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terça-feira, 1 de agosto de 2023

#Livros - Poemas, de Alberto Caeiro

 

A foto de capa do livro "Poemas", do heterónimo Alberto Caeiro, na edição de bolso da editora 11x17, apresenta uma estética minimalista e sofisticada. Com motivos decorativos que lembram um papel de parede, a imagem é composta por tons de preto, branco e cinzento, que criam um contraste marcante e elegante.  No centro da capa, destacando-se sobre o fundo neutro, encontra-se o título do livro, "Poemas", escrito de forma estilizada em letras pretas, que transmite uma sensação de leveza e simplicidade. A escolha de fonte remete à caligrafia manual, evocando uma atmosfera poética e intimista.  Ao redor do título, é possível observar pequenos desenhos sutis, como flores estilizadas e folhas delicadas que se entrelaçam suavemente. Esses elementos decorativos, embora discretos, trazem uma sensação de delicadeza e poesia à capa do livro.  O uso predominante de tons de preto, branco e cinzento transmite uma sobriedade e sofisticação, sem deixar de ser atraente e cativante. Essa escolha de cores também reforça a seriedade e profundidade dos poemas presentes na obra.  Combinando elementos minimalistas e detalhes elaborados, a foto de capa do livro "Poemas" cria uma atmosfera visual que reflete a essência da poesia contida nas páginas. É uma capa que convida o leitor a mergulhar nas palavras de Alberto Caeiro e explorar os sentimentos e reflexões que cada poema tem a oferecer.

Sinopse

Segundo Fernando Pessoa, Alberto Caeiro nasceu em 1889 em Lisboa e morreu em 1915, mas viveu quase toda a sua vida no campo, com uma tia-avó idosa, porque tinha ficado órfão de pais cedo. Era louro e tinha olhos azuis. Como educação, apenas tinha tirado a instrução primária e não tinha profissão, sendo apenas um «guardador de rebanhos». Considerado pelo próprio Pessoa o mestre dos heterónimos, Caeiro representa a visão pura e primitiva do ser humano, despojado de toda a emoção e cultura que o Homem foi criando. 


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Opinião 

No âmbito do meu projecto pessoal de ler mais poesia, decidi começar por um dos mestres da Língua Portuguesa. Fernando Pessoa é um dos mais reconhecidos e influentes escritores portugueses do século XX, conhecido principalmente pela sua vasta obra poética. O seu génio literário reside não apenas na qualidade dos seus poemas, mas também na capacidade singular de criar múltiplas vozes literárias, conhecidas como heterónimos. Estas personalidades fictícias desenvolvidas por Pessoa possuem estilos, temáticas e perspectivas únicas, proporcionando uma diversidade rica e fascinante à sua produção literária. 


Entre os heterónimos criados por Pessoa, destaca-se Alberto Caeiro, que se tornou um dos mais importantes e influentes na literatura portuguesa. Caeiro é conhecido como o mestre dos outros heterónimos, sendo considerado o poeta da simplicidade e da contemplação da natureza. A sua poesia procura reflectir sobre a experiência sensorial do mundo, num estilo límpido e descomplicado, rejeitando a complexidade intelectual e as reflexões metafísicas. A importância de Caeiro na literatura portuguesa reside na forma como rompeu com as normas poéticas tradicionais, defendendo uma linguagem mais directa e uma visão de mundo mais próxima do pensamento intuitivo. A sua abordagem revolucionária foi fundamental para a renovação do cânone literário e para a consolidação do modernismo em Portugal. 


Podes ler também a minha opinião sobre Livro do Desassossego


Os poemas de Alberto Caeiro são marcados por uma sensibilidade aguçada para os detalhes do mundo natural, com uma atenção especial para elementos como a luz, as paisagens campestres, os animais e os ritmos da natureza. A sua poesia desperta a contemplação e a conexão com a simplicidade essencial da existência, promovendo uma experiência estética profunda e cativante. Ao explorar a obra de Alberto Caeiro, mergulhamos num universo literário que nos convida a redescobrir a beleza e a grandiosidade da natureza através de uma linguagem simples e de uma visão despojada de preconceitos e artifícios. A relevância e particularidade de Caeiro está na sua capacidade de nos proporcionar uma imersão na simplicidade, no aqui e agora, resgatando a essência singular da vida e da poesia portuguesa. 


"Pensar incomoda como andar à chuva

Quando o vento cresce e parece que chove mais. 


Não tenho ambições nem desejos.

Ser poeta não é uma ambição minha. 

É a minha maneira de estar sozinho." 


Alberto Caeiro procura, através da simplicidade, uma volta à essência das coisas, uma busca pelo real, pelo genuíno e nos seus versos valoriza a natureza e a vida no seu estado mais puro. Tem na observação da natureza a sua maior fonte de inspiração e contemplação. Os seus poemas são repletos de referências à flora e fauna, aos elementos naturais e aos ciclos da natureza. Caeiro vê na natureza uma harmonia e equilíbrio que muitas vezes não encontramos na vida quotidiana. Este heterónimo vê no homem a capacidade de se conectar com a natureza e encontrar uma verdade profunda através dessa conexão. Para Caeiro, é na simplicidade e na observação atenta da natureza que encontramos a verdade, é aí que nos aproximamos do nosso propósito na vida. 


