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terça-feira, 9 de junho de 2026

#Livros - Solaris, de Stanislaw Lem

 

Capa do livro "Solaris" de Stanislaw Lem, publicado pela editora Antígona. A imagem apresenta um fundo pontilhado em tons de vermelho e preto, criando uma textura abstrata que sugere mistério e profundidade cósmica. O design minimalista destaca o título e autor contra a composição de pontos que remetem ao tema de ficção científica da obra.

Sinopse

Em tradução directa do polaco, Solaris (1961) é uma das obras de ficção científica mais complexas e filosóficas, e consagraria Stanislaw Lem (1921-2006) como autor de culto. 

Publicado em Varsóvia, em pleno regime comunista, e adaptado ao cinema por Andrei Tarkovski, em 1972, e Steven Soderbergh, em 2002, é dominado por um imenso e enigmático oceano planetário, capaz de controlar as emoções e as memórias de exploradores à beira da loucura, isolados numa estação espacial. 

Neste romance psicológico sobre a incomunicabilidade, a angústia face ao insondável e a incapacidade humana de lidar com o desconhecido sem causar destruição, Stanislaw Lem leva-nos a um planeta distante para revelar os eternos abismos e buracos negros da alma. 


Buy Me a Coffee

Opinião 

Solaris é uma obra de ficção científica escrita pelo famoso escritor polonês Stanislaw Lem, publicada originalmente em 1961. A novela, que se tornou numa das mais influentes obras do género, representa um marco importante na Literatura, combinando elementos fortes do género com profundas reflexões filosóficas. A verdade é que o livro transcende os limites do entretenimento espacial tradicional, explorando temas complexos sobre a natureza da consciência, a comunicação entre espécies inteligentes e a condição humana. A obra foi traduzida para diversas línguas e continua a ser amplamente lida e estudada em universidades ao redor do mundo, consolidando-a como clássico indispensável da literatura especulativa


Esta obra emerge num período crucial da História intelectual do século XX, marcado pela Guerra Fria e pela corrida espacial entre Estados Unidos e União Soviética. Neste contexto de tensão geopolítica e optimismo tecnológico, Lem oferece uma perspectiva única que transcende a ficção científica tradicional, questionando as premissas do progresso humano e da exploração espacial. Ao retratar o encontro com uma inteligência alienígena incompreensível e irredutível aos nossos esquemas de compreensão, o autor critica o antropocentrismo científico e as ilusões humanistas da época. Tudo começa com Kris Kelvin, um psicólogo enviado à estação espacial Solaria para investigar anomalias no comportamento da tripulação. 


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Ao chegar ao planeta, Kelvin vê-se confrontado com os mistérios do planeta inteligente e com questões profundas sobre a natureza da consciência, memória e identidade. A narrativa desenrola-se num ambiente isolado e claustrofóbico, onde os personagens enfrentam fenómenos inexplicáveis que desafiam a sua compreensão científica e racional. Através de encontros perturbadores e reflexões filosóficas, o livro explora como o contacto com o desconhecido pode revelar verdades incómodas sobre nós mesmos, transformando uma missão científica numa jornada de autodescoberta pessoal e existencial. Tudo se desenrola no planeta Solaris, um mundo radicalmente alienígena que desafia toda a compreensão humana. Coberto por um oceano vivo e consciente, Solaria não é um simples cenário passivo, mas uma entidade viva que interage de forma enigmática com os visitantes humanos. 


"Se ele tivesse, em algum momento, acreditado que estava louco, não teria feito o que fez e ainda estaria vivo..." 


A estação espacial orbita o planeta, servindo como ponto de observação para cientistas que há décadas tentam decifrar os mistérios desse oceano extraordinário. O ambiente hostil e incompreensível de Solaris funciona como metáfora central da obra, um espelho que reflete o desconhecimento humano diante do desconhecido cósmico e as limitações da razão científica, bem como a impossibilidade de comunicação verdadeira com aquilo que nos é fundamentalmente estranho. A atmosfera opressiva do planeta, com os seus fenómenos inexplicáveis e comportamentos imprevisíveis, cria uma tensão constante e que torna Solaria num personagem vivo que questiona a própria natureza da existência e do conhecimento. Além disso, o livro apresenta personagens profundos que servem como veículo para a exploração das grandes questões filosóficas da obra. 


