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quinta-feira, 24 de fevereiro de 2022

#Séries - And Just Like That

 

#Séries - And Just Like That

Sinopse

Revival do fenómeno O Sexo e a Cidade, And Just Like That... é baseada no romance Ainda há Sexo na Cidade?, de Candace Bushnell (também autora do livro que inspirou a série original da HBO). Voltam para a trama a colunista Carrie Bradshaw, a advogada Miranda Hobbs e a marchand Charlotte York. Agora, as três mulheres enfrentam questões típicas da meia-idade: a perda da juventude, a pressão estética de envelhecer, casamentos que se transformam em divórcios, filhos crescendo e novas aspirações profissionais. Amor, sexo e amizade se misturam mais uma vez na vida de Carrie, Miranda e Charlotte, tendo como pano de fundo clássico a cidade de Nova Iorque.


Opinião 

Mal soube que teríamos um regresso do elenco de O Sexo e a Cidade para uma nova série mal pude conter o entusiasmo. Afinal, estamos a falar de uma série icónica, que marcou gerações de mulheres, que vibraram com cada uma das mulheres que a protagonizaram, que babavam com o figurino, que sonhavam com uma vida em Nova Iorque e que acreditavam que as desilusões amorosas dariam lugar ao amor para a vida toda. 


Tenho visto muita gente desiludida com este regresso, tendo dificuldade em encontrar as personagens que conhecia desde sempre nestas versões mais velhas. Penso que isso seja resultado de esperarem encontrar as mesmas que ficaram imortalizadas na série, na casa dos trinta, ou nos filmes, na casa dos quarenta. Mas a verdade é que estamos perante mulheres que agora estão com cinquenta e cinco anos, que viveram uma série de coisas entretanto, e que cresceram, evoluíram e se transformaram. A essência está lá, na minha opinião, mas tudo o resto é obviamente diferente. 


Podes ler também a minha opinião sobre Sex/Life


Como tal, os temas tratados nesta série também são diferentes e, ao mesmo tempo, mostram que podem ser os mesmos. A vida amorosa das protagonistas parece estar resolvida, embora ao longo do tempo se revele que não é bem assim, mas, por exemplo, a Carrie faz uma nova amizade que continua à procura do seu grande amor. A sua idade não a impede de acreditar, de ter esperança, de se lançar às feras. Casamentos que parecem sólidos, também são postos à prova, por diferentes razões. A Miranda, a eterna inconformada, percebe que não é feliz com a vida banal que leva. Primeiro, decide deixar a sua profissão, onde era muito bem sucedida, e voltar a estudar para conseguir lutar pelo que acredita. Depois, apaixona-se de forma totalmente inesperada e pouco convencional e decide recomeçar uma nova história de amor. Na minha opinião, estas decisões só fariam sentido ser tomadas pela Miranda destemida que conhecemos da série. 


#Séries - And Just Like That

Temas actuais e que podem ser encontrados por toda a parte são colocados nesta série de uma forma leve, descomplicada e que me parecem as formas certas de normalizar o que as pessoas insistem em complicar. Pessoas não binárias, identidade de género, novos tipos de relação, tudo isto pode ser encontrado em Just Like That e de uma forma que me pareceu relevante e que respeitou as personagens já existentes e que já conhecíamos. Charlotte continua a ter um casamento feliz e bem sucedido, mas é posta à prova pela sua filha mais nova, que é quem trás alguns dos temas novos. 


Podes ler ainda a minha opinião sobre Friends


Agora, se ainda não viste, aconselho-te que pares de ler porque preciso de conversar sobre a vida de Carrie Bradshaw, com spoilers e tudo. Como lidar com o primeiro episódio e o turbilhão de emoções que nos entrega? Primeiro, percebemos que a vida de Big e Carrie é feliz e que o amor venceu, para todos os que sempre acreditaram neste casal. Por isso, nada nos podia preparar para o final deste primeiro episódio, onde a morte de Big me fez perder o chão e ficar atónita. 



