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sexta-feira, 31 de janeiro de 2020

Desafio de Escrita dos Pássaros #2.1 - Acho que a coisa não vai correr bem


Desafio de Escrita dos Pássaros #2.1 - Acho que a coisa não vai correr bem

Quando sentes que algo não vai correr bem, o mais provável é que isso aconteça de facto. Não sei se será pela lei da atracção ou por termos um instinto que não compreendemos mas que nos alerta para quando alguma coisa está errada. Aquela história de quando há fumo, há fogo talvez seja um caso prático disto que falo. O problema é que o fumo nem sempre é visível a olho nu. 

Existem momentos e situações em que precisamos usar outros sentidos para além dos óbvios, como é o caso da visão. Nem sempre a verdade está na frente dos nossos olhos, ao alcance dos nossos dedos. Acontece que a verdade se esconda nas sombras e se mantenha misteriosa. Só que os sinais aparecem e só precisamos de estar atentos para os compreendermos e assimilar. 

Neste exacto momento em que te escrevo é isso que estou a tentar fazer. Fecho os olhos e procuro entender os sinais que se encontram subtilmente a pairar e me escapam por entre os dedos sempre que tento agarrá-los. No fundo sei que isto não vai mesmo correr bem, mas continuo à espera que me provem o contrário. Hoje, ainda não foi o dia. Será amanhã? 

Se ainda não leste os temas da primeira temporada, podes encontrar tudo aqui.

quinta-feira, 30 de janeiro de 2020

#Filmes - Dois Papas


#Filmes - Dois Papas

Sinopse

Buenos Aires, 2012. O cardeal argentino Jorge Bergoglio está decidido a pedir a sua aposentadoria, devido a divergências sobre a forma como o papa Bento XVI tem conduzido a Igreja. Com a passagem já comprada para Roma, ele é surpreendido com o convite do próprio papa para visitá-lo. Ao chegar, eles iniciam uma longa conversa onde debatem não só os rumos do catolicismo, mas também afeições e peculiaridades da personalidade de cada um.

Opinião

Este filme da Netflix andava nas bocas do mundo e deixou-me tão curiosa que tive mesmo de ir ver. Ainda por cima, tem o brilhante Anthony Hopkins como Bento XVI o que, por si só, já seria argumento suficiente para eu querer ver o filme. Até porque esse papa em particular não é propriamente simpático e, portanto, estava mesmo curiosa para ver o que este actor teria feito com este papel tão complicado.

Primeiro, tenho que admitir que este não será um filme do agrado de toda a gente. Pessoas com uma visão dogmática sobre a religião católica e a própria Igreja não vão apreciar, bem como malta que gosta de filmes de acção. Este é um filme focado sobretudo nos diálogos entre dois homens idosos, que a fé une mas que tudo o resto separa.

Podes ver também a minha opinião sobre Variações

O foco está no papa Francisco, até porque é o verdadeiro protagonista e o herói da história, seja na versão actual como no jovem que era apaixonado e esteve quase para casar, até que percebeu que o seu caminho passava pelo seminário. Muito se tem falado da actuação de Pryce, mas o actor que interpreta o jovem Jorge também é fantástico.

#Filmes - Dois Papas

A caracterização dos personagens é tão bem feita que, por vezes, temos a sensação de estar a ver os papas reais, o que é um feito incrível tendo em conta que estamos a falar de personalidades conhecidas em todo o mundo. Outro pormenor revelador que não estamos perante um filme produzido em Hollywood é a variedade de línguas faladas ao longo do filme. Claro que o inglês está muito presente, mas o espanhol é falado nos momentos certos para transmitir a veracidade dos acontecimentos narrados e dos locais onde é passada a narrativa.

Podes ver ainda a minha opinião sobre Moulin Rouge

Na minha opinião, a melhor parte deste filme são mesmo os diálogos, e olha que estamos perante um filme com muito diálogo mesmo. São conversas incríveis que nos fazem pensar até que ponto terão mesmo acontecido e de que modo se terão passado esses encontros. Gostei tanto que assim que acabou fiquei com vontade de voltar ao início para rever algumas das conversas fantásticas e tenho a certeza que irei mesmo rever este filme daqui por uns tempos.