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O conflito central de Solaris não é, como se poderia esperar, um confronto directo entre humanos e uma entidade alienígena hostil. Em vez disso, Lem constrói um conflito profundamente psicológico e existencial. Afinal, o conflito está na incapacidade humana de compreender e comunicar-se com uma forma de vida radicalmente diferente. Parece que o planeta interage com os visitantes através de materializações dos seus traumas e memórias mais profundos, criando duplos espectrais de pessoas amadas e perdidas. Deste modo, o livro examina a própria natureza da consciência humana pela confrontação com o desconhecido. Lem sugere que a verdadeira exploração espacial é, em última análise, uma exploração de nós mesmos. 


"O Homem partiu em busca de outros mundos, de outras civilizações, sem conhecer inteiramente os seus próprios recantos, os seus becos sem saída e abismos, e sem saber o que está por detrás das duas portas negras." 


Stanislaw Lem constrói Solaris através duma prosa contemplativa e filosófica, que alterna entre descrições científicas precisas e reflexões profundas sobre a condição humana. O autor utiliza uma linguagem rigorosa ao abordar os aspectos técnicos da estação espacial e dos fenómenos do planeta, criando um efeito de verossimilhança que reforça o carácter especulativo da obra. As cenas de diálogos são densas em significado, frequentemente carregadas de tensão psicológica, enquanto os momentos introspectivos revelam a angústia existencial dos personagens. A estrutura caracteriza-se por um ritmo deliberadamente lento e contemplativo, que contraste com a urgência dos conflitos psicológicos que atravessam toda a trama. Na verdade, a genialidade de Solaris reside na sua capacidade de transformar a ficção científica em veículo para profundas reflexões filosóficas. Além disso, a prosa de Lem é hipnotizante, criando uma atmosfera de estranhamento que permeia toda a narrativa. 


Importa ainda não esquecer a forma como a obra se recusa a oferecer respostas fáceis ou finais reconfortantes, respeitando a inteligência do leitor e mantendo vivas as ambiguidades que tornam a história memorável e digna de múltiplas releituras. Foi uma entrada na ficção científica com o que permanece uma obra-prima, cuja relevância transcende as décadas desde a sua publicação. Eu adorei esta leitura e recomendo a todos que procuram desafiar as suas perspectivas e mergulhar em dilemas existenciais que extrapolam os limites deste género literário. Mas agora quero muito saber a tua opinião! Já leste Solaris? Qual foi a tua interpretação sobre a natureza da consciência do planeta? Que cena mais te impactou? Conta-me tudo nos comentários! 


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Wook | Bertrand 

quinta-feira, 4 de junho de 2026

#Viagens - Aqueduto da Amoreira

 

Mulher de chapéu com a cabeça e ombros fora da janela de um carro, com o Aqueduto da Amoreira ao fundo em Elvas

O Aqueduto da Amoreira é uma obra-prima da engenharia portuguesa, erguida entre os séculos XVI e XVII na cidade de Elvas, no Alentejo. Este monumento impressionante estende-se por mais de 5 quilómetros, sendo um ponto de viragem no progresso da cidade. A sua estrutura caracteriza-se por um conjunto de arcos que se elevam majestosamente pela paisagem alentejana, transportando água desde a nascente principal até à cidade, onde abastecia fontes públicas intra-muros. Saltou logo à vista quando me aproximei de Elvas no primeiro dia da minha visita e logo despertou a minha curiosidade, ainda que só lhe tenha dado a devida atenção no último dia, antes de regressar a casa. 


