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quinta-feira, 28 de outubro de 2021

#Séries - Lúcifer | Season 5 - 6

 

#Séries - Lúcifer | Season 5 - 6

Eis que finalmente e depois de muitos percalços e desvios, nos chegaram as últimas temporadas de Lúcifer. Depois da quinta temporada ter ficado a meio por demasiado tempo, foi com ânsias que devorei o final da mesma e roí as unhas enquanto esperava pela sexta que prometia apresentar o final da série. As expectativas eram muito altas, pelo brilhantismo da história que nos vem sendo contada desde o primeiro episódio, pelo elenco soberbo e porque é impossível não ficar envolvido por esta combinação explosiva. 


Começo por dizer que adorei a aparição física e sem sentidos dúbios ou possíveis mal entendidos de Deus, enquanto pai de Lúcifer, Amenadiel e todos os restantes anjos, bem como, da humanidade. A sua tentativa de colocar a casa em ordem e resolver os conflitos entre os seus filhos é uma grande empreitada e a sua visita estende-se por vários episódios, dando nos a oportunidade de assistir à tentativa de aproximação com Lúcifer e a admissão dos seus erros e falhas enquanto pai. Quase como mais uma prova de que nós, humanos, fomos realmente criados à imagem e semelhança de Deus. 


Podes ler também a minha opinião sobre as temporadas anteriores de Lúcifer 


A batalha final da quinta temporada é épica e, não fosse o gancho deixado em aberto no seu final, teria sido uma forma para cima de espectacular de terminar a série. A luta que coloca anjos contra anjos, na defesa do seu candidato para substituir o pai, é mesmo especial e empolgante. Isto sem esquecer o papel fundamental da Maze, com os seus irmãos demónios, e de Chloe e da sua viagem inacreditável durante a batalha. 


#Séries - Lúcifer | Season 5 - 6

O início da sexta temporada é um tanto ou quanto estranho, transmitindo uma sensação de quebra perante o ritmo que sentimos no final da anterior. O novo anjo a quem somos apresentados introduz um clima de mistério muito interessante e renova o vigor da série, mas é importante não esquecer nem subestimar alguns dos personagens, considerados secundários, que acompanhamos desde o início. Falo da Linda, a psicóloga mais icónica da História da Humanidade, depois de ter sentado no seu sofá o Diabo em pessoa e o próprio Deus. Isto para não falar de que teve um filho de um anjo e foi torturada pela Deusa da Criação. 


Podes ver ainda a minha opinião sobre Gambito da Dama 


Depois a fofinha da Ella, que tinha em torno de si a dúvida sobre se algum dia saberia a verdade sobre os seus amigos. Independentemente de saber ou não, comprova-se que é nela que reside a voz da razão, consubstanciada na sua fé imensa e profunda, aliada a uma empatia e sensibilidade acima da média. Por outro lado, o pouco destaque dado à Trixie deixou toda a gente triste e eu não sou a excepção. Penso que existiram alguns momentos-chave onde a filha de Chloe tinha de estar presente. Isto para não falar que não existiu um momento onde a menina diz claramente que sabe a verdade, algo que podemos intuir obviamente mas, ainda assim, teria sido bonito de ver. 



Ao contrário do que tenho ouvido, confesso que não estava a ver para onde a história estava a caminhar e a dada altura até me senti meio perdida e inquieta. Inquieta por temer que fossem tocar algo sem sentido e pouco credível, mas a verdade é que o final foi muito coeso e de facto faz sentido, tendo em conta o que sabemos sobre cada um dos protagonistas. As saudades já são muitas e agora só me resta ganhar coragem para ver se me dedico a ler A Divina Comédia e Paraíso Perdido.


Agora conta-me tudo: já viste as últimas temporadas? O que achaste deste final? Ficaste satisfeita? 

terça-feira, 26 de outubro de 2021

#Livros - Como Vento Selvagem, de Sveva Casati Modignani

 

#Livros - Como Vento Selvagem, de Sveva Casati Modignani

Sinopse

Mistral Vernati, o grande campeão de Fórmula Um, está em coma no hospital, depois de um terrível acidente na pista de Monza. Enquanto Mistral luta pela vida, uma pequena multidão de personagens move-se à sua volta, com motivações diversas e nem sempre confessáveis. Maria, a companheira, o seu primeiro e único amor; a mãe, que nunca conseguiu compreender as suas opções de vida, mas para quem ele era a sua razão de viver; Chantal, a mulher que nunca o libertou de um casamento falhado, e que mesmo naquele momento dramático só pensa em arruiná-lo; os filhos, Manuel e Fiamma. Entre recordações e segredos, descobriremos a verdadeira história de Mistral e Maria. 