Apesar de ser um filme sobre figuras solenes e com um mito associado, encontramos bom humor e muita picardia nas suas interacções ao longo de todo o filme. E a minha parte favorita será sempre o momento em que temos um papa argentino e um papa alemão a assistir à final da Copa do Mundo entre os seus dois países. Delicioso, meus amigos.

Agora só me falta deitar as mãos ao livro, Dois Papas, que serviu de inspiração para a criação deste filme. Será igualmente interessante? Ou ainda mais? Quem já viu o filme ou leu o livro? Conta-me tudo nos comentários! 


quarta-feira, 29 de janeiro de 2020

#Livros - Imortal, de José Rodrigues dos Santos


#Livros - Imortal, de José Rodrigues dos Santos

Sinopse

Um cientista chinês anuncia de surpresa o nascimento de dois bebés geneticamente modificados. Logo a seguir é raptado. A imprensa internacional interroga-se, os serviços secretos mexem-se. 

Tomás Noronha é interpelado em Lisboa por um desconhecido. Pertence à agência americana de tecnologia, DARPA, e revela-lhe um projecto secreto inspirado no Homem Vitruviano, de Leonardo da Vinci. 

De repente, o apartamento onde ambos se encontram explode e o metro para onde fogem sofre uma colisão mortífera. O mundo parece enlouquecer e Tomás torna-se testemunha do maior acontecimento da história da humanidade. 

Transcendência. 

A nova aventura do grande herói das modernas letras portuguesas mostra-nos o momento em que a máquina supera o homem. A Singularidade. 

Estará a humanidade à beira do fim? 
Ou perante um novo início? 

Baseado na pesquisa científica mais avançada, José Rodrigues dos Santos mostra-nos como a ciência está perto do seu maior feito: acabar com a morte. 

Como viver para sempre.

Imortal traz-nos o escritor favorito dos portugueses no apogeu do seu imenso talento. Uma aventura de cortar a respiração que nos desvenda o extraordinário destino da humanidade. 

Opinião

Finalmente pus as mãos em cima do último livro de José Rodrigues dos Santos e devorei o dito em três ou quatro dias de tão bom e interessante que é. Embora ler este autor seja sempre como ter uma aula particular, desta vez os assuntos científicos são tão profundos que requerem alguma atenção redobrada durante a sua leitura. Não por falta de interesse, bem pelo contrário, mas porque os termos técnicos são mais que muitos e eu sou uma leiga nessas coisas da ciência.

Todo o livro gira em torno dos progressos alcançados devido à evolução da Inteligência Artificial e nas consequências que esses avanços trazem e irão trazer para a Humanidade. Afinal, estamos perante uma revolução que afecta todas as vertentes das nossas vidas e da nossa forma de estar. Aliás, estamos perante algo que altera tudo o que conhecemos e tudo o que damos por garantido agora.

Podes ler também a minha opinião sobre Origem, de Dan Brown

O mistério começa com o cientista chinês que, após fazer uma revelação bombástica e reveladora da posição da China no assunto da Inteligência Artificial, é raptado e o seu paradeiro é desconhecido do resto do mundo. Depois deste prólogo, a narrativa segue e alterna-se entre o nosso já conhecido Tomás Noronha e o próprio cientista misterioso.

"Lá diz o ditado, por vezes encontramos o destino no sítio que mais queremos evitar."

Assim sendo, os acontecimentos alternam-se entre a nossa Lisboa e a vigiada China, com toda a tecnologia posta ao serviço do Governo para controlar os seus habitantes e até os turistas. É um contraste absoluto e até chocante de observar e que nos faz pensar nos riscos de permitir o uso intensivo de câmaras e telemóveis que nos identificam pelo rosto, pelas impressões digitais ou pelos dados pessoais.