Podes ler ainda a minha opinião sobre Mensagem


Caeiro vê a vida como algo fugaz e efémero, mas também como algo belo e significativo. Ele convida-nos a valorizar cada momento, cada detalhe, como se fosse um milagre. A simplicidade, para ele, é uma forma de despertar a beleza do mundo e encontrar a paz interior. Em suma, os poemas de Alberto Caeiro conduzem-nos a uma imersão na simplicidade e contemplação. A sua poesia convida a olhar além das distrações e superficialidades da vida moderna, e encontrar na natureza e na valorização da vida no seu estado mais puro um fonte de inspiração e genuína conexão com o mundo ao nosso redor. Sem esquecer que o impacto da visão de mundo de Alberto Caeiro na poesia pessoana como um todo é evidente e profundo. Apesar de ter criado outros heterónimos, cada um com a sua própria personalidade e visão, é em Caeiro que vemos a base para a reflexão sobre o eu e o mundo. 


"Se, depois de eu morrer, quiserem escrever a minha biografia,

Não há nada mais simples. 

Tem só duas datas - a da minha nascença e a da minha morte. 

Entre uma e outra coisa todos os dias são meus." 


Pessoa utiliza Caeiro para explorar a busca pela simplicidade e a autenticidade, bem como para questionar as convenções sociais e intelectuais que impõem limites ao indivíduo. Assim, através da sua identificação com Caeiro, interpreta a existência como algo que transcende qualquer conceito ou sistema filosófico. Nos seus poemas, ele explora a dualidade do ser humano, as suas contradições e o conflito entre a razão e a emoção. Com este heterónimo, Fernando Pessoa parece procurar uma forma de libertação do labirinto intelectual em que muitas vezes se encontrava e uma simplicidade que permita apreciar a vida na sua essência, como está bem desenvolvido na biografia Pessoa. Uma Biografia, onde estes aspectos são mencionados, dado que a obra deixada é a melhor forma de conhecer o autor misterioso que se esconde dos holofotes. 


Recomendo fortemente este livro como leitura essencial para todos aqueles que desejam descobrir a obra de Pessoa e do heterónimo Alberto Caeiro, sem se limitar ao pouco que nos é apresentado na escola. Cada verso de Caeiro é uma obra de arte em si, capaz de nos transportar para uma realidade onde a simplicidade é exaltada e a nossa conexão com a natureza é restaurada. Agora, faço-te um convite especial: após leres os poemas de Alberto Caeiro, compartilha a tua experiência nos comentários. Quais os versos que mais te tocaram? Como eles te fizeram ver o mundo de uma maneira diferente? Deixa a tua opinião e inspira outras leitores a também se renderem às maravilhas da poesia de Caeiro. 


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Wook | Bertrand 

quinta-feira, 27 de julho de 2023

A minha experiência com Herbalife

 

Explorando uma jornada nutritiva e saborosa com a Herbalife! Nesta foto de capa, exibimos uma variedade de deliciosos batidos de frutas, refletindo a minha experiência pessoal com os produtos Herbalife. Descobre como essas bebidas saudáveis e energizantes se tornaram uma parte essencial da minha rotina diária, ajudando-me a alcançar metas de bem-estar e manter um estilo de vida equilibrado. Deixa-te inspirar por cores vibrantes e sabores irresistíveis enquanto mergulhamos juntos neste fascinante mundo dos batidos Herbalife.

A Herbalife é uma conhecida empresa de marketing multinível, que se destaca no mercado da saúde e bem-estar. Desde a sua criação, em 1980, a empresa tem como objectivo oferecer produtos de qualidade inigualável e promover um estilo de vida saudável, ainda antes deste ser um tema da moda. Com uma vasta gama de suplementos nutricionais, shakes, chás e outros produtos, a Herbalife conquistou um grande número de consumidores ao redor do mundo. Neste artigo, irei compartilhar a minha experiência pessoal com a marca, destacando os benefícios que obtive ao incorporar os seus produtos na minha rotina diária. 


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A marca é tão falada em toda a parte, que já tinha lido sobre ela nas minhas pesquisas sobre nutrição na internet. Com várias opiniões positivas sobre os seus produtos e relatos de pessoas que tiveram resultados satisfatórios, quando uma colega de trabalho começou a utilizar e vender a marca, decidi experimentar e ver por mim mesma o que a Herbalife poderia oferecer e acrescentar à minha vida. Motivada pela promessa de melhorar a minha saúde e alcançar os meus objectivos de perda de peso, aliada ainda a ter alguém próximo com quem trocar experiências, esclarecer dúvidas ou simplesmente buscar estímulo para continuar, decidi dar uma chance aos produtos da marca. 


