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terça-feira, 7 de junho de 2022

#Livros - A Mão e a Luva, de Machado de Assis

 

#Livros - A Mão e a Luva, de Machado de Assis

Sinopse

Publicado em 1874 originalmente em folhetim,  A Mão e a Luva, o segundo romance de Machado de Assis, corresponde ao estereótipo de romance romântico. Afilhada de uma rica baronesa, Guiomar, uma jovem de origem humilde com uma ambição desmedida, desperta o interesse de três pretendentes e tem de se decidir por um deles. Estevão - sentimental, doidivanas, ingénuo e piegas - amaria a primeira mulher que se interessasse por ele. Jorge, egoísta e narcisista, norteia a vida pela futilidade e pela indefinição de objectivos. Luís Alves - frio, metódico, reservado e ambicioso - sabe o que quer e não revela seus sentimentos a ninguém. De tal forma que só se decide a pedir a mão da amada quando sente o domínio total da situação e sabe que ela dirá que sim. Em conflito permanente com a emoção e a razão, a decidida Guiomar vai te de escolher a melhor "luva" para a sua mão. 

Mas A Mão e a Luva é muito mais do que isso, podendo até ser o primeiro romance realista brasileiro - será? 


Opinião

Gentilmente enviado pela editora Guerra e Paz, recebi a nova edição do segundo romance do grande, do gigante, Machado de Assis. Para começar, todos os livros desta editora são de um bom gosto como não se encontra habitualmente em Portugal, o papel é de qualidade, a letra confortável à leitura, todos os detalhes parecem ser tidos em conta, cheira a livros de verdade, sabes? Isto sem esquecer todos os textos complementares, que acrescentam valor e ajudam a compreender melhor o autor e a obra que apresenta. 


O mesmo se passa com esta edição de A Mão e a Luva, onde podemos encontrar uma nota introdutório escrita pelos editores e, no final, um perfil de Machado escrito por José Veríssimo e o Queda Que as Mulheres têm para os Tolos, obra que chegou a ser traduzida pelo brasileiro e que deverá ter servido como inspiração para a forma como retrata estes apaixonados. E como se encontra gente apaixonada neste livro! São muitos e totalmente diferentes entre si, como se mostrassem quantas formas de amar existem e revelassem onde reside o factor determinante para conquistar as mulheres. 


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O primeiro que conhecemos é Estevão, romântico incurável, que sente tudo intensamente e sem filtros ou qualquer controlo sobre os seus sentimentos. A esperança no amor correspondido faz que tenha devaneios e ilusões de felicidade eterna. As desilusões fazem com que sofra como um desalmado, que tenha ânsias de morrer, pensando que poderia matar-se ou simplesmente morrer de amor. É também ele que nos apresenta a nossa protagonista, Guiomar, a menina que se torna mulher e que reúne à sua volta uma série de admiradores. 


"O coração era capaz de afeições; mas, como ficou dito no primeiro capítulo, ele sabia regê-las, moderá-las e guiá-las ao seu próprio interesse. Não era corrupto nem perverso; também não se pode dizer que fosse dedicado nem cavalheiresco; era, ao cabo de tudo, um homem friamente ambicioso." 


O segundo pretendente de Guiomar é Jorge, sobrinho da sua madrinha, e cujo casamento faria muito feliz a mulher a quem tanto tem a agradecer. O rapaz vive bem dos rendimentos que herdou e posição que somaria com este casamento só potenciaria a sua capacidade de viver sem esforços nem necessidade de trabalhar. A sua falta de ambição, até uma certa apatia, tornam-no uma das personagens mais aborrecidas de que me recordo. Está longe de ser apaixonado por Guiomar, pelo menos não da forma que estamos habituados a ver. O que o apaixona é a possibilidade de ser adorado, de ser desejado pela moça, que estando numa posição inferior por nascimento, seria aceite por si numa prova de abnegação. 


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Por fim, temos o candidato inesperado, Luís Alves, melhor amigo e confidente de Estevão e vizinho de Guiomar e da sua madrinha. Homem racional, que se emociona perante sentimentos verdadeiros, mas que não se deixa afundar na comiseração, nem aceita que sejam os sentimentos a comandá-lo. Os seus interesses e propósitos vêm sempre em primeiro lugar. Ambicioso, determinado a ser alguém, inteligente e sagaz. A sua personalidade é a mais interessante entre todos, e o seu interesse por Guiomar é menos apaixonado e intenso do que o de Estevão, mas muito mais determinado, confiante e intencional do que o de Jorge. 