Depois de se conseguir ficar com o grande amor da vida, o que fazer quando ele morre? O que ainda se pode esperar da vida? Como lidar com o luto? Como seguir em frente? Como encontrar um propósito para os anos que restam e será que ainda haverá esperança para o amor? Estas são algumas das questões com que Carrie tem de lidar ao longo dos capítulos e só conseguem ser respondidas porque as amizades da sua vida continuam ao seu lado, tal como Charlotte em tempos idos disse, como os grandes amores da vida umas das outras. 


Esta é uma série para as mulheres que amadureceram nos últimos quinze anos e que conseguem perceber que estas mulheres que conhecemos quando tinham trinta anos, agora estão noutra fase da vida e os seus problemas são necessariamente outros. No entanto, para as amantes de moda, vão encontrar muito com que se entreter, porque o figurino é só excelente! 


Já viste a nova série? O que achaste deste regresso? Agradou-te ou desiludiu-te? Conta-me tudo nos comentários! 

terça-feira, 22 de fevereiro de 2022

#Livros - O Ano da Morte de Ricardo Reis, de José Saramago

 

#Livros - O Ano da Morte de Ricardo Reis, de José Saramago

Sinopse

Um tempo múltiplo. Labiríntico. As histórias das sociedades humanas. Ricardo Reis chega a Lisboa em finais de Dezembro de 1935. Fica até Setembro de 1936. Uma personagem vinda de uma outra ficção, a da heteronímia de Fernando Pessoa. E um movimento inverso, logo a começar: «Aqui onde o mar se acaba e a terra principia»; o virar ao contrário o verso de Camões: «Onde a terra acaba e o mar começa.» Em Camões, o movimento é da terra para o mar; no livro de Saramago temos Ricardo Reis a regressar a Portugal por mar. É substituído o movimento épico da partida. Mais uma vez, a história na escrita de Saramago. E as relações entre a vida e a morte. Ricardo Reis chega a Lisboa em finais de Dezembro e Fernando Pessoa morreu a 30 de Novembro. Ricardo Reis visita-o no cemitério. Um tempo complexo. O fascismo consolida-se em Portugal. 


Opinião

E o Saramago de 2022 foi O Ano da Morte de Ricardo Reis, um livro sobre o qual tinha uma curiosidade enorme e que me desconcertou desde o início até ao final. Apesar de já ter lido alguns livros do nosso Nobel, este livro é totalmente diferente de tudo o que li antes e mostra uma outra faceta deste autor único. O estilo é o mesmo, peculiar e que torna as suas obras tão orais; mas o enredo é totalmente inesperado e desconcertante. 


Pois que tudo começa quando Ricardo Reis chega a Lisboa, vindo do Brasil depois de passar longos anos nesse país. O que o levou a tomar a decisão de voltar ao seu país de origem foi saber da morte de Fernando Pessoa, através de um artigo de jornal. É assim que reúne os seus pertences e com um valor considerável à sua disposição se põe a caminho de Lisboa, sem saber exactamente o que pretende fazer quando chegar e ainda menos o que o espera na cidade que deixou tantos anos antes. 


Podes ler também a minha opinião sobre As Intermitências da Morte


A narração é feita de forma simples e sem revelar muitos pormenores das reais intenções do nosso protagonista, Ricardo Reis, talvez porque nem o próprio sabe muito bem o que pretende fazer com a sua vida. Esta chegada e os dias que se seguem, revela-se um belo passeio pela Lisboa mais bonita do início do século XX. É tão detalhada a forma como Saramago descreve esta Lisboa de outros tempos, que senti que lá estava também e que, inclusivamente, foram criados roteiros baseados neste livro. 


"E as pessoas nem sonham que quem acaba uma coisa nunca é aquele que a começou, mesmo que ambos tenham um nome igual, que isso só é que se mantém constante, nada mais."


Ricardo Reis fica alojado num pequeno Hotel familiar em Lisboa, onde conhece algumas das mulheres que vão marcar a sua vida. São elas uma empregada do Hotel e uma hóspede, natural de Coimbra, que vem a Lisboa com o pai todos os meses por problemas de saúde. Além disso, depois de procurar Fernando Pessoa no cemitério, começa a receber as suas visitas ocasionais e que se revelam tão estranhas quanto perturbadoras. 