Buy Me a Coffee

A obra veio no seguimento dum período em que Elvas vivenciava grandes problemas com o abastecimento de água, que era feito através de poços situados dentro das muralhas e fontes das redondezas que ficavam inacessíveis em tempo de guerra. A sua construção iniciou-se no século XVI e estendeu-se até 1622, tornando-se um projecto de longa duração que reflete a ambição e a capacidade técnica da época. O aqueduto representa um notável exemplo da arquitectura portuguesa quinhentista conjugando funcionalidade com uma beleza estética impressionante. A sua construção, com os característicos arcos em série, testemunha o engenho dos construtores da Renascença portuguesa e permanece como testemunho vivo dessa época de grandes transformações e investimentos nas infraestruturas urbanas. 


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O Aqueduto representa muito mais do que apenas uma obra de engenharia hidráulica. Este monumento foi fundamental para transformar a cidade, permitindo o abastecimento de água de forma fiável e abundante, o que viabilizou o crescimento populacional e económico. A sua importância transcende o aspecto funcional, pois simboliza o investimento da coroa portuguesa e reflete o prestígio de Elvas enquanto cidade fortificada de relevância estratégica na defesa do reino. Actualmente, o Aqueduto da Amoreira é reconhecido como património histórico de valor inestimável, integrando o conjunto de fortificações elvenses que levaram ao reconhecimento de Elvas como Património da Humanidade pela UNESCO em 2012, consolidando o seu papel como um dos legados mais notáveis da História portuguesa. 


Aqueduto da Amoreira fotografado de baixo, destacando a monumentalidade dos arcos de granito que se elevam contra o céu

A melhor altura para visitar é durante as primeiras horas manhã ou ao final da tarde, quando a iluminação natural realça os detalhes arquitectónicos, sendo o lugar perfeito para apreciar o pôr-do-sol, a partir do miradouro da Porta da Esquina. Ao chegar, fiquei imediatamente impressionada pela monumentalidade desta obra-prima. A perspectiva que se estende ao longo da estrutura cria uma sensação de grandiosidade quase avassaladora, enquanto a solidez das suas pedras testemunha a mestria construtiva dos antigos artífices. A beleza arquitectónica, amplificada pela luz natural que atravessa os vãos, criou momentos de pura contemplação, lembrando-me da importância de preservar estas jóias do património português que nos conectam ao nosso passado e nos inspiram para o futuro.


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É um monumento que se tornou num símbolo do diálogo entre a necessidade, a ambição e a natureza. Elvas, ao preservar esta obra magnífica, preserva também a memória dum tempo em que a água era ouro, e a sua canalização representava progresso e poder. Assim, esta é uma visita imprescindível para quem se encontra em Elvas ou nas regiões próximas. Quer sejas um entusiasta de História e Arquitectura, ou alguém que aprecia estruturas monumentais e paisagens de beleza singular, este Aqueduto não decepciona. Mas agora quero muito saber a tua opinião! Também ficaste fascinada pela História e Arquitectura do Aqueduto da Amoreira? Tens alguma experiência pessoal para partilhar sobre este monumento icónico de Elvas? Conta-me tudo nos comentários abaixo! 

terça-feira, 2 de junho de 2026

#Livros - A Casa da Felicidade, de Edith Wharton

 

Ilustração de paisagem bucólica na capa de 'A Casa da Felicidade', romance de Edith Wharton publicado pela Clássica Editora

Sinopse

A bela Lily Bart vive entre os nouveaux riches de Nova Iorque, gente cujas fortunas foram feitas graças aos caminhos-de-ferro, aos transportes marítimos e à especulação imobiliária. 

É neste mundo moral e esteticamente decadente que Lily procura um marido capaz de satisfazer a sua enorme necessidade de se sentir admirada bem como de lhe garantir o luxo e a opulência que tanto aprecia. 

Envolvida num escândalo, acusada de se ter tornado amante do marido de uma amiga, Lily será votada ao ostracismo, deixando de encontrar um sentido para a vida. 