Podes ver também a minha experiência com a Veggie Nessie


Antes de começar a utilizar os produtos Herbalife, eu tinha grandes expectativas em relação aos benefícios que poderia obter, ao mesmo tempo que tinha algumas reservas, talvez por preconceito em relação a este tipo de produto. Mas a reputação da marca no mercado de suplementos alimentares e a promessa de uma vida mais saudável eram razões suficientes para despertar o meu interesse e me fazer ultrapassar esses preconceitos. Com esta experiência, eu esperava melhorar os meus níveis de energia, alcançar um peso mais saudável e equilibrado, além de fortalecer o meu sistema imunológico. Assim, acreditei que os produtos da Herbalife poderiam proporcionar-me um estilo de vida mais saudável e ajudar-me a atingir os meus objectivos de bem-estar físico e mental. 


Refrescante e saboroso, este batido Herbalife foi parte essencial da minha jornada transformadora. Com ingredientes cuidadosamente selecionados, o sabor delicioso e a textura suave deste batido são apenas alguns dos motivos pelos quais eu me apaixonei por ele. Além de fornecer os nutrientes necessários para uma vida saudável, este batido tem me ajudado a alcançar meus objetivos de bem-estar. Experimente você também e dê um impulso saudável à sua rotina diária com Herbalife.

Durante a minha experiência com a Herbalife, tive a oportunidade de experimentar diversos produtos que fazem parte do seu catálogo. Um dos principais produtos que experimentei foram os batidos, que comecei por descobrir com o pacote de experiência, com os sabores de Baunilha e Biscoito Crocante. Estes batidos são uma opção prática e saborosa para substituir uma refeição. Além dos sabores do primeiro pacote, também experimentei o batido de Frutos do Bosque, mas o meu coração ficou para sempre rendido ao Biscoito Crocante. Além disso, também experimentei os chás da Herbalife, que são conhecidos pelos seus efeitos detox e energizantes. Por fim, tive a oportunidade de experimentar ainda um suplemento, que além de conter vitaminas e minerais, também acelerava o metabolismo. Esta variedade de produtos proporcionou-me uma experiência completa e diversificada. 


Podes ver ainda a minha experiência com a Iglo Green Cuisine


Ao começar a utilizar os produtos da Herbalife, fiquei logo impressionada com a variedade e versatilidade de cada um deles. Desde os batidos nutritivos, até aos chás termogênicos, descobri que cada produto da linha tinha uma finalidade específica. Incorporar estes produtos na minha rotina diária foi fácil, pois pude adaptá-los de acordo com as minhas necessidades. Começava o dia com um batido rico em proteínas e nutrientes, que me proporcionava energia e me deixava saciada. Para melhorar a minha hidratação e acelerar o metabolismo, comecei a tomar os chás durante o dia, que também me ajudava bastante no que toca à retenção de líquidos. Com os diferentes usos de cada produto, pude adaptá-los da melhor forma e percebi uma melhoria significativa na minha qualidade de vida. 


Após a utilização durante alguns meses, pude observar diversos efeitos positivos no meu corpo e na minha mente. Logo nos primeiros dias de consumo, percebi um aumento significativo na minha energia e disposição ao longo do dia. Com o passar do tempo, também pude constatar uma redução na retenção de líquidos e no inchaço abdominal. Tendo em conta que não tenho o hábito do exercício físico, a minha experiência pessoal é sempre limitada por esta falha minha, a perda de peso foi relativa por causa disso, mas senti que perdi volume e me sentia muito mais leve e saudável. Para mim, o único inconveniente desta experiência é que estes não são produtos acessíveis financeiramente, o que faz com que nem toda a gente possa comprar e tentar. 


Em suma, a minha experiência com a Herbalife tem sido extremamente positiva, proporcionando-me melhorias tanto físicas quanto mentais e, apesar dos intervalos que faço, sei que volto sempre a encontrar mais equilíbrio com a inclusão dos seus produtos nas minhas rotinas diárias. Gostaste de conhecer a minha experiência com a Herbalife? Agora é a tua vez! Compartilha nos comentários as tuas próprias experiências e opiniões sobre os produtos da empresa. Quero saber o que tu achaste e trocar ideias sobre os benefícios e os desafios que enfrentaste. Vamos construir juntos uma comunidade de diálogo e compartilhamento de experiências! Aguardo ansiosamente pelos teus comentários.

terça-feira, 25 de julho de 2023

#Livros - Guia para 50 Personagens da Ficção Portuguesa, de Bruno Vieira Amaral

 

A capa deste livro nos convida a adentrar um universo de personagens cativantes, complexos e inesquecíveis da ficção portuguesa. Com um olhar atento e expertise literária, Bruno Vieira Amaral nos presenteia com um guia fascinante que revela os segredos e nuances por trás de 50 figuras icônicas da literatura lusitana. Cada personagem retratado nesta capa representa um convite para embarcar em jornadas emocionantes, explorando as profundezas da alma humana e as idiossincrasias da sociedade portuguesa. Uma verdadeira celebração da riqueza e diversidade dos personagens da ficção portuguesa, esta capa nos convida a descobrir e redescobrir tesouros literários que enriquecem nossa compreensão da cultura e da história deste magnífico país.

