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domingo, 11 de janeiro de 2026

#Séries - And Just Like That | Season 3

 

Imagem do pôster da terceira e última temporada de "And Just Like That", mostrando Carrie, Miranda, Charlotte, Seema e Lisa caminhando juntas na passadeira em Nova Iorque, com arranha-céus ao fundo e um clima de elegância e amizade na cidade que nunca dorme.

Sinopse

A sinopse da terceira temporada de And Just Like That centra-se nos desafios e reviravoltas da meia-idade, com Carrie a lidar com um relacionamento à distância com Aidan e a explorar novos aspetos da sua vida pessoal. A temporada continua a jornada das personagens através da maternidade, redefinição de identidade e novas dinâmicas de amizade e amor, com a cidade de Nova Iorque como pano de fundo. 


Buy Me A Coffee

Opinião 

And Just Like That é a série que vem dar continuidade ao icónico O Sexo e a Cidade, recuperando as personagens principais numa Nova Iorque moderna e repleta de desafios contemporâneos. Desde a sua estreia, a série gerou discussões e dividiu os fãs, enquanto fala de representatividade, envelhecimento e mudanças sociais. A terceira e última temporada marca o encerramento oficial da narrativa, procurando oferecer aos fãs um desfecho emocionalmente significativo, fechando ciclos e reforçando as mensagens centrais que permeiam toda a trama. Assim, além de concluir as histórias de personagens queridos, velhos e novos, também celebra o legado duma série que marcou uma geração. 


Antes de começar a assistir, até antes de saber que seria o grande final desta nova série, as expectativas estavam condicionadas pelas tantas críticas, sobretudo no que diz respeito ao figurino da Carrie. O final da segunda temporada tinha despertado a curiosidade sobre como o casal Aidan e Carrie iriam lidar com um relacionamento à distância, com um prazo prolongado de cinco anos. Entretanto, quando percebi que seria a última temporada, esperava que aqui se consolidassem as histórias, oferecendo um encerramento digno para cada uma das personagens, ao mesmo tempo sem perder o charme, o humor e a reflexão da maturidade que marcaram esta nova série. Vistos os doze episódios, tivemos direito a surpresas, reviravoltas emocionantes e a um olhar mais profundo sobre o envelhecimento e as mudanças que a vida traz, tudo isso com a assinatura duma produção que combina nostalgia com uma abordagem moderna das questões contemporâneas. 


Podes ler também a minha opinião sobre a Season 1 


Nesta última temporada, os arcos dos personagens principais ganham novas nuances e aprofundamentos. Carrie Bradshaw enfrenta um momento decisivo tanto na sua carreira quanto no seu relacionamento, sem saber se pode ou não comunicar com o namorado, enquanto explora um novo estilo literário, que a deixa cheia de inseguranças e dúvidas. Miranda Hobbes passou por grandes transformações nas últimas temporadas, ao reconsiderar a sua identidade, o seu trabalho e a sua orientação sexual, procura agora equilíbrio entre independência, que sempre prezou, e encontrar alguém com quem dividir a vida. Charlotte York, por sua vez, continua dedicada à sua família e ao regresso ao trabalho na galeria, mas fica apavorada quando uma doença séria toca um dos seus e ameaça a sua imensa felicidade, que tanto lhe custou conquistar. 


Imagem de Carrie Bradshaw sorridente ao lado do novo vizinho, Duncan, durante uma festa animada. Ambos parecem descontraídos, trocando olhares e desfrutando do momento em um ambiente festivo, com luzes brilhantes ao fundo e uma atmosfera de celebração.

As dinâmicas entre os personagens evoluem de formas surpreendentes, trazendo novas camadas de complexidade às suas histórias. As amizades são testadas e fortalecidas à medida que enfrentam desafios pessoais e profissionais, mesmo quando são obrigadas a guardar segredo das restantes. Novos relacionamentos surgem, enquanto antigas relações passam por processos de reinvenção, quando situações inesperadas acontecem, como a relação de Carrie com o seu novo vizinho escritor, ou a relação entre Miranda e Steve que precisa enfrentar uma bomba entregue pelo próprio filho. Estas mudanças não só proporcionam momentos de tensão e emoção, mas também refletem o crescimento e as transformações internas de cada personagem, encerrando a série com um sentido de maturidade e esperança no amanhã. 


Podes ler ainda a minha opinião sobre a Season 2 


Ao longo desta terceira temporada de And Just Like That, fica evidente como os personagens passaram por transformações significativas que influenciam as suas jornadas pessoais e a forma como enfrentam os desafios. Prova maior disso é a evolução da relação com Aidan, que termina como sempre imaginei e que comprova a minha teoria de que ele nunca esteve preparado para ficar com a Carrie, nem antes nem agora. Miranda consegue alcançar a estabilidade, assumindo os seus desejos e as suas limitações e começa uma relação com uma mulher que parecer ter, de facto, futuro. Charlotte também ultrapassa todos os problemas e continua feliz ao lado da família que construiu e das amigas que estarão sempre ao seu lado. No que toca às novas amizades que chegaram, tenho de destacar o final da Seema, que evoluiu muito e parece ter encontrado alguém especial. No entanto, confesso que me incomodou o facto de ter abandonado o sonho duma vida inteira, o casamento. Nem sequer partilho desse sonho, mas não sei se ela desistir é sinal de empoderamento ou de resignação. 



