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quinta-feira, 4 de abril de 2024

#Documentário - Lady Gucci: A História de Patrizia Reggiani

 

Close up do rosto de Patrizia Reggiani em tons de roxo, com um olhar penetrante e misterioso, destacando sua personalidade marcante e envolvente. A imagem de capa reflete a intensidade e complexidade da personagem principal do documentário "Lady Gucci: A História de Patrizia Reggiani".

Sinopse

A 27 de Março de 1995, Maurizio Gucci, neto do fundador da famosa casa de moda e, na época, herdeiro do império, foi assassinado às portas do seu escritório em Milão, após ser atingido com vários tiros que acabaram imediatamente com a sua vida. O caso chocou a sociedade italiana, em particular o mundo da moda, e expôs uma trama de traições, conspirações e interesses económicos ocultos que conduziram à detenção da ex-mulher, Patrizia Reggiani. 


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Opinião 

Lady Gucci é um documentário que narra a vida duma das mulheres mais controversas e emblemáticas do mundo da moda. Patrizia Reggiani, ex-mulher do italiano Maurizio Gucci, foi condenada pelo assassinato do seu marido num caso que chocou a sociedade italiana e internacional. A produção leva-nos numa jornada pela vida de Reggiani, desde a sua ascensão como socialite até à sua queda trágica, trazendo à tona questões sobre amor, poder, dinheiro e vingança. O documentário promete mergulhar nas complexidades da mente duma mulher que ultrapassou todos os limites na busca da sua própria justiça. 


Patrizia Reggiani ficou conhecida como a "Lady Gucci" devido ao seu casamento com Maurizio Gucci, herdeiro da famosa marca de luxo italiana. A sua vida foi marcada por escândalos, riqueza e tragédia, culminando num dos crimes mais famosos da alta sociedade italiana: o assassinato de Maurizio Gucci em 1995. Lady Gucci apresenta detalhes sobre o casamento de Patrizia com Maurizio, uma relação marcada pelo luxo, pelo poder e por intrigas familiares, porém, chegou a um ponto de ruptura quando Maurizio anunciou a separação. Seguiu-se uma separação conturbada e um crime inesperado que, inicialmente, não foi logo atribuído à viúva. A investigação demorou dois anos até acabar na prisão e posterior condenação de Patrizia, num desfecho inesperado e chocante para todos. 


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A narrativa e a abordagem do director são elementos fundamentalmente envolventes em Lady Gucci. A maneira como a trajetória de Patrizia é construída ao longo do documentário consegue capturar a complexidade e a intensidade da personagem central. Apresentando uma sequência cronológica dos eventos da sua vida, são utilizadas também entrevistas com pessoas próximas do casal, imagens de arquivo e reconstruções dramáticas para dar profundidade e contexto à história da personagem. Sem esquecer que alguns dos criminosos que foram condenados com Patrizia são também entrevistados e permitem entender melhor a sua versão deste crime e do envolvimento da própria. Em contraponto, temos sempre as palavras da recém libertada Reggiani, que nos apresenta um testemunho perturbador, que não encaixa no que dizem todos os outros e que transmite um ar de psicopatia inacreditável. Ainda assim, a abordagem do realizador é sensível e equilibrada, explorando os motivos e as emoções por trás das acções de Patrizia, sem jamais julgá-la de forma simplista. No final, somos levados a refletir sobre as nuances da personalidade duma mulher controversa e fascinante. 


Patrizia Reggiani, a protagonista do documentário "Lady Gucci: A História de Patrizia Reggiani", está elegantemente vestida de cor de rosa enquanto é entrevistada. Com um olhar determinado e uma postura firme, ela exala confiança e poder, refletindo sua personalidade forte e carismática que intrigou o mundo da moda e da alta sociedade. Sua presença marcante é um reflexo da complexidade de sua história e das reviravoltas emocionais e dramáticas que a cercam.

O que mais me impactou no seu relato, além da continuada tentativa de mostrar que não deu nenhuma ordem no sentido de matar o marido, foi a total ausência de arrependimento. É tão narcisista que acredita ser o centro do universo, revelando não ter tido dificuldades na cadeia, nem sequer colocou a hipótese de trabalhar para poder sair mais cedo de lá, porque Patrizia Gucci nunca trabalhou na vida e não ia começar agora. Estamos perante uma figura complexa e enigmática, uma mulher elegante e sofisticada, com uma personalidade forte e determinada, que parece acreditar que nada lhe está negado. Mais do que um crime motivado pelo amor ou pelo despeito, a impressão que fica é a de que a grande motivação foi a ganância e talvez um certo desejo de vingança. Acrescentaria ainda um certo despeito e orgulho ferido, por ter sido preterida e perceber que Maurizio estava pronto para casar novamente com outra. 


