguagem fluida e agradável. Stilwell consegue transformar temas históricos distantes em histórias cativantes, demonstrando um cuidado especial na elaboração de personagens e ambientes, transmitindo emoções, enquanto prende a atenção do leitor e facilita a compreensão do período em questão. A autora consegue equilibrar a dramatização dos eventos com a fidelidade histórica, o que permite ao leitor uma compreensão aprofundada do período e da personagem sem distorções ou exageros, e muito mais próximas das novas teorias em torno desta rainha polémica e mal-amada. 


Podes ler ainda a minha opinião sobre Inês de Castro 


Leonor é retratada por Isabel Stilwell como uma mulher marcada por uma personalidade complexa e multifacetada. Desde criança, ela é apresentada como inteligente, ambiciosa e determinada, características que a impulsionam a buscar o seu espaço na corte e na política do século XIV. Com o passar do tempo, a rainha também revela um lado vulnerável, especialmente diante das pressões do poder e da iminência da morte do rei, que a coloca numa posição delicada, sem um herdeiro varão. A sua evolução ao longo do livro demonstra a transformação da jovem ambiciosa numa mulher determinada e disposta a tudo, para se proteger e ao direito da sua filha de ser a próxima rainha. Um dos pontos fortes do livro é a sua pesquisa histórica, que proporciona uma nova visão, mais moderna e acertada, desta mulher e do próprio contexto político e social da época, e que torna esta leitura enriquecedora e interessante para quem deseja conhecer mais sobre este período e estas personagens históricas. 


"Nas veias do senhor D. João corre a ira fácil do pai e do avô. A sedução da mãe. A ambição de todos eles juntos e a ferida aberta que os bastardos nunca saram: são e não são, podem e não podem, sempre aquém do que acreditam merecer." 


Ao longo da leitura, como sempre acontece com as obras de Isabel Stilwell, fui profundamente envolvida por uma narrativa que mistura História, política e a complexidade duma figura feminina que desempenhou um papel crucial na monarquia portuguesa. A autora consegue captar a nossa atenção ao explorar os acontecimentos históricos, mas também as emoções e os dilemas enfrentados por Leonor Teles, uma personagem muitas vezes envolta em mistério e controvérsia. Foi uma experiência que volta a despertar o meu interesse para o papel das mulheres na História de Portugal, algo que tem sido, ao longo dos séculos, oculto ou renegado pelo patriarcado. Neste caso em particular, o que mais prendeu a minha atenção nesta leitura foi a complexidade e a ambiguidade de Leonor, que desafia as percepções tradicionais duma rainha da sua época. 


Recomendo esta leitura para quem deseja explorar a História de Portugal e a vida duma das figuras mais intrigantes e controversas da sua monarquia. Isabel Stilwell reforça o papel central que Leonor Teles desempenhou no contexto da corte e da política portuguesa, explorando as suas influências e as controvérsias que marcaram a sua vida. Portanto, só posso deixar-te o convite para embarcares nesta fascinante jornada pelo universo de Leonor Teles através das páginas deste livro. Mas agora quero muito saber a tua opinião! Já leste Leonor Teles? O que achaste da trajetória desta rainha tão controversa? Acreditas que foi uma vilã ou uma sobrevivente que agarrou todas as oportunidades? Conta-me tudo nos comentários! 


Encomenda o teu exemplar através dos links abaixo, sem custos adicionais para ti, e contribui para as próximas leituras deste blog 


Wook | Bertrand 

domingo, 18 de janeiro de 2026

#Moda - Globos de Ouro 2026

 

Imagem da escadaria com uma passadeira vermelha deslumbrante, preparada para os Globos de Ouro 2026, com luzes brilhantes e detalhes elegantes que destacam a atmosfera de glamour e glamour do evento.

Regressamos com mais uma Passadeira Vermelha, desta vez dos Globos de Ouro de 2026. Palco de momentos inesquecíveis, repletos de glamour e elegância, reuniu estrelas internacionais que desfilaram nos seus melhores looks, na busca por reconhecimento e admiração. Este evento, além de celebrar as conquistas no mundo do entretenimento, também serve como um desfile de moda, onde as celebridades mostram as suas escolhas mais sofisticadas e ousadas, transformando o tapete vermelho num verdadeiro espetáculo de estilo. Hoje, deixo em destaque as mulheres que mais brilharam com os seus looks na cerimónia de 2026. Vamos juntos explorar quem realmente se destacou nesta edição, celebrando o talento e o bom gosto das estrelas que fizeram deste evento um verdadeiro espetáculo de moda e de elegância. 


Buy Me A Coffee

1. Alicia Silverstone


Imagem de Alicia Silverstone na passadeira vermelha dos Globos de Ouro 2026, vestindo um elegante vestido vermelho. Ela está sorridente, com cabelo penteado de forma sofisticada e acessórios discretos que complementam o look glamouroso.

2. Amanda Seyfried


Amanda Seyfried deslumbrante na passadeira vermelha dos Globos de Ouro 2026, vestindo um elegante vestido branco que realça sua beleza radiante e seu estilo sofisticado.

3. Ariana Grande


Imagem de Ariana Grande na passadeira vermelha dos Globos de Ouro 2026, vestindo um elegante vestido preto com detalhes sofisticados, complementado por acessórios discretos e um penteado clássico.

4. Jennifer Garner 


Jennifer Garner deslumbrante na passadeira vermelha dos Globos de Ouro 2026, vestindo um elegante vestido preto que realça sua beleza clássica e sofisticada.

