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terça-feira, 18 de abril de 2023

#Livros - Madre Paula, de Patrícia Müller

 

#Livros - Madre Paula, de Patrícia Müller

Sinopse

Lisboa, início do século XVIII da Graça de El Rei D. João V. Paula, a filha pobre de um ourives, deixa a azáfama das ruas de Lisboa para ingressar no Mosteiro de São Dinis, em Odivelas. Não é Deus quem a chama, mas sim a necessidade de um pai que já não a pode sustentar. Quis o destino, porém, que aquela rapariga de pé descalço se viesse a tornar na mais conhecida freira da nossa história. E numa das mulheres mais poderosas de um reino que vivia no extravagante esplendor pago com os escravos de África, com o outro do Brasil... 

Madre Paula é a história desse amor proibido, entre o Rei-Sol português, D. João V, e a famigerada freira de Odivelas. Um amor intenso, maior que tudo, que levou o rei a ignorar o bom senso e a tomar a freira como amante, confidente e conselheira. 

D. João V sempre teve uma predileção por mulheres bonitas, mas Paula foi o seu grande amor. Permaneceram juntos, secretamente, mais de uma década, e chegaram a ter um filho. A história entre um dos homens mais poderosos do mundo e a plebeia que a Deus traiu inscreve-se na categoria de mito, mas é bem real, nas páginas do romance de estreia de Patrícia Müller. Juntos enfrentaram intrigas palacianas, a ameaça do castigo divino, o ciúme e os jogos de poder. E a quase tudo resistiram - pois durante uma década, para D. João V, Madre Paula foi a sua única e verdadeira rainha.


Opinião 

Depois de ter visto a série da RTP com o mesmo nome, Madre Paula, e que teve como inspiração este livro da Patrícia Müller, fiquei com a certeza de que queria muito ler este livro. Lembro-me de ter gostado muito da série e ficado fascinada com esta história de amor tão improvável entre uma freira de Odivelas e um rei português. São pouco mais de duzentas páginas que só pecam por se tornarem poucas. O enredo é tão bom, a escrita tão fluída e interessante, que só queria ler mais e mais e mais. Leria outras duzentas sobre estas figuras sem qualquer problema. 


A protagonista é uma jovem de Lisboa, que ficou órfã de mãe muito nova, e que vive com o pai e duas irmãs, mas com muitas dificuldades financeiras. Por sentir que não podia continuar a sustentar todas as filhas, o pai acaba por enviar a mais velha para o convento de Odivelas, onde estaria perto de Deus e com as suas necessidades básicas garantidas. Passado algum tempo é a vez de Paula rumar também a Odivelas, ainda que esta soubesse que o seu desejo nunca seria esse. No entanto, sem outra alternativa, só lhe resta resignar-se e procurar o seu caminho dentro dessas paredes onde a clausura parece ser o seu futuro. 


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Só que ao contrário do que imaginava, a vida de algumas freiras estava longe de ser santa. As visitas de homens durante a noite são comuns e servem para que estas mulheres tenham acesso a privilégios, vivam os seus sonhos de amor da forma que lhes é possível, ou que simplesmente sobrevivem e procuram subir na escada social ainda que limitadas ao seu convento. Quando se depara com esta realidade, a jovem Paula entende que está aí a solução para os seus problemas, seja com as freiras ricas, vindas das famílias nobres e burguesas que a humilham, seja com a frustração que sente por se ter enclausurado para a vida lá fora e as experiências que deixou de viver. 


"No convento, tudo é contrário à razão e ao instinto. Não podemos ser bichos, mas também não nos deixam ser mulheres. A nossa existência é mutilada, a vontade paralisada por um princípio de obediência. (...) As freiras serão sempre pecadoras porque o pecado nasce na ausência de liberdade." 