Podes ler ainda a minha opinião sobre a biografia de Leonardo da Vinci

Pelo meio da aula particular sobre estas novas tecnologias que todos os dias são desenvolvidas a um ritmo que nenhum ser humano consegue acompanhar na totalidade, segue-se uma perseguição digna de um filme de James Bond que coloca Lisboa em estado de sítio de uma forma difícil de imaginar, tão pacífica é a nossa capital. Aliás, no final deste livro, fiquei novamente com a sensação que o azar do nosso autor é ser português, porque se isto fosse escrito por um autor americano ou britânico já teriam sido comprados os direitos e teríamos uma série de filmes sobre o Tomás Noronha.

"Na corrida à inteligência artificial, man, toda a gente sabe que a América inventa, a China copia e a Europa regula. A inovação não existe na Europa. Qualquer génio europeu tem de emigrar para a América para apostar na inovação pois aqui não consegue fazer nada de nada, tantas são as restrições e os desencorajamentos." 

Devo dizer que esta foi uma leitura fascinante, mais do que pelas aventuras e acontecimentos pouco típicos de Portugal, mas por explorar o futuro da Humanidade de uma forma que discutimos muito pouco, sempre com o pensamento de que essa realidade será numa futuro distante e que não nos afecta. A verdade é que esse futuro está a acontecer neste momento, sem que nos apercebamos, e não nos é incutida nenhuma consciência das consequências dos nossos actos.

Já leste o novo livro de Rodrigues dos Santos? O que achaste de Imortal? 

Podes encomendar o teu exemplar na Wook, com 10% de desconto imediato. 

Outros livros de José Rodrigues dos Santos com opinião publicada: 


A Ilha das Trevas
O Codex 632
Anjo Branco
O Homem de Constantinopla
Um Milionário em Lisboa
A Mão do Diabo
Vaticanum
As Flores de Lótus
O Pavilhão Púrpura
O Reino do Meio
Sinal de Vida
A Amante do Governador

terça-feira, 28 de janeiro de 2020

#Séries - Os Tudors


#Séries - Os Tudors

Sinopse

Os Tudors é uma série televisiva que recria os primeiros e tumultuosos anos do reinado de Henrique VIII da Inglaterra. Paixão, ambição e traição transformam-se no fio condutor deste drama televisivo, que mostra um Henrique VIII muito diferente do que aparece nos livros de História. Jovem, atraente e poderoso, mostra-se um rei da Inglaterra capaz de grandes proezas atléticas. Sem dúvida alguma um monarca que não colocava os assuntos de Estado entre as suas prioridades e que sempre deixava os problemas oficias nas mãos do Cardeal Thomas Wolsen. 

Para aqueles próximos de Sua Majestade, satisfazer o rei era uma faca de dois gumes. Henrique VIII era até mesmo capaz de desafiar a instituição mais poderosa da Europa medieval: a Igreja Católica Romana. Também era conhecido por mandar executar os seus súbditos diante da mínima demonstração de insubordinação. 

Filmada na Irlanda, a trama desta produção desenvolve-se na Inglaterra, nos dez primeiros anos do reinado de Henrique VIII. Um reinado que se iniciou em 1509, quando ele tinha apenas 19 anos de idade. Além de mostrar as alianças políticas mais significativas do monarca, a série gira em torno das companheiras femininas do rei: Catarina de Aragão e Ana Bolena. Também é dado destaque à particular relação que o rei mantinha com Charles Brandon, o Cardeal Wolsey e o filósofo Thomas More. 

Opinião

Ainda a terminar as coisas que vi e que li em 2019, tenho de falar da série Os Tudors, que terminei em Dezembro, mas sobre a qual ainda não tinha dito nada por aqui. E acredita que não faltam coisas para dizer sobre esta série incrível, onde nem as falhas de rigor histórico causam impacto na qualidade do enredo. Claro que o período histórico que retrata contribui muito para alimentar o fascínio que nos transmite a cada novo episódio.

Tudo começa nos primeiros anos do reinado do famoso Henrique VIII de Inglaterra, quando o seu casamento com Catarina de Aragão já começava a acusar algum desgaste, sobretudo pela falta de um herdeiro varão para suceder ao trono. A linhagem Tudor era recém-chegada ao trono de Inglaterra e Henrique sabia da importância de ter um filho para lhe suceder e prosperar em tempos tão conturbados para quem usa a coroa inglesa.