5. Jean Smart


Foto de Jean Smart na passadeira vermelha dos Globos de Ouro 2026, vestindo um elegante vestido branco que realça seu estilo sofisticado e clássico.

6. Julia Roberts


Julia Roberts deslumbrante na passadeira vermelha dos Globos de Ouro 2026, usando um elegante vestido preto que realça seu estilo clássico e sofisticado.

7. Kate Hudson


Kate Hudson deslumbrante na passadeira vermelha dos Globos de Ouro 2026, vestindo um elegante vestido prateado que brilha sob as luzes, com detalhes sofisticados e um estilo que realça sua beleza radiante.

8. Kathy Bates


Imagem de Kathy Bates na passadeira vermelha dos Globos de Ouro 2026, usando um elegante vestido azul escuro que destaca seu estilo sofisticado e clássico.

9. Selena Gomez


Selena Gomez deslumbrante na passadeira vermelha dos Globos de Ouro 2026, vestindo um elegante vestido preto e branco com detalhes sofisticados e um acabamento impecável.

Agora que chegamos ao fim deste pequeno desfile de trapinhos, podemos concluir que foi mesmo um espetáculo de estilo e elegância, onde as mais velhas venceram facilmente e as jovens procuraram abraçar o espírito da moda intemporal, resgatando modelos clássicos de outros tempos. Assim, cada escolha contou uma história única, demonstrando a importância do estilo como uma forma de expressão artística e personalidade. Por fim, fica claro que a moda continua a evoluir e a celebrar a individualidade e a criatividade de quem desfila na Passadeira Vermelha. As melhores vestidas são um lembrete de que, além do glamour, a autenticidade e o bom gosto são essenciais para marcar presença de forma memorável. Agora, quero conhecer a tua opinião! Quais foram os teus vestidos favoritos dos Globos de Ouro 2026? Achas que deixei algum de fora? Ou discordas de alguma das minhas escolhas? Conta-me tudo nos comentários abaixo! 


Vê também: 


Globos de Ouro 2024

Globos de Ouro 2019

Globos de Ouro 2017

Globos de Ouro 2016

quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

Os Mais Lidos de 2025

 

Balões dourados e brancos, símbolo de celebração e sucesso, decorando a capa do artigo que destaca os artigos mais lidos de cada mês de 2025.

Ao longo de 2025, o meu blog refletiu as tendências, os meus interesses e as minhas dúvidas, sempre com o propósito de chegar mais perto dos leitores que acompanham regularmente. Cada mês trouxe uma variedade de temas e foi fascinante perceber quais os textos que despertaram mais curiosidade e engajamento ao longo do ano. Hoje, farei uma retrospectiva dos artigos mais lidos de cada mês, destacando os tópicos que mais chamaram a atenção e que, de alguma forma, marcaram a trajetória do blog neste período. 


Vê também os mais lidos de 2024 


Esta seleção mensal revela não só as tuas preferências, mas também as mudanças de interesses ao longo do tempo, indicando o que realmente toca em pessoas em diferentes momentos do ano. Acompanhar estes dados permite compreender melhor o que prende a tua atenção, além de oferecer detalhes sobre as tendências actuais e os temas que continuam relevantes. Vamos explorar, mês a mês, os artigos que conquistaram o coração da audiência em 2025 e refletir sobre o que estes sucessos podem nos ensinar para o futuro do blog! 


Buy Me A Coffee

1. Janeiro

Balanço de 2024 & Resoluções para 2025 


2. Fevereiro

Top 7 Provas Cegas - The Voice Portugal | Season 12 


3. Março 

#Moda - Óscares 2025


4. Abril

#Places - Maré Cheia


Montagem de fotos do restaurante "Maré Cheia", destacando seu ambiente acolhedor, pratos de frutos do mar frescos e decoração marítima que remete ao clima praiano.

5. Maio

#Places - Mundet Factory


6. Junho 

#Places - Marradas


7. Julho

A minha experiência com A Horta em Casa


Sacos de papel contendo legumes frescos, representando uma horta caseira sustentável e prática, ideal para quem busca alimentos mais naturais e cultivados em casa.

8. Agosto

#Places - Café Restauração


9. Setembro

#Places - La Cantina


10. Outubro

#Livros - Pão de Açúcar, de Afonso Reis Cabral


Capa do livro "Pão de Açúcar" de Afonso Reis Cabral com o título e o nome do autor em destaque

11. Novembro

Séries - The Office


12. Dezembro

#Séries - Tremembé


Chegados aqui e depois de analisar os artigos mais lidos ao longo de 2025, fica claro que os interesses e as preocupações dos leitores evoluem com o tempo, refletindo tendências sociais, tecnológicas e culturais. Cada destaque mensal revela uma busca por informações relevantes e novidades que capturaram a tua atenção. Por fim, este levantamento, além de evidenciar os temas mais populares do ano, também oferece informação valiosa para os futuros conteúdos que quero que te impactem e te envolvam. Afinal, mantermo-nos actualizados sobre os interesses do nosso público-alvo é fundamental para criar artigos que alimentem uma comunidade cada vez mais participativa. Agora, conta-me, já tinhas visto todos estes posts? Qual o teu favorito? Algum tema que prefiras ver por cá? Fico à espera do teu comentário abaixo! 

terça-feira, 13 de janeiro de 2026

#Livros - Anna Karénina, de Lev Tolstói

 

A capa do livro "Anna Karénina", publicado pela Editorial Presença, apresenta uma ilustração clássica que retrata uma mulher elegante de vestido antigo, com expressão contemplativa, em um cenário que remete à Rússia do século XIX. A paleta de cores predominante inclui tons dourados, vermelhos e neutros, transmitindo a atmosfera de drama e paixão presentes na obra de Lev Tolstói.