O seu primeiro amante é o Conde de Vimioso, que se perde de amores por Paula e lhe proporciona os primeiros confortos para si e para a sua família, e a faz descobrir os prazeres da carne. Quando pensa que encontrou a solução para a sua vida difícil nos braços do Conde, é quando conhece o rei D. João V e a sua vida muda para sempre, ao ponto de se tornar na freira de Odivelas mais famosa do país. Estamos a falar do nosso Rei-Sol, que tinha como referência Luís XIV da França. Um homem devoto, com um grande temor a Deus, incapaz de ir contra a voz da Igreja e dos seus elementos, mas que se sentia atraído pelas freiras que viviam em Odivelas, onde colecionou bastantes amantes ao longo dos anos, sem que isso fosse um verdadeiro segredo de Estado. 


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Mas quando se encontra com Paula também a sua vida muda e, pelo que temos de registos históricos, esta terá sido a amante que conseguiu ficar ao seu lado por mais anos. Por esta mulher, para se manter perto dela, enfrenta a Corte, a Rainha, a própria Igreja, cerca esta freira de origens humildes de luxos incalculáveis, constrói aposentos para se encontrar com ela, coloca ao seu serviço empregadas e escravas, além de lhe dar tenças para seu sustento confortável, que não lhe foram tiradas mesmo quando o romance terminou. Este livro é um relato sobre este amor improvável, que parecia ser mais um caso de luxúria, um capricho de El-Rei, mas que o tempo, as atitudes e os registos históricos mostram que foram mais além do sexo. Apesar de tudo estar errado, das circunstâncias os afastarem, de entenderem que o caminho mais fácil seria negar esse sentimento, claramente foram impelidos um para o outro. Por desejo, por amor, por poder. 


"Fui a mulher que João mais amou, mas a ternura e a consideração que tinha pela mãe dos seus filhos, pela mulher que o acompanhou no trono, foram muito superiores ao que a minha vaidade de jovem queria aceitar." 


Adorei a experiência de leitura que este livro me entregou, e fiquei fã desta autora e com uma vontade imensa de ler mais obras da Patrícia. Acho o seu estilo fluído, envolvente, bem escrito, bem construído, sobretudo por se tratar de um romance histórico onde é fácil saber o desfecho, a importância da forma como se contam os desenvolvimentos são determinantes para o seu sucesso. Esta é mais uma amostra da História de Portugal e de quantas estórias fascinantes existem para ser contadas e exploradas, como é feito noutros países. Se esses países mais recentes, conseguem explorar os seus factos históricos, o que dizer de um país como Portugal que tem quase 900 anos? 


Já conheces este livro de estreia da Patrícia Müller? O que achaste da história sobre a Madre Paula? Viste a série? Conta-me tudo nos comentários e vamos conversar sobre este casal polémico da sua época! 


Podes encomendar o teu exemplar através dos links abaixo, sem custos adicionais para ti, e contribuir para as próximas leituras deste blog


Wook | Bertrand 

quinta-feira, 13 de abril de 2023

#Filmes - Um Homem Chamado Otto

 

#Filmes - Um Homem Chamado Otto

Sinopse

Otto Anderson está reformado e ainda não se adaptou à ausência da mulher, que morreu há algum tempo. Constantemente a idealizar formas de pôr termo à própria vida, a dor transformou-o numa pessoa quezilenta e amargurada. Mas tudo se altera quando uma família se muda para a casa ao lado da sua. Se, a princípio, a presença dos novos vizinhos é mais um motivo de irritação para Otto, que simultaneamente os despreza e inveja, aos poucos vai-se deixando conquistar pela enorme generosidade e alegria de viver que eles vão demonstrando. É assim que, deixando-se tocar pelo amor e pela amizade, o velho senhor vai retomando o gosto pela existência. 

Adaptação de Um Homem Chamado Ove, escrito pelo sueco Fredrik Backman e já adaptado ao grande ecrã em 2015 por Hannes Holm - nomeado para os Óscares de melhor filme estrangeiro e caracterização - este remake tem realização de Marc Forster e argumento de David Magee. 