No entanto, temos de admitir que alguns aspectos poderiam ter sido melhor explorados para aprofundar mais as histórias dos personagens. Fiquei com a impressão que foi decidido subitamente que seria a última temporada e correram a entregar desfechos precipitados, que poderiam ter sido mais trabalhados e até ponderados. Talvez a solução tivesse sido optar por ter mais alguns episódios para que se ganhasse uma maior profundidade e conexão emocional com o público, encerrando a história de maneira mais satisfatória e completa. Ainda assim, não deixou de equilibrar nostalgia com novas experiências e conseguiu manter, em certa medida, o espírito da série vivo, respeitando o legado de O Sexo e a Cidade. Esta conclusão deixa-nos a lição de que a história de Carrie, Miranda e Charlotte vai além das tramas superficiais, representando uma celebração da força, resiliência e evolução contínua das mulheres na maturidade, sem esquecer a amizade como ponto incontornável nas suas vidas. 


Portanto, se ainda não assististe à terceira e última temporada de And Just Like That, prepara-te para uma conclusão cheia de emoções, revelações e momentos que vão mexer contigo. Para quem já é fã old school, esta temporada oferece uma temporada de revisitar os personagens queridos, aprofundar as suas histórias e refletir sobre as mudanças que a vida traz. Recomendo que assistas de mente aberta, disponível para te emocionares e te surpreenderes. Afinal, apesar de todas as críticas que possamos fazer, esta temporada encerra um capítulo importante na vida destas personagens icónicas, deixando-nos com um gostinho de saudade e muitas reflexões sobre o amor, a amizade e o tempo que passa. Mas agora quero muito saber a tua opinião! Já viste o final da série? Acreditas que conseguiram fechar todas as histórias de forma satisfatória? Qual o momento foi mais marcante para ti? Conta-me tudo nos comentários abaixo! 

quinta-feira, 8 de janeiro de 2026

Top 10 - Melhores Leituras de 2025

 

Imagem de um livro aberto sobre uma superfície, com páginas levemente folheadas, transmitindo a sensação de descoberta e aventuras literárias. Perfeito para representar o universo das melhores leituras de 2025.

Com o passar dos anos, a minha paixão pela leitura só cresce, levando-me a explorar uma variedade cada vez maior de géneros e autores. 2025 foi um ano repleto de descobertas surpreendentes, histórias inspiradoras e ensinamentos valiosos que marcaram a minha trajetória como leitora. Hoje, quero partilhar contigo as dez melhores leituras que fizeram parte da minha jornada no ano que passou, destacando os livros que mais me impactaram, desafiaram e encantaram ao longo dos últimos doze meses. 


Podes ver também as Melhores Leituras de 2024 


A seleção que aqui apresento reflete as minhas preferências pessoais, mas também as obras que, de alguma forma, deixaram uma marca duradoura na minha visão de mundo e na minha maneira de pensar. Quer sejas uma leitora assídua ou alguém que procura novas inspirações, espero que estas recomendações possam ajudar-te a descobrir títulos incríveis e enriquecer as tuas próprias experiências literárias em 2026. Agora, sem mais demoras, vamos conferir os livros que fizeram de 2025 um ano memorável para as minhas leituras! Vens comigo? 


Buy Me A Coffee

1. Ensaio sobre a Cegueira, de José Saramago 

Este talvez seja o livro mais famoso de Saramago, cuja leitura fui adiando até ter aquele que será a sua continuação e que lerei em 2026. E agora, depois de o ter lido, compreendo perfeitamente porque é o favorito de tanta gente. Esta lista não tem ranking, mas este talvez seja o livro mais marcante de 2025 e que recomendo a todos. 


Wook | Bertrand 


Imagem da capa do livro "Ensaio sobre a Cegueira" de José Saramago, exibindo uma capa minimalista com tons de preto e branco, refletindo a atmosfera sombria e introspectiva da obra que aborda a fragilidade da sociedade diante da perda de visão.

2. Filipe I de Portugal, de Isabel Stilwell

Stilwell nunca desilude e tem sido uma aventura incrível acompanhar os seus romances históricos nestes últimos anos. Mas este sobre o primeiro rei espanhol que nos governou, foi transformador, aguçou a minha curiosidade e foi o mote para a primeira viagem que fiz sozinha pelo Alentejo e que me permitiu visitar alguns dos lugares retratados no livro. 


Wook | Bertrand 


Foto da capa do livro "Filipe I de Portugal" de Isabel Stilwell, uma obra que retrata a vida e o reinado de Filipe I de Portugal, também conhecido como Filipe II de Espanha, explorando sua influência na história ibérica e europeia.

