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terça-feira, 3 de dezembro de 2024

#Livros - Villette, de Charlotte Brontë

 

Uma interpretação encantadora da capa de 'Villette' de Charlotte Brontë, onde um fundo roxo profundo envolve a delicada ilustração de uma árvore majestosa, cujo folhagem em tons vibrantes de amarelo e laranja traz à tona a transição das estações. Essa composição visual evoca a complexidade emocional da obra, refletindo os altos e baixos da vida da protagonista em um ambiente enigmático e sonhador, perfeitamente alinhado com o espírito da narrativa.

Sinopse

Charlotte Brontë (1816 - 1855) foi uma escritora e poetisa inglesa, a mais velha das três irmãs Brontë que chegaram à idade adulta e cujos romances são dos mais conhecidos da literatura inglesa. Villette é, de muitas formas, um romance delicado e deliciosamente difícil. Tudo o que diz respeito à sua heroína, Lucy Snowe, é encoberto por uma névoa de inacessibilidade e uma certa escuridão que sustenta a narrativa. Na narrativa, Lucy se muda para a cidade fictícia de Villette, onde será professora de inglês em um internato. Ali, será confrontada pelos traumas do passado enquanto completa seu percurso de heroína, com os dissabores e conquistas de uma mulher vitoriana, mas eternamente atual. Villette é considerada a obra-prima de Charlotte Brontë. 


Buy Me A Coffee

Opinião 

Villette, publicado em 1853, é frequentemente considerado a obra menos conhecida de Charlotte Brontë, ofuscada pelos sucessos das suas irmãs e pelo icónico Jane Eyre. Este romance apresenta uma narrativa rica e introspectiva, centrada em Lucy Snowe, uma jovem inglesa que viaja para a Bélgica em busca duma nova vida. Embora menos celebrada do que os seus trabalhos anteriores, Villette é uma obra profundamente complexa e inovadora, que revela a maestria de Brontë em capturar as nuances emocionais e psicológicas dos seus personagens, tornando-o um tesouro literário que merece muito ser redescoberto e valorizado. 


Inserido no contexto do século XIX, um período marcado por intensas transformações sociais e culturais, incluindo a Revolução Industrial e a ascensão do feminismo. A obra é uma das últimas contribuições da autora Charlotte Brontë, que, junto com as irmãs, foi uma figura proeminente do romantismo inglês. A autora destacou-se pela sua habilidade em explorar a psicologia dos seus personagens e as complexidades da condição feminina numa sociedade dominada por normas patriarcais. Villette é particularmente relevante pela sua representação da luta interna da protagonista, refletindo as inquietações da mulher vitoriana na busca pela sua identidade e autonomia. 


Podes ler também a minha opinião sobre Jane Eyre


O livro apresenta Lucy Snowe, uma jovem inglesa que, após a morte misteriosa dos seus entes queridos e duma tentativa frustrada de refazer a vida a trabalhar em Inglaterra, decide partir em busca de novas oportunidades na Europa. Ao chegar na cidade fictícia de Villette, ela vê-se envolvida num ambiente desafiador e muitas vezes hostil, onde luta para encontrar emprego num internato. Através das suas experiências, Lucy enfrenta as dificuldades de adaptação a uma nova cultura e língua, ao mesmo tempo que quer ser aceite e conquistar a sua autonomia. É uma obra rica em introspecção que explora temas como o isolamento, pertencimento e a luta pela liberdade pessoal apesar das restrições sociais. Afinal, Lucy, afastada dos seus laços familiares, enfrenta um mundo que a marginaliza e subestima, colocando a nu as dificuldades enfrentadas pelas mulheres da sua época. 


"As pessoas sensatas dizem que não há ninguém perfeito; e, quanto a simpatias e antipatias, deve-se ser amigo de toda a gente e não adorar ninguém." 


Lucy Snowe é uma protagonista complexa, com um passado misterioso sobre o qual sabemos muito pouco em termos factuais, cuja evolução é marcada por profundas lutas internas e um constante dilema entre a solidão, que acredita ser o seu destino, e o seu desejo por pertencimento, por uma família, por amigos, por amor. Desde o início, ainda uma criança a passar uma temporada na casa da madrinha, é nos apresentada como uma jovem introspectiva e isolada, que carrega o peso de experiências traumáticas. Esta solidão molda a sua percepção de si mesma e do mundo ao seu redor, criando uma narrativa de resistência e adaptação. Parecendo ser passiva e inerte perante os acontecimentos, à medida que Lucy se muda para Villette e enfrenta estas novas dificuldades da vida num novo país, a sua determinação e resiliência começam a emergir de forma cada vez mais forte. É um desenvolvimento subtil, mas significativo; ela passa de uma figura passiva e observadora para uma mulher que procura activamente a sua autonomia e a sua voz. 