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Em suma, Lady Gucci é um documentário que nos oferece uma visão profunda e multifacetada da vida e das acções da sua protagonista. Ao retratar a complexidade de Patrizia Reggiani, o documentário leva-nos a refletir sobre a natureza da justiça, da vingança e da redenção. A obra convida-nos a questionar os nossos próprios valores e preconceitos, bem como a considerar as influências sociais e individuais que moldam as nossas decisões. Além disso, ao abordar o julgamento mediático e a condenação de Patrizia, o documentário instiga-nos a refletir sobre a forma como a sociedade lida com crimes passionais e com o conceito de justiça. Por tudo isto, percebemos que a vida de Patrizia Reggiani é muito mais do que uma simples história de crime e punição, sendo também um exemplo intrigante e provocador das complexidades humanas. 



Este documentário está disponível, em Portugal, na HBO MAX, e com pouco mais duma hora ficas a conhecer melhor esta figura carismática e perturbadora, que passou de protagonista de capas de revista cor de rosa para manchete da secção criminal dos jornais de todo o mundo. Agora, quero saber a tua opinião! Viste o documentário? O que achas da figura da Patrizia? Passional ou psicopata? Deixa nos comentários as tuas impressões sobre o documentário e sobre a mulher! 

terça-feira, 2 de abril de 2024

#Livros - Cebola Crua com Sal e Broa, de Miguel Sousa Tavares

 

Na capa do livro "Cebola crua com sal e broa", de Miguel Sousa Tavares, uma ilustração do mar tranquilo e do céu azul se encontram em perfeita harmonia. As águas calmas refletem o brilho do sol em tons dourados, enquanto nuvens fofas e brancas pairam no céu. Em letras brancas, destacam-se o título do livro e o nome do autor, ressaltando a serenidade e a poesia que permeiam as memórias narradas ao longo das páginas da obra. A imagem convida o leitor a embarcar em uma jornada nostálgica e emotiva, repleta de lembranças da infância até a idade adulta.

Sinopse

Eterno contador de histórias, o autor dá vida aos seus primeiros anos: da infância à juventude, dos jornais à política. O testemunho de uma vida única, com a História contemporânea de Portugal como fundo. 

Uma quinta no Marão e a escola igual para todos. Os Verões nas praias da Granja e de Lagos. «Melville» e a pesca da lula «ao candeio». Uma casa diferente e alternativa. Marcelo e as lutas estudantis. O pai e o 25 de Abril. A PIDE e as loucuras do PREC. O trabalho no Estado. A liberdade nos jornais e o fascinante mundo da televisão. Soares, Guterres e Sócrates. As paixões pelo jornalismo e pela literatura. As promessas de vida cumpridas e as juras por cumprir... 

«Pode um homem viver impunemente começando a sua infância numa aldeia do Marão, comendo cebola crua com sal todas as merendas? Daí saltar para o mundo cinzento e as manhãs submersas da vida salazarenta da Lisboa dos anos sessenta? Acordar na manhã luminosa do 25 de Abril e descobrir que, afinal, éramos todos antifascistas e revolucionários e, logo depois, ir ao encontro do mundo e descobrir-se a si mesmo como uma testemunha privilegiada de tempos incríveis que, não os narrando, teria sepultado para sempre na cinza dos dias inúteis? Declaro que vi. E, por isso, conto. Antes que a água tudo lave e apague.» 


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Opinião 

Miguel Sousa Tavares é um reconhecido e polémico escritor português, jornalista e advogado, nascido em 1952. Filho do famoso político português Francisco Sousa Tavares, Miguel seguiu os passos do pai na carreira como advogado e passou com sucesso pelo jornalismo antes de se dedicar integralmente à escrita, actvidade da sua também famosa mãe, Sophia de Mello Breyner Andresen. Com a sua prosa marcante e envolvente, Miguel Sousa Tavares tem conquistado leitores em todo o mundo, especialmente com obras como Equador e Rio das Flores. A sua habilidade para retratar a realidade social e humana duma forma sensível e cativante tornam-no num dos escritores mais respeitados da literatura contemporânea. 