"Havia nisto um pouco de meio indirecto, de tática, de afetação, estou quase a dizer de hipocrisia, se não tomassem à má parte o vocábulo. Havia, mas isto mesmo lhe dirá que esta Guiomar, sem perder as excelências de seu coração, era do barro comum de que Deus fez a nossa pouco sincera humanidade; e lhes dirá também que, apesar de seus verdes anos, ela compreendia já que as aparências de um sacrifício valem mais, muita vez, do que o próprio sacrifício." 


E, por fim, vamos falar da nossa doce protagonista, a popular Guiomar. Menina que nasceu pobre, teve a sorte de ter uma madrinha rica, que lhe proporcionou uma boa educação e a acolheu quando esta ficou órfã e a sua própria filha morreu, consolando-se mutuamente. Mas o seu coração parece ser um campo difícil de aceder, apesar dos esforços e das qualidades dos seus pretendentes. Ninguém consegue perceber muito bem o que esconde a sua frieza, mas ao longo da narrativa vamos compreendendo a sua essência, o seu bom coração, mas também a sua ambição e determinação. 


Em torno destes personagens gira o nosso enredo que, sendo romântico, está longe de abraçar o estilo como era hábito na época de Machado de Assis. Primeiro, pelo tom irónico e com críticas subjacentes a esse mesmo romantismo bacoco, depois porque o autor sempre foi fiel a si próprio, nunca correndo atrás das correntes em voga, de modas nem tão pouco do que era esperado e desejado pelo público. Como sempre, Machado não desilude e apresenta um livro espectacular, relativamente curto, que proporciona uma agradável experiência de leitura. Aliás, considero que este poderia muito bem ser uma excelente porta de entrada para quem está agora a começar a ler a obra do autor. 


Já conhecias este romance de Machado? Qual o teu romance favorito do autor? Algum dos mais famosos? Ou dos menos conhecidos? 


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Wook | Bertrand

quinta-feira, 2 de junho de 2022

#Filmes - 365 Dias: Naquele Dia

 

#Filmes - 365 Dias: Naquele Dia

Sinopse

Em 365 Dias: Naquele Dia, após os acontecimentos de 365 Dias, Laura Biel casa-se com Don Massimo Torricelli, o chefe da máfia siciliana que a sequestrou. A sua vida parece um conto de fadas: ela tem um marido amoroso, uma casa linda e um bebé a caminho. Mas Massimo tem muitos inimigos e eles sabem que a melhor maneira de lhe causar dor é ferir aqueles que ama. Depois de um mal entendido conjugal, Laura e a sua melhor amiga, Olga, fogem da Sicília para a Polónia natal. Mas sem a protecção do marido, Laura é sequestrada por Marcelo "Nacho" Matos, filho do chefe da máfia rival, e levada para as Ilhas Canárias pela máfia espanhola. Agora Massimo moverá qualquer montanha para resgatá-la. Mas o que o chefe da máfia siciliana não espera é que Laura comece a ter sentimentos pelo seu raptor, lindo e extremamente perigoso, enquanto é mantida refém. 


Opinião

Como aconteceu com o primeiro, o novo filme da série 365 Dias gerou grande polémica e muitas opiniões negativas, já para não falar dos puritanos que não se cansam de remar contra a maré e querer impor os seus pontos de vista ao resto da humanidade. No entanto, a verdade é que as críticas negativas foram predominantes desta vez, pelo menos, do que tenho visto e ouvido, e nem todas por causa das cenas de sexo, mas pelas falhas do enredo. 


Aviso já que se não viste o primeiro filme e/ou se ainda não viste este novo filme e não queres spoilers, aconselho-te a voltares aqui mais tarde. Parece-me impossível fundamentar as minhas opiniões e impressões sobre esta história sem referir aspectos importantes, mas que podem interferir com a experiência de quem ainda não viu. A primeira falha é logo no início do filme, que nos mostra que os protagonistas irão casar. Parece algo banal, só que o filme anterior tinha terminado com o acidente de Laura, deixando no ar que ela poderia ter morrido. Ficamos com a sensação de que não existe qualquer ligação entre os dois que seja coerente, e só ficamos a saber muito por alto o que aconteceu pela conversa de Laura com a melhor amiga. 