Podes ler ainda a minha opinião sobre O Professor


Em torno de Lucy existem alguns personagens interessantes e carismáticos, como o Dr. John Bretton, médico e uma figura central que provoca admiração, ao mesmo tempo que acorda sentimentos amorosos e esperanças para um futuro que a nossa protagonista quer abafar e esconder, por querer racionalizar e assumir que existem felicidades que não são para si, como um mecanismo de defesa para evitar desilusões. Como contraponto à sua reserva, temos a jovem Paulina, cuja vida e sentimentos entrelaçam-se com os de Lucy, mostrando diferentes maneiras como as pessoas lidam com o amor e a perda. A prima extravagante de Paulina, Ginevra, é uma jovem que gosta de dar nas vistas e espera deitar a mão a um noivo rico, que lhe permita ter a vida com que sonha na sociedade. Apesar disso, parece gostar de manter uma amizade com a discreta Lucy, a quem confidencia grande parte das suas extravagâncias e comportamentos duvidosos. A complexidade destas relações só vem enfatizar a luta interna de Lucy quanto às dinâmicas sociais da sua época. 


"Nada neste mundo me parece tão oco como dizerem-me que cultive a felicidade. Que significa semelhante conselho? A felicidade não é uma batata que se plante na terra e se cultive com adubo. A felicidade é um resplendor que brilha no céu, lá muito longe, acima de nós. É um orvalho divino que a alma, em certas das suas manhãs de verão, sente cair sobre ela, dos frutos, amaranto e ouro, do paraíso." 


O amor manifesta-se de diversas formas, desde a afeição platónica até à paixão não correspondida, culminando com a concretização dos amores possíveis e que melhor se adequavam às personalidades envolvidas. Com estas dinâmicas que oscilam ao longo da narrativa, Brontë ressalta as implicações emocionais que o amor pode trazer, desde a alegria e a esperança até a dor e o isolamento, sublinhando a luta interna de Lucy para conciliar as suas aspirações amorosas com a sua insegurança e o seu medo de não merecer esse tipo de felicidade.  A tudo isto acresce o magistral estilo de escrita de Charlotte, que volta a revelar um profundo domínio do simbolismo, da descrição vívida e do diálogo psicológico que conferem profundidade à narrativa. A história é narrada na primeira pessoa pela sempre pessimista Lucy e permite que, deste modo, o leitor se aprofunde na sua complexidade psicológica, enquanto ela navega por amores não correspondidos, amizades fragilizadas e crises de identidade. 


A obra explora temas como a luta pela autonomia feminina, as dificuldades da imigração e a rigidez das normas sociais do século XIX. Através da sua narrativa introspectiva e da rica caracterização, Brontë oferece uma crítica à sociedade da época, ao mesmo tempo que estabelece Lucy como uma protagonista forte e resiliente, refletindo as tensões entre desejo e dever, sendo a prova de como as nossas experiências moldam quem somos. É um romance que, a dada altura, me fez ter dúvidas sobre para onde se dirigia, mas que terminou com um final adequado e bem construído, capaz de nos deixar com uma sensação de que cada coisa ficou no seu devido lugar. Com Villette, tens uma leitura certeira para quem gosta de romances complexos e psicológicos, além de ser obrigatório para os fãs da literatura vitoriana. Também os jovens adultos vão encontrar aqui um romance de formação, melhor construído do que a maioria do que hoje andam a ler. Agora, quero saber a tua opinião! Já leste Villette? Conhecias esta obra da autora? O que achaste desta protagonista sofredora? Conta-me tudo nos comentários! 


Encomenda o teu exemplar através dos links abaixo, sem custos adicionais para ti, e contribui para as próximas leituras deste blog


Wook | Bertrand 

quinta-feira, 28 de novembro de 2024

Guia de Presentes de Natal 2024 - Novidades Literárias

 

Imagem de fundo pardo com uma coleção de presentes embrulhados em tons de branco e vermelho, representando o espírito festivo do Natal. O design captura a essência das comemorações e serve como uma introdução ao Guia de Presentes de Natal 2024, destacando novidades literárias imperdíveis para este fim de ano.

O Natal está a aproximar-se em passo de corrida, e com ele vem a busca pelo presente perfeito para amigos e familiares. Num mundo cada vez mais digital e conectado, os livros continuam a ser um dos presentes mais significativos e atemporais. Neste final de 2024, diversas novidades literárias chegam ao mercado e podem muito bem ser opções encantadoras para agradar leitores de todas as idades e gostos. Seja para quem aprecia ficção contemporânea, autores nacionais ou não-ficção instigante, este guia tem como objectivo simplificar a tua escolha reunindo obras que prometem cativar e inspirar. 


Podes ver também o Guia de Presentes de Natal 2023


Neste Guia de Presentes de Natal, vais encontrar uma seleção cuidadosa das mais recentes publicações, com diferentes temas e propostas. Tens propostas para jovens e crianças, adultos curiosos, amantes da culinária, para os que valorizam as premiações, autores portugueses, livros cómicos e obras muito populares, sobre as quais muito se tem falado nas redes sociais. Portanto, prepara-te para deixar o espírito natalício brilhar através da magia das palavras e transformar este Natal numa ocasião ainda mais memorável com livros que aquecem o coração e alimentam a mente. Vens comigo? 


