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quinta-feira, 29 de setembro de 2022

10 anos a blogar

 

10 anos a blogar

Inacreditavelmente, fez em Agosto 10 anos que iniciei este blog e a data passou-me quase despercebida. Chegamos assim à primeira década de existência deste espaço e, como todos dizem, parece mesmo que foi ontem que me decidi a criar um blog, sem saber muito bem o que estava a fazer, sem pensar no caminho que queria trilhar, que propósito teria, apenas pelo desejo de escrever e partilhar experiências com outras pessoas que por cá andavam também. 


Os livros marcaram presença desde o início, mas o resto foi sendo construído e desconstruído à medida que o tempo passou e conforme me deu prazer ou não escrever sobre os temas. O único factor de curadoria dos conteúdos é apenas e só o que me dá prazer e que considero ser útil, divertido ou pertinente partilhar aqui. Tem sido uma viagem intensa, com algumas paragens, interrupções, ausências forçadas pelas circunstâncias, mas sempre com a certeza que iria voltar. 


Como todos os resistentes da blogosfera, admito que há momentos em que penso que, se calhar, já não vale a pena continuar aqui e que deveria migrar para as redes sociais e dedicar a minha atenção a essas plataformas mais imediatas e atractivas. São só pensamentos. Nunca, em momento algum, ponderei verdadeiramente abandonar este espaço porque acredito que nada poderá substituir o prazer da escrita e da leitura de textos mais completos, complexos, profundos, sem que seja apenas uma ligeira exposição sobre os temas. 


Posto isto, reparo agora que abandonei o hábito de escrever em tempo de aniversário do blog. A última vez que encontrei o registo foi em 2018 o que me retira a desculpa da pandemia para ter ignorado a efeméride nos últimos anos. O que significa que não tenho agradecido devidamente a todos os resistentes que por cá continuam a ler-me, comentar e partilhar ideias. Vocês são os maiores! Espero poder continuar a contar com a vossa presença e o vosso carinho, que o meu coração já é vosso. 


Estão prontos para mais 10 anos disto de blogar? 

terça-feira, 27 de setembro de 2022

#Livros - Madame Bovary, de Gustave Flaubert

 

#Livros - Madame Bovary, de Gustave Flaubert

Sinopse

Considerado por muitos o romance dos romances, Madame Bovary é um livro apaixonante sobre a idealização do amor romântico, o adultério e o suicídio. 

Emma Bovary, a protagonista, é uma jovem bonita e requintada para os padrões provincianos da sociedade em que vive. Presa num casamento que a aborrece, aspira às grandes emoções que encontra nas páginas dos livros que lê compulsivamente. 

A vida, o marido e a sua imaginação não são suficientes. Arranja um amante, e mais outro, mas nenhum é capaz de satisfazer os seus anseios. Revoltada com a sua vida, Emma perseguirá os seus sonhos, com consequências trágicas.

Além da densidade psicológica das personagens intervenientes, Madame Bovary é uma obra que se destaca também pela prosa esmerada e pelo realismo narrativo. 


Opinião

O tempo passou e finalmente consegui ler o clássico Madame Bovary. É um livro tão forte e marcante da nossa civilização, que todos conhecemos este nome e sabemos bastante da sua história, mesmo sem ter lido o livro. Mais, este livro eclipsou toda a restante obra de Flaubert, que permanece ignorada pela maioria de nós. Pessoalmente, nem o nome de qualquer outra coisa que tenha escrito conheço, nem de ouvir falar. Portanto, as expectativas quanto a este livro famoso eram muito altas e foram totalmente ultrapassadas pela positiva. 


Tudo começa acompanhando os pais Bovary e o Charles, na sua infância e juventude, bem como o seu primeiro casamento. Aliás, quando Charles conhece Ema, ainda é um homem casado e, portanto, seria impossível a ligação entre os dois. Talvez seja esta impossibilidade que encantou a romântica Emma e a fez acreditar que estava perante um homem extraordinário, que lhe iria arrebatar e tirar da sua vida monótona, mas cujo amor era impossível ser vivido. A beleza da jovem alimenta os sonhos românticos de Charles, que se encontrava desiludido com o seu casamento que estava longe de ser o que tinha imaginado. 