Podes ler ainda a minha opinião sobre O Evangelho segundo Jesus Cristo


Confesso que esta não foi uma leitura arrebatadora nem tão marcante como as anteriores que fiz do autor, mas, ainda assim, ler Saramago é sempre uma experiência extraordinária e revisitar o seu estilo, a sua escrita, a sua visão do mundo é inevitavelmente algo especial. Gostei particularmente das conversas entre Ricardo e Pessoa e das descrições da minha amada Lisboa, tão ricas e deslumbrantes. No entanto, a verdade é que fiquei com a sensação que preciso conhecer mais sobre a obra de Pessoa e dos seus heterónimos para compreender melhor este livro. Portanto, acredito que, no futuro, irei pegar nele e reler. 


"Nós, vivos, sabemos que morreremos, Não sabem, ninguém sabe, como eu também não sabia quando vivi, o que nós sabemos, isso sim, é que os outros morrem."


Tens lido algum livro de Saramago? Já leste O Ano da Morte de Ricardo Reis? O que achaste? Conta-me a tua experiência nos comentários. 


Encomenda o teu exemplar através dos links abaixo, sem custos adicionais para ti, e contribui para as próximas leituras deste blog


Wook | Bertrand

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2022

Top 7 Provas Cegas - The Voice Portugal | Season 9

 

Top 7 Provas Cegas - The Voice Portugal | Season 9

Ainda agora terminou e já estou a morrer de saudades do melhor programa de Domingo à noite. Eu sei que entretanto há de chegar a versão Kids, o que muito me agrada, mas o facto da minha adorada Marisa Liz não fazer parte deste painel de mentores confesso que me deixa triste. Além de ser a minha mentora favorita, acho que ela contribui muito para o sucesso deste formato, tanto pelo seu talento, pela sua generosidade, pelo seu amor à música, mas também pela sensibilidade e por parecer entender o que é necessário para um bom programa de entretenimento. 


No entanto, não é sobre o que virá que vamos hoje conversar, mas sim sobre as melhores Provas Cegas desta nona temporada. A cada novo ano, penso sempre que não será possível manter a fasquia tão elevada, mas sou sempre surpreendida pelo talento dos concorrentes que parece nunca ter fim. É surpreendente a quantidade de talentos que este pequeno país produz e esconde na sua pequenez por nem todos conseguirem concretizar os seus sonhos artísticos. Esquecendo os aspectos tristes, vamos focar-nos nas melhores actuações desta última temporada. Vamos a elas? 


1. Huca - Equipa Áurea

Este rapaz, nascido em Moçambique - terra do meu pai -, teve uma Prova Cega impactante e que me arrisco a dizer se tornou inesquecível. Sempre com uma mensagem, com a clara intenção de tocar nas consciências, este concorrente mostrou o seu talento de forma brilhante e inteligente. Este era um concorrente que tinha tudo para pertencer à equipa da Marisa, mas acabou na equipa da Áurea, depois desta ter bloqueado a amiga pela primeira vez. 



2. Daniel Fernandes - Equipa Diogo

Este talvez seja o concorrente mais engraçado de todos os tempos e, ao mesmo tempo, o que mais parece ser um menino de bom coração. Cantor lírico, dança o créu, vive com a avó e duas tias no norte do país, mostra talento e um sentido de humor que competem entre si. Adorava ouvi-lo cantar, mas também ficava desejosa de ver a conversa depois da actuação. Não é a toa que foi o primeiro finalista do mentor Diogo Piçarra, ainda que não tenha virado as quatro cadeiras.



3. João Neves - Equipa Marisa

Esta foi uma Prova Cega épica, de tal forma que foi parar aos Tops Internacionais do concurso. Foi chegar, ver e arrebatar todos. Se dúvidas ainda houvesse, a sua Prova Cega foi a primeira onde dois mentores foram bloqueados, o que nunca tinha acontecido em Portugal. Fez um percurso sem mácula, escolhendo quase sempre músicas menos conhecidas do grande pública, e falhou a final por uma unha negra. 



4. Sara Badalo - Equipa Zambujo/Áurea

Esta miúda tem um carisma incrível e uma sensibilidade inacreditável. A sua Prova Cega foi espectacular, mas o momento seguinte, em que cantou com o António Zambujo foi sublime. Ela optou algumas vezes por cantar em inglês mas, pessoalmente, gostei muito mais quando cantou em português. Depois de ter escolhido Zambujo, acabou por passar para a equipa da Áurea nas Batalhas. 



