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terça-feira, 23 de agosto de 2022

#Livros - A Letra Escarlate, de Nathaniel Hawthorne

 

#Livros - A Letra Escarlate, de Nathaniel Hawthorne

Sinopse

Na América puritana, o peito das mulheres adúlteras era marcado com uma letra escarlate, a marca da infâmia. Nesta sociedade quase totalitária, onde a vontade individual se verga ao peso da moralidade, uma mulher, Hester, será ostracizada, perseguida e vilipendiada por um crime que não é crime - amar fora do casamento. Mas ela ergue-se em todo o seu esplendor. Resiste e persiste. Indomável. Além de Hester, duas outras personagens permanecem na memória do leitor. Arthur Dimmesdale, o amante cobarde, torturado pelo peso da culpa, incapaz de assumir a sua relação. E Roger Chillingworth, o marido traído, de espírito vingativo, atormentando a vida dos amantes. 

Psicologicamente denso, de uma simbologia complexa, este é o primeiro dos grandes romances americanos. Uma obra única. Uma obra imortal. Um verdadeiro monumento à literatura. 


Opinião

A única referência que tinha sobre este título era uma lembrança difusa de um filme dos anos 90, que nem sei bem se cheguei a assistir. Entretanto, estou a fazer a colecção de Romances Eternos e, entre tantos livros que tenho recebido, cada um mais lindo que o outro, alguns que já tenho ou já li, este saltou-me à vista e despertou a minha curiosidade, pois sempre ouvi dizer que o filme não fazia justiça ao livro de modo nenhum. E foi assim que A Letra Escarlate, também traduzido como A Letra Encarnada, furou a fila de leituras. 


Para começar, posso já dizer que valeu bem a pena antecipar esta leitura porque o livro é inacreditável de tão bom. Primeiro, a escrita do autor é incrível, além de cuidada, é feita com pormenores delicados, escondendo mais do que aquilo que revela nas palavras. Sinto que as palavras não são suficientes para explicar o que este livro entrega e a forma como o faz. A sua subtileza, os subterfúgios que o autor utiliza para nos contar alguma coisa, ao mesmo tempo que esconde o essencial, a crítica a vários sectores da sociedade puritana, esta combinação faz com que este seja mesmo um livro extraordinário. 


Podes ler também a minha opinião sobre Jane Eyre 


O primeiro capítulo parece fora do contexto, pois estamos à espera de saber da história de uma mulher adúltera, e somos brindados com um relato da vida na alfândega, lugar onde o autor trabalhou e, portanto, revela-se uma descrição do que teria sido a sua experiência profissional, mas também serve para nos contar que foi desse modo que tomou conhecimento desta história que é contada como um relato verídico do que aconteceu muitos anos antes da data em que é escrito A Letra Escarlate. 


"Esta longa ligação de uma família com um lugar, o seu lugar de nascença e morte, cria uma espécie de parentesco entre o homem e o lugar, independentemente de qualquer encanto da paisagem ou da gente que o cerca. Não é amor, mas instinto." 


Passado este preâmbulo, somos apresentados à invulgar Hester, que se encontra em praça pública, com a filha recém nascida nos braços, a cumprir parte da pena que lhe foi dada pelo tribunal por ter pecado ao ter um filho que não é do seu marido ausente. Inicialmente, não nos são dados muitos detalhes sobre esta mulher, a sua vida ou o seu passado, o que me fez questionar porque estava aquela mulher sozinha, dado que ninguém faz filhos sozinho; e onde estava o marido traído, que não se via referência em parte alguma. 


Podes ler ainda a minha opinião sobre A Idade da Inocência


Aos poucos vamos entendendo melhor o que se está, de facto, a passar e como foi que Hester chegou àquele lugar de humilhação pública. Vinda de Inglaterra, foi enviada para Salem pelo seu marido que iria juntar-se-lhe em seguida, só que os anos se passaram e ele nunca chegou. A comunidade começou a comentar a situação inusitada e todos já imaginavam que o pobre homem teria morrido no caminho, ainda que não fosse possível provar que esta mulher era viúva pela ausência de notícias sobre este homem misterioso. Tudo se adensa quando, no momento em que se encontra no palanque, para ser observada por todos e servir de exemplo para todas as mulheres, apercebe-se da presença, entre a multidão que a cerca, do seu marido a fitá-la. 