Sveva Casati Modignani apresenta-nos uma história tão romântica quanto dolorosa, dando vida a figuras inesquecíveis que animam a soberba intriga deste romance.


Opinião

Depois da primeira experiência com esta autora, no ido ano de 2018 com o livro O Regresso da Primavera, só agora voltei a ter contacto com a sua escrita. Não aconteceu mais cedo porque, apesar de ter apreciado, não me arrebatou ao ponto de me fazer querer ler tudo o que escreveu. Por um lado, a minha carteira agradece, que isto não há dinheiro que chegue para tudo o que gostaria de ter e de ler ou reler. Contudo, isto não quer dizer que não seja com prazer que tenho lido os romances desta autora italiana que é tão popular entre nós, portugueses. 


Sveva escreve de forma brilhante, cria personagens interessantes e complexas, além de que constrói narrativas que nos prendem verdadeiramente. Para mim, não tem sido uma experiência de leitura compulsiva como me acontece com outros livros, mas, ainda assim, é um prazer acompanhar o que nos quer contar. Para terminar estas impressões gerais sobre a autora, devo dizer que, depois de ter lido dois livros, não fiquei de todo com a sensação de estar a ler mais do mesmo e penso que voltarei, assim que possível, a ler mais obras desta autora. 


Podes ler também a minha opinião sobre No teu olhar


Posto isto, vamos falar sobre este mundo tão peculiar que a autora nos apresenta neste livro. Afinal de contas, não é habitual sermos apresentados ao universo da Fórmula 1, das corridas alucinantes e dos níveis de adrenalina tão altos. Somos apresentados ao Mistral praticamente na pista e somos espectadores do acidente que vai permitir conhecer e desvendar os mistérios em torno do passado de ambos os protagonistas. 


"Sobretudo, Raul era movido pela admiração e pelo afeto que tinha por Mistral e pelo sentimento de culpa que experimentava ao sabê-lo em perigo de vida."


O facto de nos ser contado o passado e o presente de forma alternada imprime um ritmo muito interessante à narrativa e prende a atenção do leitor de um jeito muito particular. Depois do acidente, o foco vai alternando entre as várias pessoas que estão ao redor de Mistral sendo destacada a ligação que os une, bem como o passado de cada um. Por exemplo, o passado da mãe de Mistral é contado, mesmo antes do nascimento do filho, e com uma abertura que nos permite ver os seus pensamentos e o que sentiu em determinadas situações da sua vida. 


Podes ler ainda a minha opinião sobre A Praia das Pétalas de Rosa


Alguns dos que contribuíram para a carreira de Mistral também são apresentados de forma mais pormenorizada, nomeadamente o papel que tiveram no seu crescimento enquanto mecânico, piloto e amante de motores. Depois, temos o foco na sua companheira, Maria, que o conhece desde sempre, dado que cresceram na mesma localidade, e que tem uma história de vida arrebatadora e muito mais cheia de adrenalina que a do piloto que corre a altas velocidades. 


"(...) tu és o Mistral, tens dentro de ti o vento selvagem da minha Provença. Agora queres que toda a gente acredite que ele partiu e se transformou numa doce brisa que sopra sobre ti e sobre os teus afetos."


Maria foi o primeiro amor de Mistral e ele o seu, embora tenham de se ter desencontrado e viver outras histórias, algumas trágicas ou simplesmente tristes, para se poderem reencontrar e perceber a importância que tinham um para o outro. Parece uma simples história de primeiro amor perdido e reencontrado, colocado num cenário invulgar, mas é muito mais que isso. Tem mistério, crime, máfia, tragédias e revelações inesperadas. 


Portanto, foi um livro muito envolvente e que me voltou a deixar a certeza tranquila de que iria voltar a encontrar esta autora e quer-me parecer que irei voltar a gostar da experiência de leitura. Costumas acompanhar o trabalho de Sveva Casati Modignani? Já leste este? Qual o teu favorito da autora? Conta-me tudo nos comentários. 