Em Cebola Crua com Sal e Broa, Miguel Sousa Tavares apresenta-nos as suas memórias mais remotas, duma forma sensível e envolvente, até chegar à idade adulta e à vida profissional variada que teve oportunidade de experimentar. É uma viagem fascinante, esta que fazemos com o autor pela sua infância, povoada de figuras icónicas e famosas, a começar pelas que vivem dentro da sua casa, como é o caso do pai e da mãe. As dificuldades económicas dos pais nos primeiros anos de vida dos filhos ficam expostos com clareza, o que se traduz na sua ida para a terra onde lhe davam a iguaria que dá nome ao livro e que se tornou no seu lanche favorito. São estes anos que o colocam muito mais como um homem do Norte, ainda que criado em Lisboa, e que o fazem sentir estranho no regresso à capital. 


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Com a sua escrita cativante e detalhada, o autor faz-nos sentir as suas dores, alegrias e experiências de forma intensa e profunda. Depois da sua experiência numa aldeia do Norte de Portugal, regressa a Lisboa e ao convívio familiar, num tempo ainda de repressão do regime. É quase um registo histórico da última metade do século XX, com as suas impressões do que era viver na Lisboa dos anos sessenta e setenta, antes do 25 de Abril, num meio onde lidava em casa com muitos dos que eram a resistência contra a Ditadura. O seu retrato cru das figuras familiares é fascinante, mas também sobre alguns dos protagonistas do futuro, como Marcelo Rebelo de Sousa ou Jorge Braga de Macedo, que conheceu na Universidade, ou tantos outros nos anos que se seguiram e que conheceu durante o seu trabalho como Jornalista, sobre os quais nos oferece opiniões acutilantes e até controversas. 


"Não cumprimos todos os sonhos da vida, mas cumprimos alguns - desde que, de facto, tenhamos sonhado com eles e ido, intensamente, à procura de os tornar realidade." 


No âmbito familiar, senti falta de saber mais sobre os seus irmãos, mas entendo a sua necessidade de os preservar, sobretudo por serem filhos de figuras públicas e que viveram num ambiente fora da norma da época. Isso fica claro nos seus relatos pessoais, do que acontecia em sua casa e que sabia que não era normal acontecer na casa dos amigos. Mas também é comovente ver os seus trechos sobre a mãe, onde se nota claramente um profundo amor e admiração, um respeito gigante por esta mulher que viveu segundo as suas regras, seguindo as suas vontades, decidindo conforme as circunstâncias e o que achava ser melhor para todos, mas sem nunca esquecer o seu caminho individual. A figura do pai também tem o seu destaque, embora o mais forte seja no momento do 25 de Abril. Aliás, o seu relato desse momento histórico é do ponto de vista do que sentiu como um privilégio merecido que o seu pai pudesse ter assistido e até participado a dada altura desse golpe que devolveu a liberdade a um país. 


Podes ler ainda a minha opinião sobre Rio das Flores


Depois, passamos para relatos sobre a sua vida profissional, onde são revelados os bastidores das redações e das televisões, bem como impressões sobre figuras importantes que entrevistou. As viagens também marcam presença neste livro, como não poderia deixar de ser. O deserto continua a ser uma parte essencial do autor, mas também temos viagens à floresta amazónica ou a Madrid ou à Roménia, com relatos ricos, coloridos, com cheiro e ainda com fortes contextualizações do momento político que era vivido nesses países. As suas incursões no Estado e na RTP fornecem vários retratos polémicos, tanto do próprio sistema que propicia à mediocridade, como também das principais figuras com quem se cruzou nesse seu percurso profissional. 


"Porque isso foi, de facto, toda a sua agenda de vida: desorganizar a ordem estabelecida do que quer que fosse. Em vão, procurou toda a sua vida um mínimo de ordem, que suspeitava ser conveniente, mas para a qual jamais foi fadado. Deu à minha mãe uma vida de sobressalto e a si próprio um desgaste sem fim. Mas deve ter-se divertido em grande!" 


Por fim, depois de nos contar sobre a sua experiência numa aldeia do Norte, no Porto e a juventude em Lisboa, é chegada a vez de nos exortar sobre os encantos do Algarve. Pessoalmente, não é uma região a que tenha ligações afectivas, mas é impossível ignorar o seu relato e não entender os motivos que o encantavam nessas viagens anuais. O seu Algarve é em Lagos e ofereceu um belo contraste com as praias de água gelada no norte do país. Revelou-se um momento de abertura para uma parte de Portugal até então desconhecida e que oferecia uma série de atrativos novos e estimulantes para um jovem adolescente. Um dos aspectos mais interessantes de todos os capítulos é a capacidade do autor de transitar entre passado e futuro, contando histórias e curiosidades, sem nunca perder a atenção do seu leitor. Pela proximidade de tempo e das figuras envolvidas, pelos círculos de gente conhecida que frequenta desde a infância, este livro de memórias torna-se uma delícia de se ler, como um convite para uma época que está mesmo atrás da porta, mas não vivemos. 