Buy Me A Coffee

1. O Arcanjo, de James Rollins 

James Rollins, mestre do thriller histórico e científico, conduz-nos através de uma perseguição pelo globo que vai opor as principais nações, à medida que as lendas sobre um continente perdido se revelam ser reais. 

A morte de um arquivista do Vaticano, com o dedo do Kremlin, expõe uma conspiração que remonta há três séculos: a era sangrenta dos czares russos. Antes de ser assassinado, este homem conseguiu enviar uma mensagem codificada, o aviso de uma ameaça aterradora ligada a um segredo escondido na «Biblioteca Dourada dos Czares», um vasto e precioso arquivo que se julgava desaparecido nos confins da História. 

Enquanto vários agentes procuram a verdade por detrás desta morte e desta descoberta inquietante, a equipa da Força Sigma é convocada para auxiliar na busca: não só devido a este tesouro desaparecido de livros e conhecimento de outrora, mas também para seguir um rasto até ao Ártico e desvendar a verdade sobre um continente perdido, numa revelação que poderá desencadear uma guerra à escala mundial. Mas a Força Sigma debate-se com os seus próprios problemas. Após um ataque explosivo que visou o coração da agência secreta, a equipa está exposta e vulnerável. 

O conflito crescente, tanto em solo russo como nas profundezas do Ártico, reacenderá a guerra antiga entre a Igreja Ortodoxa e o Vaticano, enquanto as fúrias se agitam entre as grandes nações, ameaçando transformar os mares gelados do Norte numa combustão incontrolável. Rodeado de inimigos, caberá ao comandante Gray Pierce e à Força Sigma desvendar um mistério que nos fará recuar milénios, e descobrir a verdade sobre uma civilização perdida e um misterioso tesouro que poderá salvar o planeta... ou pôr fim à Humanidade. 


Wook | Bertrand 


Capa do livro "Arcanjo" de James Rollins, com um ambiente neviado que destaca a cúpula do Vaticano e do Kremlin em meio a uma explosão dramática. A imagem transmite uma sensação de mistério e aventura, perfeita para os amantes de thrillers e novas descobertas literárias neste Natal.

2. A Vegetariana, de Han Kang

Uma combinação fascinante de beleza e horror. 

Ela era absolutamente normal. Não era bonita, mas também não era feia. Fazia as coisas sem entusiasmo de maior, mas também nunca reclamava. Deixava o marido viver a sua vida sem sobressaltos, como ele sempre gostara. Até ao dia em que teve um sonho terrível e decidiu tornar-se vegetariana. E esse seu ato de renúncia à carne - que, a princípio, ninguém aceitou ou compreendeu - acabou por desencadear reações extremadas da parte da sua família. Tão extremadas que mudaram radicalmente a vida a vários dos seus membros - o marido, o cunhado, a irmã e, claro, ela própria, que acabou internada numa instituição para doentes mentais. A violência do sonho aliada à violência do real só tornou as coisas piores; e então, além de querer ser vegetariana, ela quis ser puramente vegetal e transformar-se numa árvore. Talvez uma árvore sofra menos do que um ser humano. 

Este é um livro admirável sobre sexo e violência - erótico, comovente, incrivelmente corajoso e provocador, original e poético. Segundo Ian McEwan, «um livro sobre loucura e sexo, que merece todo o sucesso que alcançou». Na Coreia do Sul, depois do anúncio do Man Booker Internacional Prize, A Vegetariana vendeu mais de 600 000 exemplares. Aplaudido em todos os países onde está traduzido, é um best-seller internacional. 


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Composição artística da capa do livro 'A Vegetariana' de Han Kang, destacando ramos de flores vistosas em um fundo preto, simbolizando a complexidade e beleza da narrativa. Ideal para o Guia de Presentes de Natal 2024, este livro oferece uma profunda reflexão sobre identidade e escolhas alimentares.

3. Começa Já, de Pedro Andersson

Tens entre 16 e 30 anos e queres aprender a ganhar dinheiro? 

Ninguém ensina os jovens a gerir as suas finanças pessoais. A disciplina de Literacia Financeira está prestes a entrar nas escolas, mas ainda vai demorar até chegar a todos. 

Tu podes começar já a aprender. Aqui encontrarás tudo o que precisas de saber para gerir o teu dinheiro de forma inteligente e fazê-lo crescer: 

- encarar o dinheiro de forma profissional;
- aprender a fazer um orçamento mensal; 
- a importância de subscrever um PPR o mais cedo possível e como escolher o melhor; 
- em que ferramentas financeiras investir (ETF, fundos investimento, ações, imobiliário, criptomoedas, etc.);
- o que são juros compostos e como tirares o melhor partido possível deles; 
- como ler as letras pequenas dos créditos quando comprares carro e casa; 
- quais as obrigações que vais ter com o Estado e como lidar com elas. 

