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sexta-feira, 18 de agosto de 2017

Uma noite com... #133










Vítor d'Andrade

Mais conhecido, por estes dias, como Inspector Lúcio, em Ouro Verde.

Podes ver os gatos das semanas anteriores aqui.

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

A minha fé ou falta dela



Os assuntos da fé e da religião são sempre espinhosos e alimentam as maiores polémicas do universo. Contudo, como não sou mulher de fugir de discussões e tenho opiniões a dar sobre tudo e mais um par de botas, apeteceu-me aqui explicar a minha posição no que toca a estes assuntos cabeludos. 

Na verdade, não fui bafejada com o poder de acreditar, sem precisar de razões ou provas factuais. Como tal, não sou capaz de acreditar na existência de Deus, menos ainda na imagem que a Igreja Católica nos incute desse Deus. E refiro-me à Católica por ter crescido em contacto com essa religião em particular. 

Contudo, isso não impede que me sinta fascinada por todos os mistérios que giram em torno das religiões e das suas figuras míticas. Exemplo disso são as minhas leituras, como é o caso de Vaticanum e muitos outros que terão a sua opinião publicada no blog muito em breve. É a curiosidade por entender um fenómeno que não vivo nem sinto na pele. 

Respeito imenso quem tem em si a verdadeira Fé, mas não consigo deixar de acreditar que Deus é uma criação do Homem, na tentativa de dar um sentido a esta vida e à inevitabilidade da morte, e não o contrário. Já para não falar da Igreja Católica, poço sem fundo de incongruências e princípios sem qualquer fundamento. 

Claro que nutro uma especial simpatia pelo actual Papa e pela forma como vai ao encontro das pessoas com uma verdadeira missão de amor ao próximo. Ele revela-se aos nossos olhos como deveriam todos as pessoas religiosas deste mundo, em particular os padres e afins. Talvez se a Igreja entender o poder da aceitação, em vez do julgamento fácil, seja capaz de chegar aos que se têm afastado ao longo dos anos. 

Por outro lado, neste tópico volto a mostrar o quanto sou estranha e pouco coerente. Afinal, posso não acreditar na existência de Deus como entidade criadora de tudo, mas acredito profundamente que aqueles que amamos e nos amaram nunca nos abandonam. É algo que não consigo explicar de forma racional, como quase todos os assuntos relacionados com o oculto. 

No entanto, sinto a presença da protecção constante do meu avô a pairar sobre mim e a conjugar energias para que o auxílio chegue no momento que mais preciso. É uma espécie de sorte que me protege das mais variadas situações, pois no momento em que a coisa se poderia tornar grave, tudo se reorganiza de forma a que não passe de mais um episódio com final feliz. 

É por isso que acredito que a minha estrelinha da "sorte", que me protege onde quer que esteja, da mesma forma que me protegeu enquanto viveu, só pode ser o meu adorado avô. Faz algum sentido para ti as minhas incoerências? És pessoa de fé? Alguém desse lado sente essa protecção misteriosa? 

terça-feira, 15 de agosto de 2017

#Livros - Hilda Furacão, de Roberto Drummond



Sinopse
No dia do seu casamento, uma jovem da alta sociedade de Minas Gerais, estado conservador e católico do Brasil, deixou o noivo pregado na Igreja e abandonou tudo para se tornar prostituta na Zona Boémia de Belo Horizonte.

Nesses anos 60, numa Belo Horizonte a cheirar a jasmim e às granadas de gás lacrimogéneo que a polícia lançava contra os estudantes, surge então Hilda Furacão, a musa erótica que inflama a imaginação da cidade e cuja vida se irá cruzar com os sonhos de três rapazes vindos do interior: um quer ser santo, o outro actor de Hollywood e o terceiro escritor, o repórter que será encarregado de descobrir o segredo de Hilda Furacão. 

Um segredo que Hilda lhe promete revelar no dia 1 de Abril de 1964, precisamente cinco anos depois de iniciar a vida de prostituta. 

Hilda Furacão existiu (existe) mesmo?

Mistério, romance, humor, ironia e sátira, suspense permanente. Prostitutas, beatas, comunistas, polícias, jornalistas, generais, políticos, malandros, boémios, milionários, uma galeria de personagens inesquecível. Uma obra que agarra e enche completamente o leitor. Um talento narrativo e uma qualidade literárias singulares num romance verdadeiramente popular.

Hilda Furacão acaba de ser considerado um dos 100 melhores livros de sempre da Literatura de Língua Portuguesa. 