Podes encomendar o teu exemplar através dos links abaixo, sem custos adicionais para ti, e assim contribuir para as próximas leituras deste blog


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quinta-feira, 21 de outubro de 2021

#Decoração - 8 Ideias para Reciclar Rolhas de Cortiça

 

#Decoração - 8 Ideias para Reciclar Rolhas de Cortiça

Já se passaram uns meses desde que vim aqui falar de Decoração, voltada para a sustentabilidade e para a reciclagem de produtos que, regra geral, vão parar ao caixote do lixo. É algo que gosto muito de ver no Pinterest, por exemplo, e onde me surgem as ideias mais incríveis e que procuro que sejam simples. No entanto, para que os mais habilidosos não se sintam excluídos, tento encontrar um equilíbrio entre as propostas mais simples e as mais complexas. 


Hoje, vamos ver algumas ideias para reciclar rolhas de cortiça que todos temos em casa. Algumas costumo guardar para quando sobra vinho e preciso guardar no frigorifico, mas a verdade é que sobram muitas que acabam por ir para o lixo mesmo. Também te acontece o mesmo? Assim sendo, vamos às ideias propriamente ditas:


1. Pousa-Copos

Esta é bem original e torna-se num toque muito elegante em qualquer mesa. Aliás, foi o mote que me fez pesquisar por outras ideias e decidir o que poderia fazer, sem necessitar de muita habilidade, para reaproveitar as rolhas cá de casa. 


#Decoração - 8 Ideias para Reciclar Rolhas de Cortiça | Pousa Copos

#Decoração - 8 Ideias para Reciclar Rolhas de Cortiça | Pousa Copos

2. Quadro de Recados

Nunca me teria passado pela cabeça, mas esta é das ideias mais incríveis e que faz muito sentido. Afinal, se compramos quadros de cortiça, porque não fazer um? A mim parece-me espectacular. 


#Decoração - 8 Ideias para Reciclar Rolhas de Cortiça | Quadro de Recados

#Decoração - 8 Ideias para Reciclar Rolhas de Cortiça | Quadro de Recados

3. Tapete de Banho 

Quem se lembraria de ter um tapete de banho feito com rolhas de cortiça? É inesperado mas muito interessante, sem dúvida. Eras capaz de fazer? 


#Decoração - 8 Ideias para Reciclar Rolhas de Cortiça | Tapete de Banho

Podes ver também 7 Ideias para Decorar com Pneus Velhos


4. Espelho

Mais uma solução que nunca me tinha ocorrido. Espelhos decorados com rolhas de cortiça é algo inesperado mas encontrei opções muito engraçadas e que dão um toque único a qualquer ambiente. 


#Decoração - 8 Ideias para Reciclar Rolhas de Cortiça | Espelho

5. Candeeiros 

E que dizer de colocar rolhas de cortiça nos candeeiros? Nunca me passaria pela cabeça, mas parece-me muito interessante para os mais arrojados e também para os mais talentosos. 


#Decoração - 8 Ideias para Reciclar Rolhas de Cortiça | Candeeiro

#Decoração - 8 Ideias para Reciclar Rolhas de Cortiça | Candeeiro

6. Mesa

Aqui confesso que não tenho condições de me meter num empreendimento destes, mas adorava. Acho a ideia incrível e desafio-te a pores em prática e me enviares porque adorava ver esta sugestão em particular a ser feita por um de nós. És capaz? 


#Decoração - 8 Ideias para Reciclar Rolhas de Cortiça | Mesa

Podes ver ainda como Reciclar Gavetas Velhas


7. Base para quentes

Também adorei esta sugestão e acho que também fica muito bonito, além de ser verdadeiramente prático para qualquer cozinha que se preze. Em vez de comprar, vamos fazer a nossa base para quentes. 


#Decoração - 8 Ideias para Reciclar Rolhas de Cortiça | Base para quentes

#Decoração - 8 Ideias para Reciclar Rolhas de Cortiça | Base para quentes

8. Porta Retratos

Esta talvez seja a mais simples e, ainda assim, é muito original e parece-me uma ideia gira para oferecer ou para colocar nos nossos escritórios, por exemplo. Onde achas que ficava bem um porta retratos destes? 


#Decoração - 8 Ideias para Reciclar Rolhas de Cortiça | Porta Retratos

#Decoração - 8 Ideias para Reciclar Rolhas de Cortiça | Porta Retratos

Gostaste destas ideias para reciclar rolhas de cortiça? Qual a tua favorita? Vais te aventurar a fazer alguma?

terça-feira, 19 de outubro de 2021

#Livros - A Idade da Inocência, de Edith Wharton

 

#Livros - A Idade da Inocência, de Edith Wharton

Sinopse

A Idade da Inocência é um livro intemporal sobre as complexas relações entre as tradições da sociedade e os desejos individuais. 