Ao longo da leitura de Cebola Crua com Sal e Broa, somos transportados para um mundo rico de detalhes e de emoções. A escrita de Miguel Sousa Tavares é sempre envolvente, cativante e provocadora. Este é o livro certo para quem gosta de livros de memórias e quer saber mais sobre os anos quentes vividos em Portugal antes e depois do 25 de Abril, mas também para quem tem uma opinião formada sobre este autor pelas suas declarações enquanto jornalista e comentador e não tem em consideração as suas origens e ainda não entrou em contacto com a sua escrita, e aqui tem oportunidade de descontruir essa imagem e de permitir-se ler outros livros deste autor polémico mas incrivelmente talentoso. Já conheces este livro de Miguel Sousa Tavares? O que achaste das suas memórias? O que mais te impressionou? Que outros livros do autor leste e recomendas? Deixa o teu comentário abaixo para conversarmos sobre este livro e sobre este autor! 


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Wook | Bertrand 

quinta-feira, 28 de março de 2024

#Places - O Ramila

 

Uma tentadora imagem de um polvo fresco sendo preparado em uma panela no restaurante O Ramila, em Setúbal. Com sua textura macia e sabor inconfundível, o polvo é um dos pratos mais populares neste estabelecimento conhecido por sua excelência na culinária tradicional portuguesa. Uma verdadeira festa para os amantes de frutos do mar.

Localizado no coração de Setúbal, o restaurante O Ramila é uma viagem à culinária típica portuguesa, Com um ambiente acolhedor e familiar, o restaurante oferece aos seus clientes um cardápio variado, repleto de pratos tradicionais e deliciosos. Setúbal é uma cidade portuguesa conhecida pela sua cultura gastronómica rica e diversificada. Situada junto ao estuário do rio Sado, a região é famosa pelos seus pratos de peixe fresco, marisco e vinhos produzidos localmente. A gastronomia de Setúbal é marcada pela influência atlântica, com sabores intensos e genuínos que refletem a tradição e a história da cidade. Quanto ao O Ramila, encontramos pratos tradicionais e ingredientes frescos da região. 


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O espaço encontra-se no centro da cidade, numa das zonas mais bonitas da nova Setúbal, junto ao rio, numa rua repleta de outros restaurantes e comércio, traduzindo-se numa rua movimentada e cheia de vida. O ambiente do restaurante é acolhedor e charmoso, com uma iluminação suave que proporciona um momento agradável e relaxante para desfrutar duma refeição deliciosa. Na ementa, o grande destaque são os pratos típicos da região, como o choco frito, o bacalhau e diversos peixes na grelha. No entanto, também é possível encontrar opções interessantes de carne, como febras, bifes ou picanha. Pessoalmente, quando num restaurante com peixe fresco, dou prioridade a este tipo de prato. Estando em Setúbal, a escolha recaiu pelo clássico Choco Frito à Ramila, embora para a mesa também tenham vindo umas belas lulas grelhadas. 


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Este é um prato que não tem muito como falhar, mas tenho de admitir que já comi melhor, mesmo fora da cidade de Setúbal. Ainda assim, estava saboroso, bem crocante e com uma textura perfeita. As lulas também estavam muito frescas e tenras, mas demasiado carregadas de cebola, ao ponto de não ser fácil descobrir o verdadeiro sabor da lula. A apresentação dos pratos é agradável, mas considero que podia ser melhor, com mais esmero e bom gosto. Para acompanhar os nossos pratos, foram pedidas sangrias tintas e brancas. Pareciam daquelas de pressão, com pouca fruta, embora a branca fosse muito melhor do que a tinta, talvez até por combinar melhor com os pratos que escolhemos para jantar. 


Foto de uma deliciosa travessa de choco frito acompanhada de batata cozida, servida no restaurante O Ramila, em Setúbal. Os pedaços de choco estão crocantes por fora e macios por dentro, acompanhados de batatas perfeitamente cozidas. Uma combinação irresistível de sabores e texturas que certamente irá surpreender e encantar os apreciadores da boa gastronomia local.

Agora, precisamos conversar sobre o atendimento. Os funcionários mostraram-se prestativos, atenciosos e simpáticos, mas percebia-se uma certa confusão no registo dos pedidos e uma demora elevada na chegada da comida à mesa. Depois dos pratos chegarem à mesa, nem sempre foi fácil chamar a atenção do empregado quando precisámos de pedir mais coisas ou esclarecer dúvidas sobre os pratos. Esta foi a primeira vez que visitei este restaurante e, como tal, não sei se é hábito isto acontecer ou se foi derivado a estarmos no mês de Dezembro, época dos jantares de Natal por excelência e de maior fluxo em todos os tascos deste país. Dado que estávamos em pleno Inverno, não foi possível desfrutar da esplanada nem da vista rio, o que poderá ser interessante fazer no Verão e explorar a carta dos petiscos que O Ramila disponibiliza. 