Sinopse

Pela primeira vez, cinquenta das melhores e mais representativas personagens da Literatura Portuguesa dos últimos dois séculos são apresentadas num único livro. Ao longo de mais de um século e meio, os melhores autores portugueses contribuíram para a riqueza e diversidade desta galeria onde não raras vezes o leitor encontrará o reflexo dos seus vizinhos e familiares, dos seus amigos e colegas de trabalho e onde não se deverá espantar por encontrar o seu próprio reflexo. Porque estas figuras compostas de papel, tinta e palavras são, afinal, pessoas como nós. Os textos escritor por Bruno Vieira Amaral são um convite à leitura dos romances, o habitat natural de cada uma das personagens, mas também um extraordinário retrato da história e evolução de um país, Portugal. 


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Opinião 

Este foi um livro gentilmente cedido pela Guerra e Paz, que é certamente das minhas editoras favoritas. E não falo por me terem enviado o livro, mas porque tem uma assinatura muito própria e que permite ao leitor rapidamente identificar que se trata de um livro editado por eles. Começa pela singularidade dos títulos escolhidos e que se podem encontrar no seu catálogo de excelência, passa pelo tipo de papel utilizado nos seus livros que é o amor da vida de qualquer leitor, pelo toque, pela textura, pelo cheiro, terminando na qualidade de impressão que torna a experiência de leitura um momento inesquecível e coloca a marca gravada e associada com as melhores memórias dentro do género. 


Algumas das edições mais bonitas, de bom gosto, cuidadas e completas são desta editora e, por isso, gosto de acompanhar de perto o trabalho que fazem com tanta dedicação e respeito pelos leitores. Quando recebi o email de divulgação deste livro, Guia para 50 Personagens da Ficção Portuguesa, fiquei muito curiosa sobre o seu conteúdo e não resisti a pedir um para mim. Não podia ficar sem saber quais seriam as obras eleitas, de que autores, e quais as personagens que iriam ganhar destaque, sem esquecer o que iria o autor que fez este guia dizer, que particularidades teria decidido partilhar com os leitores, quer os que já leram e conheciam as obras mencionadas, como os que nunca tinham sequer ouvido falar. 


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Pela minha parte, depois de o ter nas mãos, constatei que só conhecia uma meia dúzia de títulos e nem todos tinha lido. Encontrei autores consagrados como Eça de Queirós, Camilo Castelo Branco, Almeida Garrett, José Saramago ou Agustina Bessa-Luís, bem como nomes mais contemporâneos como Miguel Sousa Tavares, Dulce Maria Cardoso, Mário de Carvalho ou Hélia Correia. Mas também encontrei autores que nunca tinha ouvido falar sequer, o que me parece uma grande falha da minha parte, porque se merecem estar neste guia é porque devem ser conhecidos. E depois de ter lido as palavras do Bruno Vieira Amaral ainda mais convencida fiquei de que preciso de partir à procura destas obras incontornáveis da Literatura Portuguesa. 


"Por cada homem que embarcou nas caravelas, por cada emigrante que partiu à procura de uma outra vida, por cada soldado para as colónias, houve sempre alguém que ficou, sedentário, cingido à terra como um excerto numa árvore, incrustrado na ferida do país, a sonhar o que os outros fizeram, observando-os a uma distância segura." 


Este é um Guia extraordinário para quem, como eu, quer conhecer mais e melhor autores e livros portugueses, mas nem sempre sabe bem por onde começar, quando quer ir para além dos autores que já conhece. Aliás, depois de ter lido este livro fantástico fiquei com muita vontade de fazer um Projecto de Leitura, tendo por base estes livros aqui aflorados através dos personagens que o autor considera mais importantes. A pensar nisso mesmo, já estou a criar uma Wishlist na Wook baseada nestas obras. Alguns, como referi anteriormente, já li mas não tenho todos comigo aqui. Outros tenho mas ainda não li. A maioria precisa de ser adquirida e constato que alguns até estão esgotados, o que me vai obrigar a procurar por leitores que já não os queiram manter. O que achas desta ideia de lermos e descobrirmos estes autores portugueses com a ajuda deste livro? 


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Para quem é sensível a spoilers, deve evitar ler a entrada referente aos livros antes de os ler. Inicialmente, preocupei-me um pouco com isso, ainda que não seja muito preocupada com essas coisas. Ainda assim, optei por ler primeiro as entradas referentes aos livros que já conhecia e já tinha lido, e percebi que, apesar do autor escrever de forma descontraída, os spoilers pareceram-me só óbvios para quem já conhecia as histórias. Quando perdi estes receios e parti para a leitura seguida de todas as entradas, deixei de me preocupar com isso. Afinal, não irei ler esses livros agora, com a informação fresca na minha mente. No entanto, tenho a certeza de que vou querer reler a entrada escrita pelo Bruno, depois de ter lido (ou relido) cada uma das obras que aqui se encontram representadas. 