Opinião
Começo por dizer que, apesar de não se encontrar no Top 10 de livros para ler nas férias, seria uma excelente escolha e te iria proporcionar momentos fantásticos para onde quer que vás. Não é um livro grande, nem pesado para levar na mala, mas faz-nos viajar para a cidade de Belo Horizonte nos idos anos 60, com as suas descrições incríveis dos locais e do ambiente político e social que se vivia à época. 

Depois, tem um leque de personagens apaixonantes que nos prende à trama, seja a que se passa na pacata Santana dos Ferros, seja na cosmopolita Belo Horizonte. Os nossos três mosqueteiros são, de facto, um trio do mais diferente de que há memória, mas que estão unidos pela amizade de infância, um dos elos mais fortes que existem, quando amizades verdadeiras. 

E, claro, a mítica Hilda Furacão, que se tornou numa lenda, tão misteriosa que já ninguém sabe se existiu de facto ou se foi uma invenção da imaginação dos homens. O que é certo é que colocou a Cidade das Camélias no epicentro de toda a trama e para lá levou o glamour e a dúvida que povoa na cabeça de todos: porque uma menina da alta sociedade decidiu tornar-se prostituta? 

Algumas respostas serão dadas ao longo da história, muito embora, a verdade só a própria saberá. A sua paixão pelo Santo é deliciosa e coloca-nos a torcer para que, nesta batalha em particular, a prostituta vença Deus. 

Não conhecia de modo algum esta história ou este autor, mas fiquei decidia a ler este livro depois de assistir à mini-série da Globo com o mesmo nome, que tanto sucesso fez no Brasil e em Portugal. Quem não se recorda de ver as filas no Maravilhoso Hotel para os seus dois minutos com a misteriosa Hilda Furacão? 

Na verdade, a única personagem de que senti falta no livro foi o rabugento Padre Nelson. Ele é referido, sim, mas como parte do passado, não como parte integrante e influenciadora da luta do Santo contra o pecado. Já na mini-série, ele era o grande conselheiro de Malthus e protagonizou algumas das cenas mais divertidas de que tenho memória. 

Portanto, feito o balanço entre as duas histórias, a lida e a vista, fiquei muito contente por ter, finalmente, tido a oportunidade de ler este livro e ficar a conhecer a forma como o autor decidiu contar ao mundo a lenda de Hilda Furacão. 


"Ela veio andando na direcção dele como uma festa; no que andava - e isso era natural nela, nunca teve aulas - trazia toda a alegria do mundo; era clara, tinha a Itália materna na pele e a Alemanha paterna nos olhos cor de fumaça e um certo quê louro nos cabelos lindamente presos; e a arrogância, esse não abaixar a cabeça, esse não desviar os olhos, donde é que vinha? O vestido era um tomara-que-caia preto, que assumia a forma surpreendentemente jovem de seu corpo, uma lembrança das missas dançantes do Minas Ténis Clube; e o Santo - que desviou o crucifixo no rumo dela - teve medo de pensar (oh, louco coração!) que ela não usava soutien e que seus seios recordavam duas maçãs argentinas e eram inquietos como os pássaros-do-paraíso."

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segunda-feira, 14 de agosto de 2017

Desafio de Cinema (35/52) - Romântico



Nada como começar a semana a falar de Cinema, não é mesmo? Pois que é isso que vai acontecer, como vem sendo hábito com este Desafio de Cinema que vai já na trigésima quinta semana. E logo com um tema daqueles difíceis. Não por não me lembrar de nenhum filme, mas precisamente porque, só de pensar na palavra "Romântico", me vem à lembrança, pelo menos, uns duzentos. 

Sem esquecer que muitos dos filmes que aqui referi poderiam se encaixar perfeitamente nesta categoria. No entanto, este Desafio não é feito para repetições, mas para encontrar sugestões diferentes a cada semana. Por isso, decidi eleger para filme Romântico o lendário Cidade dos Anjos

Quem não se recorda do anjo que se apaixona por uma mulher e, por ela e por esse grande amor, é capaz de tudo? Sem esquecer a grande lição que nos dá no que diz respeito aos finais felizes. Mais importante do que o final em si, o essencial é viver o Amor de forma plena, pois só assim tudo terá valido a pena, sem ser relevante como acaba. 

Uma história para ver e rever, vezes sem conta. Lembraste deste filme? Qual o teu filme romântico favorito?


Sinopse
Seth, um anjo recém-chegado à Terra, preocupa-se exageradamente com as questões humanas e acaba por entrar numa relação amorosa com uma cirurgiã especializada em doenças cardíacas. Entre ambos surge uma paixão impossível, entre um ser eterno e um de carne e osso, o que leva a que ambos desafiem as leis que definem a existência.


