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quinta-feira, 23 de novembro de 2017

Advogado do Diabo



Não se animem que a hora do Cinema foi ontem e não é do filme com o mesmo nome que iremos falar hoje nem da interpretação espectacular do gato do Keanu Reeves enquanto filho do diabo. Na verdade, pretendo falar de um assunto mais sério e real e que incluí a própria profissão de advogado. Quer-me parecer que todas as pessoas que enveredaram pela área das Letras, tiveram o seu momento de encantamento com a advocacia. Eu própria vivi essa sensação, em parte pelas séries que retratavam a vida divertida dos advogados em Nova Iorque, por outro lado pela vontade de perseguir a Justiça e ser uma ferramenta na sua concretização. 

Perdi a conta às vezes em que brinquei a fingir que era uma advogada, prazeres solitários de quem é filha única e não tem ninguém que guarde na memória as nossas figuras tristes na infância. Depois, os anos passaram e percebi que era um caminho que implicava empinar demasiadas matérias e artigos e coisas que tal, tarefa essencialmente inútil dado que nenhum advogado recita de cor e salteado artigos e decretos-lei. Resumindo, descobri que esta não era, de todo, a minha vocação e que a advocacia ficaria muito melhor sem mim.

Infelizmente, a nossa classe de Advogados está com uma reputação muito má, em termos gerais. Contudo, acredito sinceramente que ainda existam profissionais que são motivo de orgulho para quem aprecia esta área e a esperança de quem ainda consegue acreditar na Justiça. Eu devo dizer, para assumir a minha posição, que já acreditei bem mais no sistema judicial português e nem quero explorar as razões, pois englobam casos pessoais e muito próximos sobre os quais sinto ainda não ser o momento certo para falar.

Portanto, vamos imaginar o tipo de Advogado, assim mesmo, com maiúscula, que tem sentido de honra, que sabe o que significa ética, cuja ambição seja ajudar a que seja feita Justiça. Eu sei que é um pouco difícil mas és capaz, certo? Agora imagina alguém com estas características ter de defender um criminoso. Sim, porque os culpados também têm direito a defesa e precisam de quem os defenda. Como será defender num Tribunal alguém que sabemos com convicção que é mesmo culpado e de um crime grave?

Como tentar desacreditar testemunhas, desvalorizar provas, quando sabemos que a pessoa que se está a defender realmente matou uma pessoa? Ou violou uma mulher? Ou abusou de uma criança? Como se consegue dormir descansado quando ajudamos a libertar um predador sexual ou uma pessoa violenta e que constituí um perigo para os outros? Mais uma vez, compreendo perfeitamente e acho justo que todos tenham direito a uma defesa. Estas questões não pretendem colocar nunca isso em causa. Apenas me questiona como um advogado com sentido de ética lida com uma situação dessas.

Depois, também não podemos esquecer que os senhores advogados podem e dever ser muito justos e correctos, mas são como todos nós, ou seja, têm contas para pagar, famílias para sustentar e outras tantas despesas. Agora, pela parte que me toca, quer-me parecer que teria sérias dificuldades em defender de forma condigna alguém cuja inocência eu não acreditasse. Aposto que seria medíocre a apresentar a dita defesa e não iria cumprir realmente a minha tarefa. E tu? Serias capaz de defender um criminoso? Qual seria o teu limite? 

2 comentários:

  1. Adorei o artigo, apesar de não ter seguido letras, também já quis seguir advocacia, e o que me fez parar com essa ideia foi exatamente o que escreveste. Um dia, na Kidzania (tinha 14, eu sei já era crescidinha para ir à Kidzania, mas aquilo é brutal) eu disse a uma das pessoas que lá trabalhava que queria ser advogada, e a senhora perguntou-me "eras capaz de defender um pedófilo?" respondi negativamente, e ela continuou "então não darás uma boa advogada"... Pois é esse o meu limite ��

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    1. É verdade, todos temos os nossos limites. No meu caso, seria mesmo muito difícil defender alguém se não acreditasse na sua inocência.
      Obrigada pela visita e pelo comentário! :)

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