Podes ler também a minha opinião sobre 365 Dias


Quanto às cenas de sexo, considero menos chocantes que anteriormente e também mais desnecessárias. A sensação com que fiquei foi que a relação de Massimo e Laura está totalmente assente na atracção sexual que sentem um pelo outro. A cena do campo de golfe é do mais ridículo que já vi e os sonhos eróticos de Laura tornam-se tão aborrecidos pelo tempo que se perde a dar protagonismo a uma situação que temos a certeza que não vai acontecer, pois aí sim seria uma verdadeira surpresa que poria em causa todos os clichés que nos apresentam. 


#Filmes - 365 Dias: Naquele Dia

 A beleza dos protagonistas sempre foi um ponto forte desta história e aqui na continuação não foi excepção e o grande aspecto positivo é que agora acrescentou-se um novo gato para podermos babar ainda mais. O Nacho é o clássico surfista moreno e gostoso, que parece estar cheio de boas intenções e querer apenas ajudar Laura a ultrapassar o desgosto que sofreu. Só que a ingenuidade de Laura, depois de ter se apaixonado e casado com um mafioso, é de nos dar nos nervos. Como pode acreditar que este Nacho seja um simples jardineiro? Sobretudo, depois de conhecer a casa do pai e de não saber nada da vida dele. 


Podes ler ainda a minha opinião sobre O Impostor do Tinder


Claro que os clichés nunca são de mais e aqui encontras a toda a hora e por toda a parte. A descoberta de que Massimo tem um irmão sobre o qual nunca falou à mulher poderia ser algo normal por não terem uma boa relação. Só que não. Temos aqui um irmão gémeo, idêntico, revoltado por não ser o herdeiro do império mafioso do pai e disposto a tudo para eliminar Massimo e ocupar o seu lugar. Para isso, alia-se a um mafioso rival que considera que Massimo está a ganhar demasiado poder e influência e acredita que seria mais benéfico para si próprio que a Sicília fosse controlada por este irmão que só quer vingança. 



Pessoalmente, adorei estes homens bonitos e sensuais, das paisagens deslumbrantes e dos automóveis fantásticos que aparecem no filme. Depois temos a melhor personagem de todo o filme que é a melhor amiga de Laura, Olga. A sua relação com a amiga é incrível, o envolvimento com Domenico também é super divertido e alguns dos melhores diálogos são seus, com uma assertividade e bom humor que se encontram poucas vezes noutros personagens, alguns até com mais tempo de tela e outros que cada segundo é um desperdício de tão mal que vão. Os próprios protagonistas deixam muito a desejar neste filme, parecendo que não encontraram a forma de interpretar de forma adequada as personalidades e os conflitos que têm de viver. 


Em suma, é um filme um tanto ou quanto sem sentido, com muitas lacunas no enredo e cujo final é uma repetição do primeiro e que promete ser outro fiasco. Sei que vou ver o próximo, mais por curiosidade e para confirmar que não é possível fazer nada pior do que este. Além, claro está, por causa dos homens bonitos que são um deleite para os olhos. E tu, já viste Naquele Dia? O que achaste desta continuação? Partilhas da minha opinião ou nem por isso? Conta-me tudo nos comentários! 

terça-feira, 31 de maio de 2022

#Livros - Contos de São Petersburgo, de Nikolai Gógol

 

#Livros - Contos de São Petersburgo, de Nikolai Gógol

Sinopse


Estão aqui reunidas as cinco «Histórias de Petersburgo»: «Avenida Névski (1834), «Diário de um Louco» (1834), «O Nariz» (1836), «O Retrato (1841) e «O Capote» (1841). Acrescentou-se «A Caleche» (1836), pequeno conto que alguns autores integram neste ciclo. Trata-se do chamado «segundo período» da obra do autor, que se seguiu ao período das histórias ucranianas, «Noites na Granja ao pé de Dikanka» e «Mirgorod». 

