Quando se tem uma casa no coração de uma aldeia, como eu tenho a sorte de ter, não nos ocorre mandar calar os pássaros. Haverá melhor forma de acordar do que com os pássaros a cantar à nossa janela? Até me ocorrem algumas, que não envolvem pássaros, mas que não vêm agora ao caso.
Por outro lado, se estivermos a falar dos pássaros que têm lançado os temas deste desafio, confesso que esse pensamento já me passou pela cabeça. Só que é um pensamento motivado pelos temas inacreditáveis que os ditos têm proposto ao longo das últimas semanas. Só que, na verdade, ainda não me arrependi de ter aceitado este desafio que coloca à prova a minha criatividade e me tem proporcionado a leitura de muitos textos incríveis dos outros participantes.
Seremos loucos? É bem capaz que seja verdade, mas o que seria a vida sem um pouco de loucura? Dizem que é o tempero e o colorido dos nossos dias e tenho muito prazer em continuar a cultivá-la por estas paragens por mais algumas semanas.
António Joaquim Rodrigues Ribeiro nasceu a 3 de Dezembro de 1944, numa pequena aldeia do concelho de Amares, distrito de Braga. Sendo um dos 12 filhos de um casal de camponeses, fez a escola primária e desde cedo se habituou a ajudar no campo. Com 12 anos partiu para Lisboa, onde trabalhou como aprendiz de balconista e caixeiro. Mais tarde cumpriu serviço militar em Angola e, em 1975, viajou por Londres e Amesterdão, onde se descobriu e aprendeu a profissão de barbeiro.
Regressa a Lisboa em 1977, onde durante o dia trabalha como cabeleireiro e à noite estuda e dedica-se à música. Em 1981, participa no conhecido programa O Passeio dos Alegres, de Júlio Isidro. A sua sonoridade diferente e o seu estilo inigualável fazem-se notar. Em 1982, edita o primeiro single, com os temas Povo que lavas no rio, de Amália Rodrigues (a sua grande inspiração), e Estou além. No ano seguinte, grava o LP Anjo da Guarda, com dez faixas da sua autoria, onde se destacam os êxitos É p'ra amanhã e O corpo é que paga.
Um ano depois lança o seu segundo e último álbum, Dar & Receber, com, entre outras, a sua inesquecível Canção de engate. Variações morreu em Lisboa, a 13 de Junho de 1984, devido a uma broncopneumonia. Tinha 39 anos.
Projecto a que o realizador João Maia se dedicou durante mais de 15 anos, este é um filme biográfico que segue os últimos anos de vida de António Variações, um dos mais aclamados e criativos cantautores em língua portuguesa, que abriu caminho e deixou marcas em várias gerações de artistas.
Opinião
Estávamos no Verão, no calendário pelo menos, quando aqui sugeri este filme e manifestei a minha muita curiosidade sobre ele. Afinal de contas, António Variações é uma figura incontornável da música portuguesa e, claramente, estava muito à frente do seu tempo, o que lhe permitiu deixar-nos um legado intemporal como o que se encontra na sua arte.
Tanto assim é que, apesar do cantor ter morrido em 1984 e eu ter nascido em 1986, o meu imaginário está repleto da sua música e das suas letras com as quais, tantas vezes, me identifico. Numa época em que está tanto na moda revisitar a vida de artistas mundiais, parece-me muito apropriado que se tenha feito o mesmo com o nosso melhor exemplar a romper com os paradigmas e os limites de um Portugal acabado de sair da ditadura.
O aspecto mais incrível da sua vida artística é que durou apenas seis anos e é lamentável que o tenhamos perdido quando ainda estava no auge da sua criatividade, aos 39 anos de idade. O filme começa na sua infância e na sua terra natal, revelando um pouco do que teria sido a sua vida e as suas inspirações. Essas imagens aparecem como se de um sonho de António se tratasse e ficamos perante o artista adulto e já estabelecido.
Antes de falar do que gostei ou não gostei no filme, quero enfatizar o brilhantismo de todo o elenco. Sobretudo, o trabalho do Sérgio Praia, como Variações, é espectacular e, por vezes, ficamos com a sensação de que estamos a ver o próprio. Por outro lado, não posso ignorar o talento do Filipe Duarte e a sua capacidade para me fazer apaixonar por personagens. Não poderia ter gostado mais da combinação destes dois actores ao retratarem uma relação nada aceitável na época.
O guarda-roupa é incrível e retrata bem os anos 80 e o quanto António Variações era excêntrico e detinha um estilo próprio que não deixava ninguém indiferente. A banda sonora não poderia ser melhor ou não fosse uma viagem pelos grandes êxitos do cantor. Mas confesso que esperava mais deste filme.