Opinião 

Tal como referi em Fevereiro, depois de ter lido o livro Um Homem Chamado Ove, que me surpreendeu e emocionou, fiquei com muita vontade de ver a adaptação americana protagonizada pelo Tom Hanks. Trata-se mesmo de uma adaptação, pois transformaram a realidade sueca na realidade americana, com todas as suas peculiaridades, mas com a intenção de respeitar a mensagem que o autor, Fredrik Backman, quis transmitir com este protagonista tão peculiar. 


Começo precisamente pela parte da adaptação, que considero ter sido bem conseguida, mesmo não sendo perfeita. Sobretudo esta substituição por vizinhos latino-americanos, torna-se credível por causa da realidade dos Estados Unidos, mas torna mais difícil a identificação de feitios entre o velho vizinho e a nova vizinha. Além disso, a personalidade do agora Otto é toda colocada como responsabilidade pela perda da mulher, pelo luto que não conseguiu fazer, pela solidão, pelo seu desejo de morrer. Na verdade, quem leu o livro sabe bem que este senhor idoso estava longe de ser uma florzinha, mesmo nos seus dias felizes. A única capaz de o chamar à razão e o obrigar a desistir de lutar pelas suas convicções era a falecida esposa. 


Podes ler também a minha opinião sobre O Grande Gatsby


Os traços que permanecem são a sua obstinação, a sua obsessão pelas rotinas, o seu desprezo pelos idiotas, que não são sequer capazes de manobrar um carro com reboque. O início é muito rigoroso, e retrata bem o que encontrei no livro, só mais tarde começam a surgir as diferenças e até deturpações que colocam Otto como um homem mais amigável e simpático. A própria relação com as filhas da vizinha mexicana, Marisol, é exagerada e pouco fiel à obra original. Mas, ainda assim, não deixa de ser fofinho ver a forma como estas crianças se apaixonam por este velho rabugento e o passam a considerar como o avô que nunca tiveram. 


#Filmes - Um Homem Chamado Otto

 A relação com os vizinhos mais antigos também é bem explorada, revelando os laços do passado que uniram as duas famílias, as diferenças que se tornaram maiores à medida que o tempo passou, os conflitos que levaram ao afastamento, pelo menos da parte dos maridos. Só que a verdadeira amizade, a que tem bases sólidas e sentimentos profundos, sobrevive a tudo e é quando Otto percebe que ainda faz falta à sua comunidade, que ainda pode fazer a diferença na vida das pessoas que o rodeiam, é neste momento que entende que o caminho a seguir não é o suicídio. 


Podes ler ainda a minha opinião sobre Sensibilidade e Bom Senso


O filme tem menos de duas horas e entendo que nunca é possível incluir todos os detalhes que se encontra nos livros, e é por isso que sempre prefiro ler antes a versão completa. No entanto, senti falta que fosse revelado ainda mais o papel essencial e determinante que a esposa de Otto, Sonia, e ele mesmo tiveram na vida do Malcolm ou do Jimmy, jovens que acabam por fazer parte desta comunidade residencial que se entreajuda, que se quer bem e se preocupam uns com os outros, estabelecendo um verdadeiro trabalho de equipa, em conjunto com a Marisol e a sua família. 



Um Homem Chamado Otto é um filme familiar, capaz de agradar a todos, crianças, jovens e adultos, que representa a importância da relação entre os elementos de uma mesmo comunidade, do valor da velhice como retrato da experiência de vida e dos conhecimentos adquiridos ao longo dela. A solidão dos idosos, tenham ou não família, é um ponto sensível e que deveria obrigar a que toda a gente pensasse nesse assunto e reflectisse do que podem fazer diferente com os seus. A própria ideia de desejar a morte e de entender que a forma de anular essa vontade é encontrar utilidade, propósito e amor, pode ser uma ideia que floresça no coração de alguém. 