O que vais ler é o que estou a ensinar aos meus filhos. Se queres começar a criar riqueza e a mudar o teu futuro, começa já! 


Wook | Bertrand 


Autor Pedro Andersson abraça dois jovens de costas, enquanto sorriem para a câmera. Na imagem, a capa do livro 'Começa Já' é exibida em destaque, transmitindo uma atmosfera de acolhimento e conexão entre gerações através da leitura, ideal para o Guia de Presentes de Natal 2024.

4. Como Fazer Quase Tudo na Air Fryer, de Rui Marques 

São receitas... 

- Rápidas (a maioria demora menos de 30 minutos a fazer);
- Fáceis e sujam pouquíssima loiça; 
- Que rendem muitos pratos (o que ajuda a poupar dinheiro na conta do supermercado);
- E... absolutamente deliciosas! 

A air fryer entrou de rompante nas nossas vidas, e quem já tem uma em casa sabe que é mesmo amor à primeira vista: práticas e fáceis de usar, sujam muito menos loiça e precisam de pouca ou nenhuma gordura para cozinhar. Mais: como confeccionam os alimentos de forma mais rápida, poupam-nos imenso tempo na cozinha! 

Com tantas coisas boas que a air fryer nos trouxe, faltava apenas uma: receitas! É que elas fazem muito mais além de cozinha batatas fritas sem óleo. Carré de borrego crocante, folhado de salmão, cheesecake americano... até sushi dá para fazer na air fryer. 

Não acredita? Pergunte ao Pitada do Pai! Depois do sucesso de Poupe com a Pitada do Pai, o livro de gastronomia mais vendido em Portugal em 2023, Rui Marques está de vota com 110 receitas para fazer na sua máquina revolucionária. Está preparado para fazer (quase) tudo na sua air fryer, até mesmo comida para bebé? Então vamos a isso, família Pitada! 


Wook | Bertrand


Rui Marques divertido e criativo, usando um cesto de air fryer como chapéu, em destaque contra um fundo vermelho vibrante. A imagem captura a essência leve e inovadora do seu livro 'Como fazer quase tudo na air fryer', que traz uma variedade de receitas práticas e deliciosas para os amantes da culinária.

5. Dores Crónicas, de Bruno Nogueira

O regresso de Bruno Nogueira aos livros de crónicas, depois do sucesso de Aqui Dentro Faz Muito Barulho, finalista dos prémios Bertrand 2023. 

«O ódio pela diferença é a vitória da ignorância; é a desistência da curiosidade, do fascínio, do espanto, da riqueza enorme que a diferença nos pode acrescentar.» 

«Não precisamos de mais pessoas que nos atirem frases feitas para sermos fortes (...). Falhar e não conseguir pode ainda ser a melhor maneira de entender o que é isto de ser humano.» 

«Estamos na época da frontalidade violenta (...). Haja paciência para os arautos da frontalidade que impõem aos outros o que ninguém lhes encomendou.» 

«Sonhemos, então, mas não nos esqueçamos de transformar esses sonhos em objectivos para que possamos viver não só na promessa do que poderia ser mas também no compromisso daquilo que será.»

BRUNO NOGUEIRA


Wook | Bertrand 


Foto da capa do livro 'Dores Crónicas' de Bruno Nogueira, destacando suas cores vibrantes em um fundo liso e amarelo. A capa apresenta um design moderno e cativante, ideal para os amantes da literatura que buscam novas perspectivas e narrativas instigantes neste Natal.

6. Não Abras Este Livro Nem No Natal, de Andy Lee

Após o sucesso dos outros livros, Andy Lee pede aos seus leitores de todo o mundo para não abrirem este livro... nem no Natal! 

Fica a dúvida do que irá acontecer desta vez. Contraria o pedido do autor, abre o livro e vem descobrir o que nos traz este novo título. Mais um livro com um final surpreendente, que não vai deixar ninguém desiludido. 


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Imagem da capa do livro 'Não Abras Este Livro Nem no Natal' de Andy Lee, destacando um boneco azul vestido de anjo, simbolizando o tom divertido e inesperado da obra. Uma adição perfeita ao seu guia de presentes literários para 2024!

7. Não Incomodar, de Freida McFadden

Quinn Alexander cometeu um crime impensável. Para evitar passar a vida na prisão, foge. Deixa para trás a sua casa, o seu trabalho e a sua família. Pega no passaporte e ruma à fronteira antes que a polícia descubra o que ela fez. 

Mas, quando uma inesperada tempestade de neve a leva a sair da estrada e a parar no meio do nada, Quinn é obrigada a refugiar-se no tranquilo e isolado Motel Baxter. O edifício está deteriorado e a precisar de uma remodelação, mas Nick, o bonito e atencioso proprietário, disponibiliza-lhe um dos quartos por um preço simpático para ela pernoitar ali, ao abrigo da tempestade. 

