Sinopse
Um homem cai do décimo andar de um hotel em Lisboa. A polícia identifica-o: Kurt Weilmann.
Nos momentos finais de vida, balbucia palavras misteriosas: «UNIO MYSTICA... MISTERIUM TREMENDUM».
Acidente, suicídio ou homicídio? A Judiciária encontra no quarto de Weilmann uma derradeira mensagem com um nome: Tomás Noronha.
O historiador é convocado para esclarecer o seu envolvimento naquela morte. Durante o inquérito, a CIA avisa Tomás: a sua vida corre perigo. Quem atirou Weilmann do décimo andar também o quer matar. Para se salvar, terá de desvendar o mistério daquela morte.
Assim começa uma busca que irá conduzir Tomás Noronha aos segredos que envolvem uma classe de substâncias terapêuticas com propriedades milagrosas. Chamam-lhes enteógenos, expressão grega para... O DIVINO DENTRO DE NÓS.
Baseado em descobertas científicas que estão a ser estudadas pelas maiores instituições do mundo, desde Harvard até ao Centro Champalimaud, O Sexto Sentido mostra-nos o que os enteógenos começaram a revelar sobre os maiores enigmas do Universo - incluindo o mistério da morte e o sentido da vida.
Opinião
O Sexto Sentido é mais uma aventura protagonizada por Tomás Noronha, escrita por José Rodrigues dos Santos, com uma narrativa envolvente que combina elementos de mistério, suspense e muita ciência. O autor, também conhecido pelo seu trabalho como jornalista e professor universitário, possui uma vasta experiência que enriquece as suas obras, conferindo-lhes uma profundidade e autenticidade únicas. Nesta nova obra, convida o leitor a explorar questões filosóficas e existenciais, que exploram o conceito do sexto sentido duma maneira intrigante e instigante, enquanto aborda temáticas universais, como a busca pelo conhecimento, a relação entre ciência e fé, o conflito entre o racional e o espiritual.
A narrativa vem acompanhar personagens que se envolvem em busca por verdades ocultas, explorando o conhecimento e a complexidade do entendimento humano sobre a mente e o cérebro. Tudo começa com a morte misteriosa dum antigo conhecido americano de Tomás e com uma ameaça sobre a sua vida que parece pairar vinda da China e dos inimigos que por lá conquistou em aventuras anteriores. A missão que tem em mãos é recuperar um ficheiro sobre uma antiga operação da CIA, escondido pelo agente aparentemente assassinado, e que parece ser perigoso se for tornado público e mais ainda se for parar nas mãos dos inimigos do Ocidente. Mas, como vem sendo hábito, nem tudo é o que parece e os inimigos podem estar mais perto do que se pensa. E pelo meio, temos as substâncias alucinógenas que parecem ocultar segredos da mente, que têm sido ignorados pelos preconceitos generalizados sobre todas as drogas.
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No livro, são vários os ambientes para onde viajamos ao longo das suas mais de quinhentas páginas. A história começa por se desenrolar em Lisboa, onde o protagonista vive e trabalha, mas também passa pelo México, pelos Estados Unidos e pelo Nepal. O personagem principal é o icónico Tomás, um homem inteligente e com um talento especial para se meter em sarilhos, mas também para sair deles. Pelo caminho, vai se cruzando com alguns personagens que surgiram noutras obras desta série, como é o caso do agente da CIA que o acompanha ou o monge budista que lhe dará a chave para o mistério que terá de solucionar para salvar a sua vida. São personagens secundários, mas que desempenham papéis cruciais na investigação e no mistério, como colegas, agentes secretos e antagonistas cujas motivações se entrelaçam na complexa teia de segredos e conspirações presentes na narrativa.
"O historiador sabia que em cada cientista, mesmo nos mais racionais, se escondia um místico, pois o encantamento científico perante a ordem subtil da natureza tinha uma raiz intrinsecamente mística."
Como já nos habituou, o enredo apresenta uma trama envolvente que combina elementos de mistério, suspense e aventura, levando-nos a uma jornada repleta de reviravoltas e descobertas surpreendentes. A narrativa é bem estruturada, alternando entre pontos de vista, o que contribui para intensificar o ritmo e manter a curiosidade do leitor. O autor consegue equilibrar momentos de acção com cenas mais introspectivas, criando um ritmo dinâmico que prende a nossa atenção do início ao fim, garantindo uma leitura fluída e empolgante. Ao longo da narrativa, o desenvolvimento de Tomás revela, como nunca antes, as suas fragilidades, as suas forças e um crescimento, só possível após assumir e aceitar as suas dores e que me deixa muito curiosa sobre como o iremos encontrar no próximo livro do autor.
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José Rodrigues dos Santos aborda uma variedade de temas que se entrelaçam de maneira complexa e instigante. A religião e a ciência voltam a ser discutidas como duas perspectivas muitas vezes opostas, mas que podem coexistir e até se complementar na busca pelo entendimento do universo e do ser humano. O mistério, presente na trama, serve como catalisador para refletirmos sobre o desconhecido e o inexplicável, enquanto a filosofia permeia as questões existenciais levantadas pelos personagens, explorando conceitos de fé e razão. O estilo do autor é caracterizado pela narrativa envolvente, fluida e repleta de detalhes que enriquecem a trama, ao mesmo tempo em que combina uma linguagem acessível com uma abordagem erudita. A sua habilidade de integrar informações complexas de forma natural permite ao leitor mergulhar profundamente na história, enquanto mantém o ritmo dinâmico que nos prende.
"Ninguém é uma ilha, todos somos o mar. O ódio é o óleo que nos separa, o amor a cola que nos une."
Embora a narrativa seja muito envolvente, com uma trama repleta de suspense, considero que podemos considerar certos trechos demasiado complexos, que podem dificultar a compreensão, sobretudo os leigos que estão menos familiarizados com os temas científicos abordados. Mas em suma, as minhas impressões gerais sobre O Sexto Sentido são bastante positivas. A escrita de José Rodrigues dos Santos nunca desilude, ainda que prefira os seus livros mais focados em aspectos históricos. A verdade é que o enredo bem construído contribui para uma leitura instigante e enriquecedora, que proporciona uma experiência que estimula a curiosidade e o pensamento crítico. Mas agora quero muito saber a tua opinião! Já conheces esta nova aventura de Tomás Noronha? O que achaste do tema principal abordado? Qual o momento que mais te marcou durante a leitura? Conta-me tudo nos comentários!