"No século XIX, quando não estavam ocupadas a morrer de tuberculose e a ler romances que lhes excitavam a imaginação, as personagens femininas ocupavam-se com o misericordioso exercício da bondade, enfermeiras das almas, anjos do lar." 


Esta foi uma leitura fascinante e que abriu o meu horizonte para livros e autores que nunca tinha visto ou considerado devidamente. Foi uma viagem por Portugal e pela Literatura que marcou e retratou o nosso país ao longo dos últimos séculos, que me encheu de vontade de empreender esta viagem na primeira pessoa, ver pelos meus olhos, fazer a minha análise e confirmar se concordo com os comentários do autor que reuniu estes livros aqui. A sua partilha das suas impressões destas leituras despertou o meu interesse, acicatou a minha curiosidade, expandiu as minhas opções literárias, e acredito, sinceramente, que pode fazer o mesmo por ti. Mesmo que não queiras alinhar no Projecto de Leitura comigo, podes sempre usar este livro como um guia aleatório que te vai permitir variar as tuas leituras, sair da tua zona de conforto e descobrir figuras importantes da Língua Portuguesa. 


Imagem cativante que mostra a capa do livro 'Guia para 50 personagens da ficção portuguesa' de Bruno Vieira Amaral, habilmente posicionada sobre uma empolgante pilha de livros. A composição captura instantaneamente a rica diversidade literária da ficção portuguesa, enquanto a pilha de livros sugere uma imersão profunda no mundo fascinante desses personagens icônicos. Uma representação visual significativa que convida o leitor a embarcar em uma jornada literária enriquecedora e a explorar as profundezas narrativas da literatura portuguesa.

Em suma, Guia para 50 Personagens da Ficção Portuguesa, de Bruno Vieira Amaral, revela-se uma obra fascinante que mergulha nas profundezas do universo literário português, explorando personagens icónicas e as suas histórias envolventes. Ao longo desta resenha, pude destacar a riqueza e o cuidado do autor ao abordar cada protagonista, demonstrando o seu profundo conhecimento e amor pela literatura nacional. Convido-te a compartilhar as tuas opiniões e opções favoritas entre estas 50 personagens inesquecíveis, enriquecendo ainda mais a discussão sobre o valor da ficção portuguesa. Deixa o teu comentário abaixo e vamos juntos explorar este rico património cultural que é a literatura! 


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Wook | Bertrand 

quinta-feira, 20 de julho de 2023

Top 7 Provas Cegas - The Voice Kids Portugal | Season 4

 

A foto de capa do artigo "Top 7 Provas Cegas The Voice Kids Portugal Season 4" apresenta um microfone em destaque sobre um fundo desfocado. A imagem retrata a emoção e energia envolvidas nas audições às cegas do programa The Voice Kids Portugal Season 4, onde jovens talentosos mostram seu potencial vocal. O microfone simboliza a oportunidade de se expressar artisticamente e a busca por encontrar as melhores vozes do país.

A cada nova edição do The Voice Portugal, seja qual for o formato, fico sempre a pensar que não surgirão talentos tão marcantes quanto os de edições passadas. Mera ilusão, porque o talento parece que nasce entre as pedras neste país e esta última edição do The Voice Kids Portugal é mais uma prova disso mesmo. Os miúdos, cada vez mais novos, apresentam uma qualidade vocal, um bom gosto musical e uma genuína vontade de viver a música que me deixa sempre emocionada. Quando este formato com crianças voltou, confesso que fiquei muito céptica no que toca à qualidade dos concorrentes que iriam aparecer, mas claramente era um preconceito meu infundado. Aliás, muitos concorrentes poderiam perfeitamente passar por adultos e até competir com eles, sem fazer má figura. 


No que toca aos mentores, houve alterações que nos devolveram a Áurea, que veio substituir a Carolina Deslandes, que esteve na edição anterior dos adultos. Mantiveram-se os mentores Carlão, Bárbara Tinoco e o campeão Fernando Daniel. Todos mostram uma dinâmica muito divertida e revelam um cuidado com as crianças que é crucial para que a passagem pelo programa seja uma boa memória, mesmo quando as cadeiras não se viram, e não um trauma e um destruir dos seus sonhos. A diversidade de artistas, estilos, influências são elementos fundamentais para o sucesso deste programa que, em Portugal, não tem nada que se lhe compare. 