Buy Me a Coffee

Opinião 

A Casa da Felicidade, publicado em 1905, é um romance clássico da Literatura norte-americana que apresenta uma crítica penetrante à sociedade da alta burguesia nova-iorquina do início do século XX. Com uma narrativa envolvente e personagens bem desenvolvidos, Wharton oferece ao leitor uma reflexão profunda sobre as convenções sociais e as suas consequências devastadoras na vida dos indivíduos. Edith Wharton foi uma das mais importantes escritoras americanas do século XX, conhecida pelas suas narrativas perspicazes sobre a sociedade de elite de Nova Iorque. Nascida numa família aristocrática de Manhattan, a autora vivenciou de perto os costumes, as convenções sociais e as hipocrisias da alta sociedade que retrataria nas suas obras com precisão e ironia. 


A sua escrita caracteriza-se pela análise profunda do comportamento humano, pela crítica social refinada e pela exploração dos conflitos entre desejo pessoal e obrigações sociais. Além de escritora, Wharton foi uma mulher à frente do seu tempo, independente financeiramente, divorciada e dedicada à sua carreira literária numa época em que poucas mulheres desfrutavam desta liberdade. A Casa da Felicidade acompanha a trajetória de Lily Bart, uma jovem mulher da alta sociedade do final do século XIX, que se vê presa entre as convenções sociais e os seus próprios desejos de independência e autossuperação. Após a morte do seu pai e da sua mãe, Lily vive dependente da sua tia, o que a coloca numa posição precária dentro da elite social. Em busca de garantir o seu futuro através dum casamento vantajoso, ela navega por um mundo de intrigas, traições e jogos de poder, onde a sua reputação é constantemente ameaçada. 


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Conforme a narrativa progride, Lily vê-se envolvida em escândalos que a afastam progressivamente da sociedade que tanto almejava, levando-a a um declínio social irreversível. A obra retrata a sua luta contra as limitações impostas às mulheres da sua época e as consequências devastadoras das suas escolhas, culminando num desfecho trágico que questiona os valores e a hipocrisia da sociedade burguesa americana. O romance traz à tona a hipocrisia duma classe que valoriza as aparências acima de tudo, revelando que a verdadeira felicidade permanece inacessível para aqueles que se vêem prisioneiros de papéis sociais predeterminados. Assim, Wharton vem questionar se a felicidade é realmente possível dentro dum sistema que a nega sistematicamente. 


"Não desejava voltar a vê-lo, não por temer a sua influência, mas porque a presença dele tinha sempre o efeito de rebaixar as suas aspirações e desfocar todo o seu mundo." 


Edith Wharton constrói a sua narrativa em A Casa da Felicidade com uma prosa refinada e penetrante, caracterizada pela precisão psicológica e pela ironia contida. A autora adopta uma perspectiva narrativa que alterna entre a observação onisciente e a intimidade dos pensamentos dos seus personagens, permitindo ao leitor compreender tanto as motivações secretas quanto as convenções sociais que regem as suas acções. O seu estilo é marcado por discrições minuciosas dos ambientes e das roupas, que funcionam como espelhos das condições emocionais e sociais das personagens. A linguagem é elegante e sofisticada, repleta de subtilezas que exigem a nossa atenção, enquanto a ironia fina permeia passagens que aparentam ser meramente descritivas. 


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A protagonista, Lily Bart, é uma figura trágica e contraditória, dividida entre o desejo herdado por ascensão social e a aspiração instintiva por autenticidade emocional, revelando a profundidade das suas angústias interiores conforme a narrativa progride. O seu desenvolvimento é marcado por escolhas progressivamente mais desesperadas, que expõem as limitações impostas às mulheres pela sociedade patriarcal. No que diz respeito aos personagens secundários, destaco a figura de Selden, o homem que poderia ter oferecido uma saída daquele mundo de futilidade e certamente evitar a tragédia mas que, apesar do que o próprio pensava, também estava preso aos preconceitos da sociedade onde vivia e à ideia de que não poderia oferecer o que Lily desejava. A maestria da autora reside na sua capacidade para dotar até mesmo os personagens aparentemente superficiais de motivações psicológicas plausíveis.


"Não há inseto que faça o ninho em fios tão frágeis como aqueles que sustentam o peso da vaidade humana, e a sensação de ser importante entre os insignificantes bastava para devolver a Miss Bart a gratificante consciência de que tinha poder." 