3. Os Buddenbrook, de Thomas Mann

Cada vez que me lembro que esta obra-prima foi o primeiro livro que Thomas Mann escreveu, fico incrédula e deslumbrada com tanto talento. Um verdadeiro calhamaço que vale cada página e que está longe dos clichés românticos, mas que entrega uma história familiar que roça a perfeição. 


Wook | Bertrand 


Capa do livro "Os Buddenbrook" de Thomas Mann, apresentando uma ilustração clássica com elementos art nouveau, refletindo a atmosfera do romance familiar ambientado na Alemanha do século XIX.

4. Vera Lagoa, de Maria João da Câmara 

Já não é novidade o quanto eu gosto de biografias e esta, sobre a controversa Vera Lagoa, terá sido provavelmente a melhor de 2025. Foi uma mulher marcante do século XX português que está a cair no esquecimento, mas que merece que o seu nome fique registado na memória coletiva e se perpetue junto das novas gerações. 


Wook | Bertrand 


Capa do livro "Vera Lagoa" de Maria João da Câmara, apresentando uma foto vibrante de uma mulher com olhos expressivos e cabelo ondulado, refletindo a profundidade e a sensibilidade da narrativa.

5. Admirável Mundo Novo, de Aldous Huxley

Finalmente consegui comprar e ler a distopia clássica que me faltava e fiquei rendida! É perturbador, sobretudo quando vemos à distância que foi escrita e quantas coisas parecem estar ao nosso redor, a concretizar-se no pior sentido. Depois, temos as imensas referências a Shakespeare que são incríveis e reforçam a minha vontade de ler toda a obra do dramaturgo. 


Wook | Bertrand 


Capa do livro "Admirável Mundo Novo" de Aldous Huxley, apresentando uma ilustração futurista com elementos distópicos, representando a sociedade controlada e tecnologicamente avançada descrita na obra.

6. O filho de mil homens, de Valter Hugo Mãe

Vou no segundo livro deste autor nacional e volta a fazer parte dos favoritos do ano. As histórias que conta são tristes mas repletas de esperança, com personagens especiais e um desfecho poético. As expectativas estão muito altas. Será que vai conseguir manter-se neste ranking no futuro? 


Wook | Bertrand 


Imagem da capa de "O Filho de Mil Homens" de Valter Hugo Mãe, com uma ilustração poética que evoca emoções profundas e a beleza da narrativa, refletindo a sensibilidade e o estilo único do autor.

7. Santa Evita, de Tomás Eloy Martinez

Este foi o livro que levei nas férias e fiquei tão agarrada que não via a hora de voltar a ele. Imaginava que seria bom, mas nunca pensei que seria tão viciante! Foi uma delícia a cada novo capítulo e só se lamenta quando se chega ao fim. É daqueles livros que, quando terminamos, a vontade é começar de novo. E que nos deixa com inveja de quem vai ler pela primeira vez. 


Wook | Bertrand 


Imagem da capa do livro "Santa Evita" de Tomás Eloy Martínez, retratando uma ilustração vibrante e evocativa que captura a essência da narrativa histórica e política do romance.

8. O Anjo Pornográfico, de Ruy Castro

Ruy Castro também é um repetente neste ranking, desta vez, com a biografia de Nelson Rodrigues, um escritor brasileiro fascinante e com uma história que é, ela própria, digna de romance. Claro que a escrita e a construção do autor também influencia a tornar tudo melhor. Mais uma biografia que conquistou o meu coração e aumentou a minha vontade de ler mais obras de Nelson. 


Wook | Bertrand


Imagem da capa do livro "O Anjo Pornográfico" de Ruy Castro, com uma arte que remete à atmosfera vibrante e ousada do universo do jazz e da boemia carioca, refletindo a essência da narrativa e o estilo envolvente do autor.

9. Pão de Açúcar, de Afonso Reis Cabral

Penso que esta foi a leitura mais difícil que fiz em 2025. Não porque o livro seja complicado, mas porque o tema é pesado e causa uma náusea por sabermos o desfecho desde o início. É um livro até curto, mas que é impossível ler rapidamente. Pelo menos para mim foi, porque estava sempre à espera de quando chegaria a desgraça final e não conseguia deixar de desejar que tivessem feito outras escolhas. Difícil de engolir, mas essencial para que esta mulher não fique esquecida e não seja apenas uma aberração com um fim trágico. 


Wook | Bertrand 


Imagem da capa do livro "Pão de Açúcar" de Afonso Reis Cabral, apresentando uma paisagem urbana, refletindo a atmosfera envolvente e as emoções presentes na obra

10. The Hallmarked Man, Robert Galbraith

Esta é a série que me faz roer as unhas enquanto espero cada volume novo. Só mesmo J. K. Rowling para me deixar ansiosa por mais um capítulo das suas histórias. A saga Strike está cada vez melhor e só me entristece ter de esperar mais dois anos pelo próximo. No oitavo volume, a tensão cresce mas ainda não chegamos ao desenrolar que tanto esperamos. Será no nono? É esperar para descobrir. 


Wook | Bertrand


Capa do livro "The Hallmarked Man" de Robert Galbraith, exibindo uma imagem misteriosa de uma figura masculina envolta em sombras, com detalhes metálicos que remetem à temática de assinatura e marca registrada, sugerindo suspense e intriga.