Continuo a achar que a RTP aproveita muito pouco este formato, fazendo poucas galas com as crianças, o que não permite ao espectador acompanhar mais performances dos seus concorrentes favoritos. Ainda assim, continua a ser um deleite assistir a crianças de 10 e 11 anos, tão novos e tão cheios de talento em estado puro, prontos para serem lapidados e formados. É verdade que nem todos serão artistas, mas a música e as artes em geral, só traz coisas boas para a educação de qualquer criança. Muitos, além de cantarem, tocam instrumentos, e são corajosos o suficiente para se acompanharem logo nas Provas Cegas. Estes serão adultos mais felizes, era capaz de apostar. Cada vez a dificuldade de escolher apenas 7 Provas Cegas é maior o que me faz pensar em rever este formato de post no futuro, se o programa continuar a apresentar gente tão talentosa. Por hoje, serão ainda só 7. Vens descobrir comigo? 


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1. Miguel Abreu - Equipa Fernando

Continuo a achar extraordinário que a Desfolhada continue a ser ouvida e cantada, sobretudo por crianças. Em 1969, estes miúdos não eram nascidos, muitos dos seus pais também não, e a canção perdura como uma herança passada dentro das famílias. O Miguel virou três cadeiras e, com o seu talento e estilo particular, conseguiu chegar às Galas. 



2. Francisco Bessa - Equipa Áurea

O Francisco apresentou uma escolha musical inesperada para a sua tenra idade, e com a sua actuação afinada, ritmada e repleta de sensibilidade musical, conseguiu virar duas cadeiras. Ficou com a Áurea e com ela conseguiu chegar às Galas e mostrar mais algumas actuações interessantes. Um jovem interessante e que, mesmo que não siga a música como carreira, será marcado positivamente por ela ao longo da vida. 



3. Matilde Abreu - Equipa Fernando

Esta miúda, com apenas 10 anos!, chegou e cantou a Canção do Mar, e partiu tudo, deixando-me estupefacta. Como é possível uma menina tão nova ter este vozeirão e conseguir alcançar aquelas notas? Aulas de canto? Nunca teve. É tudo talento e gosto e é possível verificar uma evolução clara depois de ter trabalhado com o Fernando Daniel, porque quando a matéria-prima é boa, o produto final será sempre e cada vez mais excelente. Não é à toa que esta menina tão nova chegou à semifinal. 



4. Lucas Machado - Equipa Carlão 

Mais um jovem que chegou e partiu tudo. Virou as quatro cadeiras e ainda bloquearam o Fernando Daniel. Tem um timbre fantástico e um bom gosto nas suas escolhas melódicas incrível, o que culminou num percurso bonito dentro do programa que o levou até às Galas. 



5. Lavínia Oliveira - Equipa Bárbara

Quem canta Creep tem sempre um lugar no meu coração. Mais ainda quando a canta bem, como é o caso da Lavínia. A sua interpretação sentida, afinada e original, valeu-lhe quatro cadeiras e ainda o bloqueio da Áurea. O seu talento e o seu trabalho fez com que chegasse às Galas, muito merecidamente e uma pena não ter sido possível ouvi-la mais vezes no programa. 



6. Valéria Guba - Equipa Fernando

Não consigo entender como é possível uma menina de 13 anos apresentar uma interpretação tão madura, a um ponto que ultrapassa a de muitos adultos que já se apresentaram no passado. Emocionou a todos, virou as quatro cadeiras, bloquearam a Bárbara e acabou a reforçar a equipa do Fernando Daniel, mentor que consegue reunir um elevado número de potenciais vencedores na sua equipa. Os concorrentes parecem sentir-se atraídos pelo mentor que já foi concorrente como eles e conseguiu vencer o programa e ainda construir uma carreira de sucesso na música. No caso da Valéria, fez um percurso bonito até às Galas. 



7. Francisco Horta - Equipa Carlão

A diversidade e a valorização do nosso património cultural voltou a ganhar palco no The Voice Kids. O Francisco trouxe o cante alentejano e voltou a dar-lhe protagonismo, com muito sucesso. Acredito que, mais do que as suas qualidades vocais que existem sim, o que o levou até à final foram as suas escolhas de repertório. A verdade é que, acompanhado pela sua guitarra, conseguiu virar as quatro cadeiras, impactar o público e marcar ao ponto de ser um dos talentosos finalistas desta temporada. 



O Fernando Daniel está verdadeiramente imparável e conseguiu a terceira vitória consecutiva. Acredito que tenha a sorte de ser escolhido por muitos candidatos fortes, mas claramente que também é fruto do trabalho que faz com os seus concorrentes e o acompanhamento que lhes dá. A sua experiência enquanto concorrente terá o seu peso, mas o artista em que se tornou é prova de que tem mesmo muito para ensinar a quem quer seguir as suas pisadas. A vencedora, Júlia Machado, fez um percurso extraordinário e obteve uma vitória muito merecida. O seu talento é inegável e acredito que, se o desejar, poderá ter mesmo uma carreira na música. 


Na foto, vemos a vendedora Júlia Machado e seu mentor Fernando Daniel do programa The Voice Kids Portugal Season 4. Júlia está de pé ao lado de Fernando, ambos sorrindo para a câmera. Júlia está vestindo um vestido elegante, enquanto Fernando está usando uma camisa preta. A emoção e a alegria são evidentes em seus rostos, indicando uma conexão especial entre a vendedora e seu mentor.