"Os dias do futuro longínquo seguir-se-iam, sempre com o mesmo fardo para ela erguer e transportar, mas nunca depor; pois os dias acumulados e os anos juntos não fariam mais que amontoar a sua angústia sobre o monte antigo da vergonha. Por todos eles fora, abandonando a sua individualidade, ela se tornaria o símbolo geral, para que apontassem o pregador e o moralista, e no qual pudessem encarnar e tornar vivida a imagem da fraqueza feminina e da paixão pecaminosa." 


Ficamos a saber ainda que Hester recusou-se a contar quem era o pai da criança e, por esse motivo, a sua pena foi ligeiramente mais pesada do que seria, dado que todos acreditavam que o marido teria morrido. Depois de ser recolhida à sua cela, passado o suplício público, recebe a visita do homem que se apresentou como médico, Chillingworth, mas que na verdade era o seu marido ausente. Este mostra-se compreensivo para com a esposa adúltera, mas pede-lhe explicações sobre o responsável pela sua infâmia, o que a nossa protagonista continua a manter segredo, recusando-se a partilhar a identidade do homem por quem se apaixonou. Assim, o novo habitante da cidade pede-lhe segredo da sua verdadeira identidade para fugir à vergonha e ao escândalo, e partilha que vai se dedicar a descobrir a verdade sobre esse homem e procurar a sua vingança. 


É aqui que o enredo realmente começa e onde a capacidade do autor se revela para nos mostrar e ocultar ao mesmo tempo informação relevante ou acessória. Quero ainda destacar que estamos perante uma tradução do extraordinário Fernando Pessoa, que é tão boa que continua a ser usada nos dias de hoje, não só em Portugal. Outro aspecto que quero salientar é a qualidade destas edições requintadas. Sim, o exterior conquistou muitos leitores, mas nunca esperei que o interior acompanhasse, confesso. Papel de excelente qualidade, letra confortável de ser lida mesmo para míopes, fonte e cor do papel, tudo claramente pensado para que seja lido e não apenas um objecto decorativo. 


Depois de tudo isto, não entendo o que esperas para ler este livro incrível de Hawthorne. No entanto, se ainda precisas de mais incentivos ou queres saber mais sobre a obra, aconselho-te a veres o vídeo da Tatiana Feltrin, que faz um trabalho incrível no Youtube. Seja qual for a versão que tenhas ou que venhas a comprar, lê A Letra Escarlate e mergulha neste mundo dúbio e misterioso, complexo e rico. Não te vais arrepender! 


Conheces esta obra da Literatura americana? O que sentiste ao ler A Letra Escarlate? Leste mais alguma coisa do autor? Conta-me tudo nos comentários! 


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quinta-feira, 18 de agosto de 2022

A minha experiência com Castelbel

 

A minha experiência com Castelbel

Existem tantos produtos e marcas no mercado que, por vezes, fica difícil reconhecer quais as melhores, as que valem a pena, as que compensam o investimento mais elevado pela qualidade que entregam. Só que existem tantos estímulos, tantas referências e recomendações que nem sempre somos capazes de distinguir entre tantas opções. É por todos estes motivos que dou tanto destaque a todas as recomendações da Maçã de Eva, pois nunca me falhou, até hoje. Foi assim que descobri a Castelbel, em diversas publicações da Ana. 


Confesso que nas minhas primeiras pesquisas achei os valores dos produtos absurdamente caros, a um nível que achei que nunca iria pagar por velas ou ambientadores. Só que ela tanto falou, tanto recomendou, que acabei por aproveitar uma promoção de 20% de desconto para encomendar o meu primeiro produto Castelbel e ver com os meus olhos se as promessas se cumpriam. Primeiro, comecei por encomendar umas saquetas perfumadas, produto mais acessível e que me permitia descobrir os aromas e eleger o favorito. 