E ao rever as minhas leituras de 2025, fica evidente como cada livro contribuiu de forma única para o meu crescimento pessoal, intelectual e emocional. Esta seleção reflete não só as obras que mais me marcaram, mas também as diversas perspectivas e experiências que tive o privilégio de explorar ao longo do ano. Cada leitura trouxe novas ideias e momentos de reflexão que certamente irão influenciar as minhas próximas escolhas literárias. 


Assim, espero que esta lista te inspire a descobrir novas obras e a mergulhar em histórias que possam enriquecer a tua vida também. Afinal, a leitura é uma jornada contínua, capaz de ampliar horizontes e fortalecer conexões humanas. Que 2026 seja um novo capítulo repleto de boas leituras, descobertas surpreendentes e momentos inesquecíveis entre as páginas dos livros. Agora, é a tua vez de partilhares as tuas leituras. Qual o melhor livro que leste em 2025? Leste algum destes? Qual vais querer ler em 2026? Conta-me tudo nos comentários abaixo! 

terça-feira, 6 de janeiro de 2026

#Livros - Salgueiro Maia, de Moisés Cayetano Rosado

 

Imagem em preto e branco de Salgueiro Maia fardado, com expressão determinada, sobre um fundo vermelho vibrante.

Sinopse

"Foi há quarenta e dois anos! 

Um homem em cima de uma Chaimite. Que interpela o poder que está a cair, enquanto o novo poder tarda em chegar. 

Simples. Sem ambições de mando ou de glória. 

Que ali está porque sente dever cumprir aquela missão militar, que é também e acima de tudo cívica. 

Que não pensa um segundo sequer no simbolismo daquela presença, nem no significado histórico daquele momento. 

Que, terminada a missão, regressa ao quartel, para voltar a ser o que era. Com a naturalidade de quem não reclama louros, nem aspira a celebridade. 

À sua maneira, Salgueiro Maia deu expressão a um povo e a uma maneira de ser e de viver ao longo dos séculos. (...) 

Salgueiro Maia foi o retrato desse povo, que é o que Portugal tem de melhor. (...) 

Foi esse povo que fez Portugal. E, nele, os soldados de Portugal. Sem ele e eles os chefes mais ilustres não teriam triunfado, os políticos mais brilhantes não teriam vencido, os empreendedores mais visionários não teriam criado." 

(Do prefácio de Sua Excelência, o Presidente da República, Prof. Doutor Marcelo Rebelo de Sousa) 


Buy Me A Coffee

Opinião 

Este foi um dos meus grandes desejados que comprei na Feira do Livro de Lisboa do ano passado e que determinou a escolha dum dos dias que a visitei. A verdade é que sou fascinada por esta figura fundamental na História de Portugal e pelo seu papel crucial na Revolução dos Cravos. Por isso, esta obra pareceu-me uma leitura interessante para entender o contexto histórico português e o homem por trás do mito. Afinal, Salgueiro Maia foi fundamental para o final da nossa ditadura. Como militar, destacou-se pela sua liderança e coragem ao comandar as tropas que tomaram Lisboa, desafiando a autoridade e a política vigente. A sua actuação foi determinante para garantir a transição pacífica para a democracia, tornando-se um símbolo de resistência e esperança para o povo português. A sua vida e a sua trajetória refletem bem o compromisso com a liberdade e a mudança, sem com isso procurar benefícios para si mesmo. 


O livro retrata o panorama político de Portugal na época de Salgueiro Maia, caracterizado por um período de intensa transformação e instabilidade. Durante décadas de ditadura autoritária sob o Estado Novo, liderado por Salazar e posteriormente Marcelo Caetano, o país vivia um clima de repressão política, censura e isolamento internacional. A oposição civil e militar crescia, alimentada pelo desejo de liberdade, democracia e melhorias sociais, bem como pelo cansaço da guerra e uma consciência crescente da injustiça desse conflito nas colónias. Mas em 25 de Abril de 1974, uma junta militar, liderada por oficiais como Salgueiro Maia, desencadeou um movimento revolucionário que derrubou o regime e que marcou o início dum processo de transição democrática. Este momento foi decisivo, pois representou uma ruptura com o passado autoritário e abriu caminho para a implantação dum sistema político mais livre, embora também tivesse que lidar com os desafios da descolonização e das diferentes correntes ideológicas no pós-revolução. 


Podes ler também a minha opinião sobre Snu e a Vida Privada com Sá Carneiro 


Os capitães de Abril foram fundamentais para o sucesso deste processo, sem uso de violência, e a figura de Salgueiro Maia reveste-se duma relevância singular, pois representa o ideal de comprometimento cívico, coragem e determinação em momentos cruciais do país. A sua postura ética e a sua dedicação à causa da liberdade tornaram-se símbolos de esperança e renovação, inspirando gerações futuras, conquistando o carinho do povo e o ódio de muitos poderosos que não o conseguiam arregimentar ou comprar. Assim, a sua importância transcende o contexto imediato da revolução, consolidando-se como uma referência de integridade e compromisso com o bem comum na História moderna de Portugal e que, infelizmente, perdemos cedo demais. 