Apesar de ter gostado do filme, mesmo com sentimentalismo a mais do que seria necessário, e de te recomendar que vejas, o meu conselho continua a ser que leias primeiro o livro, Um Homem Chamado Ove, para entender melhor a dimensão da história complexa do protagonista, bem como das personagens secundárias que são também elas fascinantes, com histórias de vida marcantes, e que nos fazem entender ainda melhor o quanto Ove é um homem extraordinário, mesmo que rezingão, bruto e intransigente. Já conheces o filme Um Homem Chamado Otto? Foste ver ao Cinema? Viste a versão sueca? Conheces o livro também? Deixa o teu comentário e vamos conversar sobre esta história extraordinária! 

terça-feira, 11 de abril de 2023

#Livros - O Professor, de Charlotte Brontë

 

#Livros - O Professor, de Charlotte Brontë

Sinopse

William Crimsworth, acabado de sair de Eton, colégio onde esteve a expensas da família materna, que renega, emprega-se na empresa de seu irmão. Edward de seu nome, revela-se um déspota, o que o empurra para uma aventura em Bruxelas, onde se estabelecerá como professor de inglês. 

A sua educação e trato distinguem-no dos demais, e levam a directora de um dos colégios onde lecciona a apaixonar-se por ele. Zoraide Reuter acaba por se revelar uma desilusão e William apaixonar-se-á por Frances, uma das suas alunas, ainda que Zoraide tente afastá-los. 

A história tem como narrador o próprio William, que é o único narrador masculino jamais usado por Charlotte Brontë. A autora revela aqui muito do seu carácter independente e feminista, criticando muitos dos esclerosados preconceitos vitorianos. 


Opinião

Agora que já li um livro de cada uma das irmãs Brontë, está na hora de continuar a ler os poucos livros que nos deixaram. Desta vez, regressei a Charlotte Brontë, a irmã que mais anos viveu e que mais livros escreveu. Aliás, o livro de hoje é o seu primeiro e confesso que me surpreendeu bastante pela positiva, tendo em conta esse detalhe importante. Apesar de não ser extraordinário ou ao nível do seu Jane Eyre, obra de maior fôlego e com uma narrativa mais longa e mais explorada, ainda assim, O Professor é um livro bastante interessante. 


Em temos de publicação, este só foi publicado postumamente, mas sabemos que foi escrito antes do seu mais famoso romance, pois foi enviado para os editores inicialmente. Editores esses que o recusaram na época. O ponto que mais me chamou à atenção foi o facto de ser narrado por um protagonista masculino, o que não me recordo de ver nos livros de qualquer das irmãs ou dos autores desta época que conheço. Seria quase um romance de formação, mas de uma forma muito primária e pouco explorada. William é o jovem que nos conta a sua história, primeiro numa carta escrita a um amigo antigo de quem se lembra e que usa para desabafar, passando em seguida a optar por nos escrever a nós, leitores, como quem escreve um diário onde coloca as suas memórias, as suas dores, os seus sonhos, os seus desejos. 


Podes ler também a minha opinião sobre Agnes Grey


Este jovem é fruto de um casamento desigual, entre um comerciante e uma mulher de boas famílias, que atentou a sua família ao escolher este marido. Os laços foram cortados, mas este casamento não durou muito, dado que deixaram os seus dois filhos órfãos quando ainda não eram homens feitos. O mais velho recebeu a herança do seu pai e seguiu os seus passos como comerciante na cidade onde moravam. O mais novo, William, foi sustentado nos seus estudos em colégios internos pela família materna, embora não tenha recebido atenção ou carinho de nenhum dos lados familiares. Apesar de termos um conhecimento superficial destes dados da sua história, só começamos a acompanhar a sua vida com mais pormenores depois que termina os seus estudos e tem de decidir o que fazer da sua vida enquanto adulto. 


"Fora precisamente nessa mesma época que a directora, ferida pela minha indiferença, enfeitiçada pelo meu desprezo, e até excitada pela suspeita de que eu preferia outra mulher, se tornara vítima do sentimento que queria inspirar, emaranhando-se nas malhas da sua própria paixão." 