Sinopse

Anna Karénina é um retrato ímpar, na sua riqueza e densidade, da sociedade russa de finais do século XIX, que abrange diferentes estratos da população, actividades sociais, tendências ideológicas, polémicas económicas, sociais e políticas, e que encerra uma crítica acutilante à nova aristocracia russa da época. Os dramas familiares, com os seus problemas morais e a sua busca de um modelo perfeito para a vida conjugal, surgem em franca ligação com o panorama geral da vida, o sistema de valores, os hábitos, os conceitos éticos e religiosos. Mas esta é também uma das maiores histórias de amor da literatura universal, e uma das mais trágicas, protagonizada por Anna Karénina, a bela mulher de um aristocrata muito rico, e o conde Vrônski, um galante oficial do Exército. 

Com Anna Karénina, Lev Tolstói elevou à perfeição o romance de realismo social e criou uma das heroínas mais amadas de todos os tempos da literatura. 


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Opinião

Anna Karénina, obra-prima de Lev Tolstói, é uma narrativa profunda e complexa e marca a minha estreia com este autor clássico. Publicado originalmente em capítulos entre 1872 e 1877, o livro é considerado um dos maiores romances da literatura mundial. Tolstói, famoso escritor russo do século XIX, foi também filósofo, novelista e pensador social, cujas obras refletem as suas reflexões sobre a vida, a fé e a ética. Reconhecido pela sua habilidade para retratar a alma humana com realismo e sensibilidade, Tolstói deixou um legado literário que influencia gerações, e Anna Karénina permanece como uma das suas criações mais emblemáticas, explorando as complexidades do amor e das convenções sociais numa sociedade em transformação. 


A obra foi escrita durante o século XIX, numa época de intensas mudanças económicas, do avanço da industrialização e do fortalecimento do movimento literário realista, que procurava retratar a vida de forma fiel e detalhada. Tolstói, uma das maiores figuras do realismo russo, utilizou a sua narrativa para explorar temas complexos como a moralidade, a sociedade, o amor e o destino, refletindo bem as contradições duma Rússia em transição. No livro, é narrada a complexa e trágica história de Anna, uma mulher da alta sociedade russa que enfrenta o conflito entre as suas paixões pessoais e as convenções sociais. Casada com o respeitável Karenin, ela apaixona-se por Vrônski, um oficial do exército, o que a leva numa jornada de amor proibido, ciúmes e desespero. Ao mesmo tempo, o romance também explora as vidas de outros personagens, como Lióvin, que procura significado e felicidade através do trabalho e do relacionamento com a natureza. 


Podes ler também a minha opinião sobre Crime e Castigo 


Um dos temas centrais de Anna Karénina é o amor e a paixão, que permeiam toda a narrativa e revelam as múltiplas facetas destas emoções. O livro explora o amor romântico de Anna por Vrônski, uma paixão intensa e proibida que desafia as convenções sociais e os valores morais da época. Ao mesmo tempo, Tolstói apresenta diferentes formas de amor através de personagens como Lióvin e Kitty, levando-nos a refletir sobre a procura pela felicidade e por conexão verdadeira. A obra quer demonstrar como o amor, quando impulsivo ou mal compreendido, pode levar à tragédia, enquanto o amor verdadeiro, baseado na compreensão e na sinceridade, oferece esperança e redenção. Por outro lado, a moralidade e a sociedade desempenham papéis fundamentais na construção da narrativa. Através do destino de Anna, que desafia as normas morais da alta sociedade russa, o autor questiona a hipocrisia e a rigidez dos padrões morais vigentes. 


"O marido, o marido enganado, que até agora parecia uma criatura miserável, um empecilho casual e um pouco cómico da sua felicidade, foi subitamente chamado por ela própria, elevado a umas alturas que incutiam reverência e, nessas alturas, o marido não se mostrou maldoso nem falso, nem ridículo, mas bondoso, simples e majestoso." 


A nossa protagonista, Anna Karénina, é uma personagem complexa e apaixonada, cuja personalidade é marcada por uma forte mistura de sensibilidade, elegância e intensidade emocional. Como uma mulher de beleza arrebatadora e inteligência aguçada, ela procura a realização pessoal e a felicidade, embora a sua trajetória seja permeada por conflitos internos e sociais. Anna apaixona-se profundamente por Vrônski, o que a leva a desafiar as convenções da sociedade aristocrática russa da época, demonstrando uma coragem emocional que contrasta com a sua vulnerabilidade. A sua personalidade revela uma mulher de grande força interior, capaz de amar intensamente, mas também de sofrer profundamente diante das imposições sociais e das suas próprias emoções, tornando-a uma figura trágica e memorável na literatura universal. No entanto, parece-me importante ressalvar que a única culpada do seu triste fim é ela mesma, talvez por idealizar o amor de forma irrealista ou esperar do seu objecto amado atitudes absurdas e que a coloquem como o seu único interesse na vida. 