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A minha experiência no restaurante O Ramila não foi inesquecível, mas foi agradável e cumpriu o seu propósito. É verdade que não perderam a oportunidade de deixar uma primeira impressão memorável, mas não posso ignorar a qualidade e frescura dos produtos, a diversidade interessante da carta e a sua localização privilegiada, o que me deixa muita vontade de regressar no Verão para uma nova tentativa e para descobrir outros sabores e propostas. Tenho de ressaltar também outros pontos positivos, como as porções generosas que são servidas, tanto nas doses individuais quanto nas para dividir, e ainda a boa relação qualidade preço. Em suma, posso dizer que esta foi uma experiência positiva, ainda que tenha uma grande margem para ser melhor no futuro. Se procuras conhecer melhor a gastronomia de Setúbal, O Ramila pode ser uma excelente escolha, pela qualidade e sabor dos pratos e pela localização excelente. 


Agora é a tua vez de me contares se já conheces O Ramila e como foi a tua experiência neste restaurante. Qual o prato que recomendas? Que outros restaurantes em Setúbal consideras indispensáveis conhecer? Conta-me tudo nos comentários! 

terça-feira, 26 de março de 2024

#Livros - Frankenstein, de Mary Shelley

 

Capa do livro "Frankenstein" de Mary Shelley, publicado pela Guerra e Paz em 2023. O fundo roxo com raios brancos e uma lua cheia criam uma atmosfera misteriosa e sombria. Na imagem, podemos ver a sombra de uma mão emergindo da terra, evocando a ideia de criação e ressurreição. Uma barra branca no centro da capa destaca o nome do livro e da autora em letras pretas, transmitindo ao leitor a essência do clássico de terror e ficção científica. Uma combinação de elementos visuais que captura a essência sombria e intrigante da obra de Mary Shelley.

Sinopse

Foi no estranho ano de 1816, o ano sem Verão, que a escritora Mary Shelley, depois de um sonho - ou seria um pesadelo? -, deu vida ao terrível monstro de Frankenstein, a primeira obra de ficção científica da história. O livro chegou, em 1818, às livrarias e o mundo nunca mais foi o mesmo... 

Frankenstein ou O Prometeu Moderno, simultaneamente um thriller gótico e um romance filosófico, conta-nos, através das cartas do capitão Robert Walton à sua irmã, a história do estudante Victor Frankenstein que, obcecado com a descoberta do segredo da criação da vida, cria um ser aterrador que acaba por abandonar à sua sorte. Solitário, incompreendido, maltratado e desprezado por todos, a criatura de Frankenstein lança-se numa jornada de busca por humanidade e amor, mas também de vingança contra o seu criador. 

Esta luta entre um monstro e o seu criador, entre o normal e o estranho, entre aquilo que separa o ser humano e a sua criação tem sido longamente tratada pela cultura pop e é, hoje, com as questões em torno da inteligência artificial, mais actual do que nunca. 


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Opinião 

Frankenstein, escrito por Mary Shelley e publicado pela primeira vez em 1818, é considerado um marco na literatura de terror e ficção científica. A autora, que tinha apenas 19 anos na época da publicação do livro, narra a história do cientista Victor Frankenstein, que cria uma criatura grotesca e perturbadora através de experiências científicas. A obra aborda questões como a criação, a responsabilidade do criador sobre a sua criação e os perigos da ciência quando utilizada de forma irresponsável. Mary Shelley, filha dos filósofos William Godwin e Mary Wollstonecraft, era uma escritora visionária que conseguiu criar um clássico da literatura que continua a ser relevante até aos dias de hoje. 


Esta é uma obra que transcende as barreiras do tempo, sobretudo por ser considerada uma das primeiras histórias de ficção científica moderna e por ter influenciado de forma significativa o género literário, inspirando inúmeras obras subsequentes. Com a sua narrativa complexa e a sua reflexão sobre temas universais, Frankenstein permanece como um marco na história da literatura, sendo uma leitura indispensável para quem deseja compreender melhor as angústias e os dilemas da condição humana. A história começa com Victor Frankenstein, um ambicioso estudante de ciências, que cria um ser monstruoso numa experiência macabra. Após dar vida à criatura, Victor horroriza-se com a sua aparência e a abandona, desencadeando uma série de eventos trágicos e violentos. O monstro, sozinho e rejeitado pela sociedade, procura vingança contra o seu criador, resultando numa escalada de terror e desespero para ambos. 