Infelizmente, para Quinn, o Motel Baxter não se revela o abrigo seguro e sossegado que aparentava ser. O motel tem um passado sombrio e perturbador. E, na casa em ruínas do lado oposto da rua, a silhueta da mulher doente de Nick está sempre à janela, a observar tudo. 

Quinn decide que tem de sair dali na manhã seguinte. Agarrar nas suas coisas e seguir novamente viagem. Só que, primeiro, vai ter de sobreviver àquela noite. 


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Capa do livro "Não Incomodar" de Freida McFadden, apresentando um puxador de porta com um sinal de "não incomodar", adornado com marcas de sangue, sobre um fundo roxo misterioso e envolvente. Esta imagem evoca uma atmosfera intrigante e sombria, refletindo o suspense da narrativa.

8. Nexus, de Yuval Noah Harari

Ao longo dos últimos cem mil anos, os seres humanos acumularam um enorme poder. Contudo, apesar de todas as nossas descobertas, invenções e conquistas, vivemos uma crise existencial. O mundo está à beira de um colapso ecológico. A desinformação abunda. Avançamos rápida e apressadamente para a era da inteligência artificial - uma nova rede de informação diferente de todas as anteriores, que pode inclusivamente representar uma séria ameaça para a própria humanidade. Se somos assim tão sábios, porque somos tão autodestrutivos? 

Ao contrário das respostas tradicionais - científicas, ideológicas ou culturais -, que se concentram em encontrar a raiz do problema na nossa psicologia, Nexus analisa antes o modo como o fluxo de informação moldou o ser humano e o mundo. Começando na Idade da Pedra, passando pela Bíblia, a caça às bruxas do início da Idade Moderna, o estalinismo e o nazismo, até ao ressurgimento hodierno do populismo, Yuval Noah Harari convida-nos neste seu novo livro, original e de grande fôlego, a refletir sobre a relação complexa entre informação e verdade, burocracia e mitologia, sabedoria e poder. 

Ao mesmo tempo, escrutina as formas em que as diferentes sociedades e os diferentes sistemas políticos usaram a informação em seu favor, tanto para o bem como para o mal, e aborda as escolhas urgentes que temos pela frente dada a ameaça da inteligência não-humana contra a nossa existência. 

A informação não é a matéria-prima da verdade, nem tão pouco uma simples arma. Nexus aborda o terreno intermédio entre estes dois extremos, redescobrindo assim a nossa humanidade comum. 


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Capa do livro 'Nexus' de Yuval Noah Harari, destacando uma ilustração de uma pomba cinzenta sobre um fundo branco, simbolizando temas de paz e interconexão presentes na obra. Ideal para o Guia de Presentes de Natal 2024.

9. O Ouvidor do Brasil, de Ruy Castro

Do grande biógrafo de Carmen Miranda, Garrincha e Nelson Rodrigues: Ruy Castro revela o lado humano, crítico e mordaz de Tom Jobin, o homem que mudou a história da música brasileira. 99 crónicas cheias de música, informação e histórias de bastidores. 

Tom Jobin, o homem que compôs tratados musicais como «Garota de Ipanema» ou «Águas de Março», mudou a história da música brasileira com a bossa nova e as suas canções imortais. Mas isso os leitores provavelmente já sabem. 

O que Ruy Castro mostra agora no livro O Ouvidor do Brasil é um Tom mais inesperado e desconhecido, ecologista, «piador», discreto, que olhava sempre para o Brasil, até da janela do seu apartamento em Nova Iorque. 

Estas crónicas de Ruy Castro, que o conheceu e entrevistou muitas vezes, escritas ao longo do tempo, formam um perfil biográfico fragmentado de um dos maiores artistas do Brasil e do mundo, oferecendo diferentes e surpreendentes ângulos em cada texto. 

Com o seu estilo inconfundível, o grande biógrafo partilha ainda a sua quota parte de factos inéditos, histórias de bastidores e um panorama aberto para a cultura de um país e para as grandes figuras da cena musical nos anos 1950 e 1960. 


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Capa do livro 'O Ouvidor do Brasil' de Ruy Castro, apresentando uma imagem em preto e branco de um jovem Tom Jobim, evocando a rica herança musical e cultural do Brasil.

10. O Protocolo Caos, de José Rodrigues dos Santos

Um homem encapuzado sai do carro e abre fogo contra a multidão. Morrem dezenas de pessoas, incluindo bebés. Depois do massacre, tira a máscara e revela a sua identidade: Tomás Noronha. 

Um polícia na Rússia é alertado para atividades suspeitas na cave de um prédio. O que descobre irá mudar a história do país. 

Uma família americana desfaz-se sem que perceba porquê. A tragédia arrasta-a para uma conspiração que vai dilacerar os Estados Unidos. 

Uma médica brasileira é perseguida por tentar salvar vidas. Para a ajudar, Maria Flor tem de enfrentar a turba. 