Podes ler ainda a minha opinião sobre Madame Bovary 


Por seu lado, no desenvolvimento do Conde Vrônski observamos uma transformação complexa e profunda. Inicialmente, ele é retratado como um jovem oficial ambicioso, disciplinado e dedicado à carreira militar, com uma forte determinação de conquistar o seu espaço na sociedade. A sua paixão por Anna surge como uma força avassaladora que desafia os seus valores e prioridades, levando-o a uma crise interna e a um conflito entre o dever e o desejo. Ao longo da narrativa, Vrônski passa por momentos de dúvida, arrependimento, angústia e autoconhecimento, refletindo sobre as suas acções e as suas consequências, sobretudo para a mulher amada. A sua jornada revela um homem dividido entre o amor intenso e as obrigações sociais, colocando a nu as suas emoções e o seu desejo de reconhecer a filha que nasceu desse amor. Em contraponto, o marido de Anna, que também lhe tinha amor, está longe de ser o monstro insensível que a impede de ser feliz. Quando esteve à beira da morte, foi capaz de a perdoar e de amar uma criança que não podia ser sua. Estava capaz de lhe dar o divórcio, que lhe iria permitir sair daquela situação indefinida que a colocava à margem da sociedade. Mas Anna parecia estar constantemente a autosabotar a sua felicidade, sempre pronta para colocar as culpas no marido traído. 


"Quanto a Vrônski, apesar de ver cumprido cabalmente o seu desejo antigo, não era feliz por completo. Deu-se conta, muito depressa, de que a satisfação do seu desejo não passava de um grão de areia no monte da felicidade por que ansiara, pondo-lhe a nu o eterno erro das pessoas ao imaginarem que a felicidade consiste na realização do desejo." 


Mas a história não gira apenas em torno deste triângulo amoroso conturbado. Também Lióvin é um dos personagens centrais, peculiar pela sua relação com a terra, com o trabalho agrícola e com a moralidade, e que tem o desejo de escrever um livro onde expõe a sua teoria sobre estes temas e a partilha com o mundo. A sua jornada introspectiva revela uma tentativa de compreender o propósito da existência, contrastando com as complexidades das paixões e dos conflitos superficiais dos que o rodeiam, incluindo até a sua esposa, Kitty. Os capítulos onde se passeia pelas suas convicções tornam-se aborrecidos em certos momentos, mas conferem ao personagem uma dimensão filosófica, tornando-se até uma espécie de alter ego de Tolstói. Como seu contraponto, temos a família dos seus cunhados, os Oblônski. Stepan é uma figura leve e bem superficial, que vive sem pensar nas consequências, sem ver maldade ou inconveniente nas suas atitudes, enquanto a sua esposa, Dária, torna-se numa mulher envelhecida precocemente pelas sucessivas gravidezes, amarga e desiludida com o marido e com as suas infidelidades, mas incapaz de o abandonar e procurar viver por sua conta. 


A escrita de Tolstói caracteriza-se pela sua profundidade psicológica, realismo detalhado e uma narrativa que combina descrição minucioso com diálogos naturais. O autor tem uma habilidade ímpar de explorar as emoções e motivações dos seus personagens, criando uma ligação íntima entre o leitor e as suas personalidades complexas. A obra provoca no leitor uma profunda reflexão sobre os dilemas morais, as complexidades das relações humanas e as consequências das escolhas individuais. Anna Karénina dialoga com temas universais como o amor, a infidelidade, a busca por felicidade e o conflito entre desejos pessoais e convenções sociais, aspectos que permanecem relevantes na sociedade contemporânea. Para terminar, só posso elogiar esta obra-prima, que nos entrega personagens profundamente humanos e conflitos emocionais intensos, que além de ser uma das histórias de paixão e tragédia mais icónicas de sempre, é ainda um retrato crítico duma época. 


Mas agora, quero muito saber a tua opinião! Não te pergunto se conheces, mas se já leste Anna Karénina? Qual o momento que mais te impactou? Tens algum personagem favorito? O que achaste do final da Anna? Conta-me tudo nos comentários! 


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Wook | Bertrand 

domingo, 11 de janeiro de 2026

#Séries - And Just Like That | Season 3

 

Imagem do pôster da terceira e última temporada de "And Just Like That", mostrando Carrie, Miranda, Charlotte, Seema e Lisa caminhando juntas na passadeira em Nova Iorque, com arranha-céus ao fundo e um clima de elegância e amizade na cidade que nunca dorme.

Sinopse

A sinopse da terceira temporada de And Just Like That centra-se nos desafios e reviravoltas da meia-idade, com Carrie a lidar com um relacionamento à distância com Aidan e a explorar novos aspetos da sua vida pessoal. A temporada continua a jornada das personagens através da maternidade, redefinição de identidade e novas dinâmicas de amizade e amor, com a cidade de Nova Iorque como pano de fundo. 


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Opinião 

And Just Like That é a série que vem dar continuidade ao icónico O Sexo e a Cidade, recuperando as personagens principais numa Nova Iorque moderna e repleta de desafios contemporâneos. Desde a sua estreia, a série gerou discussões e dividiu os fãs, enquanto fala de representatividade, envelhecimento e mudanças sociais. A terceira e última temporada marca o encerramento oficial da narrativa, procurando oferecer aos fãs um desfecho emocionalmente significativo, fechando ciclos e reforçando as mensagens centrais que permeiam toda a trama. Assim, além de concluir as histórias de personagens queridos, velhos e novos, também celebra o legado duma série que marcou uma geração. 