5. João Leote - Equipa Marisa

Este rapaz veio para marcar o seu lugar no The Voice e mostrar o seu amor pelo fado, género que tão bem representou durante todo o programa. A sua Prova Cega foi incrível e conquistou todos os mentores, mas confesso que fiquei verdadeiramente rendida ao seu talento quando o vi cantar com a Sara Correia. Depois disso, foi só a confirmação da sua qualidade. Claro que a escolha do reportório foi excelente, mas a voz do rapaz é qualquer coisa de muito séria. Foi o finalista da Marisa e, embora goste muito do vencedor, admito que torcia um pouco mais pelo João. 



6. Mariana Rocha - Equipa Áurea

Esta miúda é um caso sério de talento e carisma. Para começar, tem uma voz que não tem fim, um bom gosto musical acima da média, e um sotaque micaelense delicioso, que a torna ainda mais única. Devo dizer que, na equipa da Áurea, o meu favorito era o Huca, mas é inegável que a Mariana mereceu chegar à final e acredito que vamos ouvir falar sobre ela nos próximos tempos. 



7. Edmundo Inácio - Equipa Marisa/Diogo

O Edmundo é uma joia rara, um diamante que começa a ser lapidado e que promete tornar-se no mais brilhante de todos. Depois de ter participado e não ter virado nenhuma cadeira, anos se passaram e teve direito ao reconhecimento que merece o artista em que se tornou. Começou na equipa da Marisa, mas acabou por chegar à final com o Diogo e cada performance só comprovou o quanto precisamos de um artista como ele.



E agora falamos do incrível vencedor, Rodrigo Lourenço, um jovem de 17 anos que surpreendeu todos, mentores e público, com a sua intensidade, com a verdade com que passa a sua mensagem. Desde o primeiro momento, ainda na Prova Cega, que fiquei rendida a este miúdo e, actuação após actuação, só confirmou essa minha primeira impressão. A forma como canta e se acompanha é impressionante mas, na minha opinião, o que lhe garantiu a vitória foi a forma como cantou com Gisela João e arrebatou todos, incluindo a cantora que partilhava com ele o palco. E assim, garantiu ainda a segunda vitória para António Zambujo, que vem provar que continua a dar cartas no The Voice Portugal. 


Top 7 Provas Cegas - The Voice Portugal | Season 9 - Rodrigo Lourenço e António Zambujo

Mais uma vez, fiquei contente com o vencedor do concurso e, embora tivesse uma preferência pessoal por outro concorrente, acho que foi totalmente justa e merecida esta vitória, tanto para o Rodrigo como para o Zambujo. O que achaste desta escolha dos portugueses? Qual o teu concorrente favorito desta edição? Conta-me tudo nos comentários! 


Vê também o meu Top 7 das edições anteriores: 


Season 2

Season 3

Season 4

Season 5

Season 6

Season 7

Season 8

Kids Season 2


terça-feira, 15 de fevereiro de 2022

#Livros - O Jardim dos Animais com Alma, de José Rodrigues dos Santos

 

#Livros - O Jardim dos Animais com Alma, de José Rodrigues dos Santos

Sinopse

O cadáver de um etólogo aparece num tanque do Oceanário. Pistas comprometedoras são descobertas na posse da sua colaboradora Maria Flor. A Judiciária decide prendê-la. Só uma pessoa a pode ajudar: Tomás Noronha. 

Para ilibar a mulher, Tomás terá de encontrar o verdadeiro autor do crime. Isso implica compreender o trabalho secreto da vitima. E decifrar uma misteriosa pintura esotérica de Hieronymus Bosch. No fim do caminho está um dos mais maravilhosos segredos da natureza. 

A inteligência, a emoção e a consciência animal. 

Quem é o verdadeiro assassino? Porque foi morta a vitima? Qual a relação entre o homicídio e a pintura mística de Bosch? E, sobretudo, que ligação existe entre o crime e o genocídio que os seres humanos lançaram contra a vida no nosso planeta? 

Quem são as verdadeiras bestas? Nós ou os animais? 