Podes ler também a minha experiência com a Beauty Box da Look Fantastic


Os eleitos foram o Jasmim Branco e o Ruby Red, sendo os dois deliciosos e duraram imenso tempo no meu armário. No entanto, o aroma que ganhou o meu coração foi o Ruby Red, que pertence à colecção Portus Cale, uma linha ainda mais elegante, com frascos lindos de morrer, que se tornam verdadeiras peças de decoração. Assim, em Abril do ano passado, encomendei o meu difusor de 250ml, em conjunto com uma vela, também Portus Cale, com o aroma Rosé Blush. 


A minha experiência com Castelbel

Já se passou bem mais de um ano e o meu difusor ainda tem líquido e continua a perfumar a minha sala. Portanto, o facto de ter custado 36€ está mais do que ultrapassado, pois muito mais teria gasto durante todo este tempo com outras marcas que não teriam a mesma qualidade, o mesmo aroma e muito menos a mesma duração. Foi um verdadeiro investimento, pois nunca pensei que fosse durar tanto tempo. Entretanto, comprei uma recarga para reabastecer a embalagem linda que será mantida mesmo quando terminar, mas, até agora, ainda não foi de todo necessário. Esta recarga, que trouxe 250 ml e novos pauzinhos, custo pouco mais de 20€, por isso, após o investimento inicial, em seguida torna-se ainda mais apelativo comprar estes produtos aromatizantes. 


Podes ler ainda sobre a Lima Electrónica Velvet Smooth da Scholl


Como já referi, o difusor encontra-se na minha sala, e a vela foi a escolhida para habitar o meu escritório. A verdade é que não a acendo muitas vezes ou durante muito tempo, mas a verdade é que ela ainda está para durar e o cheiro que liberta é delicioso e dura por muitas horas. Outro dos produtos da marca Castelbel que experimentei foi o sabonete Sardinha, que é excelente para ter na cozinha pois ajuda a eliminar o odor de alimentos das mãos. Ao início, achei que seria exagero o que diziam, mas posso assegurar que é tudo verdade, e só faltam palavras para descrevermos devidamente tudo o que esta marca portuguesa entrega. 


A minha experiência com Castelbel

Resumindo, só posso recomendar a Castelbel, sejam quais forem os produtos que escolham, a minha experiência diz-me que não vão ficar desiludidos. Eu percebo as hesitações, eu própria as senti pelos preços praticados, mas podes ter a certeza que o investimento é totalmente compensado pela duração e pela qualidade dos aromas, sem álcool, que é o que faz com que os difusores normais terminem em menos de nada. Se tens medo de escolher um aroma que não vais gostar, podes fazer como eu e começar por comprar um produto mais acessível para conhecer e escolher os que mais te agradam, ou procurar lojas físicas onde se vende a marca e experimentar. Pelas minhas pesquisas, as lojas online compensam na hora de comprar Castelbel, mas nada como procurares alternativas e comparares preços. 


Entretanto, enquanto escrevia este post, reparei que novos aromas foram lançados pela marca e devo dizer que fiquei muito curiosa para os descobrir. Até porque pretendo comprar um novo difusor para o meu quarto, só ainda não consegui escolher qual o que mais combina com esse ambiente relaxante e que ajude na hora de adormecer. Se queres ver estes e outros produtos, podes ver o que temos disponível na Sweetcare. 


Já conheces esta marca nacional e de qualidade? O que pensas da Castelbel? Qual o teu produto favorito ou a tua gama favorita? Conta-me tudo nos comentários! 

terça-feira, 16 de agosto de 2022

#Livros - Paris é uma Festa, de Ernest Hemingway

 

#Livros - Paris é uma Festa, de Ernest Hemingway

Sinopse

Em 1921, um jovem Ernest Hemingway chega a Paris decidido a abandonar o jornalismo e a iniciar carreira como escritor. De bolsos vazios e com a cabeça povoada de sonhos, percorre as ruas de uma cidade vibrante nos dias de pós-Primeira Guerra Mundial, senta-se nos seus cafés para escrever, recolhe-se em retiros apaixonados com a sua primeira mulher, Hadley, e partilha aprendizagens e aventuras com algumas das mais fulgurantes figuras do panorama literário da época, como Ezra Pound, F. Scott Fitzgerald ou a madrinha desta - por si apelidada - «geração perdida», Gertrud Stein. Situada entre a crónica e o romance, Paris é uma Festa é a memória destes anos e a obra mais pessoal e reveladora de Hemingway. Deixada inacabada pelo autor, seria publicada postumamente, em 1964. 