Estes contos do fantástico-real (ou real-fantástico?), integrando o humor e a sátira inconfundíveis de Gógol, tiveram grande influência no ulterior desenvolvimento da prosa literária russa e, também, no de todas as literaturas ocidentais. A modernidade das propostas de Gógol continua mais viva do que nunca nestas histórias em que a personagem principal é a cidade de Petersburgo: mesquinha, sufocante, ridícula, irrisória e ilusória. 

Opinião 


Nos tempos conturbados que vivemos, nada como relembrar que a Rússia tem muitas coisas boas para nos dar que vão muito além de conflitos e delírios de um ditador lunático. Neste caso particular de Gógol, estamos perante um escritor russo que nasceu numa província que hoje faz parte da Ucrânia, o que vem mostrar o quanto os dois países estão unidos e deveriam ser mais irmãos do que rivais. Ou, pelo menos, com uma rivalidade mais saudável, como a nossa com os nossos vizinhos espanhóis. 

A minha curiosidade sobre Gógol surgiu quando ouvi falar pela primeira vez de Almas Mortas e desde então a ideia de ler este autor, que é considerado o percursor do romance russo como o conhecemos, nunca mais me saiu da cabeça. Portanto, quando encontrei esta colectânea de contos deste autor em promoção na Fnac, não resisti a trazê-la para casa. São seis contos, cada um melhor que o outro e que nos revelam um estilo que se foca mais no cenário, nos objectos, nas roupas, do que nas personalidades dos seus personagens. 

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A verdadeira protagonista é a cidade de São Petersburgo, criada pelo capricho do famoso czar Pedro, o Grande, e que se transformou num lugar sombrio, muito frio, sempre com uma forte neblina, povoado pelos muitos miseráveis e pelos funcionários públicos cujos cargos foram criados para que a cidade fosse povoada mais rapidamente. Este sistema burocrático russo no século XIX era um entroncado labirinto, com cargos e mais cargos, patentes e nomenclatura imitada da militar, onde as pessoas procuravam escalar através das relações sociais, mais do que pela competência. 

"Os sonhos acabaram por se tornar a vida dele e, desde então, a sua existência tomou um rumo estranho; pode dizer-se que dormia acordado e estava de vigília no sono." 

Dos contos deste volume, o meu favorito é, por uma grande margem, O Retrato. Penso que deve ser o maior, dividido em duas partes, e conta a história de um pintor talentoso e com poucos recursos financeiros que, num impulso que nem consegue explicar, compra um retrato peculiar numa loja da cidade. O retrato tem um olhos que parecem nos perseguir e que contém uma carga que assusta. O artista descobre dinheiro no quadro e a sua vida transforma-se de uma forma inesperada e que está longe do que tinha sonhado quando era um simples aprendiz. 

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Destaco também o Diário de um Louco que, como o nome indica, trata-se de um diário, com entradas escritas em diferentes datas, pelo nosso protagonista. Mais um funcionário público que parece um cidadão normal, com as suas peculiaridades e sem noção da sua insignificância. Só que o fantástico começa a sério quando o nosso Aksénti Ivánovitch ouve uma conversa entre dois cachorros. É nesse momento que começamos a perceber a loucura, até ao ponto em que ele descobre que afinal é o rei de Espanha. Hilariante, é só o que te digo. 

"Mecenas destes já não existem, como é sabido, uma vez que o nosso século dezanove adquiriu desde há muito a fisionomia enfadonha do banqueiro que se delicia com os seus milhões bastando-lhe apenas olhar para eles na forma de números escritos no papel."

Por último, vou referir ainda O Nariz, conto fantástico e talvez o mais conhecido do autor, pelo menos foi o que encontrei mais vezes referido pela Internet a fora. Aqui o insólito acontece quando um homem acorda, sem que nada de estranho tivesse acontecido antes, e se depara com o seu reflexo no espelho que lhe revela a ausência total do seu nariz. O espanto do homem prende-se com os problemas sociais que esta perda lhe vai trazer. Como poderá se apresentar no trabalho, nos salões, nas ruas? O que era extraordinário só piora quando Kovaliov descobre o seu nariz, vestido com uma bela farda, e com um cargo público superior ao seu. Dá para acreditar? 