Com O Jardim dos Animais com Alma, o escritor favorito dos portugueses está de volta com uma aventura que coloca o Homem diante da natureza e nos mostra quão bestas são os humanos e quão humanas são as bestas. 

Baseando-se na pesquisa científica mais avançada, José Rodrigues dos Santos revela-nos as grandes descobertas recentes sobre os animais e confronta-nos com a sua verdadeira natureza. 


Opinião

Depois de ter lido tantos e tantos livros de José Rodrigues dos Santos, parece impossível que o autor ainda me consiga surpreender. Não pelo género, ou pela trama, mas pelo tema que decidiu abordar neste novo livro. Eu que sempre fugi daqueles documentários traumatizantes que falam dos animais e da forma como os tratamos, ou melhor, mal tratamos, dei por mim a ler um livro onde esse é o assunto central, transversal da primeira à última página. 


Mas vamos começar pelo princípio, que é com o assassinato de Noé, morto no Oceanário de Lisboa. Trata-se de etólogo, que trabalhava com Maria Flor, a mulher do nosso herói, Tomás Noronha. Os problemas começam quando Maria Flor se torna a principal suspeita da morte de Noé. Isso obriga a que o seu marido se dedique a desvendar o mistério desta morte, para salvar a sua esposa da cadeia, o que resulta numa busca desenfreada e uma descoberta sobre o que fazemos com os animais. 


Podes ler também a minha opinião sobre Imortal


Os capítulos vão se alternando entre o presente, onde Tomás procura a verdade; e os momentos onde Noé e Maria Flor se conheceram e começaram a trabalhar juntos, meses antes da tragédia acontecer. Esta alternância imprime uma agilidade à narrativa e consegue manter a atenção do leitor presa, página atrás de página. No início, confesso que não fiquei logo convencida nem agarrada à trama, demorou alguns capítulos até o autor me conquistar definitivamente e me atingir em cheio no estômago com alguns dos relatos. 


"Através da segmentação da experiência, neutralizava-se a brutalidade e remetia-se a responsabilidade pela matança sobre os ombros de apenas três homens. Havia ali uma centena de pessoas a retalhar animais em mil pedaços, mas enquanto aqueles três existissem, os restantes poderiam alegar que nada matavam, que não tinham responsabilidade, que nem sequer viam a morte. Ficção útil." 


Primeiro, ficamos a conhecer algumas descobertas que têm sido feitas ao longo dos anos sobre a consciência animal e que provam que nós, humanos, não temos nenhuma capacidade que eles não tenham. As formas de comunicar são diferentes, mas também entre os humanos existem diferenças. Os utensílios e ferramentas que criam variam conforme a espécie que estivermos a falar, mas todos são capazes de as construir e de as utilizar para benefício próprio. Isto sem esquecer, os sentimentos. 


Podes ler ainda a minha opinião sobre O Mágico de Auschwitz


Qualquer pessoa que tenha um animal de estimação sabe que os animais sentem, certo? Então porque assumimos que os restantes animais não sentem também? Parece-me que é algo que todos tentamos esquecer para não nos pesar na consciência o mal que lhes fazemos. Posso dizer que, pessoalmente, pior do que o relato das experiências de medicamentos em primatas, o que me atingiu em cheio foi a discrição do que se passa nos matadouros. É repugnante a forma como são criados animais, de forma totalmente industrial, em condições desumanas, que depois são mortos de uma forma cruel e sem qualquer respeito pelas leis criadas para os proteger, porque o lucro se sobrepõe a tudo o resto. 


"A queda do Homem estava na sua relação com a natureza. Perdida no seu deslumbramento arrogante, a espécie humana esquecera as suas origens animais e, acreditando que ascendera a uma condição semidivina, submetera as restantes espécies à sua vontade e fazia delas o que bem lhe convinha. Julgava-se Deus. Estava aí o pecado original do Homem, era essa a verdadeira maçã na origem da sua queda. Tornara o paraíso num inferno." 


Ainda não deixei de comer carne, é verdade. Mas tenho procurado reduzir e encontrar alternativas para a substituir ao máximo. Descobrir novos sabores, novas formas de comer que não sejam uma agressão para os animais. Enquanto consumirmos essa carne barata, ela vai continuar a existir como indústria, sem preocupações nem pesos na consciência, pois se nós não as temos, não serão as empresas que vão ter. Acredito que este é um caminho que agora começa para mim e que espero comece para muita gente. Afinal, estamos perante o escritor mais lido pelos portugueses. Acredito que a mensagem chegue a muita gente e que possa contribuir para alterar hábitos, comportamentos e mentalidades. 