Podes ler também a minha opinião sobre A Letra Escarlate


Importa referir que Charles não tem nada de extraordinário. É um homem comum, banal, medíocre até, que procura levar a vida conforme o que esperam dele, sem grandes sonhos de grandeza, glória ou fama. Quando fica viúvo, as esperanças de conseguir conquistar Ema voltam, embora se sinta envergonhado por ter estes sentimentos tão pouco tempo após a morte da esposa. O pai da rapariga, tendo percebido o interesse do médico, procura resolver este problema, pois acredita que a sua filha poderá ser feliz com este jovem, ao mesmo tempo que se livra do encargo que ela será se não se casar. 


"Era ele que poderia ser tomado como a virgem da véspera, enquanto recém-casada nada deixava descobrir por onde se pudesse adivinhar qualquer coisa."


Passado o tempo necessário ao luto, o casamento de Charles e Emma acontece e o amor do noivo só aumenta com o passar dos dias. Cada vez está mais apaixonado pela mulher, não lhe vendo qualquer defeito e considerando-se um sortudo por ter conquistado uma esposa tão superior aos seus méritos. Por seu lado, Emma descobre que o casamento está longe de corresponder aos seus ideias românticos, alimentados pelas suas leituras de romances. Não se sente arrebatada, apaixonada loucamente pelo marido, capaz de loucuras. E por não encontrar essas sensações, sente que foi enganada e se precipitou ao casar-se com Charles. 


Podes ler ainda a minha opinião sobre Lolita


Entretanto, engravida e vive a expectativa das sensações da maternidade, almejando por dar à luz um filho varão, que irá dar continuidade ao nome da família. A desilusão chega quando nasce uma menina, e Emma volta a sentir-se defraudada pois não sente pela filha o que esperava sentir. De desilusão em desilusão, sendo cada vez mais dominada pelo tédio da sua vida, entrega-se a paixões com amantes sucessivos. Primeiro, de forma platónica, pois sente-se uma heroína romântica por se recusar a ceder aos desejos para manter a virtude e a honra. Só que o entusiasmo dura pouco, e logo acaba por se envolver com outro homem com quem vive um amor arrebatador. 


"Emma assemelhava-se a todas as amantes; e o encanto que tinha proporcionado a novidade, pouco a pouco, caindo como a roupa que se despe, deixava a nu a eterna monotonia da paixão, que tem sempre as mesmas formas e a mesma linguagem." 


Passado o fogo da paixão, o tédio instala-se também nestes relacionamentos. Enquanto que os amantes de Emma a olham apenas como uma mulher bonita, como uma conquista inconsequente; Emma Bovary persegue o ideal amoroso que não sobrevive ao contacto com a realidade de nenhuma relação mais prolongada. Ao mesmo tempo que acumula relações extraconjugais, acumula também dívidas infinitas. A culpa destas dívidas é da falta de noção de Emma, que quer viver uma vida que não pode sustentar, e do seu marido permissivo, que fecha os olhos a estes excessos. 


Em suma, estamos perante um livro que critica a sociedade da sua época e que, ainda assim, poderia perfeitamente aplicar-se aos dias de hoje. As expectativas sempre a frustrar a protagonista, o tédio que a invade e não abandona por muito dinheiro que gaste, por muitos amantes que encontre. Hoje, moralmente não nos choca, mas retrata muito bem o que todos sentimos na vida que levamos tanto tempo passado da sua publicação. Se ainda não leste e não te consegui convencer, aconselho-te a ver os vídeos da Tatiana Feltrin e do Literatura Fundamental


Já leste Madame Bovary? Conheces outros livros do autor? Conseguiste identificar a nossa sociedade na vida da Emma? Conta-me tudo nos comentários! 


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quinta-feira, 22 de setembro de 2022

#Filmes - 365 Dias Finais

 

#Filmes - 365 Dias Finais

Sinopse

Em 365 Dias Finais, após o ocorrido no filme anterior, os melhores médicos lutam pela vida de Laura. O seu marido, Massimo, terá que tomar uma das decisões mais difíceis da sua vida. Deverá agarrar-se ao amor que viveram? Ou deverá libertá-la para garantir que nunca mais correrá perigo? E será que é capaz de aguentar viver sem ela? 


Opinião 

Como prometido, estou de volta depois de ter visto o último filme da trilogia 365 Dias. As expectativas eram muito baixas, mas ainda conseguiram superar pela negativa. Compreendo a sensação causada pelo primeiro filme, muito diferente de tudo o que temos visto, com uma sexualidade muito forte e exposta, e uma premissa cliché, mas que atrai muita gente, tanto no Cinema como na Literatura. Entretanto, a única explicação para continuar a estar nos tops é a curiosidade mórbida de quem viu o primeiro e agora se vê na obrigação de descobrir o final. 