"Ainda que a 'inveja' do herói em que ele se tinha convertido em 25 de Abril - com um reconhecimento crescente da população e dos meios públicos em geral - venha a ser também motivo para o rebaixamento e suposto ostracismo a que foi submetido." 


Moisés Cayetano Rosado é um famoso historiador espanhol, conhecido pelas suas obras que abordam a História contemporânea de Portugal. Com uma formação sólida, dedicou-se ao estudo dos movimentos políticos e sociais do século XX, especialmente aqueles relacionados ao período da Revolução dos Cravos. A sua abordagem e o seu estilo de escrita revelam-se marcados por uma narrativa detalhada, que combina rigor histórico com uma linguagem acessível. O autor adopta uma postura próxima do leitor, utilizando uma prosa clara e bem estruturada para contextualizar os eventos e destacar a figura de Salgueiro Maia, de forma humanizada e realista. 


Podes ler ainda sobre 25 livros para entender a Liberdade 


A estrutura do livro caracteriza-se por uma organização clara e bem delimitada, dividida em capítulos que acompanham cronologicamente, desde as incursões em África, na Guerra Colonial, até ao seu triste final de vida, incluindo os principais eventos que marcaram a sua vida enquanto militar e a sua actuação nos diferentes cenários que lhe foram apresentados. O autor apresenta uma narrativa que alterna entre momentos biográficos, análises e contextos históricos que permitem ao leitor compreender não só a figura de Salgueiro Maia, mas também o cenário político e social em que se inseriu. O grande tema do livro é, como seria de esperar, a Revolução dos Cravos, onde destaca a importância da coragem, do compromisso democrático e da resistência contra a opressão. A obra também discute o papel do líder Salgueiro Maia como símbolo da luta pela liberdade e pela democracia em Portugal, explorando questões de ética, liderança e o impacto de movimentos populares na transformação política do país. 


"Salgueiro Mais morreria demasiado jovem, com 47 anos, desenganado por tantas contrariedades e injustiças, das quais foi o alvo preferido e pela evolução sociopolítica do país, que não era a sonhada com os míticos três 'Ds'." 


Os pontos fortes deste livro são a pesquisa minuciosa, que oferece uma visão detalhada e fundamentada sobre os eventos que antecederam o 25 de Abril e a própria Revolução. A narrativa é bem estruturada, o que permite ao leitor compreender os factos históricos e as nuances pessoais e políticas que marcaram este período e o próprio Salgueiro Maia. No entanto, confesso que esperava ver mais do protagonista. Apesar de não ser uma biografia pura, fiquei com a impressão que o homem ficou escondido no meio de tanta informação histórica, política e militar, ficando visíveis apenas alguns vislumbres da sua actuação e do que pensou e sentiu em momentos tão importantes. Ainda assim, não deixa de ser uma leitura inspiradora, que desperta a nossa admiração por figuras que enfrentaram desafios com determinação e integridade e que dá uma nova luz sobre a origem da insatisfação dos militares, sobre os acontecimentos históricos de Abril e dos meses conturbados que se seguiram, o que, para alguém que não viveu nada disso, é fascinante de descobrir e entender. 


Para os leitores interessados nestes temas, tem aqui uma bela introdução, acessível e bem fundamentada, que oferece uma aproximação aos eventos históricos e às acções decisivas de Salgueiro Maia durante o movimento. Portanto, só posso deixar o convite para que leias esta obra que retrata a coragem e a determinação de Salgueiro Maia, bem como a luta pela liberdade e pela democracia, valores que parecem estar a perder valor nos dias que correm, mas que ninguém devia dar como garantido. Mas agora quero muito saber a tua opinião! Já conhecias este livro? Que aspectos da trajetória de Salgueiro Maia mais te chamaram à atenção? O que pensas do seu papel na Revolução? O que achas da forma como foi tratado nos anos seguintes? Conta-me tudo nos comentários! 


Encomenda o teu exemplar através dos links abaixo, sem custos adicionais para ti, e contribui para as próximas leituras deste blog 


Wook | Bertrand 

quinta-feira, 1 de janeiro de 2026

Balanço de 2025 & Resoluções para 2026

 

Imagem de cálices de champagne brindando, simbolizando celebração e novos começos para o balanço de 2025 e as resoluções de 2026.

Mais um ano que chega ao fim e é chegada a hora de refletir sobre os desafios enfrentados, as conquistas alcançadas e as lições aprendidas nestes 365 dias. Este balanço permite-me entender melhor o caminho percorrido e identificar as áreas em que posso evoluir, tanto no âmbito pessoal quanto profissional. Aproveitar este momento de reflexão é essencial para ajustar rotas e estabelecer metas mais alinhadas com os meus sonhos e objectivos futuros. 