Antes de começar a assistir, até antes de saber que seria o grande final desta nova série, as expectativas estavam condicionadas pelas tantas críticas, sobretudo no que diz respeito ao figurino da Carrie. O final da segunda temporada tinha despertado a curiosidade sobre como o casal Aidan e Carrie iriam lidar com um relacionamento à distância, com um prazo prolongado de cinco anos. Entretanto, quando percebi que seria a última temporada, esperava que aqui se consolidassem as histórias, oferecendo um encerramento digno para cada uma das personagens, ao mesmo tempo sem perder o charme, o humor e a reflexão da maturidade que marcaram esta nova série. Vistos os doze episódios, tivemos direito a surpresas, reviravoltas emocionantes e a um olhar mais profundo sobre o envelhecimento e as mudanças que a vida traz, tudo isso com a assinatura duma produção que combina nostalgia com uma abordagem moderna das questões contemporâneas. 


Podes ler também a minha opinião sobre a Season 1 


Nesta última temporada, os arcos dos personagens principais ganham novas nuances e aprofundamentos. Carrie Bradshaw enfrenta um momento decisivo tanto na sua carreira quanto no seu relacionamento, sem saber se pode ou não comunicar com o namorado, enquanto explora um novo estilo literário, que a deixa cheia de inseguranças e dúvidas. Miranda Hobbes passou por grandes transformações nas últimas temporadas, ao reconsiderar a sua identidade, o seu trabalho e a sua orientação sexual, procura agora equilíbrio entre independência, que sempre prezou, e encontrar alguém com quem dividir a vida. Charlotte York, por sua vez, continua dedicada à sua família e ao regresso ao trabalho na galeria, mas fica apavorada quando uma doença séria toca um dos seus e ameaça a sua imensa felicidade, que tanto lhe custou conquistar. 


Imagem de Carrie Bradshaw sorridente ao lado do novo vizinho, Duncan, durante uma festa animada. Ambos parecem descontraídos, trocando olhares e desfrutando do momento em um ambiente festivo, com luzes brilhantes ao fundo e uma atmosfera de celebração.

As dinâmicas entre os personagens evoluem de formas surpreendentes, trazendo novas camadas de complexidade às suas histórias. As amizades são testadas e fortalecidas à medida que enfrentam desafios pessoais e profissionais, mesmo quando são obrigadas a guardar segredo das restantes. Novos relacionamentos surgem, enquanto antigas relações passam por processos de reinvenção, quando situações inesperadas acontecem, como a relação de Carrie com o seu novo vizinho escritor, ou a relação entre Miranda e Steve que precisa enfrentar uma bomba entregue pelo próprio filho. Estas mudanças não só proporcionam momentos de tensão e emoção, mas também refletem o crescimento e as transformações internas de cada personagem, encerrando a série com um sentido de maturidade e esperança no amanhã. 


Podes ler ainda a minha opinião sobre a Season 2 


Ao longo desta terceira temporada de And Just Like That, fica evidente como os personagens passaram por transformações significativas que influenciam as suas jornadas pessoais e a forma como enfrentam os desafios. Prova maior disso é a evolução da relação com Aidan, que termina como sempre imaginei e que comprova a minha teoria de que ele nunca esteve preparado para ficar com a Carrie, nem antes nem agora. Miranda consegue alcançar a estabilidade, assumindo os seus desejos e as suas limitações e começa uma relação com uma mulher que parecer ter, de facto, futuro. Charlotte também ultrapassa todos os problemas e continua feliz ao lado da família que construiu e das amigas que estarão sempre ao seu lado. No que toca às novas amizades que chegaram, tenho de destacar o final da Seema, que evoluiu muito e parece ter encontrado alguém especial. No entanto, confesso que me incomodou o facto de ter abandonado o sonho duma vida inteira, o casamento. Nem sequer partilho desse sonho, mas não sei se ela desistir é sinal de empoderamento ou de resignação. 



No entanto, temos de admitir que alguns aspectos poderiam ter sido melhor explorados para aprofundar mais as histórias dos personagens. Fiquei com a impressão que foi decidido subitamente que seria a última temporada e correram a entregar desfechos precipitados, que poderiam ter sido mais trabalhados e até ponderados. Talvez a solução tivesse sido optar por ter mais alguns episódios para que se ganhasse uma maior profundidade e conexão emocional com o público, encerrando a história de maneira mais satisfatória e completa. Ainda assim, não deixou de equilibrar nostalgia com novas experiências e conseguiu manter, em certa medida, o espírito da série vivo, respeitando o legado de O Sexo e a Cidade. Esta conclusão deixa-nos a lição de que a história de Carrie, Miranda e Charlotte vai além das tramas superficiais, representando uma celebração da força, resiliência e evolução contínua das mulheres na maturidade, sem esquecer a amizade como ponto incontornável nas suas vidas. 


Portanto, se ainda não assististe à terceira e última temporada de And Just Like That, prepara-te para uma conclusão cheia de emoções, revelações e momentos que vão mexer contigo. Para quem já é fã old school, esta temporada oferece uma temporada de revisitar os personagens queridos, aprofundar as suas histórias e refletir sobre as mudanças que a vida traz. Recomendo que assistas de mente aberta, disponível para te emocionares e te surpreenderes. Afinal, apesar de todas as críticas que possamos fazer, esta temporada encerra um capítulo importante na vida destas personagens icónicas, deixando-nos com um gostinho de saudade e muitas reflexões sobre o amor, a amizade e o tempo que passa. Mas agora quero muito saber a tua opinião! Já viste o final da série? Acreditas que conseguiram fechar todas as histórias de forma satisfatória? Qual o momento foi mais marcante para ti? Conta-me tudo nos comentários abaixo! 

quinta-feira, 8 de janeiro de 2026

Top 10 - Melhores Leituras de 2025

 

Imagem de um livro aberto sobre uma superfície, com páginas levemente folheadas, transmitindo a sensação de descoberta e aventuras literárias. Perfeito para representar o universo das melhores leituras de 2025.