Vamos já despachar o único ponto positivo deste filme, que é para depois enumerar todos os defeitos que encontrei ao longo das duas horas que tive de suportar. A salvação desta saga, além da beleza dos envolvidos, é a Olga. Cada aparição da melhor amiga de Laura, salva a cena. O seu sentido de humor, a sua gargalhada e até a sua construção é muito mais forte do que os frágeis protagonistas. A própria amizade das duas é bem construída, credível, divertida mas, ainda assim, mostram estar lá uma para a outra. Além da personagem ser a melhor, acredito que a actuação da actriz também tem um forte contributo para esta percepção. 


Podes ler também a minha opinião sobre 365 Dias


Posto isto, vamos aos inúmeros aspectos que me deixaram altamente irritada. Para começar, como assim fizeram de conta que vieram a Portugal?? Com a primeira menção a Lagos, quase caí da cadeira, pois não estava nada à espera de semelhante. Entretanto, já percebi que foi um mero acaso não ter encontrado nenhum artigo sobre esse detalhe, mas o choque já ninguém me tira. Os cenários fajutos talvez enganem quem nunca esteve no Algarve, mas não deixa de ser uma péssima forma de retratar o nosso país, que recebe tantos turistas de todo o mundo. E nem vou comentar a referência à marca de cerveja "Super Agres" ... 


#Filmes - 365 Dias Finais

Entretanto, depois de ter escapado, mais uma vez, a uma morte certa, Laura regressa para casa ainda em convalescença, com o mesmo apetite sexual de sempre, mesmo quando o seu marido mafioso está preocupado com a sua saúde e com as recomendações médicas. Portanto, num primeiro impacto parecia que tudo estava bem, regressado à normalidade da relação que parece só existir na cama. De repente, começam a aparecer os conflitos e a crise no casamento revela-se. Tudo por causa dos dias que Laura esteve na companhia de Nacho. Massimo vive na incerteza do que terá acontecido entre eles. Laura não consegue esquecer o rapaz dos olhos claros. Em vez de agir como pessoas normais e conversarem sobre o assunto e tentar resolver, cada vez se afastam mais e mais, agudizando a crise. 


Podes ler ainda a minha opinião sobre 365 Dias: Naquele Dia 


Os sonhos eróticos da moça já enjoam e mais uma vez marcaram presença de uma forma que, pela minha parte, dispensava bem. As cenas de sexo imaginadas com Nacho parecem que nunca se vão concretizar e como se torna uma obsessão na mente de Laura é preocupante. Não vive bem com o marido, passa a vida a pensar e a sonhar com o rapaz que a enganou no filme anterior, mas continua a viver a boa vida proporcionada pelo dinheiro do seu mafioso marido. Por seu turno, Massimo passa grande parte do filme a fazer de mau, arrogante e prepotente, circulando em festas sexuais, regadas com muito álcool e droga. 



Quanto ao final, não temam spoilers, porque nem quem viu o filme te vai saber dizer com quem Laura escolheu ficar. Portanto, temos um final super, hiper, mega aberto. Estive a ler algumas opiniões e encontrei muita gente que defende que esta escolhe foi para agradar a todos os fãs, os que apoiavam Massimo e os que preferiam Nacho. Pessoalmente, temo que isto queira dizer que não vamos ficar pela trilogia e que novos filmes irão ser lançados. A verdade é que, mesmo com tantas críticas negativas, todos os filmes têm sido um sucesso e a Netflix pode muito bem se sentir tentada a aproveitar e explorar a vaga. 


Em suma, quanto mais vi os filmes, mais pequena ficou a minha vontade de ler o livro, porque considero que o enredo é muito fraco. Mesmo tendo em conta que é apenas uma adaptação, com muitas alterações, tenho sérias dúvidas que esta trilogia valha a pena, tanto o meu tempo como o meu dinheiro. E tu, já viste o final da trilogia? Concordas com as minhas criticas? Ou gostaste deste final inconclusivo? Conta-me tudo nos comentários! 

terça-feira, 20 de setembro de 2022

#Livros - Os Cruzados, de Dan Jones

 

#Livros - Os Cruzados, de Dan Jones

Sinopse

«Tomai este caminho e obtereis a remissão dos vossos pecados, seguros na indestrutível glória do Reino Sagrado.»

