terça-feira, 12 de julho de 2016

Ser Portugal - Somos Campeões!!!



Até parece mentira, mas desta vez o fado foi nosso e ditou a nosso favor. A Taça veio morar para Portugal, como tantos esperavam há tantos e tantos anos e como já merecíamos. Depois da desdita de 2004, sinto-me uma privilegiada por ter assistido a este momento em que uma nação tornou-se maior e se agigantou perante o mundo que a menosprezava. 

Quem segue pelo Facebook já sabe que este foi um fim de semana complicado em termos de tempo útil dedicado ao blog. Mas tenho a certeza que todos compreendem. Afinal, não é todos os dias que se joga uma final. A sensação que todos tivemos foi de que o país parou para apoiar a selecção e assistir ao jogo decisivo. O jogo que todos diziam não estar ao nosso alcance. Que não éramos suficientemente bons para lá estar.

A minha paixão pela selecção de todos nós começou no Euro 2000 e desde então que me apaixona, ainda mais que os clubismos, a forma como nos unimos em torno deste símbolo e procuramos a glória que nos escapa por entre os dedos. 

Fazendo contas, assisto aos jogos de Portugal à 16 anos e este foi o mais estranho e inesperado de sempre. Já assisti em casa, no café, em casas de amigos, em ecrãs gigantes. Já estive sozinha, em família, com amigos. 

No entanto, desta vez, além dos amigos, tivemos a companhia de um grupo de espanhóis. Conheciam-nos fazia poucas horas e, ao perceberem que íamos assistir ao jogo que todos falavam, perguntam se podem ver connosco. A malta alinhou um pouco a contra gosto, já antevendo as bocas foleiras que poderiam surgir. 



Não podíamos estar mais enganados. Posso dizer que faziam mais barulho que nós, que torceram e vibraram com cada jogada, que insultaram ainda mais os franceses mafiosos e os árbitros incompetentes. E ainda se mostraram genuinamente curiosos sobre uma série de pormenores sobre os jogadores e sobre o nosso futebol. 

Foi uma sensação terrível ver o nosso capitão sair lesionado, depois de uma jogada muito baixa dos franceses, que pensaram que arrumar o melhor do mundo era a melhor técnica para nos vencer facilmente. Não podiam estar mais enganados. A gana de vencer já era gigante depois da forma como fomos tratados pela imprensa francesa. Ainda ficou maior depois da injustiça e das lágrimas de frustração e impotência de quem queria tanto poder ajudar e se sentia impedido porque o corpo não deixava. 

Quando entrou o Éder também me senti céptica e pouco confiante na sua capacidade de ajudar ao jogo. Nunca me passou pela cabeça que seria decisivo. Não perco tempo a fazer críticas. Acho que enquanto portuguesa tenho de acreditar até ao fim e apoiar incondicionalmente. Porque ainda que tivessem perdido, estes são os melhores jogadores e mostraram a sua fibra. 

Aquele golo e a forma como foi festejado ali, portugueses e espanhóis, a uma só voz foi algo indescritível. E irrepetível, penso eu. Os minutos que se seguiram foram de ansiedade imensa. A Taça estava a roçar-nos os dedos e sentíamos que nos poderia fugir num segundo. O grande Patrício não deixou. E a festa que se seguiu foi História a ser escrita em frente dos nossos olhos. 

Do primeiro ao último jogo, a minha crença foi sempre a mesma. Este tinha tudo para ser o Europeu da nossa consagração. Depois de deixarmos fugir, em 2004, naquele que se jogou em nossa casa, só fazia sentido vencermos na casa da maior comunidade de emigrantes portugueses, em França. É a nossa segunda casa e por sermos sempre olhados com sobranceria pelos franceses, imagino o sabor redobrado de vitória que sentiram essas pessoas.

Aliás, quando terminou o jogo o único lugar onde gostaria de estar era em Paris. Lembrei-me dos meus tios, dos meus primos que lá vivem e da forma como se iria comemorar nas ruas, mesmo na cara dos franceses. 

Confesso que ainda me sinto embriagada pela conquista, mas os meus olhos já estão postos no Mundial de 2018 e só imagino o que ainda podemos fazer, as glórias que ainda podemos alcançar, o quanto ainda podemos surpreender o mundo. 

Parabéns a todos e obrigada. Muito obrigada! 

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