Com o passar dos anos, a minha paixão pela leitura só cresce, levando-me a explorar uma variedade cada vez maior de géneros e autores. 2025 foi um ano repleto de descobertas surpreendentes, histórias inspiradoras e ensinamentos valiosos que marcaram a minha trajetória como leitora. Hoje, quero partilhar contigo as dez melhores leituras que fizeram parte da minha jornada no ano que passou, destacando os livros que mais me impactaram, desafiaram e encantaram ao longo dos últimos doze meses. 


Podes ver também as Melhores Leituras de 2024 


A seleção que aqui apresento reflete as minhas preferências pessoais, mas também as obras que, de alguma forma, deixaram uma marca duradoura na minha visão de mundo e na minha maneira de pensar. Quer sejas uma leitora assídua ou alguém que procura novas inspirações, espero que estas recomendações possam ajudar-te a descobrir títulos incríveis e enriquecer as tuas próprias experiências literárias em 2026. Agora, sem mais demoras, vamos conferir os livros que fizeram de 2025 um ano memorável para as minhas leituras! Vens comigo? 


Buy Me A Coffee

1. Ensaio sobre a Cegueira, de José Saramago 

Este talvez seja o livro mais famoso de Saramago, cuja leitura fui adiando até ter aquele que será a sua continuação e que lerei em 2026. E agora, depois de o ter lido, compreendo perfeitamente porque é o favorito de tanta gente. Esta lista não tem ranking, mas este talvez seja o livro mais marcante de 2025 e que recomendo a todos. 


Wook | Bertrand 


Imagem da capa do livro "Ensaio sobre a Cegueira" de José Saramago, exibindo uma capa minimalista com tons de preto e branco, refletindo a atmosfera sombria e introspectiva da obra que aborda a fragilidade da sociedade diante da perda de visão.

2. Filipe I de Portugal, de Isabel Stilwell

Stilwell nunca desilude e tem sido uma aventura incrível acompanhar os seus romances históricos nestes últimos anos. Mas este sobre o primeiro rei espanhol que nos governou, foi transformador, aguçou a minha curiosidade e foi o mote para a primeira viagem que fiz sozinha pelo Alentejo e que me permitiu visitar alguns dos lugares retratados no livro. 


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Foto da capa do livro "Filipe I de Portugal" de Isabel Stilwell, uma obra que retrata a vida e o reinado de Filipe I de Portugal, também conhecido como Filipe II de Espanha, explorando sua influência na história ibérica e europeia.

3. Os Buddenbrook, de Thomas Mann

Cada vez que me lembro que esta obra-prima foi o primeiro livro que Thomas Mann escreveu, fico incrédula e deslumbrada com tanto talento. Um verdadeiro calhamaço que vale cada página e que está longe dos clichés românticos, mas que entrega uma história familiar que roça a perfeição. 


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Capa do livro "Os Buddenbrook" de Thomas Mann, apresentando uma ilustração clássica com elementos art nouveau, refletindo a atmosfera do romance familiar ambientado na Alemanha do século XIX.

4. Vera Lagoa, de Maria João da Câmara 

Já não é novidade o quanto eu gosto de biografias e esta, sobre a controversa Vera Lagoa, terá sido provavelmente a melhor de 2025. Foi uma mulher marcante do século XX português que está a cair no esquecimento, mas que merece que o seu nome fique registado na memória coletiva e se perpetue junto das novas gerações. 


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Capa do livro "Vera Lagoa" de Maria João da Câmara, apresentando uma foto vibrante de uma mulher com olhos expressivos e cabelo ondulado, refletindo a profundidade e a sensibilidade da narrativa.

5. Admirável Mundo Novo, de Aldous Huxley

Finalmente consegui comprar e ler a distopia clássica que me faltava e fiquei rendida! É perturbador, sobretudo quando vemos à distância que foi escrita e quantas coisas parecem estar ao nosso redor, a concretizar-se no pior sentido. Depois, temos as imensas referências a Shakespeare que são incríveis e reforçam a minha vontade de ler toda a obra do dramaturgo. 


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Capa do livro "Admirável Mundo Novo" de Aldous Huxley, apresentando uma ilustração futurista com elementos distópicos, representando a sociedade controlada e tecnologicamente avançada descrita na obra.

6. O filho de mil homens, de Valter Hugo Mãe

Vou no segundo livro deste autor nacional e volta a fazer parte dos favoritos do ano. As histórias que conta são tristes mas repletas de esperança, com personagens especiais e um desfecho poético. As expectativas estão muito altas. Será que vai conseguir manter-se neste ranking no futuro? 


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Imagem da capa de "O Filho de Mil Homens" de Valter Hugo Mãe, com uma ilustração poética que evoca emoções profundas e a beleza da narrativa, refletindo a sensibilidade e o estilo único do autor.

7. Santa Evita, de Tomás Eloy Martinez

Este foi o livro que levei nas férias e fiquei tão agarrada que não via a hora de voltar a ele. Imaginava que seria bom, mas nunca pensei que seria tão viciante! Foi uma delícia a cada novo capítulo e só se lamenta quando se chega ao fim. É daqueles livros que, quando terminamos, a vontade é começar de novo. E que nos deixa com inveja de quem vai ler pela primeira vez. 


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Imagem da capa do livro "Santa Evita" de Tomás Eloy Martínez, retratando uma ilustração vibrante e evocativa que captura a essência da narrativa histórica e política do romance.