No fundo, esta é uma grande crítica ao sistema burocrático russo, quase uma sátira em determinados contos, que expõe o quanto é ridícula e sem sentido a forma como são criados esses cargos. Só posso recomendar este livro para começares a ler Gógol, que para mim funcionou muito bem e me deixou com muita vontade de continuar a ler mais. Já leste alguma coisa do autor? Preferes os contos ou as novelas? 

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quinta-feira, 26 de maio de 2022

A minha experiência com O Chico da Fruta

 

A minha experiência com O Chico da Fruta

Não existe conceito mais cómodo do que receber produtos frescos, cuidadosamente selecionados, entregues directamente no conforto do lar. Só vejo vantagens em termos pessoais, mas além disso existem também muitos benefícios para o ambiente ao comprarmos a produtores locais e próximos. Ao mesmo tempo, estamos a contribuir para a economia das nossas regiões e obtemos a certeza de que estamos a consumir produtos de qualidade e que não são industrializados. 


Foi com todas estas preocupações em mente, que acabei por descobrir O Chico da Fruta e os seus cabazes semanais, que podemos personalizar em termos ou acrescentar outros produtos para completar o nosso cabaz. Todas as semanas são propostos três cabazes diferentes que podem incluir só frutas ou frutas e legumes variados. Os preços destes cabazes começam nos 15€ até aos 21,50€ e a entrega é gratuita, sendo possível encomendar na Grande Lisboa e na Margem Sul. 


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Os produtos são dos mais variados que tenho visto e a qualidade é acima da média, posso te assegurar. Já encomendei diferentes cabazes três vezes e fiquei sempre satisfeita com os produtos que recebi, e também com o atendimento atencioso e cuidadoso que recebi. Inclusivamente são permitidas algumas trocas aos produtos que compõem o cabaz, de forma a que fique mais ao nosso gosto e da nossa família. No cabaz maior, que é o que mais me agrada, recebemos duas caixas. Uma com legumes, outra com frutas, tudo acondicionado com o maior cuidado. 


A minha experiência com O Chico da Fruta

Directamente do produtor, tanto os legumes como as frutas são excepcionais, um sabor e uma frescura como se tivesse sido colhido por nós, como os nossos avós faziam noutros tempos. Na primeira encomenda, são cobradas as caixas em que são entregues, que nas seguintes são devolvidas quando recebemos o próximo cabaz. Tudo de uma forma bem sustentável e com preocupações ambientais, ambas muito importantes nos dias que correm. 


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Para poderes ver os cabazes semanais, eles ficam disponíveis nos fins de semana no seu Instagram, e podes fazer a tua encomenda através do Whatsapp. Para isso, só precisas de indicar a tua morada completa, com código postal, o teu contacto e os extras que pretendes adicionar ao teu cabaz. Depois de receberes a confirmação e saberes qual o dia em que entregam na tua área de residência ou de trabalho, podes ficar descansada e aguardar pelo dia combinado. No dia anterior, recebes ainda uma mensagem a confirmar a entrega e a indicar o horário em que será feita. 


A minha experiência com O Chico da Fruta

O pagamento é feito no acto da entrega e podes pagar com Multibanco ou Numerário. Tudo se processa de forma prática, simples e sem complicações. Aqui te deixo mais uma opção, desta vez apenas para residentes de Lisboa e arredores, e que te poderá ser útil. Para os preguiçosos, para os que nunca têm tempo, para os que acham que não sabem escolher este tipo de produto, para quem quer ajudar os produtores locais, para quem tem preocupações ambientais. Em suma, acredito que seja também para ti, de alguma forma. 


Já conhecias O Chico da Fruta? Onde costumas comprar as tuas frutas e legumes frescos? Já te rendeste às compras online neste sector? 

terça-feira, 24 de maio de 2022

#Livros - Morte em Veneza, de Thomas Mann

 

#Livros - Morte em Veneza, de Thomas Mann

Sinopse

A Morte em Veneza é a narrativa do fascínio que Aschenbach, um escritor consagrado, sente por um adolescente, Tadzio, de deslumbrante beleza. 