Um birmanês tem na sua posse um documento comprometedor. Se quiser chegar a ele, Tomás Noronha precisa de mergulhar no inferno. 

A ligar todos estes episódios está uma mensagem enigmática. 

Inspirado em factos reais, O Protocolo Caos transporta-nos ao coração da atualidade mais escaldante e mostra-nos como a Rússia e os seus cavalos de Troia no Ocidente usam as redes sociais para destruir o nosso mundo. 


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Capa do livro "O Protocolo Caos" de José Rodrigues dos Santos, destacando um fundo preto com chamas. No centro da imagem, a sombra de um homem está projetada em frente a um computador, sugerindo mistério e tensão na narrativa.

11. Os Dias Contados, de João Tordo

Fevereiro de 2013: um acidente na neve precipita uma cadeia de acontecimentos que culminam no primeiro caso de investigação que cai nas mãos de Pilar Benamor. É também o princípio do seu confronto com o mal absoluto. 

Quando o compositor Flores Baltazar regressa, com o filho e a mulher, de umas malogradas férias de esqui durante as quais se feriu com gravidade, apodera-se da família um mal-estar existencial. Tudo se agrava certa tarde, quando, à porta da escola do filho, Baltazar se envolve num confronto com o pai de outro aluno. Os polícias chamados ao local são os agentes Costa e Benamor. 

Serão também eles a atender, dias depois, a chamada relacionada com o cadáver de uma prostituta num clube nocturno. Os contornos macabros do crime remetem Pilar Benamor para o célebre caso do Embalsamador, um psicopata que aterrorizou Lisboa anos antes e conduziu o seu pai ao desespero. 

Ao longo da investigação, Pilar levanta o véu de uma rede de tráfico humano e enreda-se num perigoso feudo familiar. Quando um segundo cadáver embalsamado aparece à porta da esquadra, com um recado sinistro para a agente, instala-se a certeza de que o caso do Embalsamador não ficou resolvido. 

Obsessiva, volátil, atormentada pela morte do pai e já a sucumbir à dependência que mais tarde a dominará, Pilar Benamor corre contra o tempo e contra a própria força policial para resolver este caso, ao mesmo tempo que procura proteger Flores Baltazar e o seu filho do violento clã Boki. 

As revelações sucedem-se neste thriller imparável, até ao electrizante clímax no mesmo lugar onde tudo começou: a brancura a perder de vista da Serra Nevada. 

Os Dias Contados retrata o embate de Pilar Benamor com as várias faces do horror, mas é também uma bonita história de amor entre um pai e um filho, que põe a descoberto as pesadas consequências dos erros mais humanos. 


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Imagem da capa do livro 'Os Dias Contados' de João Tordo, apresentando uma mulher de perfil, com o rosto oculto por uma gabardina escura, evocando mistério e introspecção, perfeita para entrar no clima de reflexão e histórias cativantes neste Natal.

12. O Sonâmbulo, de Lars Kepler

A meio da noite é emitido um alerta sobre um assalto em curso no parque de campismo de Bredäng, nos arredores de Estocolmo. O veículo da polícia mais próximo responde à chamada e dirige-se para o local. Apesar de o parque estar encerrado durante o inverno, há luz numa das autocaravanas e ao abrirem a porta os agentes encontram um cenário aterrador. Das paredes aos móveis, tudo está coberto de sangue. Uma pessoa foi brutalmente assassinada e esquartejada com um machado. 

No chão de um dos quartos, um jovem dorme, usando um braço decepado como almofada. É imediatamente detido, levado para a prisão de Kronoberg e identificado como Hugo Sand, de dezassete anos, filho de um conhecido escritor. Mas Hugo sofre de uma forma rara de sonambulismo e, por isso, tanto pode ser um criminoso como uma testemunha. Contudo, alega não ter qualquer recordação daquela noite. Joona Linna, a quem cabe investigar o caso, contacta o seu velho amigo Erik Maria Bark para, com recurso à hipnose, tentar descobrir o que aconteceu no interior da autocaravana. Este torna-se o tiro de partida para uma complicada perseguição a um temível assassino em série, que acaba de entrar numa fase particularmente cruel. 


Wook | Bertrand 


Capa do livro "O Sonâmbulo" de Lars Kepler, apresentando uma mulher de costas, contemplando uma autocaravana sob um céu noturno estrelado. A atmosfera misteriosa sugere uma trama intrigante e envolvente. Ideal para um guia de presentes literários de Natal.

Ao chegar ao fim deste Guia de Presentes de Natal repleto de novidades literárias, espero que tenhas encontrado inspirações úteis para surpreender os teus amigos e familiares que amam ler. Cada um dos livros selecionados, além de trazerem novas narrativas e experiências, ainda oferecem o mote para discussões enriquecedoras em torno de temas actuais e significativos. Oferecer um livro é um acto de amor e, neste Natal, mais do que nunca, é o momento perfeito para que o faças. 