Podes ver também o Balanço de 2024 & Resoluções para 2025 


Com o encerramento dum ciclo e a chegada de 2026, surge também a oportunidade de traçar novas resoluções e estratégias para o próximo ano. É hora de definir metas ambiciosas, mas realistas, e de renovar o compromisso com o crescimento e o bem-estar. Hoje, primeiro dia do novo ano, farei um balanço de 2025 e apresentarei as principais resoluções para 2026, procurando inspiração e motivação para transformar planos em realizações concretas. Vem comigo explorar as lições do passado e as promessas do futuro! 


Buy Me A Coffee

Balanço de 2025


Livros

As leituras foram um dos temas de maior sucesso em 2025, com as metas a terem tido resultados muito satisfatórios. Os livros em inglês, falhei por um, e a organização das estantes ainda está a acontecer, depois de ter comprado uma nova para albergar tudo o que preciso. Os restantes foram cumpridos e até ultrapassados para além das minhas expectativas. 


Filmes & Séries

Apesar de ter iniciado o projecto de Cinema, onde irei assistir a todos os filmes vencedores do Óscar de Melhor Filme, todas as restantes metas ficaram aquém do esperado. A verdade é que dediquei muito pouco do meu tempo a esta área e, portanto, os resultados foram curtos. Significa que terá de ser feito um reajuste com números mais realistas para 2026, até porque existirão outras prioridades a necessitar da minha atenção e dedicação. 


Estudo/Desenvolvimento Pessoal

A Academia BB chegou ao fim, mas até lá, consegui assistir com alguma consistência ao seu conteúdo, embora ainda existisse margem para melhorar. As restantes metas nesta categoria foram ignoradas com sucesso, mas não estão esquecidas. 


Saúde e Cuidados Pessoais

Nesta categoria até que não me portei muito mal. Apenas ficou por concretizar a ida ao dentista e estender a rotina de skincare à noite, mas lá chegaremos, com toda a certeza. É de manter este cuidado pessoal que é a maior forma de nos amarmos. 


Pessoal 

Nestas metas a coisa ficou dividida, portanto, não pode ser considerado um fracasso, mas também não foi um sucesso absoluto. Ficou a faltar imprimir fotos, organizar a cozinha e experimentar a app Oscar. No que diz respeito ao destralhar, é sempre um trabalho em processo, porque se nos distraímos, volta tudo à confusão e à acumulação do que não precisamos de facto. 


Blog & Redes Sociais

As minhas metas relacionadas com as redes sociais foram um sucesso, sobretudo no que diz respeito ao Instagram, que sentiu um crescimento considerável, que me obrigou a reformular o objectivo várias vezes ao longo de 2025. Ficou em falta apenas o crescimento de seguidores no blog, muito embora tenha continuado a escrever com a frequência que me propus. Talvez seja um caminho mais difícil, tendo em conta que as pessoas estão muito mais ligadas nas redes do que nestas plataformas, ou talvez apenas ainda não tenha descoberto o que preciso para lá chegar. Ainda assim, aqui continuo e pretendo continuar. 


Finanças 

As minhas finanças não se podem queixar, apesar de 2025 ter sido desafiante pela perda de rendimentos, fruto de ter mudado de emprego em Janeiro. Consegui, finalmente, fazer um PPR e o fundo de emergência ficou composto, apesar dessa transferência de fundos. Os Certificados e os envelopes ficaram um tanto ou quanto ignorados, mas não esquecidos. 


Fazer

O grande feito do meu ano, está nesta lista de metas. A minha primeira viagem sozinha foi feita e adorei cada segundo. Gostei tanto que não vejo a hora de voltar a planear algo do género em 2026. As restantes metas ficaram de parte, mas nem consigo ficar verdadeiramente triste. 


Comprar

Foi em 2025 que comprei o meu primeiro par de sapatos Ros Lisbon! Foram comprados usados, mas estão em excelente estado e fiquei muito contente com esta aquisição. Serviu para ganhar balanço e ponderar seriamente investir mesmo nas novas colecções. Os restantes itens ficaram adiados, porque não se revelaram prioritários ou porque não encontrei bons negócios ao longo do ano. 


Ir

Graças à viagem, consegui alcançar o objectivo dos Museus e o bichinho acordou, porque agora não quero parar mais. Os restantes falharam, é verdade, mas o tempo com os amigos não foi descurado e isso, no final das contas, é mesmo o mais importante. As pessoas é que tornam os momentos especiais, mais do que os lugares onde vamos. 


