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quinta-feira, 17 de janeiro de 2019

És de Esquerda ou de Direita?


És de Esquerda ou de Direita?

Em 2019 os actos eleitorais irão marcar presença de forma muito marcada e com importantes decisões que todos precisamos tomar. Sem referir as eleições da Madeira, por serem locais, vamos começar por eleger os deputados para o Parlamento Europeu, em Maio, e iremos terminar o ano com as eleições para eleger o próximo Governo, em Outubro. 

Como sabes, tenho muito interesse pelos assuntos da política porque são os políticos e as suas decisões que influenciam a vida e o país que temos na grande maioria das vezes e não gosto de viver alheada dessa realidade nem me demitir dos meus direitos e obrigações no que toca a eleger quem me governa. Aliás, foi isso mesmo que defendi aqui, quando defendi a importância de ir votar, cumprindo um direito que foi conquistado por gerações de pessoas que, na sua época, não podiam exercer este direito que agora achamos que está garantido.

Relativamente à política, também reflecti um pouco sobre o que leva a que os políticos queiram vencer as eleições e sobre as motivações que deveriam estar presentes em cargos de tamanha importância. E apesar das discussões que andam por aí, muito relacionadas com a crise na Direita e, mais concretamente, no PSD, não é disso que quero falar hoje.

O meu foco não está preso nos políticos, desta vez. Quero me focar nos eleitores, em todos nós, pessoas com idade de votar e de tomar decisões importantes para o país. Quero ponderar nos motivos que nos levam a optar por um candidato ou por um partido. Será que ainda faz sentido pensar em Esquerda e Direita?

Eu admito que me considero muito mais de Direita do que de Esquerda. Sobretudo, porque defendo que o Estado deve ser mais pequeno e ter menos participação como dono de empresas e mais como regulador do que as empresas podem ou não fazer, sem ser uma parte interessada nos negócios. Além disso, também não demonizo os patrões, que criam riqueza e postos de trabalho. Claro que, com isto, não estou a defender quem explora os empregados nem a diminuir os direitos dos trabalhadores, tão duramente conquistados.

Por outro lado, não sou uma pessoa conservadora e não defendo muitas das posições que são, regra geral, atribuídas a pessoas de Direita. Nunca fui contra a despenalização do aborto, ou contra a legalização do casamento homossexual ou contra a adopção por esses mesmos casais. Só para dar alguns exemplos, está bom de ver.

E é por não me sentir totalmente representada por esta dicotomia que separa Esquerda e Direita, que penso que esta separação está a ficar obsoleta e não cria identificação com os eleitores, pelo menos, não com aqueles que pensam pela sua cabeça e não seguem uma cartilha sem dela fazer reais julgamentos.

Ainda por cima, parece-me que se debate de forma muito fraquinha em Portugal. Ouve-se muita gente falar do que quer para o país, que até acaba por ser transversal, mas pouco debate concreto sobre as medidas que defendem como forma de chegar e alcançar esse objectivo. Chego a pensar que os políticos sentem que não precisam de se esforçar com debates sérios porque ninguém está verdadeiramente interessado. Como se o que interessasse fosse a análise feita pelos jornalistas e comentadores políticos que irá surgir na comunicação social no dia seguinte.

A dúvida que fica é saber se temos políticos medíocres porque somos eleitores desinteressados, ou somos eleitores desinteressados porque temos políticos medíocres. Parece uma pescadinha de rabo na boca que não há forma de combater. Como resolver este problema e atrair pessoas de valor e com valores para os cargos políticos?

De qualquer modo, penso que a abstenção não é a solução, meus amigos. Até porque ir votar não te obriga a votar em ninguém, se não tens um candidato que te represente. Podes votar em branco e com isso manifestar devidamente o teu desagrado, se for caso disso. Só assim podes reclamar do estado a que chegou o país e da forma irresponsável como nos governam.

Agora conta-me, ainda te sentes representado pela ideia de Esquerda e Direita? Vais votar nas próximas eleições ou tens coisas melhores para fazer? Partilha o que pensas nos comentários e vamos debater ideias, coisa saudável e rara nos dias que correm. 

quarta-feira, 16 de janeiro de 2019

#Review - Sea Box by Vivadogs


#Review - Sea Box by Vivadogs

Hoje tenho o prazer de te apresentar uma opção para seres surpreendida e mimares, ao mesmo tempo, o teu animal de estimação. Falo especificamente dos cães lá de casa que adoram receber brinquedos novos, snacks diferentes e ainda contém um produto de higiene, que os donos agradecem. Gostas desta ideia? 