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A história assenta nos dois personagens centrais, criador e criatura, extremamente complexos e intrigantes. O criador, Victor, é jovem, apaixonado pela busca de conhecimento e muito ambicioso. A criatura, por sua vez, é inteligente e sensível, mas é atormentada pela solidão e pelo desprezo da sociedade e até do seu criador. A relação tumultuada entre Victor e a sua criação é o cerne da trama, explorando questões profundas e potenciando todas as desgraças que irão suceder em torno deles. Uma das principais características de Frankenstein é a exploração profunda dos conflitos internos de cada personagem e as suas motivações. Victor, por exemplo, é motivado pela ambição e desejo de se destacar na ciência, o que o leva a criar a sua criatura sem pensar nas consequências dos seus actos. Já a criatura é consumida pela solidão e pela falta de aceitação, o que o leva a procurar vingança contra o seu criador, quando vê toda a sua esperança de felicidade gorada. Através destes conflitos internos são reveladas as complexidades da natureza humana. 


"Nada é mais doloroso para a mente humana do que a calma morta da passividade e a certeza que se segue aos sentimentos desencadeados por uma tempestade de acontecimentos, calma esta que deixa a alma despojada não só da esperança, como do medo." 


Também a estrutura narrativa de Frankenstein é peculiar e intrigante. A história é contada através duma técnica narrativa em camadas, onde o personagem principal, Victor, narra a sua vida e os seus experimentos para um navegador no Ártico, que por sua vez escreve cartas para a sua irmã. Este formato cria uma sensação de distanciamento e fragmentação, contribuindo para a atmosfera sombria e melancólica da obra. Já a escrita de Mary Shelley é marcada por uma linguagem densa e descritiva, que também contribui para essa mesma atmosfera. A autora utiliza um tom introspectivo e filosófico para explorar questões éticas e morais, como a responsabilidade do criador em relação à sua criação. Além disso, Shelley é habilidosa a criar suspense e colocar tensão no enredo, com detalhes vívidos e uma narrativa fragmentada que mantém o leitor envolvido e intrigado até ao desfecho da história. 


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Os temas centrais de Frankenstein são a busca pelo conhecimento, a solidão e a responsabilidade pelos nossos actos e decisões. Assim, a obra revela as consequências desastrosas da ambição desmedida do protagonista, pelo seu desejo de ultrapassar os limites da ciência e criar vida a partir de cadáveres. Ao isolar-se no seu laboratório, Victor depara-se com a solidão e a angústia, embora só seja capaz de refletir sobre as consequências das suas escolhas e decisões quando o mal já estava feito e o monstro criado e vivo. A relação entre criador e criatura também exemplifica a complexidade das relações humanas e a necessidade de assumir as consequências das nossas acções. É por tudo isto que estamos perante uma obra atemporal que nos convida a refletir sobre os limites da ciência, o peso da solidão e a importância da responsabilidade nas nossas vidas. 


"Que estranha é a natureza do conhecimento! Atraca-se à mente assim que a alcança, como uma lapa numa rocha. Por vezes, desejo poder conseguir livrar-me de todo e qualquer pensamento e sentimento, mas aprendi que existe apenas um meio de vencer esta sensação de dor e esse meio é a morte, um estado que receava ainda não compreender."


Publicado há mais de dois séculos, Frankenstein continua a despertar reflexões profundas e inspirar inúmeras outras obras e artistas dentro do arco da ficção científica. A verdade é que este livro continua a promover discussões enriquecedoras sobre as consequências éticas e morais da ciência e da ambição desmedida. A figura do monstro criado por Victor Frankenstein ecoa até aos dias de hoje, tendo sido incorporado na cultura pop, protagonista de filmes e inspiração para tantas outras obras ao longo dos anos. Tendo em conta a minha experiência muito positiva com a leitura deste clássico, só posso recomendar este livro para todos os que apreciam uma leitura que provoca reflexões profundas sobre as fronteiras entre o bem e o mal, a busca pela vida eterna e os perigos da ambição desmedida. Além disso, os amantes de literatura gótica e de ficção científica certamente irão apreciar a escrita envolvente da autora e a atmosfera sombria e angustiante que permeia toda a narrativa. No entanto, se ainda precisas de mais motivos para tirares este livro da tua estante, aconselho o vídeo da incrível Tatiana Feltrin. 