Opinião

Depois de ter lido o meu primeiro Hemingway no ano passado e logo com um dos seus livros mais icónicos, fiquei com muita vontade de ler mais livros deste autor norte americano. Para esta escolha, em especial do título, também contribuiu ser o penúltimo livro que me faltava ler da remessa que comprei na última Feira do Livro de Lisboa. Agora, fica só a faltar pegar no livro que comprei com a consciência de que não seria uma leitura para breve, ou seja, Dom Quixote de la Mancha. 


Quanto a este livro, Paris é uma Festa, só posso dizer que é uma delícia e um privilégio conhecer Paris, a vida de um jovem escritor, o meio artístico e tantas figuras do panorama cultural da época pelos olhos e pela experiência de Ernest Hemingway. É óbvio que estamos perante um livro de memórias, contado como se estivesse a ser escrito no momento exacto dos acontecimentos, mas que sabemos que foi escrito longos anos passados dos factos que narra. Portanto, é natural que a memória falhe e alguns detalhes, muitos diálogos sejam apenas fruto de uma lembrança vaga que foi ficcionada para contar o que o autor pretendia passar para os seus leitores. 


Podes ler também a minha opinião sobre O Velho e o Mar


A sua vida em Paris está longe de ser sumptuosa, glamourosa ou sofisticada. Até porque esta época está localizada no início da sua carreira como escritor, quando o dinheiro não abunda, até porque decide abandonar o jornalismo para seguir este apelo pela escrita de ficção. Assim, vive em Paris com a sua primeira esposa e o seu primeiro filho também, vivendo num bairro modesto, em instalações com o mínimo dos confortos, e nem sempre com dinheiro no bolso para se alimentar. Aliás, os seus relatos da sensação de fome, de como essa sensação, passadas algumas horas, lhe agudizava os sentidos e lhe permitia apreciar melhor a paisagem, obras de arte e tudo em geral. 


"Mas Paris é uma cidade muito antiga; nós éramos jovens e ali nada era simples, nem sequer a pobreza, nem o dinheiro ganho de surpresa, nem o luar, nem o bem e o mal, nem a respiração de quem junto de nós dormisse ao luar" 


Conta também sobre as suas estranhas escolhas, as opções que o casal fazia e que os fazia viver ainda pior do que poderiam ter vivido. Hemingway nunca se privava de trabalhar em cafés onde consumia com frequência, ou de gastar dinheiro destinado a outros fins e depois pedir emprestado. Ou ainda, dedicar-se a apostar em corridas de cavalo. Isto só para dar alguns exemplos, porque as situações deste género são mais que muitas ao longo de todo o relato desses anos. Outro aspecto fascinante deste livro é a forma poética com que é escrito. Alterna momentos banais, descritivos de um dia a dia de trabalho artístico, com considerações que te fazem pensar ou simplesmente maravilhar com a beleza das palavras. 


Podes ler ainda a minha opinião sobre O Grande Gatsby


Outro aspecto fascinante deste registo biográfico em tom de memórias da juventude, é a quantidade de gente famosa, talentosa e de várias áreas da cultura com quem se cruzou ao longo desses anos e com quem teve amizades das mais diversas, com contornos pessoais num tom de quem já nada tem a perder e de quem sabe que a maioria dessas figuras já cá não se encontravam para se defender ou rebater as suas afirmações. Figuras como Ezra Pound, Gertrud Stein ou o mais apetecível e controverso Fitzgerald, com quem teve uma amizade profunda, mas com quem se chateou a dada altura, tendo sido testemunha da relação deste com a sua perturbada mulher, não se tendo privado de partilhar connosco as suas impressões desta relação complexa e tóxica. 