Agora, quero saber a tua opinião! Já leste algum dos livros recomendados? Que presentes literários estão na tua lista este ano? Qual gostarias mesmo de receber? Vais oferecer algum? Conta-me tudo nos comentários! 

terça-feira, 26 de novembro de 2024

#Livros - O Homem do Casaco Vermelho, de Julian Barnes

 

Foto da capa do livro 'O Homem do Casaco Vermelho' de Julian Barnes, publicado pela Quetzal. A imagem destaca uma parte do icônico quadro 'Dr. Pozzi at Home', de John Singer Sargent, com ênfase no longo casaco vermelho que captura a atenção, simbolizando tanto a elegância quanto os mistérios que permeiam a narrativa. A combinação da arte clássica e a literatura moderna convida o leitor a mergulhar na intrigante história contada por Barnes.

Sinopse

No verão de 1885, três cavalheiros franceses chegaram a Londres para alguns dias de «compras decorativas e intelectuais». Um era príncipe, outro era conde e o terceiro era um plebeu com apelido italiano que, alguns anos antes, fora retratado numa das extraordinárias telas de John Singer Sargent. Era ele Samuel Pozzi, médico da melhor sociedade, ginecologista pioneiro e livre-pensador - um homem racional, de espírito científico e com uma vida privada conturbada. 

Em fundo, a Belle Époque parisiense, um período de muito glamour e prazer, mas com um lado negro também - de histeria, narcisismo, decadência e violência. 

O Homem do Casaco Vermelho é, assim, em simultâneo, um original e vívido retrato da Belle Époque - e dos seus heróis, vilões, escritores, artistas e pensadores - e de um homem à frente do seu tempo. Um livro cheio de espírito e profundamente documentado, que mostra e defende a frutuosa e duradoura troca de ideias através do Canal da Mancha que fez a grandeza da Europa. 


Buy Me A Coffee

Opinião 

Julian Barnes é um dos autores mais proeminentes da literatura contemporânea, conhecida pela sua prosa elegante e perspicaz. Nascido em 1946, na Inglaterra, Barnes construiu uma carreira marcada por uma diversidade de géneros, que vão do romance à crítica literária, passando por ensaios e contos. O seu trabalho frequentemente explora temas como a memória, a identidade e a complexidade das relações humanas. Com uma escrita que combina erudição e acessibilidade, conquistou diversos prémios, incluindo o Booker Prize. No livro O Homem do Casaco Vermelho, encontramos um ensaio sobre uma época que começa com um trio em viagem de Paris para Londres e que acompanhamos num registo que nos apresenta as maiores figuras da sociedade francesa e também da inglesa. Comprei-o na última visita que fiz à Feira do Livro de Lisboa, embora não soubesse bem o que esperar desta leitura, que foi toda uma descoberta. 


Passado entre o final do século XIX e o início do século XX, conta-nos sobre a Belle Époque, um período histórico complexo e que combina conceitos contrastantes que conviviam simultaneamente. A narrativa é rica em elementos do quotidiano, com os cenários que refletem a vida urbana e as interações sociais que moldam os nossos personagens. Esta ambientação torna-se um personagem em si mesmo, detalhado e cativante, que nos transporta para o passado histórico e cultural e que nos leva a refletir sobre a inexorabilidade do tempo. Ao explorar a figura dum homem como Samuel Pozzi, sem ascendência nobre mas com notoriedade e dinheiro, leva-nos a entender o quanto a subjetividade molda a nossa percepção do passado. 


Podes ler também a minha opinião sobre Chega de Saudade


Por outro lado, a identidade é explorada na tensão entre o eu individual, que temos poucas evidências para analisar, e as influências externas, como o ambiente social e as relações interpessoais. No caso de Pozzi, as suas relações foram com as figuras mais famosas da sua época, com quem conseguiu manter amizades duradouras, mesmo com as personalidades mais distintas e até problemáticas. Era um homem da ciência, um médico inovador e que revolucionou a forma como a ginecologia era encarada, que se rodeava de gente bonita, rica e bem sucedida, nobres falidos mas eruditos, burgueses interessantes e artistas das mais variadas áreas. Assim, O Homem do Casaco Vermelho proporciona uma viagem pela vida e curiosidades de algumas das personalidades mais icónicas desta época, como Oscar Wilde ou Sarah Bernhard, só para dar dois dos exemplos mais conhecidos. 


"A arte sobrevive aos caprichos individuais, ao orgulho familiar, à ortodoxia da sociedade; a arte tem sempre o tempo do lado dela." 