Já leste O Jardim dos Animais com Alma? O que achaste da mensagem que foi passada? Teve algum impacto para ti? Conta-me tudo nos comentários! 


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Wook | Bertrand




quinta-feira, 10 de fevereiro de 2022

#Filmes - Casa Gucci

 

#Filmes - Casa Gucci

Sinopse

Inspirado na chocante história verídica dos bastidores da família detentora do império da moda italiana. Quando Patrizia Reggiani, uma desconhecida de origem humilde, se casa com Maurizio Gucci, a sua ambição desmedida começa a desencadear no legado da família uma imparável espiral de traição, destruição e vingança que culmina... num assassínio.


Opinião

Aqui a estreia de 2021 que mais me interessava e pela qual mais aguardei com ansiedade e muita curiosidade. Como ignorar o regresso ao Cinema de Lady Gaga, a icónica marca Gucci e uma história de família que termina em tragédia? O talento da cantora, enquanto actriz, já tinha sido revelado em Assim Nasce uma Estrela, mas agora estamos perante um filme onde os seus talentos vocais não seriam usados, e isso seria revelar-se plenamente enquanto actriz. 


Curiosamente, apesar de amante de moda e da marca em particular, não tinha memórias ou conhecimento desta história polémica e trágica da família criadora da marca Gucci. Foi um escândalo na época e este filme que vem trazer de novo para as luzes da ribalta esta época negra da família não foi nada bem recebido pelos Gucci que ainda circulam na sociedade italiana, que certamente gostariam de esquecer esta tragédia, sobretudo as filhas dos protagonistas. 


Podes ler também a minha opinião sobre Snu


O que é certo é que, mesmo com as declarações de repúdio da família, que renegam e consideram que está longe de ser factual este filme, as salas de Cinema se encheram para assistir. As expectativas da minha parte eram altas e não fiquei nada defraudada. O elenco é de luxo e adorei a escolha de todos os actores envolvidos. Lady Gaga consolida o seu talento enquanto actriz, Adam Driver faz um Maurizio incrível, Jeremy Irons está igual a si próprio e, portanto, brilhante como sempre, o mesmo acontece com Al Pacino e, por fim, Jared Leto está irreconhecível, tal é a forma como se consegue apagar para mostrar apenas o seu personagem. 


#Filmes - Casa Gucci | Lady Gaga

O figurino é para lá de espectacular e tem um papel muito importante para contar a história de uma família ligada à moda italiana e internacional, mas também para mostrar as personalidades de cada um dos elementos. A exuberância da Patrizia, a excentricidade de Paolo, a elegância de Rodolfo, a sobriedade de Maurizio, só para dar aqui alguns exemplos da impressão com que fiquei. Por outro lado, a própria história é contada com alguns factos alterados, que acredito terem sido propositados, afinal estamos perante uma história inspirada e que não pretendia ser exacta. 


Podes ler ainda a minha opinião sobre Spencer


A relação deste casal, que colocou a família Gucci de costas voltadas com Maurizio, parece uma versão clássica da Cinderela. A forma como a rapariga de uma família mais modesta encontra o herdeiro do império Gucci numa festa, os dois se apaixonam e resolvem casar-se, contra tudo e contra todos. Mesmo correndo o risco de ser deserdado, nenhum vacila na decisão. Só que, ao longo do tempo, Patrizia revela a ambição desmedida e também um talento mais acentuado para a gestão do negócio de família do que o do verdadeiro herdeiro. Estes conflitos desgastam a relação, até que o encanto desaparece e Maurizio decide viver um novo amor. É aqui que os verdadeiros problemas começam e a tragédia se avizinha, quando o desespero de Patrizia se agiganta e se torna incontrolável. 


Só posso recomendar que assistas a Casa Gucci e descubras esta história polémica e baseada em factos verídicos. Já viste o filme? Quais são as tuas impressões sobre ele? Conta-me tudo nos comentários! 

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