Wharton disseca aqui a hipocrisia da sociedade, revelando como as aparências e a reputação importam mais que a autenticidade e a felicidade genuína. A moralidade, tema central, é apresentada de forma ambígua: a autora questiona se a renúncia pessoal em nome do dever social constitui virtude ou sacrifício injustificado. Em suma, esta é uma obra essencial para quem deseja compreender a Literatura americana do início do século XX e a crítica refinada da autora. O romance é uma reflexão profunda sobre os conflitos entre desejo pessoal e convenção social, moralidade e hipocrisia. A prosa elegante e perspicaz de Wharton, aliada ao desenvolvimento psicológico complexo dos personagens, tornam a leitura um prazer e intelectualmente enriquecedora. 


Encontramos aqui uma reflexão melancólica sobre as escolhas impossíveis enfrentadas por uma mulher inteligente e sensível presa às expectativas sociais, revelando como a busca pela felicidade e pela segurança financeira pode levar ao sacrifício da autenticidade e da dignidade pessoal. É uma obra-prima que precisas e vais adorar ler, é o mínimo que te posso dizer. Mas agora quero muito saber a tua opinião! Já conhecias este romance? Qual o personagem que mais te tocou? Concordas ou compreendes as escolhas de Lily Bart? Conta-me tudo nos comentários! 


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Wook | Bertrand 

quinta-feira, 28 de maio de 2026

#Filmes - O Diabo Veste Prada 2

 

Poster do filme O Diabo Veste Prada 2 (2026). Miranda Priestly veste um elegante traje vermelho e está posicionada no topo de uma escadaria branca. Andy Sachs usa um sofisticado vestido branco. Emily e Nigel vestem ternos pretos. Os quatro personagens estão posicionados na escadaria, com iluminação que realça os contrastes de cores entre os figurinos.

Sinopse

Agora com provas dadas e um percurso próprio, Andrea Sachs volta a cruzar-se com Miranda Priestly, a icónica editora da revista "Runway", cujo prestígio permanece intacto num meio onde a aparência dita regras e o poder raramente se vê questionado. E como seria de esperar, o reencontro entre elas vai ser tudo menos pacífico. 

Tal como o primeiro filme, que adaptou o romance escrito em 2003 por Lauren Weisberger, este segundo filme continua a olhar para os bastidores do mundo da moda, onde qualquer semelhança com personagens reais volta a não ser coincidência. 

A realização torna a ser da responsabilidade de David Frankel, com argumento de Aline Brosh McKenna. Anne Hathaway, Meryl Streep, Emily Blunt e Stanley Tucci retomam as suas personagens; Justin Theroux, Kenneth Branagh e Lucy Liu surgem em novos papéis. 


Buy Me a Coffee

Opinião 

O Diabo Veste Prada 2 chegou aos cinemas em 2026 como um dos lançamentos mais aguardados do ano, trazendo de volta o universo sofisticado e glamouroso da indústria da moda. O filme retoma a história que conquistou milhões de espectadores em todo o mundo e oferece novas perspectivas sobre os personagens icónicos que marcaram gerações. Em 2006, o filme original, baseado no romance de Lauren Weisberger, estabeleceu um padrão de excelência, tendo consolidado Meryl Streep como a encarnação definitiva da implacável Miranda Priestly e apresentado ao mundo a transformação de Andy Sachs. Portanto, como todos podem imaginar, as expectativas estavam altíssimas, para regressar à redação da Runway e descobrir tudo o que mudou nestas duas décadas. 


Encontrei uma abordagem contemporânea que dialoga com os desafios do mundo digital e da sustentabilidade na indústria da moda, mantendo a sofisticação e o humor afiado que definiram o primeiro filme. O filme começa com um grande escândalo a atingir a revista e a figura de Miranda, ao mesmo tempo que Andy e todos os seus colegas de trabalho são despedidos por mensagem, no momento em que ela está prestes a receber um prémio jornalístico. Estes dois eventos parecem distantes, mas são os gatilhos que permitem o reencontro entre as personagens num contexto profissional renovado, onde novas dinâmicas e desafios emergem. Entre encontros inesperados, dilemas de carreira e reflexões sobre amizade e lealdade, o filme explora como estas personagens evoluíram ao longo dos anos e como lidam com todas as transformações à sua volta. 