Assim falou o Papa Urbano II em 1095, palavras de estímulo aos cristãos para seguirem o caminho do Santo Sepulcro e libertarem a cidade de Jerusalém de séculos de governação islâmica. O apelo a esta união por parte de Urbano II, com a promessa da salvação para todos os que tomassem a cruz, desencadearia um conflito religioso numa escala épica. 

Príncipes cristãos, seguidos por legiões de fiéis, iniciaram uma cadência de guerras santas contra os inimigos de Cristo que imergiriam a Europa e o Mediterrâneo num banho de sangue - de Alepo, no Levante, ao Al-Andalus, no Ocidente. Em Os Cruzados, Dan Jones apresenta uma perspetiva particular sobre um conflito medieval entre a cristandade e o islão que se manteve aceso durante quase quatro séculos e cujos ecos ainda hoje se fazem ouvir. 

Mais do que uma simples exposição dos acontecimentos das Cruzadas, Dan Jones oferece-nos um enquadramento histórico com base numa sequência de episódios emocionantes. Os cruzados são mulheres e homens, cristãos das Igrejas do Oriente e do Ocidente, muçulmanos sunitas e xiitas, árabes, judeus, turcos, egípcios, berberes e mongóis e até um grupo viquingue. 

Dan Jones tem uma magnífica aptidão para redigir esta narrativa histórica estimulante. Nunca até aqui a época das Cruzadas foi retratada de modo tão intenso e vibrante, nem a sua história relatada com tanto entusiasmo. 


Opinião

Descobri este livro por mero acaso, enquanto passeava pelo Continente e estava a espreitar as suas promoções de livros, isto antes de ir de férias. O título chamou a minha atenção, sem sequer imaginar quem seria o autor. Só depois de iniciar a leitura, dias depois, é que os meus olhos pousaram na orelha e vi a foto do autor. Foi aí que se fez luz e percebi que conhecia sim Dan Jones, dos vídeos no Youtube contando episódios de História da Inglaterra. 


Se tinha dúvidas que esta seria uma leitura enriquecedora, elas ficaram totalmente esclarecidas. Este é um relato completo, empolgante, que nos transporta para os lugares e para a mentalidade da época, compondo todo o cenário de forma brilhante, com uma contextualização histórica muito importante que nos permite compreender os acontecimentos e os desenvolvimentos. O livro está dividido em três partes, contando ainda com uma introdução, inúmeros mapas dos lugares e da evolução das conquistas e perdas cristãs, um epílogo e vários apêndices. Nesta parte temos um breve resumo de quem foram as principais personalidades, listas com os reis e rainhas de Jerusalém, os Papas e os Imperadores, as notas, uma bibliografia com as principais fontes usadas pelo autor e um muito útil índice remissivo, que torna esta obra excelente para consultas futuras. 


Podes ler também a minha opinião sobre Os Habsburgos


Acompanhamos aqui o que acontecia na Europa e que contribuiu para que a Primeira Cruzada fosse lançada e as razões sociais e políticas que levaram a que tivesse uma adesão muito forte em diversos domínios. Os próprios líderes destes países poderosos aceitaram o repto e vão em cruzada para conquistar a Terra Santa. Era uma época em que os reis eram combatentes também, liderando os seus exércitos, tendo de ser guerreiros poderosos para conseguirem manter as coroas nas suas cabeças e expulsar os invasores que sempre gostavam de ocupar mais dos seus territórios. As fronteiras ainda eram alteradas com frequência e a maioria dos países que hoje conhecemos na Europa ainda não estavam definidos, existindo uma enorme divisão de reinos rivais. 


"Esta guerra, pela qual homens e mulheres haviam percorrido milhares de quilómetros em condições sofríveis, gastando fortunas de uma vida e confiando as almas a Deus, não durou mais do que cinco dias."


Assim, os maiores líderes da Europa decidem unir-se e partir em busca de glória, novas conquistas e riquezas e ainda salvar a alma, ganhando um lugar no céu, por combater em seu nome. Durante séculos muitos foram os homens, simples ou nobres, que rumaram a esses territórios em busca da salvação da alma e da conquista de glórias para o seu nome. É durante as Cruzadas e por causa delas que surgem novas ordens religiosas e militares em simultâneo, como os famosos Templários ou os Hospitalários. Estes e outros foram fundamentais para o sucesso desta empreitada e por isso se tornaram poderosas peças no tabuleiro das influências. 