Os saltos temporais, apesar de imprimir dinâmica, tornam-se confusos por não serem perfeitamente claras as datas. Fica difícil acompanhar estas alterações na cronologia da narração e gostaria de ter visto mais aspectos da sua vida ou os mesmo aspectos mas mais explorados. É tudo contado de uma forma pouco profunda, sem ficar claro o seu percurso pessoal e profissional como efectivamente terá acontecido.
Por outro lado, a relação de António com a sua mãe é muito bem representada, bem como com as suas raízes minhotas. O facto de estarmos perante um homem que não bebia, não fumava, não consumia drogas, muito responsável com as suas contas, mostra que a criatividade lhe vinha da alma, sem precisar de aditivos de nenhuma espécie. Em suma, é um filme que vale a pena ver, especialmente como forma de mostrar a gerações mais novas o trabalho incrível deste artista que tanto batalhou para poder fazer a sua música.
Quanto ao rigor biográfico, depois de ver o Variações, fiquei com ainda mais vontade de ler o livro de Manuela Gonzaga e descobrir mais factos sobre a vida desta figura portuguesa. Foste ver este filme ao cinema? O que achaste? Conta-me tudo sobre as tuas impressões nos comentários!
No final de Setembro, recebi um pacote recheado das novas bebidas da Starbucks, no âmbito de uma campanha da trnd. Tratam-se de bebidas, que devem ser consumidas frias, com diversas variedades de café e chocolate. Já me tinha apercebido que a marca tinha lançado uma série de cápsulas de café, compatíveis com as máquinas mais populares em Portugal, mas confesso que estas bebidas foram uma total novidade.
Mas uma novidade muito agradável de descobrir e experimentar, posso garantir-te. Deste modo, recebi cá em casa três exemplares de cada especialidade que foram Cappuccino, Caffè Latte, Caramel Macchiato, Skinny Latte e Signature Chocolate. Assim que lhes pus a vista em cima tive uma vontade imensa de provar tudo e nem sabia bem por onde começar, tão apetecíveis todos me pareciam.
O meu favorito foi claramente o clássico e delicioso Cappuccino. Devo dizer que não sou uma grande apreciadora de café frio, preferindo apreciar este sabor quente e acabado de fazer. Mas foi uma agradável surpresa perceber o quanto estas variedades conseguem ser incríveis e viciantes. O Caramel Macchiato também ficou muito bem qualificado nesta competição pessoal, bem como o Signature Chocolate.
Para o pequeno-almoço, estas bebidas não funcionam para mim porque prefiro o meu café quente e intenso para acordar e ganhar energia para começar o dia. No entanto, adorei torná-las no meu lanche da tarde ou na bebida que tomo antes de dormir, enquanto leio o meu livro na cama. Todos os que provaram estas bebidas que recebi, adoraram e ficaram fãs imediatos.
Contudo, a maior surpresa que tive foi quando provei o Skinny Latte. Sem açúcar adicionado e sem lactose, não tinha muita expectativa nesta especialidade até a provar e perceber que o sabor é tão bom quanto o Caffè Latte e ainda mais leve. Para quem, como eu, tem alguns preconceitos com estas variedades saudáveis, foi um prazer descobrir que isso não é sempre assim.
A Starbucks invadiu os supermercados e podes encontrar estas bebidas facilmente, como tenho feito sem lhes conseguir resistir sempre que as vejo. Sei que existem outras variedades que ainda não provei, mas tenho-me ficado pelas que conheço e adoro para matar saudades, mas conto em breve aventurar-me por esses novos sabores.
Já experimentaste os Chilled Classics da Starbucks? Qual o teu favorito?
Mensagem é o único livro publicado em vida por Fernando Pessoa. Uma obra repleta de simbolismo, «realmente um só poema» numa sequência de quarenta e quatro composições imersas num certo sebastianismo. Questão que só o próprio Pessoa poderia decifrar: até que ponto essa construção saudosista e sebastianista não é apenas e só mais uma das máscaras do poeta, mais uma das facetas do seu fingimento?
A História de Portugal é o tema, ainda que o intuito não seja propriamente narrar os grandes feitos portugueses. Com Pessoa, revisitamos o passado lendário e mítico, a saga dos Descobrimentos, na busca de um sentido para essa antiga grandeza contraposta à decadência actual. Estaremos diante do plano para regenerar Portugal, incutido nesse desígnio divino e espiritual - o Quinto Império? Ou será que, como disse Jorge de Sena, a Mensagem é apenas a criação poética, e por isso, lúdica, de um Portugal mítico?
Embora Pessoa seja muito conhecido pelos seus heterónimos, o livro Mensagem foi publicado sob o seu próprio nome - o ortónimo. Uma obra-prima essencial para a compreensão da visão poética de Pessoa, com múltiplas e infindáveis interpretações, inclusivamente contraditórias. O mais importante é que o sonho, o sonho poético e não necessariamente político de Pessoa, se cumpra: «É a Hora!»