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O filme mantém como núcleo narrativo a relação complexa entre Andy e Miranda, agora reconfigurada pela passagem do tempo e pelas transformações que ambas sofreram. A trama explora como a indústria da moda e o jornalismo evoluíram na era digital, mostrando o contraste entre o glamour tradicional e as novas dinâmicas das redes sociais e dos influenciadores. O regresso de Andy à Runway marca um ponto de inflexão crucial, onde questões de identidade profissional, lealdade e ambição ressurgem com ainda maior intensidade. A presença de Miranda continua a ser o eixo central, com o seu carisma incontestável a servir de força motriz que desafia Andy a confrontar as suas próprias escolhas. A progressão dramática é bem equilibrada, com pontos de viragem que surpreendem sem abandonar a essência do universo que conhecemos. 


Andy Sachs e Nigel posam juntos vestidos inteiramente de preto em cena do filme O Diabo Veste Prada 2

Agora que Andy regressa como uma profissional estabelecida, uma jornalista premiada, não é mais uma simples assistente, o que a faz questionar mais activamente os valores que absorveu. Miranda, por sua vez, revela vulnerabilidades que humanizam a sua figura icónica. A sequela também introduz uma nova galeria de personagens que revitalizam a narrativa sem ofuscar os pilares. Entre eles destaco a nova assistente de Miranda, que está longe do papel submisso que conhecíamos, sendo capaz de corrigir e colocar limites no que pode dizer, sem acabar por ser processada. Por outro lado, o novo interesse amoroso de Andy e todo este romance me pareceu um tanto sem graça, não acrescentou nada à história e serviu apenas para cumprir uma obrigação neste tipo de filme, mas que, na minha opinião, poderia bem ter sido dispensado. 


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No que diz respeito ao elenco, Meryl Streep regressa como Miranda, refinando ainda mais a complexidade da editora-chefe da Runway. A sua presença magnética continua a dominar cada cena, alternando entre frieza cortante e revelações inesperadas de vulnerabilidade. Anne Hathaway regressa como Andy, com uma química com Streep que atinge novos patamares, com diálogos carregados de tensão e um entendimento mútuo que transcende a relação profissional, ainda que não pareça. A dinâmica só fica completa quando reunimos a verdadeira Emily, agora a trabalhar directamente com as marcas de luxo, e o Nigel, interpretado brilhantemente pelo Stanley Tucci, a pedra basilar da publicação e responsável pela estética duma forma que se encaixa perfeitamente na visão da Miranda. Este quarteto é a força motriz que faz girar as engrenagens deste novo enredo e que nos fazem torcer pela sobrevivência da revista numa época em que as publicações físicas estão a desaparecer. 



A realização mantém-se com David Frankel, que nos entrega a elegância visual que caracterizou o primeiro filme, equilibrando perfeitamente cenas de humor sofisticado com momentos de reflexão pessoal. A fotografia, assinada por Florian Balhaus, captura os ambientes do mundo da moda com uma paleta de cores vibrante e contrastante, que explora os bastidores caóticos desta indústria na moderna Milão. Mas o que nos enche o olho é o guarda-roupa, pilar visual de O Diabo Veste Prada 2, ao elevar a experiência estética a patamares ainda mais sofisticados que o original. As cenas em que todos aparecem em diferentes situações com sucessivos looks é um deleite e tenho muita dificuldade para eleger o favorito. Cada frame é uma obra de arte que celebra a indústria que o filme tanto reverencia. 