O seu orgulho e sua vontade de decidir o que fazer da sua vida, faz com que decline a ajuda da família materna, que teria um plano todo arquitetado para o seu futuro, sem ter em conta a opinião do protagonista. Assim, só lhe resta procurar a única família que lhe resta, o seu irmão comerciante. A recepção é fria e distante, sendo-lhe oferecido um emprego no seu escritório, mas deixando claro que será tratado como um qualquer funcionário e que deverá procurar onde ficar, pois não será convidado a ficar a viver em casa do irmão e da cunhada. A verdade é que o tratamento que recebe é muito pior do que qualquer outro funcionário, e as humilhações acumulam-se constantemente, mostrando o carácter de um e de outro. 


Podes ler ainda a minha opinião sobre Jane Eyre


É nessa cidade que conhece um homem, que na minha opinião é a personagem mais interessante de todas, que o procura ajudar e lhe permite abandonar aquele lugar de opressão e partir para o Continente. Graças aos contactos fornecidos por Hunsden, consegue uma colocação como professor de inglês num colégio, onde poderá pernoitar e lhe deixa ainda com tempo livre para poder arranjar outros trabalhos noutras escolas para aumentar o seu rendimento. É neste momento que William se torna no professor que dá nome ao livro e que coisas começam realmente a acontecer na sua vida. 


"Duas pessoas de gostos modestos podem ter em Bruxelas uma vida agradável, com um orçamento que em Londres mal chegaria para salvar as aparências. E isto, não porque em Londres os objectos de primeira necessidade sejam mais caros e os impostos mais altos, mas porque os ingleses ultrapassam em loucura todos os povos da terra." 


Sente o primeiro interesse pela sexo oposto, sofre a primeira desilusão amorosa, aprende a gostar verdadeiramente de ensinar jovens, conhece o verdadeiro amor, embora as dificuldades financeiras o impeçam de avançar e concretizar este sonho de amor. Curiosamente, apesar de William ser um homem muito conservador e sempre pronto a fazer julgamentos morais sobre tudo e todos à sua volta, neste livro encontramos muitas críticas ao modo de vida londrino, aos padrões incoerentes e que vivem mais para as aparências, onde é mais importante parecer do que ser. Aliás, são esses momentos de críticas e quando temos o Hunsden em cena que se sente uma lufada de ar fresco e de modernidade. 


Devo dizer que gostei bastante desta experiência de leitura de O Professor, e recomendo vivamente que o leias, que descubras esta história escrita por uma mulher vitoriana, mas que coloca como narrador um homem. Aqui também se encontra a Charlotte feminista, crítica da sociedade onde se movimenta, capaz de criar personagens fortes e marcantes. É um livro interessante, que prende e desperta a curiosidade do leitor, mesmo quando percebes qual será o final que te espera. Já conheces os livros da Charlotte Brontë? Leste O Professor ou apenas o Jane Eyre? O que pensas sobre estas irmãs tão talentosas? Deixa o teu comentário e vamos conversar! 


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quinta-feira, 6 de abril de 2023

A minha experiência com Duolingo

 

A minha experiência com Duolingo

Todos passamos demasiado tempo agarrados aos telemóveis, perdidos nas redes sociais, em jogos inúteis que servem apenas para nos entreter e passar o tempo livre que temos. É isso que fazemos quando andamos a correr pelo feed do Instagram ou do Facebook quando estamos numa fila de espera, na hora de almoço ou jantar no trabalho, ou até antes de dormir. Não sou diferente de ti e também faço todas estas coisas inúteis, mas descobri uma alternativa que permite ocupar esses momentos mortos com uma aplicação que te vai ensinar algo novo, útil e interessante. Guarda este nome - Duolingo - porque vais querer ter esta aplicação instalada no teu telemóvel. 