Pois que descobri, por acaso, entre os anúncios que o Facebook teima em nos mostrar, este site e, como pessoa curiosa que sou, decidi ir dar uma vista de olhos e ver melhor do que se tratava. Afinal, tanto se fala de caixas de beleza e de maquilhagem que subscrevemos e recebemos produtos surpresa em casa. Já ouvi falar, inclusivamente, de caixas de livros, conceito que ainda não chegou a Portugal. Agora uma caixa com produtos para os nossos lindos cachorros desconhecia a existência. 

#Review - Sea Box by Vivadogs

A verdade é que, depois de visitar o site da Vivadogs, fiquei rendida ao conceito e tratei logo de aproveitar o voucher que me dava 50% de desconto na minha primeira encomenda. A encomenda segue sempre no final de cada mês, sendo que, se encomendares antes de dia 25, a tua primeira caixa chega no próprio mês. Se encomendares depois de dia 25, recebes no final do mês seguinte. 

#Review - Sea Box by Vivadogs

Os portes de envio são oferta e depois de confirmares a tua subscrição e forneceres alguns pormenores sobre o teu cão, só precisas de aguardar que a primeira caixa te chegue a casa. Como podes ver a caixa vem com muitos detalhes fofinhos e que nos derretem o coração. Aquele papel que protege os produtos é mesmo giro e vem tudo muito bem acondicionado. 

#Review - Sea Box by Vivadogs

Cada caixa tem uma temática e a que recebi estava sob o tema do Mar. Cada caixa traz cinco ou seis produtos, conforme decidires na subscrição. Eu optei pela opção mais simples e que contém dois brinquedos, dois snacks e um acessório. Desta forma, nesta box recebi um champô de maçã verde, um pacote de snacks para treinar cachorros - muito apropriados, por sinal -, uma embalagem de snack de pato e batata doce e os dois brinquedos que podem ver na foto. 

Dois brinquedos que foram divididos pelos meus dois cães. Claro que isto é muito bonito na teoria. Na prática um só quer o que o outro tem. E assim se vão entendendo na luta pela posse do brinquedo do momento. A sorte é que as brigas são pacíficas e servem mais como forma de brincadeira do que de conflito a sério. 

#Review - Sea Box by Vivadogs

Este é o Fofo a destruir com determinação o lindo sapo verde que recebeu. Devo dizer que este bicho é um destruidor nato e só encontrei uma bola que lhe sobrevivesse. Como tal, apesar de mais resistente que o outro, neste momento, do sapo já nada sobra. Ainda andou por aqui por casa umas fitas verdes que escaparam, mas quer-me parecer que agora já nada existe do querido sapo. 

#Review - Sea Box by Vivadogs

Esta é a criança da casa, o Talismã, e que se entreteve a brincar com o tronco que, como dá para ver na foto, já se encontrava um tanto ou quanto danificado. Pois que não chegou inteiro ao final do dia. O Fofo desfez o tronco em mil pedaços e acabaram a lutar pela posse do sapo, único sobrevivente na altura. 

É mesmo no que toca aos brinquedos que não me sinto totalmente satisfeita, mas a culpa é das feras cá de casa, autênticas bestas destruidoras que não descansam enquanto não destroem tudo quanto lhes vá parar à boca. Gostei tanto desta experiência que aproveitei uma campanha neste início de ano e fiz a subscrição por 12 meses, de forma a obter um melhor preço mensal. 

E tu, já conhecias a Vivadogs? O que achas deste conceito? Achas que o teu cão ia gostar de receber uma caixa com presentes só a pensar nele todos os meses? 

terça-feira, 15 de janeiro de 2019

#Livros - Sem Segredos!, de Marco Costa


#Livros - Sem Segredos!, de Marco Costa

Sinopse

Depois do sucesso de Receitas com Segredo - actualmente com 14 edições -; de uma rubrica televisiva, Tortas e Travessas, ao lado de Fátima Lopes, no programa A Tarde é Sua, que conquistou o seu lugar nas preferências das audiências; e dos incontáveis pedidos do seu crescente e exigente número de fãs para que publicasse mais receitas, surge agora Sem Segredos!, o novo livro de receitas de Marco Costa, o pasteleiro mais famoso da televisão portuguesa. 

Tal como as do livro anterior, são receitas caseiras, genuínas, com o toque pessoal do autor, que exalam carinho e felicidade. São bolos, tartes, bolachas, brigadeiros, queijadas e muitos outros doces, para comer e chorar por mais! Dos Brigadeiros de Coco à Tarte de Limão Merengada, passando pelos famosos Ovos de Chocolate e o Bolo-Rei de Nutella, não há como não cair em tentação. 