8. O Anjo Pornográfico, de Ruy Castro

Ruy Castro também é um repetente neste ranking, desta vez, com a biografia de Nelson Rodrigues, um escritor brasileiro fascinante e com uma história que é, ela própria, digna de romance. Claro que a escrita e a construção do autor também influencia a tornar tudo melhor. Mais uma biografia que conquistou o meu coração e aumentou a minha vontade de ler mais obras de Nelson. 


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Imagem da capa do livro "O Anjo Pornográfico" de Ruy Castro, com uma arte que remete à atmosfera vibrante e ousada do universo do jazz e da boemia carioca, refletindo a essência da narrativa e o estilo envolvente do autor.

9. Pão de Açúcar, de Afonso Reis Cabral

Penso que esta foi a leitura mais difícil que fiz em 2025. Não porque o livro seja complicado, mas porque o tema é pesado e causa uma náusea por sabermos o desfecho desde o início. É um livro até curto, mas que é impossível ler rapidamente. Pelo menos para mim foi, porque estava sempre à espera de quando chegaria a desgraça final e não conseguia deixar de desejar que tivessem feito outras escolhas. Difícil de engolir, mas essencial para que esta mulher não fique esquecida e não seja apenas uma aberração com um fim trágico. 


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Imagem da capa do livro "Pão de Açúcar" de Afonso Reis Cabral, apresentando uma paisagem urbana, refletindo a atmosfera envolvente e as emoções presentes na obra

10. The Hallmarked Man, Robert Galbraith

Esta é a série que me faz roer as unhas enquanto espero cada volume novo. Só mesmo J. K. Rowling para me deixar ansiosa por mais um capítulo das suas histórias. A saga Strike está cada vez melhor e só me entristece ter de esperar mais dois anos pelo próximo. No oitavo volume, a tensão cresce mas ainda não chegamos ao desenrolar que tanto esperamos. Será no nono? É esperar para descobrir. 


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Capa do livro "The Hallmarked Man" de Robert Galbraith, exibindo uma imagem misteriosa de uma figura masculina envolta em sombras, com detalhes metálicos que remetem à temática de assinatura e marca registrada, sugerindo suspense e intriga.

E ao rever as minhas leituras de 2025, fica evidente como cada livro contribuiu de forma única para o meu crescimento pessoal, intelectual e emocional. Esta seleção reflete não só as obras que mais me marcaram, mas também as diversas perspectivas e experiências que tive o privilégio de explorar ao longo do ano. Cada leitura trouxe novas ideias e momentos de reflexão que certamente irão influenciar as minhas próximas escolhas literárias. 


Assim, espero que esta lista te inspire a descobrir novas obras e a mergulhar em histórias que possam enriquecer a tua vida também. Afinal, a leitura é uma jornada contínua, capaz de ampliar horizontes e fortalecer conexões humanas. Que 2026 seja um novo capítulo repleto de boas leituras, descobertas surpreendentes e momentos inesquecíveis entre as páginas dos livros. Agora, é a tua vez de partilhares as tuas leituras. Qual o melhor livro que leste em 2025? Leste algum destes? Qual vais querer ler em 2026? Conta-me tudo nos comentários abaixo! 

terça-feira, 6 de janeiro de 2026

#Livros - Salgueiro Maia, de Moisés Cayetano Rosado

 

Imagem em preto e branco de Salgueiro Maia fardado, com expressão determinada, sobre um fundo vermelho vibrante.

Sinopse

"Foi há quarenta e dois anos! 

Um homem em cima de uma Chaimite. Que interpela o poder que está a cair, enquanto o novo poder tarda em chegar. 

Simples. Sem ambições de mando ou de glória. 

Que ali está porque sente dever cumprir aquela missão militar, que é também e acima de tudo cívica. 

Que não pensa um segundo sequer no simbolismo daquela presença, nem no significado histórico daquele momento. 

Que, terminada a missão, regressa ao quartel, para voltar a ser o que era. Com a naturalidade de quem não reclama louros, nem aspira a celebridade. 

À sua maneira, Salgueiro Maia deu expressão a um povo e a uma maneira de ser e de viver ao longo dos séculos. (...) 

Salgueiro Maia foi o retrato desse povo, que é o que Portugal tem de melhor. (...) 

Foi esse povo que fez Portugal. E, nele, os soldados de Portugal. Sem ele e eles os chefes mais ilustres não teriam triunfado, os políticos mais brilhantes não teriam vencido, os empreendedores mais visionários não teriam criado." 

(Do prefácio de Sua Excelência, o Presidente da República, Prof. Doutor Marcelo Rebelo de Sousa) 


Buy Me A Coffee

Opinião 

Este foi um dos meus grandes desejados que comprei na Feira do Livro de Lisboa do ano passado e que determinou a escolha dum dos dias que a visitei. A verdade é que sou fascinada por esta figura fundamental na História de Portugal e pelo seu papel crucial na Revolução dos Cravos. Por isso, esta obra pareceu-me uma leitura interessante para entender o contexto histórico português e o homem por trás do mito. Afinal, Salgueiro Maia foi fundamental para o final da nossa ditadura. Como militar, destacou-se pela sua liderança e coragem ao comandar as tropas que tomaram Lisboa, desafiando a autoridade e a política vigente. A sua actuação foi determinante para garantir a transição pacífica para a democracia, tornando-se um símbolo de resistência e esperança para o povo português. A sua vida e a sua trajetória refletem bem o compromisso com a liberdade e a mudança, sem com isso procurar benefícios para si mesmo. 