Pessoalmente, foi um prazer ir ao cinema assistir esta sequela, que consegue manter a elegância da narrativa, com figurinos de nos deixar verdes de inveja e que continuam a ditar as tendências da moda. A química entre os actores é indiscutível, a fotografia é sofisticada e a banda sonora complementa perfeitamente as cenas de tensão e de humor. Além disso, o roteiro consegue equilibrar bem a nostalgia com a modernidade, ao abordar temas contemporâneos do mundo da moda sem perder a acidez e o sarcasmo que tornaram o filme original tão amado. Mas agora quero muito saber a tua opinião! Já foste ao cinema ver este filme? O que achaste da evolução dos personagens? Qual o look que mais gostaste? Conta-me tudo nos comentários abaixo! 

terça-feira, 26 de maio de 2026

#Livros - O Sonho, de Nicholas Sparks

 

Imagem de capa do livro "O Sonho", de Nicholas Sparks, publicado pela ASA. A ilustração apresenta um veleiro iluminado navegando em um mar em tons de azul, transmitindo uma atmosfera de esperança, mistério e sonhos por realizar.

Sinopse

Em 1996, Maggie Dawes tem 16 anos e muito pouca vontade de ir viver com uma tia que mal conhece numa vila costeira remota e ventosa. Mas a ilha de Ocracoke, na Carolina do Norte, vai mesmo ser a sua nova casa. 

Contrariada, Maggie encontra refúgio nas recordações da família e dos amigos que deixou para trás. Até ao dia em que a tia lhe apresenta Bryce Trickett, um dos poucos adolescentes da zona. Bonito e genuíno, o rapaz vai mostrar-lhe a beleza da ilha e despertar nela uma paixão pela fotografia que influenciará toda a sua vida daí para a frente. 

Em 2019, Maggie é já uma fotógrafa de renome e divide o seu tempo entre viagens a locais remotos e uma galeria em Nova Iorque. Mas uma notícia inesperada obriga-a a permanecer na cidade durante o Natal. Com um fiel assistente por companhia, Maggie passa os últimos dias da quadra a recordar um Natal de outrora e a avassaladora paixão que mudou o rumo da sua vida. 

Nesta história de descoberta, perda e redenção, Nicholas Sparks recorda-nos que o tempo que dedicamos às pessoas que amamos é uma dádiva preciosa. 


Buy Me a Coffee

Opinião 

Já passou muito tempo desde a última vez que li algo de Nicholas Sparks, mas agora é o momento de regressar com este famoso escritor americano, conhecido pelas suas histórias emocionantes e cheias de esperança. Publicado em 2021, O Sonho é mais uma história de amor complexa, que mostra como os primeiros amores podem marcar a nossa vida para sempre e influenciar toda a nossa vida. Nicholas Sparks é autor de dezenas de bestsellers e conquistou leitores ao redor do mundo com as suas narrativas sensíveis e personagens cativantes, tornando-se numa referência na literatura contemporânea. No fundo, a sua escrita delicada e envolvente faz de cada romance uma experiência emocional inesquecível. 


A história alterna entre o ano de 1996, no momento em que a adolescente Maggie é obrigada a ir viver com uma tia que mal conhece numa vila costeira remota e ventosa da Carolina do Norte, e 2019, onde Maggie se instala em Nova Iorque, onde é sócia duma galeria de arte, depois de viajar o mundo enquanto fotógrafa de renome. No entanto, depois de passar alguns anos a lutar contra um cancro, pouco antes do Natal, recebe o diagnóstico mais avassalador de todos. Nada mais pode ser feito para a salvar. Sem querer partilhar essa informação com a família nesta quadra, acaba a passar as festas com o novo assistente e a contar-lhe a sua história de amor adolescente, numa viagem pelo passado que lhe permite distrair-se do seu curto futuro. 


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O amor, a esperança, o sonho e a superação estão presentes durante toda a narrativa. O romance retrata a força do amor verdadeiro, capaz de transformar vidas e sustentar-nos nos momentos difíceis. Os protagonistas desta história de amor improvável são jovens cujos caminhos se cruzam num momento delicado da vida de Maggie. Afinal, tem 16 anos, está grávida e decidiu manter a gravidez em segredo, dando a criança para adopção. Refugia-se junto com a tia num lugar remoto, onde conhece um rapaz que se torna o seu explicador e por quem se apaixona perdidamente. Mas a verdade é que passados tantos anos percebemos que esse rapaz não está ao seu lado e não conseguimos perceber o que terá acontecido para se terem perdido um do outro, até chegarmos perto do final do livro. 