Opinião
Fernando Pessoa é aquele autor português do qual é impossível fugir. Todos já lemos qualquer coisa dele ou dos seus inúmeros heterónimos na escola, ou num blog, ou numa qualquer página no Facebook ou Instagram. Sem mencionar aquelas coisas que lhe são atribuídas e que o próprio nunca escreveu. Em suma, é incontornável e o seu talento é reconhecido por todos que dedicam algum tempo a conhecer melhor a sua obra.
Actualmente, tenho o Livro do Desassossego na minha mesa de cabeceira e tenho lido todos os dias o que tem sido uma experiência incrível, mas que conto partilhar melhor no próximo ano. Mas foi no decorrer desta leitura que fiquei com ainda mais vontade de ler mais coisas de Fernando Pessoa e nada como começar pelo único livro que publicou em vida em língua portuguesa, não achas?
Podes ler ainda a minha opinião sobre o conto O Alienista
Mensagem marca o início do percurso que Pessoa traçou para si próprio no caminho para se tornar o supra-Camões, ou seja, para criar uma obra ainda mais sublime que a do nosso poeta mais famoso. Não existe qualquer margem para dúvidas de que conseguiu marcar a sua época e registar o seu nome como um dos imortais escritores em português.
"Minha loucura, outros que me a tomem
Com o que nela ia.
Sem a loucura que é o homem
Mais que a besta sadia,
Cadáver adiado que procria?"
Neste livro vamos percorrendo uma série de poemas épicos e que exaltam a pátria e os feitos dos nossos maiores heróis. Não apenas os mais famosos e badalados Descobrimentos, mas os heróis anteriores, como Viriato e Ulisses, por exemplo. Nessa viagem são descritas as qualidades mais notáveis do povo português e considera que a época de ouro se encerrou com a morte de D. Sebastião.
No entanto, esta não é uma mensagem de derrota ou de saudosismo puro. Pelo contrário, procura mostrar a grandeza de Portugal de tempos idos, apontar a sua queda e revelar que existe esperança para que o Quinto Império seja conquistado. Um Império que não se refere a terras conquistados ou povos subjugados, mas que se trata dum império espiritual onde Portugal irá recuperar a importância e o protagonismo de outros tempos.
É uma leitura rápida, mas deliciosa, ou não se tratasse da poesia brilhante de Fernando Pessoa, e onde vamos encontrar alguns poemas bem famosos como «O Mostrengo» e «Mar Português» - o meu favorito. Agora conta-me, também és fã de Fernando Pessoa? Qual o teu heterónimo favorito?
"E ao imenso e possível oceano
Ensinam estas Quinas, que aqui vês,
Que o mar com fim será grego ou romano
O mar sem fim é português."
Podes encomendar o teu exemplar na Wook, com 10% de desconto imediato.
Não sei se já terás reparado, mas faltam apenas 30 dias para o Natal. É assustador, não te parece? Se fores uma pessoa organizada, aposto que já tens os presentes para a família e amigos prontos para entregar. Se fores como eu, tens a tua lista pronta, mas ainda não te decidiste a ir comprar o que precisas. Por outro lado, como tenho alguma fobia a centros comerciais nesta época do ano, provavelmente vou tentar comprar online o máximo que me for possível. Como está a correr a tua saga dos presentes de Natal este ano?
Efemérides de 25 de Novembro
Dia Nacional da Bósnia Herzegovina 1975 - Em Portugal, um golpe militar põe fim ao PREC. 1844 - Nasceu Karl Benz, engenheiro alemão. 1845 - Nasceu Eça de Queirós, escritor português. 2016 - Morreu Fidel Castro, ex-presidente de Cuba.
Como fugir do intemporal Eça de Queirós? Nem que fosse possível, não o desejaria. Sei que lemos Os Maias na escola por obrigação e que muitos detestam, mas é certamente o melhor do seu tempo e quando crescemos a sua obra torna-se ainda mais interessante de se ler. Para fugir ao óbvio, deixo-te com O Primo Basílio, livro que pretendo reler tendo em conta que já se passou tanto tempo e não me lembro de quase nada. E tu? O que já leste de Eça? Qual o teu favorito?
Sabes que O Crime do Padre Amaro é também um excelente livro para leres e assimilares o quanto Eça era crítico da sociedade em que vivia. No entanto, a sugestão neste momento é mesmo o filme que conta com um elenco de luxo e com as mamas da Soraia Chaves. Pessoalmente, esta última parte não é grande incentivo para mim, mas certamente será para muita gente, não é verdade?
Estava a pensar seriamente começar a alimentar o espírito natalício com belas músicas de Natal, mas o Youtube mostrou-me esta música acabadinha de sair dos talentosos Diogo Piçarra e Carolina Deslandes e não fui capaz de lhe resistir. Não é um doce? Aprovas a minha decisão de adiar o espírito natalício por uma semana?