Podes ver também a minha opinião sobre Grimm

A primeira temporada acompanha o final desse primeiro casamento e o início do romance com Ana Bolena, bem como todos os conflitos que aí começaram. De católico devoto e fiel ao Papa, Henrique transforma-se no maior protestante, criando toda uma nova religião para o seu país. Claro que este movimento dividiu a Inglaterra, sobretudo porque todos percebiam os reais motivos para a mudança de convicção do rei e a rainha Catarina era muito querida pelo seu povo.

#Séries - Os Tudors

A segunda temporada acompanha a ascensão e queda de Ana que termina com um novo casamento e com o tão esperado filho varão. Na terceira temporada, após ficar viúvo, somos apresentados à quarta esposa, enquanto que na último temporada, acompanhamos um rei cada vez mais velho e doente e acompanhamos o seu quinto e o seu último casamento.

Podes ver também a minha opinião sobre Suits

Devo dizer que o elenco de todas as temporadas é espectacular e repleta de talento, contando com grandes nomes e com interpretações inacreditáveis de tão boas. Jonathan Rhys Meyers faz um Henrique lindo de morrer que me transportou para os primeiros relatos do jovem príncipe que encantava e seduzia as mulheres ao seu redor. Aliás, estamos perante um actor tão bonito que, no processo de envelhecimento, ficou difícil colocá-lo com a imagem de homem doente, velho, gordo e feio. Pelo menos visualmente, porque o carácter pouco ético fica mais exposto a cada novo episódio, temporada atrás de temporada.

Todos já sabem a minha paixão por esta época da História da Inglaterra, e o quanto recomendo os livros de Philippa Gregory precisamente por nos transportar de uma forma brilhante para este período histórico, fazendo-nos sentir emoções e modos de viver tão distintos dos nossos na actualidade. Se andas perdido sem saber por onde começar e queres seguir os acontecimentos narrados na série, aconselho que comeces pelo Duas Irmãs, Um Rei e mergulhe neste universo fantástico.


Pela minha parte, não poderia recomendar mais esta série e só tenho pena que tenha chegado ao fim com a morte do monarca. Teria gostado muito de ter acompanhado os Tudors que se lhe seguiram, porque foram também fascinantes e polémicos. Também já viste esta série? O que achas dela? Que outras séries do género me aconselhas? 

segunda-feira, 27 de janeiro de 2020

A Banda Sonora da Semana #76


A Banda Sonora da Semana #76 com um livro sobre o Holocausto e música de Djavan

Bem, ainda me estou a recuperar deste último aniversário e a habituar-me à ideia de que fiquei mais velha e consciente do tanto que ainda tenho para fazer. O facto de ter estado a trabalhar ajudou a ocupar a mente e não ficar a pensar em coisas aborrecidas, e as folgas que agora se seguem chegam em boa hora para desanuviar a cabeça e procurar decidir o que precisa ser decidido. Que venha de lá mais uma semana, gente! 

Efemérides de 27 de Janeiro


Dia Internacional da Lembrança do Holocausto
1859 - Nasceu Guilherme II da Alemanha, imperador alemão e rei da Prússia. 
1949 - Nasceu Djavan, cantor e compositor brasileiro. 
98 - Morreu Nerva, imperador romano. 

A Banda Sonora da Semana #76 com um livro sobre o Holocausto e música de Djavan

Neste regresso ainda não tínhamos conversado sobre livros e, bem a propósito do Holocausto, a Wook lançou uma campanha de descontos numa série de obras sobre essa época que é essencial não esquecer para que os mesmos erros não se repitam diante dos nossos olhos. Como tal, deixo-te com um livro que muito quero ler, Se Isto é um Homem, sobretudo depois de ter visto o vídeo da Tatiana. Já leste alguma coisa do Primo Levi? 


E como ignorar o incrível Djavan? Fica com Eu Te Devoro para te acompanhar nesta semana. Qual a tua música favorito do brasileiro? 

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