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terça-feira, 19 de junho de 2018

#Livros - A Ilha das Trevas, de José Rodrigues dos Santos



Sinopse

Paulino da Conceição é um timorense com um terrível segredo. Assistiu, juntamente com a família, à saída dos portugueses de Timor-Leste e a todos os acontecimentos que se seguiram, tornando-se um mero peão nas circunstâncias que mediaram a invasão indonésia de 1975 e o referendo de 1999 que deu a independência ao país.

Só há uma pessoa a quem Paulino pode confessar o seu segredo - mas terá coragem para o fazer?

A vida e tragédia de uma família timorense serve de ponto de partida para aquele que é o romance de estreia de José Rodrigues dos Santos, precursor de grandes êxitos como A Filha do Capitão, O Codex 632 e A Fórmula de Deus.

Um romance pungente onde a ficção se mistura com o real para expor, num ritmo dramático, poderoso e intenso, a trágica verdade que só a criação literária, quando aliada à narrativa histórica, consegue revelar.

Opinião

Eis que, finalmente, consegui comprar o primeiro romance de José Rodrigues dos Santos! Para quem não sabe, não é coisa fácil porque o livro A Ilha das Trevas está esgotado em tudo o que é sítio. Ainda por cima, sendo o primeiro, revelou-se difícil de encontrar muita oferta desta obra no mercado dos livros usados. Foi no OLX que encontrei alguma oferta muito embora, inicialmente, os preços estivessem muito inflacionados para a minha carteira. Por fim, encontrei um exemplar, na minha zona, pela módica quantia de 5€.

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No seu primeiro romance, José Rodrigues dos Santos conta-nos a história relativa ao caminho percorrido por Timor-Leste, desde a descolonização, passando pela invasão indonésia, até chegar à tão desejada liberdade enquanto país e enquanto povo. Estamos a falar de um processo doloroso e intenso e que levou à morte milhares de timorenses.

Fruto do caos que acontecia em Portugal, após 25 de Abril, o país ficou nas mãos da Indonésia que tudo fez para subjugar as pessoas e os massacres foram inúmeros e injustificados. Ao longo de todo o livro são revelados alguns dos momentos mais marcantes e sangrentos da história recente do primeira país formado no século XXI.

A opressão dos indonésios sobre os timorenses fez-me lembrar um pouco a dos turcos sobre os arménios, sobre o qual o autor escreveu nos dois volumes que relatam a vida de Caloust Gulbenkian, O Homem de Constantinopla e Um Milionário em Lisboa. A mesma crueldade. O mesmo desejo de sangue. A mesma malvadez requintada nas formas mais perversas de matar. Um povo que sente semelhante prazer e sente tal comprometimento para fazer mal a outro povo, sem que este tenha armas ou condições para os enfrentar de igual forma, faz-me muita confusão e só merece o meu desprezo e muita desconfiança.

Acompanhamos jornalistas portugueses e australianos, mas a personagem que mais nos revela é o nativo Paulino, que sobrevive à invasão indonésia até que chega o almejado referendo que lhes abre portas para a merecida liberdade e ao reconhecimento enquanto nação independente.

Depois, nos anos 90, é interessante perceber a influência portuguesa e o quanto todo o país se sentiu solidário com Timor-Leste e com a opressão que era sentida pelos timorenses. Nunca Portugal se uniu, e manteve unido, por uma causa como por Timor. As pessoas foram para a rua. Músicas foram feitas. Os próprios políticos mostraram que é possível fazer o que está certo, sem pensar em contrapartidas económicas.

Contudo, este livro tem descrições demasiado pormenorizadas para serem incluídas e apresentadas num romance. Porque muito embora este seja o romance com menos páginas do autor, torna-se muito complicado acompanhar tanto acontecimento histórico e político sem perder o entusiasmo. Parece-me que, em A Ilha das TrevasJosé Rodrigues dos Santos ainda não tinha percebido completamente que um romance, ainda que histórico, não pode ser uma crónica de guerra como as que escreveu anteriormente.

Assim sendo, considero o tema muito interessante e pertinente, mas a construção da história não me arrebatou. Ao contrário do que tem vindo a fazer nos livros que se seguiram, aqui não é apresentada informação e dados históricos e verídicos como forma de nos ensinar e entreter. Ensina, mas aborrece, e o entretenimento deixa muito a desejar.

Porém, continuo a ser fã assumida do autor, e gosto sempre de acompanhar a sua evolução na construção de cada nova história. Aqui, fiz um retrocesso para conhecer como começou a sua aventura na elaboração do género romanciado, mas fico feliz por ter-se tornado melhor com a experiência. Por tudo isto, não aconselho que ninguém comece a conhecer a obra deste autor por este livro, porque certamente não irão sentir motivação para ler os seguintes, o que seria uma pena.

"E quando me perguntam o que me fez enfrentar todos estes horrores, o que me fez combater, o que me fez resistir, o que me fez sobreviver, respondo sempre que não foi a coragem, nunca se colocou a questão da coragem. O que me fez estar vivo e enfrentar os bapas foi uma coisa imensamente mais simples. Foi o medo."

Outros livros de José Rodrigues dos Santos com opinião publicada:


Anjo Branco
O Homem de Constantinopla
Um Milionário em Lisboa
A Mão do Diabo
Vaticanum
As Flores de Lótus
O Pavilhão Púrpura
O Reino do Meio
Sinal de Vida

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