"Dizem que as sementes daquilo que havemos de realizar se encontram todas já dentro de nós, mas sempre me pareceu que, naqueles que troçam da vida, as sementes se encontram cobertas de melhor terra e de uma percentagem mais alta de adubo." 


Este é um relato que fala sobre tantas coisas que fica difícil aqui incluir todos os temas ou assuntos que aborda. Para terminar, quero ainda destacar a sua importância no que toca ao acto da escrita. Acredito que qualquer aspirante a escritor pode e deve ler Paris é uma Festa e aprender com os métodos de Hemingway, inspirar-se com a sua forma de encarar a profissão, os seus métodos de trabalho e até a sua filosofia sobre o que devia fazer um bom escritor para não corromper a sua ética profissional. Mas se precisas de mais incentivos para ler este livro, aconselho-te a veres o vídeo da Tatiana Feltrin e ouvires os seus argumentos. 


Já leste este livro de Hemingway? O que achas deste autor? Qual a tua obra favorita que me aconselhas em seguida? Conta-me tudo nos comentários! 


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quinta-feira, 11 de agosto de 2022

#Filmes - Jobs

 

#Filmes - Jobs

Sinopse

Em 1976, Steve Jobs abandonou a faculdade e junto com o seu amigo, o génio da tecnologia Steve Wozniak, iniciaram uma revolução nos computadores com a invenção do Apple 1, o primeiro computador pessoal. Construído na garagem dos pais de Jobs, o Apple 1 e a formação da empresa Apple mudaram o mundo para sempre. Steve Jobs não se incomodava em passar por cima dos outros para atingir as suas metas, o que fez com que tivesse dificuldades em manter relações amorosas e de amizade.


Opinião

Cruzei-me ocasionalmente com este filme e quando dei por mim estava mesmo a assistir a Jobs, onde se propõe contar-nos sobre a vida e o percurso inspirador de Steve Jobs. Só depois de ter visto e ter procurado algumas críticas, entendi que não foi a melhor escolha para ficar a saber mais sobre o co-fundador da Apple, sobre o homem e sobre a figura que revolucionou a forma como hoje utilizamos a tecnologia. De facto, este está longe de ser um relato biográfico satisfatório para os mais curiosos e interessados na verdade. Ainda assim, não deixa de ter os seus aspectos positivos e tem o mérito de abrir o apetite para saber mais. 


Para começar, gostei bastante de ver Ashton Kutcher como Jobs, o que se revelou uma surpresa agradável. Acho que o actor conseguiu captar os jeitos, trejeitos, pormenores bastante interessantes que lhe permitiram passar com verdade a sua personagem. Os outros actores, que fazem parte do núcleo duro do início da Apple, também foram bem escolhidos e bem caracterizados, pois quando olhamos para os registos fotográficos destas pessoas, sentimos que fez todo o sentido aquele casting. 


Podes ler também a minha opinião sobre Senna


Por outro lado, o enredo deixa muito a desejar, revelando-se desconexo, incompleto, com lapsos de informação que me pareceria importante para melhor compreender a vida de Jobs. A primeira cena passa-se em 2001, durante a apresentação apaixonada de Jobs de um marco revolucionário da Apple que mudou a forma como se passou a ouvir música, o iPod. Depois da cena, voltamos para o passado e somos apresentados a um Jobs que frequentava a universidade, embora tivesse desistido do seu curso e só assistisse a aulas aleatórias que lhe interessassem. 


#Filmes - Jobs

Ficamos a conhecer a namorada com quem vivia, o primeiro emprego e os conflitos que surgiam com os colegas e superiores devido às suas características pouco aptas para viver em sociedade. O seu temperamento sobretudo fazia com que não fosse apreciado pelos colegas, embora quem o contratava compreendesse e reconhecesse o seu talento. Até que, para um projecto especial pede ajuda ao seu amigo Woz e fica a conhecer a sua mais recente criação, o que o leva a incentivar a apresentação da ideia e a busca de apoio para produzir este novo computador. 