Fresco magistral do desejo e da traição da elite de Nova Iorque no final do século XIX, este romance acompanha a história de um homem confrontado com uma decisão dilacerante: ou define a sua vida com coragem ou arruína-a sem misericórdia. 

Com maturidade, Edith Wharton pretende compreender os valores que guiaram a sociedade dos Estados Unidos até à Primeira Guerra Mundial, para então saudar a nova era que se iniciava, e presentou-nos com um romance despiedado e profundamente actual. 


Opinião

Depois de ler a opinião da Melanie, não resisti a deixar este menino mais tempo na estante sem o ler. Era, de facto, uma vergonha, mas a verdade é que nunca me prendeu a atenção tempo suficiente para perceber o seu potencial e o que realmente se escondia nas suas páginas. Ainda bem que decidi pegar nele e fazê-lo galgar posições na lista de espera, porque esta viagem é fascinante. 


Tudo começa na Nova Iorque do final do século XIX, onde somos apresentados a uma sociedade absurdamente tradicionalista, tendo em conta que estamos no Novo Mundo. A alta roda é ainda regida por valores e preconceitos enraizados e dados como essenciais para distinguir a verdadeira nata dessa sociedade dos recém-chegados que procuram corromper o que acham que está certo. É um conflito latente e que procura separar o trigo do joio, numa luta inglória contra a modernidade inevitável. 


Podes ler também a minha opinião sobre Romeu e Julieta


O início do livro é um tanto ou quanto confuso porque são muitas personagens a serem introduzidas em simultâneo. Basta pensar que a trama se inicia na Ópera, onde está presente toda e qualquer pessoa que mereça ser considerada como alguém de quem se fala e com quem se quer privar. São nomes, atrás de nomes, que fica difícil reter e identificar logo quando voltam a aparecer mais tarde. Tanto que, nas primeiras páginas, não fica logo claro para onde se encaminha a história e quem são os verdadeiros protagonistas, os que é importante seguir desde a primeira linha. 


"Mas como é que tantas gerações de mulheres entre os seus antepassados tinham sido encerradas em jazigos vendadas? Estremeceu ao recordar algumas das novas ideias dos seus livros científicos, e o exemplo tão mencionado do peixe da caverna de Kentuky, que deixou de desenvolver olhos porque não os usava."


Então, o encontro na Ópera de Nova Iorque é onde somos apresentados ao triângulo amoroso que vai surgir ao longo dos capítulos e determina a diferença entre as duas mulheres que o compõem e que evidenciam o conflito interior do nosso protagonista, Newland, entre as tradições da sociedade onde sempre viveu e cresceu, e a visão tentadora da modernidade que consegue vislumbrar nos livros que recebe vindos do outro lado do Atlântico e das suas viagens ocasionais. 


Podes ler ainda a minha opinião sobre O Monte dos Vendavais


Posto isto, parece-me justo dizer que Newland é um homem dividido entre dois tempos, duas formas de viver e de pensar, com um desejo enorme de abraçar essa modernidade que lhe faz sentido, mas ainda com imensas amarras às tradições e ao seu mundo familiar e cómodo, onde sabe exactamente o seu papel e o que esperam de si. As mulheres que o dividem são a sua noiva, May, uma menina linda e inocente, totalmente enquadrada na sociedade onde circulava e talhada para se tornar na esposa que um homem bem estabelecido precisa, e a prima desta, recém-chegada da Europa, separada do marido e que promete escandalizar Nova Iorque. 


"Não tinha motivos para tentar emancipar uma esposa que não tinha a mais remota noção de que não era livre; e já havia tempo que tinha descoberto que o único uso dessa liberdade que May supunha possuir seria depositar a referida liberdade no altar de adoração da esposa."


Torna-se numa leitura voraz porque passamos o tempo a tentar perceber que decisão irá tomar o protagonista, se segue as convenções ou o seu coração. O livro é escrito de forma magistral, num estilo muito próprio, e que nos envolve de uma forma absoluta. De ressalvar ainda que estamos perante o livro que permitiu a Edith Wharton receber o seu Prémio Pulitzer, tornando-se na primeira mulher a conseguir alcançar este feito literário e que lhe granjeou um lugar confortável como uma das melhores escritoras norte-americanas de todos os tempos. 