Uma paixão que se arrasta pelo Lido e depois pelas ruas de uma Veneza ameaçada e através da qual se questiona a situação moral do artista. 

Trata-se de uma novela em que Thomas Mann, sob a influência filosófica de Platão, aborda a relação com o belo e fala da nostalgia e das suas emoções. 


Opinião

Depois de muitas hesitações, decidi-me a ler o meu primeiro Thomas Mann da vida e que bom que foi. Claro que não comecei por nenhum dos seus calhamaços, mais famosos e mais icónicos, mas por uma novela simples, curta e repleta do seu talento. Morte em Veneza tem menos de cem páginas e pode muito bem ser lida de uma assentada, embora uma leitura mais calma poderá trazer maior entendimento sobre os acontecimentos aqui contados. 


Não que seja algo complicado ou complexo, mas sem dúvida que está repleto de simbolismo, de mensagens subliminares, de pequenos indicadores do que, inevitavelmente, será o seu final. Tudo começa com o nosso protagonista, Aschenbach, que se sente inquieto na sua vida em Munique e não se mostra entusiasmado com a eminente viagem para a sua casa de campo. Nesses pensamentos conturbados surge-lhe a ideia de que deveria seguir para Sul, para paragens mais quentes, onde poderá desfrutar desse Verão em conformidade. 


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A verdade é que estamos perante um escritor que já passou da meia idade que se leva muito a sério, disciplinado, rigoroso, que leva uma vida monótona e metódica, sem nunca sair da linha do que acha que esperam de si. Esta vontade de ir para um lugar diferente do habitual mostra um ímpeto por sair da sua rotina, por procurar cenários diferentes dos que costuma habitar. Depois de uma passagem por um primeiro destino, decide partir para Veneza e é nesse lugar que começam as atribulações do nosso escritor. 


"Tudo aquilo lhe aparecia como prenúncio de algo de invulgar, dir-se-ia que começava a envolvê-lo um alheamento próximo do sonho, uma desfiguração estranha do mundo, que poderia apagar se cobrisse os olhos por momentos e olhasse depois de novo à sua volta."


Prenúncios sucedem-se, mesmo antes da chegada a Veneza, mas o que mais me marcou entre eles foi o estranho gondoleiro que transporta Aschenbach até ao seu Hotel. Personagem esquisita que não acata as ordens e que decide qual o percurso por onde irá levar o seu passageiro e que, no final, parte sem esperar pelo pagamento. A própria gôndola onde é transportado parece também um prenúncio do que se avizinha. O Hotel está cheio de famílias a passar a época de veraneio, mas os olhos de Aschenbach ficam presos num rapaz de cerca de quatorze anos de uma beleza inacreditável, a roçar a perfeição. 


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Esta admiração à primeira vista torna-se a principal motivação dos seus dias e começa a alinhar as suas rotinas no Hotel pelas do rapaz e da sua família. Não se pense que estamos perante uma relação pedófilo ao estilo de Lolita. É tudo platónico, sem qualquer iniciativa de aproximação real, física. Nunca conversaram sequer. Mas é impossível negar que o escritor se apaixona perdidamente por este rapaz, que não conhece, cuja voz nunca ouviu, mas cuja beleza o arrebatou de uma forma como nunca antes lhe aconteceu na sua vida. 


"É de facto bom que o mundo só conheça a obra bela, acabada, e não também as suas origens, nem os condicionalismos do seu nascimento; porque o conhecimento das fontes a partir das quais jorra a inspiração do artista iria muitas vezes confundir o seu público, intimidá-lo, anulando assim os efeitos da excelência da obra." 


É uma obra bem redonda, cheia de pormenores e pequenos detalhes, escrita de uma forma espectacular, sem falhas ou lapsos, nem excessos de qualquer tipo. Tudo parece ter o seu papel, sem que nada supérfluo tenha ficado nas suas páginas. É certo que ainda não li mais nada deste autor, mas fiquei muito contente com esta escolha para começar a saga de ler este autor brilhante. No entanto, se ainda precisas de mais motivos para ler Morte em Veneza, podes ver o vídeo da Tatiana Feltrin


Já leste algum livro de Thomas Mann? Qual o teu favorito? Qual seria a tua sugestão para começar a ler a obra do autor? 


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