Antes de terminar, preciso referir esta nova edição da Guerra e Paz, que gentilmente me enviaram no âmbito deste lançamento. Sou apaixonada pelo design das capas desta colecção de clássicos, ao ponto de ter vontade comprar até os que já tenho na estante. Acho que prima por um extremo bom gosto e uma qualidade bem acima da média. Depois temos aquele irresistível aroma a livro de verdade que emana de cada página, com um papel de qualidade, uma paginação e uma letra confortável para qualquer leitor, mesmo os que têm problemas de vista, como é o meu caso. Talvez o que aconteça com esta editora é que os seus livros transmitem o amor e dedicação com que são feitos. Neste Frankenstein temos ilustrações escondidas nos capítulos e a introdução e o prefácio escritos pela autora. 


Agora, quero saber a tua opinião sobre esta obra incrível! Já leste Frankenstein? O que achaste da história e do estilo da autora? Mesmo sem muitas descrições explícitas, conseguiste perceber o peso do terror e da angústia? Conta-me tudo nos comentários! 


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Wook | Bertrand 

quinta-feira, 21 de março de 2024

#Séries - 3 Mulheres

 

Três mulheres, Natália Correia, Snu Abecassis e Vera Lagoa, posam juntas no poster da série portuguesa "3 Mulheres". Natália Correia destaca-se ao centro, vestindo um elegante traje azul. À sua esquerda, Snu Abecassis veste um vestido bege e castanho, e à sua direita, Vera Lagoa está com uma saia e casaco vermelho e azul, combinado com uma camisola branca. Juntas, as três protagonistas exalam força e determinação, prometendo um enredo cativante e envolvente na série.

Sinopse

3 Mulheres é uma série de ficção que, a partir das biografias e da intervenção cultural e cívica da escritora Natália Correia, da editora Snu Abecassis e da jornalista Vera Lagoa (pseudónimo de Maria Armanda Falcão), recorda os últimos anos do Estado Novo entre 1961 e 1973, do início da Guerra Colonial à véspera da Revolução de Abriil. 

A vida, a história e os percursos cruzados destas 3 mulheres: Snu Abecassis, Natália Correia e Maria Armanda Falcão. Um exemplo de coragem e compromisso com os tempos futuros de um país e de uma sociedade. 

3 Mulheres de palavra. Fazem revolução. 


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Opinião 

3 Mulheres é uma série portuguesa que retrata a vida de três mulheres emblemáticas da sociedade portuguesa do século XX: Natália Correia, Vera Lagoa e Snu Abecassis. A série aborda a história dessas mulheres que desafiaram os padrões e preconceitos da época, lutando por liberdade, igualdade e independência. Natália Correia, poeta e escritora, foi uma figura importante da cultura portuguesa, conhecida pela sua personalidade forte e pela sua postura subversiva. Vera Lagoa, pseudónimo de Maria Armanda Falcão, editora e ativista política, foi uma pioneira na luta pelos direitos das mulheres e pela liberdade de expressão, antes e depois do 25 de Abril. Snu Abecassis, empresária e fundadora da editora D. Quixote, foi uma mulher que marcou a sociedade portuguesa pela sua atitude empreendedora e independente. Juntas, estas mulheres deixaram um legado de coragem e determinação que continua a inspirar gerações. 


A série é dividida em duas temporadas, em que a primeira se passa nos anos sessenta, anos quentes que antecederam a Revolução dos Cravos, e a segunda acontece no pós 25 de Abril, quando tudo era incerteza e ninguém sabia o que esperar do dia seguinte. É este momento crucial na História de Portugal que divide a série, permitindo conhecer o país reprimido pela Ditadura e ter o contraponto com o que aconteceu depois desse dia, com a conquista de muitas liberdades, mas não todas certamente. A Revolução de Abril foi um movimento militar e civil que resultou na queda do governo de Marcelo Caetano e do Estado Novo e na restauração da democracia em Portugal. Neste contexto de mudanças políticas e sociais, a série acompanha a vida de três mulheres que procuram o seu lugar e a forma de fazer a diferença. 


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Estamos perante um documento histórico extraordinário, mesmo tratando-se duma obra de ficção. Quando vi a série, já tinha assistido ao filme Snu e já tinha terminado a leitura do livro Snu e a Vida Privada com Sá Carneiro e, por isso, muita coisa já sabia da vida de Snu Abecassis e consegui perceber as liberdades criativas que foram tomadas pelos autores, mas que não perturbam em nada o verdadeiro legado da sua vida, do seu trabalho e da sua história de amor. Quanto a Natália Correia, apenas li o seu romance A Madona, onde se percebe a sua linguagem elaborada muito bem retratada na série pela talentosa e lindíssima Soraia Chaves. No entanto, tirando isso e agora a série, sei muito pouco sobre esta mulher carismática, o que conto resolver em breve depois de ter lido um dos fantásticos presentes de aniversário que foi a biografia da poeta O Dever de Deslumbrar. A que menos conheço é a polémica Vera Lagoa, fundadora de vários jornais, autora de crónicas demolidoras que lhe trouxeram problemas, tanto que até foi vítima dum atentado à bomba. 


