quinta-feira, 12 de novembro de 2015

#Livros - A Tribo da Pontuação, de Rui Carreto


Sinopse
Em tempos passados, Pontão — o chefe dos redondos Pontos Finais —, enquanto passeava na floresta conheceu uma bela coração e começaram uma vida a dois. Ao fim de alguns meses, nasce um filho, Virgulão, um pequeno Ponto e Vírgula. Agora, já mais crescido, este jovem de rosto redondo e corpo curvilíneo, tudo vai fazer para evitar que se instale na floresta algo de muito sombrio que parece ter chegado para ficar...
Resolve pedir ajuda à mais poderosa e temida das criaturas da floresta, Tribolinhas, uma velha e insinuosa Reticência que habita num castelo recôndito, onde vive uma vida solitária e cheia de dilemas interiores por resolver... Virgulão acredita que só ela o poderá ajudar...
Um romance inédito repleto de profundas e inesquecíveis personagens pontuais" (compostas a partir de regras gerais da pontuação, instrumentos musicais e seres mitológicos).
Oscilando entre uma fábula negra e um luminoso conto de sabedoria antiga, A Tribo da Pontuação promete inspirar, questionar e surpreender leitores de todas as idades.
 
Opinião
Este livro foi um prémio recebido, em Dezembro de 2014 e é uma vergonha que só agora o tenha lido. Mas em minha defesa relembro o quanto a minha vida era agitada no final do ano passado e no início deste ano. Depois veio a mudança para Norte e este livro, apesar de ter feito a viagem comigo, ficou esquecido nas prateleiras, junto com os livros que por cá moram.
 
Agora que finalmente o li, devo dizer que, em termos gerais, gostei bastante. Gosto do conceito base da história e acho incrível a forma como o autor ligou estas personagens com personalidades próprias com a língua musical de cada uma. As ilustrações são muito giras e, embora simples, ajudam a visualizar as personagens melhor. O único reparo que faço é ao excesso de reticências e de parêntesis que me irritaram um pouco ao longo da leitura.
 
Quanto à história contada, acho muito interessante falarmos da fragmentação das sociedades e a substituição da entreajuda entre povos pela competição. Em tempos tão conturbados, onde alguns se acham mais importantes que outros, penso que faria bem a todos lerem esta história e perceber que somos todos pessoas com direitos e deveres e que as nossas diferenças contribuem para nos fortalecer e enriquecer, em vez de vê-las como obstáculos e impedimentos ao diálogo e, mais importante, à tolerância.
 
"Acho que de há muito tempo para cá, a aceitação de coração aberto de uns pelos outros, como acontecia na antiguidade da Tribo, foi substituída por uma estúpida tolerância. Em vez de nos amarmos e nos completarmos nas diferenças que temos, passamo-nos a tolerar uns aos outros... E não há forma mais subtil de desprezar o próximo do que tolerá-lo!"
 
Quem quiser ler esta bonita metáfora, pode encomendar o seu exemplar aqui.

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