Podes ler ainda a minha opinião sobre Lincoln


É assim que nasce a Apple e este novo conceito que pretende levar os computadores a casa das pessoas normais, de forma a que se tornasse uma ferramenta ou um electrodoméstico imprescindível. A proposta é que seja prático, fácil de usar, útil e acessível a todos. Parece uma coisa óbvia vista de 2022, mas estávamos nos anos 70 e esta era uma ideia inovadora e até maluca, pois a maioria das empresas da área não acreditava que isso fosse possível, que as pessoas comuns aderissem a essa ideia. E esta foi apenas a primeira ideia original, pioneira, revolucionária que iria caracterizar Jobs e a sua Apple e a primeira pedra do seu legado empresarial. 



No entanto, apesar das conquistas e reconquistas que são relatadas e até romantizadas no filme, ficam a faltar muitas peças. Por exemplo, vemos quando a sua namorada fica grávida, a sua reacção péssima, a sua recusa em ser pai naquele momento e pondo em causa até se seria realmente o pai da criança. Isto acontece durante os anos de ascensão da Apple, quando estava mergulhado no trabalho, sem vida social, sem ligar aos amigos e à família. Depois, é afastado da sua empresa, os anos passam e quando vemos temos essa filha, já adolescente, deitada no sofá da casa do pai a dormir. Como isso aconteceu? Quando e como se deu essa aproximação? Nada é dito sobre o assunto. 


Como referi, este é apenas um exemplo das incoerências deste filme. Entretanto, descobri outros filmes sobre este homem fascinante e que reúnem melhores críticas do que Jobs. Só que agora, lembrei-me também que Walter Isaacson escreveu uma biografia sobre Steve Jobs e, dado que conheço o seu trabalho extraordinário como biógrafo, não quero ver mais nada enquanto não ler o livro. Resumindo, acho que este não é um filme extraordinário, mas cumpriu o seu papel ao despertar a minha curiosidade para esta figura incontornável, cuja visão é a nossa realidade nos dias de hoje. 


Conheces este filme? O que achaste desta versão sobre a vida de Steve Jobs? Idealizada? Romantizada? Verídica? Conta-me tudo nos comentários! 

terça-feira, 9 de agosto de 2022

#Livros - A Biografia de Calouste Gulbenkian, de Ralph Hewins

 

#Livros - A Biografia de Calouste Gulbenkian, de Ralph Hewins

Sinopse

Publicado originalmente em 1957, esta biografia autorizada tem acesso restrito às memórias íntimas que Calouste Sarkis Gulbenkian escreveu para explicar a origem e evolução do império petrolífero que fez dele o "homem mais rico do mundo" em meados do século XX. 

"Eu sei que a verdade nem sempre é apreciada por todos" escreveu "mas isso não me perturbará." 

Nas páginas deste livro a sua personalidade enigmática confronta-nos, pois o autor teve a colaboração empenhada do filho do Senhor Cinco Por Cento, Nubar Sarkis Gulbenkian, cuja verdadeira proximidade do pai não foi afectada pelos conflitos superficiais entre ambos. 


Opinião

Personagem incontornável na vida dos portugueses, Calouste Gulbenkian é uma figura que fascinou o mundo e cuja vida misteriosa, recatada e pouco divulgada, serviu de alimento para a curiosidade de muita gente quando ainda era vivo e era o homem mais rico do mundo. Tendo em conta a sua fama e a sua importância, especialmente para a cultura portuguesa, já li algumas coisas sobre este homem, sobre a sua vida e a sua carreira como magnata do petróleo. 


Comecei por ler um romance inspirado na sua vida e a mais recente biografia, publicada por ocasião dos 150 anos do seu nascimento. Faltava ler a primeira de todas, escrita poucos anos após a sua morte, com muitas fontes vivas, familiares próximos e parceiros de negócios, empregados e subalternos que lhe sobreviveram e que deram o seu testemunho a Ralph Hewins. Graças a esses testemunhos privilegiados, bem como o acesso que lhe foi dado a toda a documentação da família e da fundação, conseguiu escrever uma biografia espectacular e muito interessante. 