"Não vivi exatamente o tipo de vida que os meus pais previam. Sempre tive a sensação de ter nascido na família errada, de alguma maneira, e aprendi há muito tempo que a nossa relação funciona melhor quando mantemos alguma distância entre nós." 


Ao longo do livro, o autor desenvolve os seus personagens de forma profunda e comovente, permitindo que o leitor acompanhe as suas transformações emocionais e pessoais. A narrativa mostra-nos o amadurecimento de Maggie, que inicialmente lida com o medo do desconhecido de tudo que vive, mas que ao longo dos meses que passa isolada encontra forças e descobre talentos dentro de si, com a ajuda desta tia tão especial e do novo amigo que a conquista a cada novo dia. Já Bryce Trickett, o adolescente que se aproxima da jovem, começa por ser um mistério, que se revela aos poucos, conforme conhecemos a sua família, a sua relação com os pais e os irmãos, mostrando ser um rapaz com uma profunda convicção e certeza sobre o que quer fazer da sua vida, sempre preocupado em fazer o que está certo. Sparks, de forma muito hábil, mostra-nos como as experiências e os desafios enfrentados por eles moldam as suas personalidades e fortalecem os laços que os unem, tornando-os mais maduros e conscientes de si mesmos no fim dos meses que partilharam. 


Podes ler ainda a minha opinião sobre Cada Suspiro Teu 


Como sempre, Nicholas Sparks utiliza uma linguagem acessível, capaz de transmitir profundas emoções e criar uma conexão íntima com o leitor. O estilo é emocional e permite explorar os dilemas enfrentados pelos seus personagens com uma intimidade que poucas vezes encontramos e que o leva a tocar no coração do público e a gerar uma experiência de leitura apaixonante, memorável e quase cinematográfica. No entanto, existe uma previsibilidade que acaba por retirar alguma da emoção à história e que penso que poderia ser algo a melhorar. Apesar de me terem surgido algumas dúvidas ao longo da leitura, o que é certo é que me pareceu fácil identificar quem era, de facto, o assistente de Maggie, o que significa que a surpresa que deveria ter causado a descoberta no final não teve o impacto esperado. 


"Quando olhava para trás, parecia-me que tinha passado todo o meu tempo a tentar levar as pessoas a gostarem de mim em vez de descobrir se eu gostava delas." 


Ao ler O Sonho é impossível não ficar sensibilizada pela história de Maggie e pelo que passou, tanto na adolescência, mas sobretudo na vida adulta. A narrativa é carregada de emoções fortes e consegue transmitir uma atmosfera de nostalgia e reflexão que nos prende do início ao fim. Não se pode dizer que a vida da protagonista tenha sido má, que não tenha sido bem sucedida, mas a verdade é que existiu uma parte que nunca conseguiu realizar verdadeiramente. O seu final é triste, ainda que esteja rodeada de amor, mas a maior tristeza, no meu ponto de vista, está no que não lhe foi permitido viver, ainda que não tenha sido culpa de ninguém para além do destino. 


Esta é uma leitura que vai agradar aos fãs de romances e tanto pode tocar os jovens quando os mais velhos, pelos saltos temporais que apresenta. Para mim foi uma leitura muito interessante e que me prendeu, enquanto me emocionava e me fazia pensar em questões profundas sobre as relações amorosas e filiais. Afinal, é sempre um prazer regressar a Nicholas Sparks e às suas histórias românticas, por isso, quero crer que não irei demorar tanto tempo a regressar. Mas agora quero muito saber a tua opinião! Já leste O Sonho? O que achaste da história de vida de Maggie? Concordas com as suas escolhas? Algo te surpreendeu na narrativa? Conta-me tudo nos comentários! 


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