50 Resoluções para 2025 


Livros 


1. Ler 50 livros 

2. Ler 3 livros em inglês

3. Organizar as estantes dos livros lidos 

4. Ler 10 autores que nunca li 

    1) Moisés Cayetano Rosado 

    2) Lev Tolstói 

    3) Howard Pyle 

    4) Ary dos Santos

    5) Stefan Zweig 

    6) Maria João Lopo de Carvalho

    7) Dante Alighieri

5. Ir à Feira do Livro de Lisboa 

6. Ler 5 biografias 

    1) Maria Stuart 

    2) Henrique V

7. Ler 5 clássicos universais 

    1) Anna Karénina 

    2) A Divina Comédia 


Filmes & Séries 


8. Ver 5 filmes que nunca vi 

    1) Priscilla 

9. Ver 3 filmes nacionais 

10. Ir ao Cinema 3 vezes

    1) O Diabo Veste Prada 2

11. Ver 3 séries completas

    1) And Just Like That 

    2) Ângela Diniz: Assassinada e Condenada

    3) O Arquiteto

12. Ver 3 documentários


Estudos


13. Preparar para a Prova de Acesso de Português ✅

14. Entrar na Universidade 

15. Criar rotina de estudos 


Saúde e Cuidados Pessoais 


16. Ir ao dentista 

17. Fazer check-up 

18. Implementar uma rotina de skincare à noite 

19. Investir na Drenagem Linfática 

20. Iniciar a Depilação Definitiva 


Pessoal


21. Imprimir fotos

22. Descobrir 8 novos restaurantes 

    1) Casa Portuguesa

23. Eliminar peças/objectos estragados ou danificados

24. Encontrar Armário para a cozinha

25. Agendar limpeza na app Oscar 

26. Destralhar o Escritório


Blog & Redes Sociais


27. Começar a alternar publicar entre 2 a 3 vezes por semana no blog 

28. Postar nos stories nos dias úteis 

29. Passar menos tempo nas redes sociais ao fim de semana 

30. Melhorar as imagens usadas no blog e Instagram com a ajuda do Canva 

31. Alcançar 1000 seguidores no Instagram 


Finanças 


32. Reforçar o fundo de emergência 

33. Reforçar o PPR

34. Reforçar os Certificados de Aforro ✅

35. Fazer o desafio dos 100 envelopes 


Fazer


36. Fazer uma nova tatuagem 

37. Doar sangue 

38. Voltar a viajar sozinha

39. Conhecer gente nova 


Comprar 


40. Ténis Adidas ✅

41. Óculos de sol graduados 

42. Lentes de contacto

43. Air Fryer para a casa do Norte ✅

44. 3 Funko Pop 


Ir 


45. Ao Teatro

46. Um concerto

47. Visitar 3 Museus 

48. Jardim Zoológico 

49. Manter contacto com os diferentes grupos de amigos 


50. Ser feliz, muito feliz!! 


Agora que o balanço de 2025 está encerrado, é evidente que as conquistas e os desafios enfrentados ao longo do ano proporcionaram aprendizagens valiosas e fortaleceram a minha determinação de seguir para a frente com propósito e empenho. É este momento de reflexão que permite reconhecer as vitórias alcançadas e identificar áreas de melhoria, permitindo um futuro mais consciente e alinhado com os meus objectivos pessoais e profissionais. 


Para 2026, as minhas resoluções estão focadas em impulsionar o meu crescimento sustentável, aprimorar os meus conhecimentos e fortalecer relacionamentos significativos. Com esperança e determinação renovadas, estou pronta para enfrentar novos desafios, transformar sonhos em acções concretas e construir um ano repleto de realizações. E porque no que funciona não se mexe, vou manter o controlo mensal destas metas, para perceber se estou no bom caminho, corrigir a rota quando for preciso e determinar prioridades ao longo dos meses. Agora que já conheces as minhas resoluções para 2026, quero descobrir as tuas! Que planos e projectos tens para o novo ano? O que esperas e desejas alcançar? Conta-me tudo nos comentários abaixo! 

terça-feira, 30 de dezembro de 2025

#Livros - Os Retornados, de Júlio Magalhães

 

Capa do livro "Os Retornados", de Júlio Magalhães, publicada pela Esfera dos Livros: uma foto que mostra um casal próximo, segurando uma mala, cercado por outras pessoas em um ambiente que sugere uma situação de despedida ou chegada, transmitindo emoções de esperança, despedida e recomeço.

Sinopse

Outubro, 1975. Quando o avião levantou voo deixando para trás a baía de Luanda, Carlos Jorge tentou a todo o custo controlar a emoção. Em Angola deixava um pedaço de terra e de vida. Acompanhado pela mulher e filhos, partia rumo ao desconhecido. A uma pátria que não era a sua. Joana não ficou indiferente ao drama dos passageiros que sobrelotavam o voo 233. O mais difícil da sua carreira como hospedeira. No meio de tanta tristeza, Joana não conseguia esquecer o olhar firma e decidido de Carlos Jorge. Não percebia porquê, mas aquele homem perturbava-a profundamente. Despertava-a para a dura realidade da descolonização portuguesa e para um novo sentimento que só viria a ser desvendado vinte anos mais tarde. Foram milhares os portugueses que entre 1974 e 1975 fizeram a maior ponte aérea de que há memória em Portugal. Em Angola, a luta pelo poder dos movimentos independentistas espalhou o terror e a morte por um país outrora considerado a jóia do império português. Naquela espiral de violência, não havia outra solução senão abandonar tudo: emprego, casa, terras, fábricas e amigos de uma vida. 