Portanto, só te posso recomendar este livro, porque vale mesmo a pena conhecer a autora, as personagens e a Nova Iorque que ela nos apresenta. Já conheces a autora? O que achas do livro? E já agora, viste o filme? 


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quinta-feira, 14 de outubro de 2021

#Filmes - Snu

 

#Filmes - Snu

Sinopse

Snu é dinamarquesa e a fundadora da editora D. Quixote, publicando livros que desafiam a censura do Estado Novo. Francisco é um dos mais carismáticos políticos portugueses. Ambos são casados. Ele tem cinco filhos e ela tem três. 


Snu Abecassis conhece Francisco Sá-Carneiro no dia 6 de Janeiro de 1976. Apaixonam-se irremediavelmente e decidem assumir esse amor num Portugal em plena reconstrução das cinzas do fascismo, abalando as convenções nacionais. Partilham valores e ambição, lutam juntos pela democracia e pela liberdade, deixando a sua marca na política e na sociedade. 


Morrem tragicamente em 1980, protagonizando uma das grandes histórias de amor do século XX. 


Opinião 

Desde que este filme foi anunciado que queria muito vê-lo. Na altura, não me foi possível ver no cinema e nunca mais o encontrava disponível pelas vias alternativas. Enfim, foi em 2021 que consegui ver com os meus olhos como se saiu Inês Castel-Branco como Snu, sobre quem tinha umas expectativas muito elevadas, e para constatar de que forma abordaram esta história de amor tão icónica de Portugal no século XX. 


Posso começar pela interpretação da Inês que está só sublime. Ela é linda de morrer, todos sabemos, mas conseguiu encarnar a personagem com um bom gosto e um claro respeito pela mulher a quem estava a dar vida. Consegue transmitir a força da personalidade de Snu, a intensidade dos seus sentimentos, sem esquecer a sua importante origem nórdica que lhe conferia uma camada mais gélida no trato. 


Podes ler também a minha opinião sobre Grace do Mónaco


A fotografia é linda e de extremo bom gosto também, o elenco é de luxo, para dizer o mínimo, o figurino é espectacular, bem como a cenografia, que nos consegue transportar na perfeição para os anos loucos do pós revolução. Apesar de ter algum conhecimento sobre a época em questão e sobre os protagonistas desses tempos, houve momentos em que senti dificuldade em perceber quem eram alguns personagens mais fugazes e com participações mais curtas. Mas, como não existem muitas informações explícitas sobre quem é quem, imagino que os mais distraídos ou os mais jovens, tenham tido dificuldades maiores nesse campo. 


#Filmes - Snu

O Pedro Almendra foi uma agradável surpresa e o trabalho que fez é impressionante porque, na larga maioria do filme, só via Francisco Sá-Carneiro e não o actor a desempenhar um papel. As montagens onde se alterna imagens de arquivo com o verdadeiro Sá-Carneiro são espectaculares e os momentos em que era mais fácil perceber as diferenças físicas entre os dois. A química entre os dois protagonistas também resultou muito bem e, mesmo sem cenas íntimas, a intimidade e cumplicidade do amor que pretendiam retratar foi passada na perfeição. 


Podes ler ainda a minha opinião sobre Variações


É importante que esta história de amor, coragem e verdade seja contada para que os mais novos saibam quem foram estas pessoas essenciais da nossa História. É fascinante saber que existiu um homem que colocou a verdade dos seus sentimentos à frente da sua carreira política, não aceitando negar ou viver o seu amor às escondidas para alcançar o poder mais facilmente e com menos percalços. Por outro lado, é inspirador saber que, apesar destas circunstâncias pessoais, o Portugal conservador dos anos 70 foi capaz de votar neste homem e elegê-lo como Primeiro-Ministro. 



Além disso, ao ver este filme e conhecer o destino trágico das personagens, é inevitável pensar que Portugal teríamos hoje se o acidente não tivesse acontecido e se lhes tivesse sido permitido construir o país com que sonhavam. Por causa do filme, agora só quero saber mais sobre Snu e Francisco e quero muito ler Snu e a Vida Privada com Sá Carneiro, só para começar a descobrir o percurso dos dois e a solo de cada um. 


Tiveste os mesmos pensamentos com este filme? O que achaste da forma como foi contada a história e como foram retratadas estas personalidades icónicas? 

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