Podes ler também a minha opinião sobre O Homem de Constatinopla 


Confesso que estava muito curiosa com relação a esta biografia, que foi muitas vezes citada na de Jonathan Conlin, e que foi escrita tão próxima dos acontecimentos quanto possível. Curiosamente, a principal fonte é o filho com quem teve vários conflitos ao longo da vida e a quem deixou muito pouco da sua fortuna. É este filho que nos conta muitos dos episódios que presenciou, como homem de confiança do pai que o acompanhou a partir de certa altura em muitas das negociações ferozes que enfrentou para preservar o seu lugar nas empresas petrolíferas que ajudou a criar. 


"É justo dizer que se Calouste Gulbenkian não tivesse existido os magnatas europeus do petróleo teriam de o inventar. Ele combinava o conhecimento local e as línguas da Ásia Menor, os contactos e influência, a perícia científica e de engenharia, e a perspicácia e clarividência empresarial que uniram os interesses petrolíferos da Europa e do Próximo Oriente e dariam origem a grandes empreendimentos." 


Mas vamos começar pelo princípio, ou seja, pelos primeiros anos de Calouste. Ficamos a conhecer o seu contexto familiar e cultural, no fundo, o que contribuiu para que fosse acima tudo um oriental na forma como vivia a sua vida privada e como conduzia os seus negócios. As suas origens são exploradas, a sua família, as relações comerciais que já existiam e que aproveitou de forma muito inteligente a seu favor e da carreira que iria construir nos anos da idade adulta. 


Podes ler ainda a minha opinião sobre O Homem Mais Rico do Mundo


Também ficamos a conhecer melhor a mulher com quem casou, a educação e a cultura oriental que partilhavam, bem como as diferenças de personalidade que os colocava, por vezes, em pontos opostos. O modo como viviam o casamento parece peculiar para os nossos padrões românticos, mas para ambos parecia perfeitamente confortável e normal viverem vidas paralelas, longe um do outro, mas sem nunca esquecer que faziam parte da mesma família. Outro aspecto que caracterizava Gulbenkian era a forma como controlava todos através da posse do dinheiro que geria sem dar liberdades maiores à sua família. Nem a mulher nem os filhos tinham acesso ao seu dinheiro sem que passasse por pedir ao homem da casa. 


"O seu cérebro ainda estava lúcido e a sua visão boa. Ainda não tinha cedido o controlo do seu império empresarial e o seu conselho ainda era pedido por governos. Mas não havia como fugir à realidade - estava a ficar velho."


A forma como construiu o seu império que o tornou no homem mais rico do mundo e lhe permitiu ser um conselheiro essencial tanto o oriente como no ocidente é relatada de uma forma muito interessante, sem retirar o seu mérito pessoal, mas sem esquecer que foi beneficiário de alguns factores e privilégios alheios a si mesmo. Alguns herdados, outros fruto do acaso e do seu sentido de oportunidade. Os conflitos em que tomou parte, tanto no mundo empresarial como familiar, também são contados e explorados, revelando mais sobre a personalidade e carácter do homem que escolheu viver longe dos holofotes e das luzes da ribalta. 


Quanto mais leio sobre Calouste Gulbenkian, mais fascinada fico com a sua vida e curiosa com a quantidade de coisas que teremos perdido para sempre, que nunca saberemos sobre o que pensava, o que sentia, o que almejava. Fica a sua marca no mundo do petróleo, a sua busca pela beleza e pela perfeição, e o seu legado como patrono da cultura e da arte em Portugal. Um homem que moldou o século XX, sobrevivendo a tempos conturbados da História, e que soube ocupar um lugar de destaque ao promover parcerias, encontros de sucesso e complexas empresas que duram até hoje. 


Já leste alguma coisa sobre Gulbenkian? Conheces as suas biografias? O que pensas sobre este homem misterioso? Conta-me tudo nos comentários! 


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