Esta foi a minha selecção com as melhores Provas Cegas da última temporada do The Voice Kids e já me estou a preparar psicologicamente para as alterações já anunciadas ao leque de mentores da próxima temporada de 2023 do The Voice Portugal. Ainda não acredito que não teremos Marisa Liz sentada na cadeira, embora entenda que talvez seja o momento de fazer uma pausa. Por outro lado, fico muito com o regresso do António Zambujo e com a passagem do Fernando Daniel para este formato. Será que também vai lá chegar para vencer? Agora é chegada a hora de deixares o teu comentário e partilhares quem foi o teu concorrente favorito desta temporada e se concordaste com a vencedora do programa. Vem conversar comigo sobre este programa único da televisão portuguesa. 


Vê também o meu Top 7 das edições anteriores: 

Season 2

Season 3

Season 4

Season 5

Season 6

Season 7

Season 8

Season 9

Season 10

Kids Season 2

Kids Season 3

terça-feira, 18 de julho de 2023

#Livros - Doutor Jivago, de Boris Pasternak


A capa do livro 'Doutor Jivago', de Boris Pasternak, apresenta uma visão arrebatadora e envolvente da Rússia no início do século XX. Sob um céu ensolarado e nublado, emoldurado por montanhas majestosas, vemos um homem solitário e contemplativo de pé, vestido com um casaco de pele pesado, seus olhos parecem refletir uma mistura de melancolia e determinação. Ao seu redor, uma paisagem deslumbrante, coberta de neve, com árvores altas e imponentes. A combinação das cores frias e quentes na capa cria um contraste belo e comovente, que remete à história épica e emocional deste romance icônico. A capa do livro 'Doutor Jivago' é uma representação visual impressionante, que captura a atmosfera implacável e cativante da Rússia e é um convite irresistível para a descoberta desse conto apaixonante.

Sinopse

Doutor Jivago é a grande saga épica e maravilhosa da Rússia da primeira metade do século XX, narrada através da inesquecível história da vida e dos amores de um poeta, filósofo e médico nos dias turbulentos da revolução. Iuri Andréievitch Jivago decide levar a família de Moscovo para os montes Urais, na expectativa de aí encontrar maior segurança, mas acaba por se ver não só no centro da batalha entre as frentes branca e vermelha mas também dividido entre a sua casa e o amor desmedido pela bela enfermeira Lara. 

Este que é considerado o maior romance da Rússia pós-revolucionária foi publicado originalmente em 1957, um ano antes da atribuição do Prémio Nobel da Literatura ao seu autor, mas, banido pela censura do Partido Comunista, teria de aguardar trinta anos para ser lido no país de Pasternak. 

A obra foi adaptada ao cinema, em 1966, pelo realizador David Lean, com o actor Omar Sharif no papel principal. Esta edição conta com a tradução de António Pescada feita directamente do russo. 


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Opinião 

A minha viagem pelos autores russos continua de vento em popa e cada vez me sinto mais à vontade com as suas narrativas, o seu estilo e, neste momento, sinto-me rendida ao talento destas pessoas. Desta vez, iniciei-me na obra de Boris Pasternak, com o seu aclamado romance Doutor Jivago. Trata-se de um dos escritores mais reconhecidos da União Soviética no século XX. Nascido em Moscovo em 1890, Pasternak foi influenciado pela sua família de artistas e intelectuais, o que se reflecte na sua abordagem artística e filosófica nas suas obras literárias. A sua produção literária, que incluí poesia, peças de teatro e romances, aborda temas como amor, transcendência e a difícil relação entre o indivíduo e o Estado totalitário. 

A história da publicação de Doutor Jivago é repleta de curiosidades interessantes. O romance enfrentou muitos obstáculos antes de ser publicado. Inicialmente, Pasternak submeteu o manuscrito à União de Escritores Soviéticos, mas teve a sua obra recusada devido ao conteúdo crítico ao regime comunista. No entanto, um amigo próximo de Pasternak, que também era um importante editor, decidiu enviar o manuscrito para uma editora italiana. A obra foi então publicada pela primeira vez em Milão, em 1957, e acabou por ganhar o Prémio Nobel de Literatura no ano seguinte, o que causou uma grande polémica. A União Soviética ficou indignada com o facto de um escritor russo ser reconhecido internacionalmente e proibiu a sua publicação no país até 1987, quando o regime comunista começou a desmoronar-se. Esta proibição gerou um mercado negro de cópias contrabandeadas na Rússia, o que só demonstra a paixão dos russos pela obra de Boris Pasternak e a sua importância cultural. 