No Duolingo tens a oportunidade de aprender um idioma, seja qual for o teu nível de conhecimento. Podes ser iniciante ou avançado, que vais conseguir aprender e bastam apenas 15 minutos por dia para poderes aumentar os teus conhecimentos. A ideia é que entres todos os dias na aplicação para praticar e avançar no teu curso, e vais ganhando recompensas quanto maior for a tua consistência, ou seja, quantos mais dias seguidos tiveres, sem falhas. Tens também missões diárias e mensais, que te incentivam e fazem sentir que isto de aprender uma nova língua é um jogo. 


Podes ler também sobre a minha experiência com a Agenda Girly Things


Outro aspecto que faz sentir que estamos a jogar enquanto aprendemos, são as divisões onde competimos com outros jogadores e onde podemos subir no ranking conforme a experiência que ganhamos à medida que completamos os níveis de aprendizagem. Pessoalmente, neste momento tenho uma ofensiva de 80 dias seguidos e estou na divisão pérola, sendo que estou a usar o Duolingo desde Janeiro para aprender espanhol. No entanto, muitas outras línguas estão à tua disposição, inclusivamente podes fazer vários cursos em simultâneo. 


A minha experiência com Duolingo

Para quem fala português, os cursos com essa língua como base são de inglês, espanhol, francês, italiano e alemão. Além disso, quem fala inglês e pode utilizar essa língua como base, as opções são ainda mais, passando pelos conhecidos e procurados como o japonês, coreano, chinês, russo, holandês, grego, sem esquecer outros menos comuns, como irlandês, hebraico, havaiano, galês ou zulu, só para te dar alguns exemplos do que podes encontrar nesta plataforma. E a melhor parte é que podes aprender de forma totalmente gratuita, sem necessidade de pagar qualquer quantia para aceder aos cursos. 


Podes ainda ler sobre os Fones Wireless Sony


Com a versão gratuita, tens acesso a cinco vidas, que são perdidas se errares durante as lições. Para continuares a praticar quando as vidas terminam, podes aguardar que elas sejam recarregadas, utilizar os diamantes para comprar novas vidas ou optar pelo plano premium pago, que te dá acesso a vidas ilimitadas, prática personalizada e sem anúncios. Antes de investires nesta opção paga, tens a possibilidade de fazer um teste gratuito durante 14 dias e perceber se compensa o investimento ou se preferes continuar no plano gratuito. 


Esta é uma aplicação que recomendo vivamente a todas as pessoas curiosas, interessadas em idiomas ou que precisem de refrescar os seus conhecimentos e até iniciar a aprendizagem. Acredito que é uma forma muito mais útil de passares o teu tempo do que andares a vagear perdida pelas redes sociais onde aprendes muito pouco. Já conhecias o Duolingo? O que achas desta ideia de aprenderes gratuitamente através de uma aplicação? Que língua gostarias de aprender? Deixa o teu comentário abaixo e vamos conversar sobre aplicações de ensino! 

terça-feira, 4 de abril de 2023

#Livros - Homo Deus - História Breve do Amanhã, de Yuval Noah Harari

 

#Livros - Homo Deus - História Breve do Amanhã, de Yuval Noah Harari

Sinopse

Chegámos ao próximo passo evolucional: Homo Deus. 

Homo Deus explora os projectos, sonhos e pesadelos que darão forma ao século XXI - desde o vencer da morte à vida artificial. Sucessor do bestseller internacional Sapiens: História Breve da Humanidade, coloca as questões fundamentais: para onde seguir a partir daqui? Como proteger o mundo dos poderes destrutivos do ser humano? 

A guerra desapareceu. É mais provável cometer suicídio do que morrer num conflito armado. 

A fome está a desaparecer. É mais alto o risco de obesidade do que de fome. 

A morte tornou-se um simples problema técnico. Não alcançámos a igualdade - mas estamos perto de alcançar a imortalidade. 

A história começou quando os homens inventaram os deuses e terminará quando os homens se transformarem em deuses. 

O que nos reserva o futuro? 