O livro retrata o panorama político de Portugal na época de Salgueiro Maia, caracterizado por um período de intensa transformação e instabilidade. Durante décadas de ditadura autoritária sob o Estado Novo, liderado por Salazar e posteriormente Marcelo Caetano, o país vivia um clima de repressão política, censura e isolamento internacional. A oposição civil e militar crescia, alimentada pelo desejo de liberdade, democracia e melhorias sociais, bem como pelo cansaço da guerra e uma consciência crescente da injustiça desse conflito nas colónias. Mas em 25 de Abril de 1974, uma junta militar, liderada por oficiais como Salgueiro Maia, desencadeou um movimento revolucionário que derrubou o regime e que marcou o início dum processo de transição democrática. Este momento foi decisivo, pois representou uma ruptura com o passado autoritário e abriu caminho para a implantação dum sistema político mais livre, embora também tivesse que lidar com os desafios da descolonização e das diferentes correntes ideológicas no pós-revolução. 


Podes ler também a minha opinião sobre Snu e a Vida Privada com Sá Carneiro 


Os capitães de Abril foram fundamentais para o sucesso deste processo, sem uso de violência, e a figura de Salgueiro Maia reveste-se duma relevância singular, pois representa o ideal de comprometimento cívico, coragem e determinação em momentos cruciais do país. A sua postura ética e a sua dedicação à causa da liberdade tornaram-se símbolos de esperança e renovação, inspirando gerações futuras, conquistando o carinho do povo e o ódio de muitos poderosos que não o conseguiam arregimentar ou comprar. Assim, a sua importância transcende o contexto imediato da revolução, consolidando-se como uma referência de integridade e compromisso com o bem comum na História moderna de Portugal e que, infelizmente, perdemos cedo demais. 


"Ainda que a 'inveja' do herói em que ele se tinha convertido em 25 de Abril - com um reconhecimento crescente da população e dos meios públicos em geral - venha a ser também motivo para o rebaixamento e suposto ostracismo a que foi submetido." 


Moisés Cayetano Rosado é um famoso historiador espanhol, conhecido pelas suas obras que abordam a História contemporânea de Portugal. Com uma formação sólida, dedicou-se ao estudo dos movimentos políticos e sociais do século XX, especialmente aqueles relacionados ao período da Revolução dos Cravos. A sua abordagem e o seu estilo de escrita revelam-se marcados por uma narrativa detalhada, que combina rigor histórico com uma linguagem acessível. O autor adopta uma postura próxima do leitor, utilizando uma prosa clara e bem estruturada para contextualizar os eventos e destacar a figura de Salgueiro Maia, de forma humanizada e realista. 


Podes ler ainda sobre 25 livros para entender a Liberdade 


A estrutura do livro caracteriza-se por uma organização clara e bem delimitada, dividida em capítulos que acompanham cronologicamente, desde as incursões em África, na Guerra Colonial, até ao seu triste final de vida, incluindo os principais eventos que marcaram a sua vida enquanto militar e a sua actuação nos diferentes cenários que lhe foram apresentados. O autor apresenta uma narrativa que alterna entre momentos biográficos, análises e contextos históricos que permitem ao leitor compreender não só a figura de Salgueiro Maia, mas também o cenário político e social em que se inseriu. O grande tema do livro é, como seria de esperar, a Revolução dos Cravos, onde destaca a importância da coragem, do compromisso democrático e da resistência contra a opressão. A obra também discute o papel do líder Salgueiro Maia como símbolo da luta pela liberdade e pela democracia em Portugal, explorando questões de ética, liderança e o impacto de movimentos populares na transformação política do país. 


"Salgueiro Mais morreria demasiado jovem, com 47 anos, desenganado por tantas contrariedades e injustiças, das quais foi o alvo preferido e pela evolução sociopolítica do país, que não era a sonhada com os míticos três 'Ds'." 


Os pontos fortes deste livro são a pesquisa minuciosa, que oferece uma visão detalhada e fundamentada sobre os eventos que antecederam o 25 de Abril e a própria Revolução. A narrativa é bem estruturada, o que permite ao leitor compreender os factos históricos e as nuances pessoais e políticas que marcaram este período e o próprio Salgueiro Maia. No entanto, confesso que esperava ver mais do protagonista. Apesar de não ser uma biografia pura, fiquei com a impressão que o homem ficou escondido no meio de tanta informação histórica, política e militar, ficando visíveis apenas alguns vislumbres da sua actuação e do que pensou e sentiu em momentos tão importantes. Ainda assim, não deixa de ser uma leitura inspiradora, que desperta a nossa admiração por figuras que enfrentaram desafios com determinação e integridade e que dá uma nova luz sobre a origem da insatisfação dos militares, sobre os acontecimentos históricos de Abril e dos meses conturbados que se seguiram, o que, para alguém que não viveu nada disso, é fascinante de descobrir e entender. 


Para os leitores interessados nestes temas, tem aqui uma bela introdução, acessível e bem fundamentada, que oferece uma aproximação aos eventos históricos e às acções decisivas de Salgueiro Maia durante o movimento. Portanto, só posso deixar o convite para que leias esta obra que retrata a coragem e a determinação de Salgueiro Maia, bem como a luta pela liberdade e pela democracia, valores que parecem estar a perder valor nos dias que correm, mas que ninguém devia dar como garantido. Mas agora quero muito saber a tua opinião! Já conhecias este livro? Que aspectos da trajetória de Salgueiro Maia mais te chamaram à atenção? O que pensas do seu papel na Revolução? O que achas da forma como foi tratado nos anos seguintes? Conta-me tudo nos comentários! 


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