Podes ler ainda a minha opinião sobre 1808


Este empreendimento, como já antes referi, decorreu durante séculos e, como podes imaginar, muitas foram as figuras que se envolveram, fomentaram, incentivaram, divulgaram e corromperam as Cruzadas. O título é claro, o foco está nas pessoas como forma de contar o que aconteceu durante esta época tumultuada e confusa. Os Papas, reis e imperadores são usados como protagonistas, mas também se encontram muitas figuras do lado oposto, que nos apresentam uma prespectiva diferente deste conflito. Os muçulmanos, por vezes, perdidos nos seus conflitos internos, tornaram-se alvos fáceis, até que se uniram ou resolveram os seus problemas e colocaram um ponto final na ocupação cristã. 


"O caminho passava a estar limpo para um líder que unisse a Síria e o Egipto sob governação sunita, fazendo-o sob a bandeira da jihad: uma ideologia de guerra santa tão poderosa e, talvez, ainda mais duradoura do que a da cruzada cristã latina." 


Outro aspecto interessante neste livro é a importância que o autor dá às mulheres importantes das Cruzadas, colocando as suas crónicas em destaque e realçando o papel que tiveram durante esses anos transformadores e fundadores da Idade Média. Além disso, temos aqui um pouco da história de personalidades famosas como Saladino, Ricardo Coração de Leão, Francisco de Assis, Gengis Khan, Leonor da Aquitânia, só para dar alguns exemplos. 


Por fim, não posso ignorar o fascinante que é ler sobre a reconquista cristã na Península Ibérica, sobretudo em Portugal. O nosso país surge quando o fervor das Cruzadas estava em altas e nos nossos portos aportavam muitos estrangeiros que iam para a Terra Santa depois de terem tomado a cruz. O nosso primeiro rei, aproveitando a oportunidade deste reforço, tenta convencer estes homens a ajudar no seu projecto de expulsar os muçulmanos da Europa, antes de partir. Graças a esses reforços, as suas conquistas vão se somando, tendo ganho inclusive, o apoio do Papa para esse propósito, tanto em Portugal como em Espanha (que ainda não era um país, mas um conjunto de reinos independentes). 


Portanto, se gostas de História, de aventuras, de combates ferozes ou das Cruzadas no geral, este é o livro que precisas de ler. Conheces Dan Jones? O que achas da sua escrita? Já leste o seu outro bestseller Os Templários? Conta-me tudo nos comentários! 


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quinta-feira, 15 de setembro de 2022

Top 7 Provas Cegas - The Voice Kids Portugal | Season 3

 

Top 7 Provas Cegas - The Voice Kids Portugal | Season 3

Nunca demorei tanto tempo, sem contar com as edições já terminadas antes do início desta rubrica, desde o final de uma temporada até publicar aqui as melhores provas cegas. A verdade é que, em Maio, comecei a acompanhar as Provas Cegas, a minha parte favorita desta competição, só que senti muito a falta da icónica Marisa Liz. Não estou a diminuir qualquer dos mentores que transitaram para esta edição, nem tão pouco da recém-chegada, Bárbara Tinoco, que são todos artistas incríveis e cujo trabalho aprecio bastante. 


Só que a Marisa tem uma sensibilidade artística que me emociona e compreende como ninguém o que se espera deste programa, que fala de música de forma apaixonada, mas que pretende ser um programa de entretenimento e ela entretém como ninguém. A sua dinâmica com os concorrentes, com os apresentadores e, sobretudo, as picardias com os colegas mentores são deliciosas de acompanhar. Posto isto, o meu ânimo arrefeceu com a sua ausência e só agora em Agosto fui ver com atenção o que aconteceu na terceira edição do The Voice Kids. 


Quanto a esta edição, acho que foi encurtada em demasia, esperando ver mais galas para ter mais oportunidades de ouvir os meus concorrentes favoritos brilhar. Ainda assim, foi um belo programa que nos apresentou talentos surpreendentemente jovens, com uma maturidade inesperada e um profissionalismo que só se espera ver em adultos. Agora, é chegada a hora de passarmos ao meu Top 7 de Provas Cegas desta edição. Vamos a elas? 


1. Margarida Rodrigues - Equipa Bárbara

O maior impacto desta Prova Cega é que estamos perante uma miúda pequena com um vozeirão de gente grande. Fez uma interpretação do tema "I Have Nothing" que, de olhos fechados, poderia muito bem passar por uma actuação de uma qualquer mulher adulta, só que com uma potência, uma afinação e um bom gosto que deslumbraram todos os mentores e a mim também. 