Mas há igualmente espaço para doces em versão mais saudável como o Bolo de Chocolate sem Farinha, os Brownies Saudáveis ou os Queques Saudáveis. E o Marco dá igualmente ideias para comemorarmos os dias que nos são mais queridos, seja o Dia dos Namorados, do Pai, da Mãe, o Natal, entre outros, ou até mesmo os mais divertidos, como o Carnaval e o Halloween. Deitem mãos à obra, experimentem fazer as receitas, provem, lambuzem-se, dêem a provar e sejam felizes! 

Se gostaram do Receitas com Segredo vão adorar este Sem Segredos!

Opinião

Este é mais um livro que consta nas minhas sugestões de livros para oferecer no Natal e que serve perfeitamente para aniversários e outras datas comemorativas onde queremos presentear alguém de quem gostamos muito. Foi o que fiz neste Natal, quando ofereci este livro à minha mãe que adorou como já sabia que aconteceria.

Podes ler também a opinião sobre Receitas com Segredo, o primeiro livro de Marco Costa.

Marco Costa é um verdadeiro caso de sucesso e um exemplo para todos os participantes de Casas dos Segredos e afins. Trata-se de alguém que viveu aquela experiência sem nunca perder o foco do que queria fazer, sem se limitar à vida das presenças e dos regressos à casa. Tirou partido do seu talento na pastelaria e usou a exposição pública para dar a conhecer os seus doces ao país e assim impulsionar a criação do seu negócio.

Depois de ter adorado e posto em prática algumas das sugestões do primeiro livro, Receitas com Segredo, livro esse que também foi um presente para a minha mãe, verdadeira fã do Marco, já sabia com o que poderia contar ao comprar o novo. A qualidade e a genuinidade são já imagens de marca deste rapaz.

#Livros - Sem Segredos!, de Marco Costa

Além das receitas serem deliciosas e das mais variadas, capazes de agradar a todos, as fotografias que acompanham o livro são de muito bom gosto e ilustram bem não só as próprias receitas e os ingredientes como também mostram momentos de boa disposição na fábrica do Marco, onde a mãe a a avó não deixam de marcar presença.

#Livros - Sem Segredos!, de Marco Costa

Por falar na mãe e na avó de Marco Costa, é muito bonita a homenagem que ele sempre faz nos seus livros às mulheres da sua vida. No primeiro, partilhou uma receita da sua mãe e agora partilhou um doce típico do seu Natal cuja receita é da sua avó, onde nos contou ainda, no prefácio, a história que gira em torno desta receita e das memórias da sua infância.

#Livros - Sem Segredos!, de Marco Costa

Acredito que uma das grandes razões do sucesso destas receitas são a simplicidade da execução. Os ingredientes utilizados são fáceis de encontrar e arrisco a dizer que a maioria são produtos que temos em casa habitualmente. Além disso, os passos para a execução das receitas são do mais simples que já encontrei e sem serem infinitos. Com poucos procedimentos, nada complicados, qualquer um se sente capaz de pôr em prática as receitas que o Marco nos sugere.

Todos conhecemos livros de receitas, lindos de morrer e de fazer crescer água na boca, mas que na hora de confeccionar perdemos a coragem pela dificuldade que pressentimos ao ler atentamente. Com este Sem Segredos! isso não te vai acontecer, posso te garantir.

Pela parte que me toca, estou muito satisfeita com este livro e com a desculpa perfeita que constitui a predilecção da minha mãe por este rapaz. Posso dizer, inclusive, que já reforcei o stock de ovos no frigorífico para me dedicar em breve a pôr em prática algumas das novas receitas do Marco.

Já conheces as receitas do Marco Costa? Qual a tua favorita?

Podes encomendar o teu exemplar na Wook, com 10% de desconto imediato e portes grátis. 

segunda-feira, 14 de janeiro de 2019

A Banda Sonora da Semana #37


A Banda Sonora da Semana #37 com um livro novo da Quetzal e um vídeo da Bumba na Fofinha

E então, meus amigos, como está a correr este novo ano? Passadas duas semanas de 2019, essas resoluções já ficaram pelo caminho ou ainda estão pojantes? Pela minha parte, continuo em esforço a almejar por alguns dias de férias que ainda irão tardar, mas mantendo o foco em tudo o que quero fazer nos próximos doze meses. 