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Opinião 

Os Retornados mergulha na complexidade das experiências do regresso dos portugueses das colónias, após o 25 de Abril, enquanto explora a identidade, a memória e a transformação. O livro destaca-se pela abordagem sensível, envolvendo o leitor numa narrativa que entrelaça História e emoções. Júlio Magalhães, famoso jornalista portuense, traz à tona uma escrita envolvente e reflexiva, marcada por uma pesquisa cuidadosa e uma sensibilidade aguçada para captar as nuances do tema. A obra situa-se no contexto histórico do século XX português e explora as complexidades e os conflitos internos dos personagens que viveram o regresso abrupto à metrópole e que ficam marcados pelos eventos traumáticos dessa época. 


O estilo de escrita de Júlio Magalhaes é marcado por uma narrativa envolvente e sensível, que combina uma linguagem clara e acessível com momentos de maior introspecção e reflexão. Os temas abordados incluem a memória, o retorno às raízes, a busca por identidade e o impacto psicológico das mudanças sociais e políticas. Além disso, também explora questões de pertencimento e a complexidade das relações humanas, evidenciando a profundidade e a delicadeza com que trata temas universais, enquadrados no nosso passado recente e com o qual é fácil relacionar-se. Na sua estreia como escritor de ficção, Júlio Magalhães levo-nos a conhecer uma série de personagens que enfrentam desafios e mudanças intensas quando são obrigados a regressar a Portugal, quando as condições de segurança em Angola não lhes permite continuar as suas vidas normais. Muitos estão a chegar à metrópole pela primeira vez, pois já nasceram na colónia e o vínculo com este país era inexistente. 


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A linha condutora de todo o livro é a protagonista Joana, que consegue concretizar o seu sonho e torna-se hospedeira de bordo, depois duma curta passagem pelo Direito. Em 1975, dá por si envolvida na maior ponte aérea portuguesa, quando se encontra num voo que pretende trazer o maior número possível de pessoas de Angola em segurança, onde é confrontada com aquilo que as televisões não mostravam. O desespero e a tristeza de quem não queria partir, mas não encontra outra opção. De quem abandona a sua pátria, e chega a um país que dizem ser o seu, mas que não os recebe de braços abertos. De quem perdeu tudo e, agora, terá de começar do zero. As suas vidas não voltarão a ser as mesmas depois desta viagem, embora nem todos se apercebam disso. 


"O regresso a Lisboa de quase meio milhão de portugueses, feito de forma precipitada, era bem a imagem daquilo que foi o processo de descolonização: confuso e desastrado." 


Com uma linguagem envolvente e diálogos precisos, o autor consegue criar personagens complexos e realistas, cuja trajetória reflete os dilemas emocionais e sociais enfrentados pelos retornados. Mantendo o foco na memória, no retorno, na identidade e nas histórias pessoais e colectivas, a obra retrata o impacto do retorno dos exilados portugueses. O autor mistura elementos de ficção que mistura com muitos relatos reais, que foi recolhendo ao longo da vida, a começar pela sua família que também viveu este momento histórico, o que nos permite compreender a complexidade dos sentimentos de perda, esperança e reencontro. Júlio Magalhães também evidencia as transformações sociais e pessoais decorrentes do retorno, porque nos permite um reencontro com estas figuras passados muitos anos, e assim conseguimos ver como cada um lidou com o sucedido e que caminho escolheram trilhar em Portugal. 


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Numa época em que tanto se fala das celebrações de Abril e o que se lhe seguiu, parece-me muito relevante continuar a explorar o que aconteceu a estas pessoas que deixaram tudo para trás e ajudaram a construir este país democrático. Ao retratar as experiências destes personagens que retornam do conflito ou da situação limite, o livro convida-nos a refletir sobre os efeitos duradouros de eventos traumáticos na vida individual e colectiva, com consequências que ainda hoje são visíveis na nossa sociedade. Um dos principais pontos fortes de Os Retornados reside no seu estilo de escrita sensível, que consegue transmitir de forma vívida as emoções e dilemas dos personagens. Além disso, a atmosfera criada ao longo da narrativa é carregada de tensão e nostalgia, que torna a leitura uma experiência emocionalmente enriquecedora. 


"Fazia um esforço para se pôr no lugar de um só dos passageiros e imaginar quanta amargura ali viajava. Chegou mesmo a pensar que aquele avião ia cheio de gente, mas cheio de nada." 


Embora o livro seja envolvente e interessante, há alguns aspectos que poderiam ser aprimorados. Em primeiro lugar, a narrativa, às vezes, apresenta uma certa previsibilidade, o que pode diminuir o impacto da história para leitores mais experientes. Além disso, alguns personagens secundários poderiam ser mais desenvolvidos, oferecendo uma maior profundidade e complexidade às suas trajetórias, e não se limitando a fechar o círculo em torno de Joana e das vidas que com ela se cruzaram. Apesar disto tudo, é uma leitura que vale a pena pelas reflexões que provoca, pelo interesse que pode despertar e até impactar emocionalmente, para todos os que se reconhecem nesta história, com os familiares próximos que viveram algo de semelhante. Mas agora, quero muito saber a tua opinião! Já leste Os Retornados? Que aspectos do livro mais te chamaram a atenção? Conheces outras obras do autor? Conta-me tudo nos comentários! 


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