Acompanha o Desafio de Cinema - 52 Filmes em 52 Semanas e vê os próximos temas. 

sábado, 12 de agosto de 2017

#Livros - Vaticanum, de José Rodrigues dos Santos



Sinopse
Um comando do estado islâmico entra clandestinamente no Vaticano e o Papa desaparece. Horas depois surge na Internet um vídeo em que os terroristas mostram o Sumo Pontífice em cativeiro e fazem um anúncio chocante: O PAPA SERÁ DECAPITADO EM DIRECTO À MEIA-NOITE. O relógio começa a contar. O rapto do papa desencadeia o caos. Milhões de pessoas saem à rua, os atentados sucedem-se, multiplicam-se os confrontos entre cristãos e muçulmanos, vários países preparam-se para a guerra. 

Apanhado no epicentro da crise quando trabalha nas catacumbas da Basílica de São Pedro, Tomás Noronha vê-se envolvido na investigação para descobrir o paradeiro do Papa e cruza-se com um nome enigmático: OMISSIS. A pista irá conduzi-lo ao segredo mais sombrio da Santa Fé.

Usando informação genuína para nos revelar o que se esconde nos bastidores do Vaticano, o escritor preferido dos portugueses está de regresso com o thriller do ano. Com Vaticanum, José Rodrigues dos Santos mostra mais uma vez por que razão é considerado mestre do mistério real.

Opinião
Quer-me parecer que já não existe necessidade de referir o quanto gosto deste autor. É uma coisa que, a cada novo livro, me deixa mais rendida. A forma como escreve e a quantidade de informação que debita sem que, em momento algum, se roce o aborrecimento ou o tédio, é algo que me deixa siderada e ansiosa pelo lançamento de cada novo livro. 

Depois temos este personagem icónico, Tomás Noronha, que é o herói que todos gostaríamos de ser nos nossos sonhos. Inteligente, culto, corajoso, capaz de raciocínio rápido e uma capacidade de improvisação acima da média. Quem não? Aliás, acredito que este personagem e estas histórias que tenho lido dariam excelentes filmes ou uma série brutal. 

Quanto à história deste livro em particular, foca-se num tema que sempre movimenta muita discussão. Afinal, a Religião, nomeadamente a Católica, é algo que apaixona milhões de pessoas. Na verdade, para o bem e para o mal, não sou uma pessoa de fé. No entanto, tenho consciência de que a Fé é uma coisa pessoal e intransmissível, enquanto que a Igreja será uma instituição gerida por homens e, como tal, sujeita às suas imperfeições, falhas de carácter e pecados. 

No fundo, José Rodrigues dos Santos aproveita o pretexto do rapto do Papa Francisco para nos revelar, numa linguagem simples e acessível a todos, os grandes escândalos financeiros do Vaticano. O quanto os cardeais procuram o benefício próprio e almejam por mais e mais poder. A lavagem de dinheiro. As fontes de receita pouco recomendáveis. O escândalo do Banco Ambrosiano. O possível assassinato de um Papa. A missão pessoal de João Paulo II. 

Sem esquecer as profecias, onde encontramos enormes referências a Fátima, O lado místico será sempre interessante de ser explorado e alimenta o mistério em torno do rapto do Papa e de quem serão os verdadeiros responsáveis. Será um ataque religioso? Ou um ataque interno? 

Pela parte que me toca, desconhecia em pormenor as verdadeiras implicações da corrupção da cúria romana e fiquei, não direi surpreendida, mas esclarecida quanto ao que por lá acontece e, de certa forma, chocada com a permissividade de todos. 

Este era um livro que estava na minha wishlist e que não desiludiu em nada, ainda que as expectativas estivessem muito altas, como vem sendo hábito com este autor. Aliás, é um livro que recomendo a toda e qualquer pessoa, religiosa ou não, católica ou não, que tenha interesse em conhecer o que se passa à sua volta. 

"Isto não pode continuar! Os fiéis não nos confiam o seu dinheiro para alimentarmos vícios de corte, como agora acontece na cúria, mas para ajudar os necessitados! Os cardeais terão de perceber que o mundo não gira à volta deles e há toda uma realidade para lá das paredes do Vaticano! Nós existimos para servir os outros, não são os outros que existem para nos servir! O nosso rebanho precisa de pastores dispostos ao sacrifício, não de burocratas mimados. A Santa Sé está cheia de narcisistas rodeados de aduladores e o espírito de corte aqui existente transformou-se num cancro. A cúria vive centrada em si mesma e limita-se a defender os seus interesses temporais. O dinheiro contaminou o pensamento e a fé, corrompe a nossa alma e leva-nos a tratar a religião como mera fonte de rendimentos."

Vê mais opiniões de livros do autor como: 


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