Efemérides de 14 de Janeiro


Ano Novo no calendário juliano. 
1784 - Os Estados Unidos ratificam o tratado de paz com o Reino Unido, encerrando a Revolução Americana. 
2016 - A Organização Mundial de Saúde declara o fim da epidemia por vírus ebola na África Ocidental, que causou mais de onze mil mortes. 
83 a.C. - Nasceu Marco António, militar e político romano. 
1925 - Nasceu Yukio Mishima, novelista e dramaturgo japonês. 
1092 - Morreu Bratislau II da Boémia. 

A Banda Sonora da Semana #37 com um livro novo da Quetzal e um vídeo da Bumba na Fofinha

O ano mal começou e são mais que muitos os lançamentos incríveis que as editoras andam a fazer, tantos que a malta não tem dinheiro que chegue para agarrar todo, tendo de viver com a amargura de não ter todos os livros que gostaria. Só que sou muito tua amiga e, portanto, vou-te deixar uma sugestão incrível para começares o ano em grande com um verdadeiro calhamaço repleto de grandes poetas, numa selecção de Vasco Graça Moura. Trata-se de 366 Poemas que Falam de Amor, livro que será lançado esta semana pela Quetzal Editores

Confesso que mal posso esperar para ter este livro incrível nas mãos. Admito que poderá não ser um livro para ler de uma assentada. Presumo que o desafio poderia ser ler um poema por dia e maravilhar-nos com os melhores poetas do mundo e com as mais belas palavras de amor. Aceitavas este desafio?


2019 marca o meu regresso à saga dos casamentos. Depois de me ter queixado que os meus amigos estavam a tornar-se adultos, sem que eu tivesse dado por isso, é chegada a hora em que se começam a casar. São tantas coisas para preparar e onde é preciso gastar dinheiro que me vejo na necessidade de começar a planear algo que só irá acontecer em Maio. 

Posto isto, nada como levar a coisa com algum humor e aproveitar o kit de Casamento da Bumba na Fofinha para desanuviar. Vais ter alguma casamento em 2019? Como te estás a preparar para tal evento? Aceito dicas! 

domingo, 13 de janeiro de 2019

#Livros - A Amante do Governador, de José Rodrigues dos Santos


#Livros - A Amante do Governador, de José Rodrigues dos Santos

Sinopse

Depois de atacarem Pearl Harbor e invadirem Hong Kong, os japoneses cercam Macau. Com o inimigo às portas, o novo governador, Artur Teixeira, tem de enfrentar a maior ameaça ao império português durante a Segunda Guerra Mundial. Diante dele está o coronel Sawa, o violento chefe do Kempeitai, que ameaça invadir a colónia portuguesa na China. Para salvar Macau, o governador conta apenas com o seu engenho -  e a ajuda de um punhado de homens e mulheres, incluindo a própria concubina do coronel Sawa, a chinesa Lian Hua. Tudo se complica, no entanto, quando se apaixona por ela. 

Amor e guerra no choque de impérios. 

A Macau dos juncos e das sampanas, dos casinos e do ópio, do Leal Senado e da Praia Grande, do Fat Siu Lao, do Grémio Militar e do Clube de Macau, do Porto Interior e da Porta do Cerco, dos riquexós, dos contrabandistas chineses e das dançarinas russas, do mahjong e da corrupção, do patois, das canções de Art Carneiro e dos jogos de hóquei na Caixa Escolar. 
E dos refugiados, dos bombardeamentos e da fome. 

Baseado em acontecimentos verídicos, A Amante do Governador resgata os dias de Macau sob cerco japonês e mostra como Portugal manteve a única bandeira ocidental hasteada no Extremo Oriente durante toda a Segunda Guerra Mundial. 

Opinião

Este é o primeiro livro de 2019, lido ainda no final de 2018, sendo também o primeiro livro que consta na lista de livros para oferecer no Natal e o primeiro presente de Natal que ofereci a mim mesma. Afinal, presentes literários tornam-se os melhores e aqueles que não consigo ignorar, ficando a aguardar que alguma alma se lembre de me oferecer. Pelo menos, não todos da minhas imensa e cada vez maior lista de desejos.

Depois de ler o primeiro romance de José Rodrigues dos Santos, A Ilha das Trevas, agarrei o seu último e ficou claro a grande distância que existe entre ambos. A sua evolução é óbvia pois, apesar de continuar a incluir uma quantidade absurda de informações e factos nos seus livros, aprendeu a fazê-lo de uma forma mais orgânica e que não nos aborrece de todo. Pelo contrário, agora os seus livros são autênticas aulas sobre os mais variados temas que só aumentam a curiosidade do leitor sobre os assuntos tratados.