Opinião

Este livro passou longos meses na minha mesa de cabeceira e foi uma leitura lenta e demorada, como uma degustação. Esta demora nada tem a ver com falta de interesse ou de qualidade da obra, mas a verdade é que um livro denso, com temas que, por vezes, chegam a ser assustadores ou perturbadores. Além disso, é importante não esquecer que leio sempre dois ou três livros em simultâneo e os de não-ficção acabam por ficar prejudicados quando a minha curiosidade pela ficção vence toda o meu planeamento e organização de leituras. 


Homo Deus, propõe adivinhar o que será o futuro da Humanidade, tendo por base o que sabemos do passado recente, das dinâmicas desta espécie desde que surgiu e emergiu no planeta, as invenções tecnológicas que a todo o momento estão a ser criadas e desenvolvidas, bem como sabendo quais são os propósitos do Homem, o que pretende alcançar num futuro próximo. É uma viagem especulativa, mas com bases que todos podemos compreender e até concordar, e que nos faz pensar no que estamos a construir e a desenvolver, sempre que parava só me questionava até que ponto seria bom para a Humanidade, ou apenas bom para os mais ricos e poderosos. 


Podes ler também a minha opinião sobre Sapiens História Breve da Humanidade


A primeira parte do livro aborda a conquista do mundo feita pelos Sapiens, que se colocaram no centro do universo, elemento mais importante e essencial. A felicidade individual tornou-se no paradigma, num direito de todos e de cada um, motivo para seguir sonhos, tomar decisões, perseguir a evolução individual. Mas será que somos assim tão importantes? A consciência seria o que nos distinguia dos restantes animais, mas agora que começa a ser replicada pelas máquinas, começamos a perceber que não é exclusividade nossa essa capacidade. A própria criatividade pode ser replicada pelos novos dispositivos que utilizam a Inteligência Artificial. Assim, que papel sobra para o Sapiens desempenhar no futuro? 


"Em comparação com os outros animais, há muito que os seres humanos se transforaram em deuses. Não gostamos de pensar a sério sobre isto porque não temos sido deuses particularmente justos e misericordiosos." 


A forma como construímos as cadeias sociais e nos relacionamos poderá estar prestes a mudar de forma irreversível. Neste livro são analisadas várias formas de interpretar o mundo e que se transformaram em correntes de pensamento e modelos políticos nos últimos séculos. O Sapiens criou várias soluções, todas diferentes e que produziram resultados distintos, mas que não parecem adequados para a próxima revolução que se avizinha. Como serão regidas as sociedades modernas quando os robots fizerem parte do quotidiano de todos e passarem a ter uma consciência semelhante à nossa, em muitas coisas superiores? 


Podes ler ainda a minha opinião sobre Imortal


A conclusão óbvia é que estamos a perder o controlo do que criamos e em breve seremos irrelevantes para a grande maioria das tarefas, podendo ser substituídos por uma qualquer máquina que irá fazer o nosso trabalho, melhor e em menos tempo, necessitando de menos recursos. Nessa altura, qual será o papel dos Sapiens na sociedade capitalista? Estaremos à beira de evoluir para uma nova espécie? Ou será o fim puro e simples? Ninguém sabe a resposta, até porque não temos bola de cristal para ver o futuro, mas o que aconteceu e o que acontece diante dos nossos olhos permitem uma análise extensa que é o que realmente vais encontrar em Homo Deus


"Durante milhões de anos fomos uma versão melhorada dos chimpanzés. Pode ser que no futuro nos tornemos uma versão sobredimensionada das formigas." 


Este é um livro fascinante e perturbador que recomendo a todos que se preocupam com o presente e com o futuro da Humanidade. É possível que não esteja nas nossas mãos mudar nada, decidir nada que seja decisivo, mas acredito que é sempre melhor saber, pensar, duvidar, ponderar, do que viver uma vida inteira na ignorância. Além disso, se gostaste de Sapiens, do mesmo autor, tenho a certeza que irás adorar esta leitura. Já leste alguma coisa de Harari? O que achas dos seus livros? Gostas destes temas teóricos? Deixa o teu comentário e vamos conversar sobre o futuro da Humanidade! 


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