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Ambientado na Rússia durante a Revolução Russa e subsequente Guerra Civil, o livro Doutor Jivago transcende a mera narrativa romântica e retrata fielmente o panorama político e social da época. A trama desenrola-se entre os anos de 1903 e 1923, período marcada por um intenso conflito entre as facções bolcheviques e anti-bolcheviques, bem como por grandes transformações na sociedade russa. Através da visão de Yuri Jivago, um médico e poeta que vive os horrores da guerra, o autor oferece uma visão panorâmica das consequências devastadoras da revolução e das injustiças sofridas pelos indivíduos comuns. Além disso, a obra também aborda temas como a busca pela identidade pessoal e a luta pela sobrevivência em tempos turbulentos, o que a torna numa leitura cativante e profundamente reflexiva. 


"O mujique sabe muito bem o que quer, mas não quer o mesmo que nós, e aí é que está a diferença. Quando a revolução veio ele acordou e supôs que se iam realizar os seus sonhos seculares de vida individual, de existência anárquica de pequeno proprietário que tudo deve ao seu trabalho, que não depende de ninguém nem tem obrigações para com ninguém. Mas, liberto das garras do antigo Estado, passou a sentir-se apertado no torno ainda mais asfixiante do super-Estado revolucionário. Eis a razão por que o campo se agita e não é fácil acalmá-lo." 


Tudo começa na infância de Yuri, quando a sua mãe morre e é levado para viver com a família paterna. Este momento traumático marca, afinal de contas, o final da sua inocência e o início da sua vida como jovem capaz de pensar por si próprio. As experiências da juventude e alguns encontros são determinantes para o homem que será e para as relações que irá estabelecer ao longo dos anos. A sua personalidade é peculiar e bem diferente do que vemos à sua volta, talvez por ter a educação científica de um médico aliada à alma sensível de um poeta. As suas opiniões estão, na maioria das vezes, isentas de paixões políticas ou nacionalistas, sendo, por isso, capaz de analisar friamente o que se passa à sua volta, o que o torna inimigo de todos os lados da Guerra Civil, pois nunca parece estar de nenhum dos lados da barricada. 


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A sua vida é contada ao mesmo tempo que se contam os acontecimentos da Rússia, com as mudanças de um e de outro sempre de mãos dadas. Os altos e baixos são recorrentes, depois da ascensão inicial, com uma carreira bem sucedida como médico, um casamento muito proveitoso, com uma mulher com quem cresceu e sentia uma afeição sincera, que se traduzia numa situação financeira estável e a consequente e óbvia criação da sua própria família. Pelo meio desta vida perfeita, intromete-se a guerra e o recrutamento do médico para a frente, que o volta a colocar na presença de uma mulher que conheceu quando era muito novo e que desde essa altura lhe provocou uma forte impressão pela sua beleza extraordinária e pela história de vida pouco feliz. Lara está também na guerra como enfermeira, depois do seu marido ter desaparecido e estar dado como morto, ainda que a jovem não tenha acreditado neste desfecho. 


"O seu cativeiro não era diferente de tantas outras formas de constrangimento que a vida impõe a todos os homens. Essas numerosíssimas formas, invisíveis, impalpáveis, irreais, fictícias, quiméricas! Mas apesar da ausência de cadeias e de guardas, Jivago tinha de se submeter a uma situação de prisioneiro só na aparência imaginária." 


Os destinos destes dois, Jivago e Lara, parecem estar ligados de forma inexplicável, reencontrando-se por diversas vezes e em diferentes circunstâncias ao longo de todo o livro. Ao contrário do que tem sido a minha experiência com outros autores russos, com Pasternak não senti alívios cómicos, momentos leves ou descontraídos. O ambiente é sempre pesado, como se o abismo e a desgraça estivesse sempre prestes a surgir ao virar da próxima página. Ainda assim, a sua prosa é poética de tão bela, pela forma como constrói imagens extraordinárias, mesmo quando são tristes ou melancólicas. Parece um romance, mas é muito mais um relato provido de esperança sobre o que aconteceu na Rússia naquela época, onde o protagonista serve como pretexto para se relatar as misérias que atingiam a grande maioria das classes no país, fossem proprietários ou trabalhadores. 

Apesar das diferenças relativamente a outros autores russos, achei uma leitura acessível, sem linguagem complicada ou de difícil compreensão. Os saltos temporais talvez sejam o maior desafio, mas oferecem um ritmo mais acelerado à narrativa que nos obriga a continuar a ler, sem ter a menor ideia do que irá vir em seguida. Para os amantes de poesia, têm ainda o bónus de, no final do livro, encontrar os poemas escritos por Jivago durante os eventos que nos são contados sobre a sua vida e que sabemos terem sido publicados mais tarde. No entanto, se ainda precisas de mais incentivos para ler Doutor Jivago, vai ver o vídeo da Tatiana Feltrin, que foi a responsável por ter despertado o meu interesse por este livro e este autor. 

Gostaste da resenha sobre o livro Doutor Jivago? Deixa o teu comentário abaixo! Adoraria saber a tua opinião sobre a obra, personagens ou qualquer outra reflexão que o livro te tenha despertado. Vamos juntos compartilhar ideias e enriquecer ainda mais esta discussão literária. Não deixes de participar, a tua opinião é muito importante para mim! 


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Wook | Bertrand 

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