Em A Amante do Governador, e tal como previ que mais cedo ou mais tarde aconteceria, ficamos a conhecer a continuação do que nos foi contado na trilogia do Lótus, que tinha conhecido o seu fim com O Reino do Meio. Os personagens carismáticos de tão diferentes voltam a surgir e finalmente compreendemos os elos de ligação entre as quatro histórias que conhecemos de forma isolada e independente.

Deste modo, fica mais perceptível o motivo que me levou a comprar este livro com a maior das pressas e a ansiar pelo momento em que poderia dedicar-me à sua leitura e a descobrir os mistérios que pressenti terem ficado por revelar. Tudo acontece em Macau, local que acaba por unir os seus destinos e onde a ligação com Portugal começa a fazer sentido. Embora possa ser lido de forma isolada, sem ser necessário ler a trilogia para entender o enredo, aconselho que o façam porque, desse modo, temos uma imagem mais completa dos antecedentes dos protagonistas e de tudo o que os influenciou a tornarem-se quem são neste livro.

Aliás, devo dizer que, assim que terminei A Amante do Governador, fiquei com uma vontade imensa de voltar a reler os livros anteriores, sobretudo para reler a voz do narrador desses livros e melhor compreender os comentários que foi fazendo ao longo da trilogia.

A viagem deste livro leva-nos a conhecer a cidade de Macau enquanto colónia portuguesa e apresenta-nos o Império Europeu no Oriente durante a Segunda Guerra Mundial. Conta-nos também como foi possível que Macau tenha permanecido a única colónia europeia que não foi ocupada nessa altura, feito extraordinário dado que se tratava de um porto estratégico e uma porta de entrada para a China.

Este foi um período difícil em todo o mundo, mas a verdade é que conhecemos pouco do que acontecia nas nossas colónias nessa época. Em Macau, a realidade é relatada de forma crua e pode ser penoso para as pessoas mais sensíveis. Estamos a falar de fome, muita fome. De pessoas a comer tudo, algumas bastantes nojentas para quem vive com alimentos no armário e no frigorífico. De gente a morrer de fome nas ruas.

O livro acompanha o ataque japonês a Pearl Harbor, a entrada dos americanos na Guerra, o impacto do ataque atómico às cidades japonesas e o ansiado fim da Segunda Guerra Mundial. Este é um momento da História Mundial que me fascina e que acho de suma importância, principalmente para que não se repitam os mesmos erros de um passado tão recente e que já parece estar esquecido.

Outro elemento que não me parece possível ignorar e não fazer o paralelo com os dias de hoje, são os refugiados que encontraram abrigo em Macau naquele momento de conflito e de tensão. Vinham de toda a parte e levaram à sobrepopulação da colónia portuguesa no Oriente. Ninguém era recusado nesta pequena cidade, que a todos recebia e protegia dos flagelos maiores da guerra. Não deixa de ser irónica esta referência, quando olhamos para uma Europa que se fecha sobre si mesma e constrói muros para impedir os refugiados de entrar.

Confesso que este não é um livro leve e superficial. Toca nos assuntos de forma profunda e, por vezes, demasiado crua, como se, com a leitura, fôssemos transportados para a Macau dos anos 40. Chega a socar-nos no estômago, tão violento é o relato dos acontecimentos históricos. Mas não deixa de ser uma maneira, na forma de ficção, de conhecer melhor um período tão rico e tão conflituoso.

Pela parte que me toca, fica a dúvida se terá sido a despedida definitiva destes personagens tão intensos e apaixonantes. Desta vez, não me parece óbvia a continuação, mas reconheço que existem pontas soltas pelas quais José Rodrigues dos Santos poderá pegar para continuar este relato nos anos que se seguiram.

E tu, já leste este livro? Que opinião tens desta nova obra de José Rodrigues dos Santos? Acreditas que irá ter uma continuação? 

"Mas ver os portugueses de Hong Kong empoleirados na proa a quererem abraçar Macau como se enfim se reencontrassem com os pais perdidos tinha o seu quê de comovente. Todos pareciam obedecer a um chamamento dos antepassados, os olhares ansiosos presos àquele pedaço de terra secular, os refrões em português das canções da velha pátria decorados palavra a palavra pelos que não falavam a língua. A angústia pelo futuro forçava-os a agarrarem-se à memória do passado."

Podes encomendar o teu exemplar na Wook, com 10% de desconto imediato e portes grátis. 

Outros livros de José Rodrigues dos Santos com opinião publicada:


A Ilha das Trevas
Anjo Branco
O Homem de Constantinopla
Um Milionário em Lisboa
A Mão do Diabo
Vaticanum
As Flores de Lótus
O Pavilhão Púrpura
O Reino do Meio
Sinal de Vida

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