2. Nicolas Alves - Equipa Carolina

Mais um menino que não tem voz de criança em lugar nenhum do mundo. A sua rouquidão, o seu timbre especial, tornaram-no no meu concorrente favorito desta edição. A sua personalidade, as escolhas musicais, as suas interpretações cheias de garra, arrebataram o meu coração. Confesso que não gostei tanto da única vez que o ouvi cantar em português, coisa inaudita, pois acontece o contrário na grande maioria dos cantores nacionais. Ainda assim, isso não chega para desistir de acreditar que ainda vamos ouvir falar dele. 



3. Lúcia Vicente - Equipa Fernando

Aqui temos um caso de insucesso no ano passado, pois não conseguiu virar nenhuma cadeira em 2021. Em 2022, virou quatro. A evolução foi notória e a passagem à próxima fase do concurso totalmente merecida. Cantou a difícil canção "Rise Up" de uma forma segura, afinada e com escolhas de melodias muito interessantes e que fugiram às óbvias. Interessante, para dizer o mínimo. 



4. Rita Sales - Equipa Carolina

A Rita trouxe uma canção de António Variações que resume bem a alma de todos os verdadeiros artistas, com uma insatisfação, por vezes incompreensível, uma sede de querer o que não se tem, de ir onde não se está. A actuação fez virar quatro cadeiras, mas permitiu também mostrar um pouco da sua irreverência e estilo próprio. E não falo só do visual, mas da sua veia artística. 



 5. Rita Serrano - Equipa Bárbara

Esta temporada foi das divas, que cantam nas horas, aquelas canções que só estão ao alcance de alguns pouco privilegiados. É o caso da Rita Serrano, que fez um brilharete e me encantou com os seus graves lindos e o seu estilo claramente soul e R&B. Não é à toa que foi uma das finalistas da Bárbara, juntamente com a Margarida Rodrigues. 



 6. Martim Helena - Equipa Carlão 

Este menino teve uma Prova Cega totalmente inusitada e confesso que não entendi muito bem o motivo. Mas a verdade é que foram feitas quatro Provas Cegas depois da ronda normal, onde só o Carlão estava presente e poderia escolher um elemento desses quatro. Foi aí que ouvimos o Martim pela primeira vez com um tema de António Zambujo que conquistou o seu mentor. Tem um timbre especial e marcante e, apesar de serem óbvias as suas influências musicais, consegue colocar um cunho pessoal na interpretação dos temas. Chegou à final com todo o mérito e penso que ainda vamos saber mais sobre este jovem. 



7. Beatriz Silva - Equipa Fernando/Carolina

Dá para acreditar que esta miúda se apresentou na Prova Cega com uma música de Lena d'Água? Essa foi a minha primeira surpresa, a segunda foi perceber que ela cantava nas horas e que tinha muita personalidade e garra. Fez um percurso incrível no programa, tendo começado com o Fernando Daniel, único que virou a cadeira, mas nas batalhas, ao não ser escolhida pelo mentor para seguir para as galas, conquistou o seu lugar e a mentora Carolina Deslandes. 



Quanto à vencedora, também se tratou de um regresso da temporada anterior. Maria Gil pertenceu à Equipa da Marisa, tendo ficado para trás nas Batalhas. E não ficou por ali por falta de talento, mas porque tinha a seu lado os finalistas Aurora e Nuno, que impediram que continuasse a brilhar. Mas será isso sinal que a temporada anterior tinha talentos mais fortes do que esta? Que a fasquia não estava tão elevada e permitiu que a Maria fizesse o seu caminho até à final sem grandes sobressaltos? Isto sem diminuir o seu talento nem as suas qualidades artísticas. Estamos perante uma cantora incrível, disso não tenho qualquer dúvida. 


Top 7 Provas Cegas - The Voice Kids Portugal | Season 3

Polémicas à parte, a verdade é que o mentor Fernando Daniel conquistou a sua segunda vitória consecutiva no The Voice Kids Portugal e deve estar nas nuvens. O factor de ter sido concorrente em tempos e ter vivido a experiência do outro lado acredito que seja muito forte e lhe proporcione com competências superiores. Isto sem esquecer o cantor extraordinário que é e com muito para ensinar aos seus meninos. Agora conta-me o que achaste desta nova edição? Qual a tua Prova Cega favorita? Estás de acordo com a escolha da vencedora? Espero pelas tuas opiniões nos comentários! 


Vê também o meu Top 7 das edições anteriores: 

Season 2

Season 3

Season 4

Season 5

Season 6

Season 7

Season 8

Season 9

Kids Season 2

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