Na foto, as personagens Snu Abecassis e Sá Carneiro aparecem juntos ao lado de um carro antigo. Ambos estão elegantes e parecem envolvidos em uma conversa séria e significativa. Snu, uma mulher independente e determinada, e Sá Carneiro, um político carismático e ambicioso, formam um casal controverso e apaixonado na série "3 Mulheres". A cena retrata a intensidade e complexidade do relacionamento entre os dois personagens, bem como o contexto político e social turbulento em que estão inseridos.

Em 3 Mulheres podemos observar a trajetória destas três mulheres que enfrentam inúmeros desafios num contexto conservador e opressivo da sociedade portuguesa dos anos 60 e 70. Depois, temos as consequências da Revolução para cada uma das protagonistas, que foram marcantes e influenciaram significativamente as suas trajetórias depois de 74. Snu continuou ligada à D. Quixote, onde publicava livros que permitiam entender o mundo novo que se abria e informar os seus leitores sobre as questões políticas mais pertinentes para o futuro do país, mas viu o seu casamento esmorecer e acabou por se apaixonar perdidamente por Sá Carneiro, com quem viveu uma relação também ela revolucionária. Formaram um casal disruptivo na sociedade ainda muito conservadora e que prometia construir um país moderno e eficiente, assente nas suas convicções políticas. Infelizmente, nunca saberemos que Portugal teríamos se não tivessem morrido tão cedo. 


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Natália Correia, depois de ter sofrido um processo de censura à sua Antologia Poética e um processo em tribunal que poderia ter culminado com a sua prisão efectiva durante o Estado Novo, tem no seu bar, O Botequim, um antro de liberdade, onde se reúnem figuras importantes desta nova sociedade e onde são discutidas ideias tão diferentes quanto possível. No entanto, não se limita a escrever e promover a discussão. Depois da Revolução, entende que precisa de deixar o seu contributo na vida política e acaba por aceitar concorrer às eleições e torna-se Deputada. Por fim, temos Vera Lagoa, que teve um grande contributo para proteger agentes de Esquerda perseguidos, ligados ao Partido Comunista, mas que não se sente representada por este partido em tempos de democracia, entendendo que, tal como o Fascismo, procuram silenciar os que lhes tecem críticas. No fim, acaba por refugiar-se na Direita e no Jornalismo, onde não tem medo de atacar os poderes instituídos, sejam eles de que quadrante forem. Perde amizades antigas, mas constrói uma fama de mulher forte, destemida e até inconveniente. 



Aqui temos uma ode à Liberdade e ao papel essencial das mulheres para a construção do país que hoje herdamos. Ao longo dos episódios, somos confrontados com as dificuldades enfrentadas por cada uma delas numa sociedade machista e repressora. Através das suas histórias, somos levados a refletir sobre a importância destas mulheres na luta pela igualdade de género e pela liberdade, e como os seus actos de coragem e determinação foram fundamentais para que outras mulheres pudessem desfrutar dos direitos que hoje têm. Aliás, nos dias que correm, 3 Mulheres inspira-nos a continuar a lutar por uma sociedade mais justa e igualitária, onde todos, independentemente do género, possam viver livremente e com dignidade. Esta série é mais uma prova da importância de resgatar a nossa História recente e com ela entender melhor o país que temos hoje. 


É uma importante retrospectiva sobre períodos críticos do século XX em Portugal, revelando o quanto a luta cultural foi essencial, seja pelo Jornalismo, pela Literatura e pelo mercado editorial. Foi uma viagem fascinante pela vida de mulheres carismáticas e determinadas como foram Natália Correia, Vera Lagoa e Snu Abecassis, e que nos permite também conhecer outras figuras famosas de várias áreas da sociedade portuguesa e faz um retrato vivo do que foi ser vítima da repressão e também os tumultos após a conquista da tão desejada liberdade. Em 2024, comemoramos cinquenta anos do 25 de Abril e esta série pode muito bem ser uma forma de descobrires mais sobre esta época conturbada e determinante para todos nós, portugueses. Agora, está na hora de deixares o teu comentário abaixo! Já viste esta série? Qual a tua personagem favorita? O que mais te surpreendeu na narrativa? Aceita o desafio e vamos conversar sobre este tema tão interessante e fascinante! 


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