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quinta-feira, 3 de agosto de 2017

Na morte e na doença somos todos melhores pessoas



Faz tanto tempo que não venho cá partilhar as coisas que me irritam e me tiram do sério. A última vez foi em Maio, quando te contei de um problema que aflige quase, senão todos, os automobilistas, os alérgicos ao pisca que poluem as nossas estradas e confundem a malta até ao limite e mais além. 

Hoje, o assunto sobre o qual quero aliviar a alma está relacionado com a forma como alteramos a nossa opinião e o que sentimos por pessoas, basta para isso que estas tenham uma doença, considerada terminal, ou tenham o azar de falecer. 

Atenção, que sou pessoa para defender que quem não muda de opinião são os burros e que devemos estar abertos à mudança e a que nos provem o quanto estamos errados. Contudo, não é disso que falo neste momento. Refiro-me a alterações inesperadas sem que exista qualquer mudança de comportamento ou de atitude ou sequer uma mera aproximação que permitisse conhecer melhor a pessoa em questão. 

A única novidade é o estado de saúde da pessoa, que antes era intragável ou uma megera ou que tinha como passatempo preferido estragar a vida a quem lhe aparecesse. De repente, basta uma notícia de um cancro (ou qualquer outra doença assustadora) para tudo ser esquecido e começar-se a lamentar a sorte dessa pessoa, a rezar por ela e a encontrar-lhe qualidades inimagináveis. 

E quando se morre? Ai senhor, não existia melhor pessoa no mundo. Coitadinho, que deixou cá tantos que sentem a sua falta e que choram a sua partida. O bem que fez à família e aos amigos. E a desconhecidos também, que já que é para inventar tudo serve. Todas as maldades são esquecidas, todos os defeitos ignorados e, no final, só os feitos heróicos são enunciados, como para se convencer o mundo da perda que sofreu com esta morte. 

Na verdade, acho que se querem convencer a si próprios e dar um ar aos demais de que são magnânimos e que não se fala mal dos mortos. Com isto, não defendo que a malta deva fazer uma festa por existir menos uma má pessoa no mundo. Já conheci demasiadas, algumas que já se foram, e nunca me alegrei com as suas mortes. Só que não sofro de Alzheimer e por isso não esqueço os seus defeitos e más acções. 

Não consigo ser cínica nem hipócrita e, portanto, não lamento ou finjo lamentar a morte de pessoas sobre as quais não tenho nada de bom para acrescentar. Posso não as atacar publicamente, até porque respeito a dor dos que perderam alguém querido, mas não altero a minha opinião só porque estão muito doentes ou bateram a bota. 

E tu, sabes do que falo? O que pensas a respeito deste assunto?

9 comentários:

  1. Isso é hipocrisia pura e simples e irrita-me solenemente. Nem tão pouco tenho pachorra para ouvir esse tipo de comentários...

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  2. E eu a pensar que era a única no Mundo a pensar assim! Amen!

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    Respostas
    1. Não és mesmo e, pelos comentários, quer-me parecer que não estamos sozinhas!

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  3. Respostas
    1. Infelizmente, é o que vejo acontecer com demasiada frequência...

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  4. [...]Só que não sofro de Alzheimer e por isso não esqueço os seus defeitos e más acções.

    Não consigo ser cínica nem hipócrita e, portanto, não lamento ou finjo lamentar a morte de pessoas sobre as quais não tenho nada de bom para acrescentar. Posso não as atacar publicamente, até porque respeito a dor dos que perderam alguém querido, mas não altero a minha opinião só porque estão muito doentes ou bateram a bota. [...]

    Muito bem dito. Era para dar a minha opinião, mas já me tiraste as palavras da boca, sem tirar nem pôr.

    Hipocrisias... Que fazer?

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    Respostas
    1. Pois, não há muito a fazer... É encolher os ombros e ignorar os pobres de espírito

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