A prosa de Barnes é marcada por uma precisão quase cirúrgica, aliada a uma poética que confere ritmo e intensidade às suas reflexões. Através duma alternância habilidosa entre o passado e o presente, o autor revela gradualmente as camadas de memória que conseguimos captar sobre a vida do seu protagonista, ao mesmo tempo que faz paralelismos com situações ocorridas nos dias de hoje, como sendo frutos colhidos dessa herança criada na Belle Époque. Esta combinação de profundidade emocional e formalidade estilística marca a obra como um estudo da condição humana, sendo também significativas as histórias que escolhemos contar. No caso de Barnes, a figura de Pozzi no famoso quadro que o retrata num longo casaco vermelho serviu de mote e despertou-lhe a curiosidade sobre uma figura e uma época onde a Europa se começou a fragmentar e as diferenças entre os Ingleses e os continentais deixaram de ser apenas sobre posse de território e poder, para passarem a ser conduzidas para preconceitos que, em última instância, culminaram na decisão do Reino Unido sair da União Europeia e voltar a isolar-se na sua ilha. 


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Na obra, a linha do tempo gira em torno da vida de três figuras principais, que servem de mote para explorar tudo e todos os que sabemos que o rodearam, e que refletem bem as nuances da sociedade francesa do século XIX. O já referido Samuel Pozzi, que é retratado como um homem de múltiplas facetas: culto, carismático, bonito e audacioso, navega entre os círculos sociais e intelectuais da sua época com uma facilidade impressionante, desafiando as convenções do seu tempo. Montesquiou, o poeta e esteta, é um dandy que encarna a busca pelo belo e a frivolidade; a sua aparência extravagante e as suas opiniões incisivas sobre a arte e a vida revelam um espírito crítico e acutilante que foi acumulando inimizades no caminho sem qualquer pejo. Edmond de Polignac, por sua vez, é um aristocrata que, apesar da sua posição privilegiada, lida com a decadência que assola os príncipes deste tempo, onde o dinheiro é cada vez mais escasso e o seu poder proporcionalmente reduzido, a menos que aceitem unir-se aos novos ricos, que são agora os donos do dinheiro. 


"Lembra-nos que o aprazível estudo-de-uma-vida que estamos a ler, apesar de todos os pormenores, dimensão e notas de pé de página que apresente, apesar de todas as certezas factuais e hipóteses seguras que contenha, pode apenas ser uma versão pública de uma vida pública e uma versão parcial de uma vida privada." 


Inegável é a elegância subtil e a profundidade que marcam a prosa de Julian Barnes. O autor tece imagens vívidas que evocam os lugares, as obras e as personagens que descreve. Esta abordagem, além de enriquecer a narrativa, convida o leitor a uma contemplação mais profunda sobre a época que explora e as consequências deste modo de vida para a sociedade europeia. Ao longo desta leitura, fui-me deliciando com esta época glamourosa e, ao mesmo tempo, marcada pelo decadentismo, numa Paris repleta de figuras internacionais famosas e talentosas. Reconheci muitos nomes, outros foram uma total descoberta, muitas curiosidades foram apresentadas sobre estas figuras e a forma como se relacionavam entre si, com amizades momentâneas, ódios de estimação, relações de inveja pura e até amores clandestinos ou nem tanto. 


No fundo, é uma tentativa de biografia de figuras públicas, de quem não se sabe tudo, sobretudo no que toca à vida privada e familiar, de uma época controversa que marcou a política e a cultura da Europa, com a perfeita consciência das suas limitações factuais, pois é preciso entender que há coisas que nunca vão sair da intimidade das pessoas se elas não quiserem, se elas não partilharem de alguma forma. É uma obra que transcende o mero entretenimento literário, tornando-se num documento histórico que permite conhecer uma época, com os seus costumes próprios e uma cultura efervescente. Talvez não fosse uma leitura que à primeira vista me interessasse, mas revelou-se muito mais interessante e instigante do que estava à espera depois de tomar conhecimento sobre o que tratava e estou muito curiosa para conhecer melhor o trabalho de Julian Barnes num futuro próximo. Agora, quero muito conhecer a tua opinião! Já leste o livro? Conhecias o trabalho literário de Julian Barnes? Gostas de ensaios? Qual a personalidade que mais te cativou? Conta-me tudo nos comentários! 


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Wook | Bertrand 

quinta-feira, 21 de novembro de 2024

#Filmes - O Pai

 

Em uma cena impactante do filme 'O Pai', Anthony Hopkins, no papel de um pai idoso, está sentado pensativamente em uma poltrona, enquanto sua filha, interpretada por Olivia Colman, observa-o com um olhar de preocupação e amor. A expressão em seus rostos transmite a profundidade emocional da relação deles, refletindo os desafios da demência e a busca desesperada por conexão e compreensão.

Sinopse

Sozinho no seu apartamento em Londres, Anthony foi sempre um homem independente. Agora com 81 anos, mostra uma grande resistência em aceitar a proposta de Anne, a filha, para que tenha alguém em casa para cuidar de si. Para o velho senhor, consentir é assumir uma incapacidade que considera não ter. Mas Anne, que em breve se mudará para Paris, precisa de saber que o pai não ficará entregue a si mesmo. Nesse processo, Anthony sente-se de tal modo pressionado que começa a duvidar de si, de Anne e da própria concepção da realidade. 

Com assinatura do realizador e dramaturgo Florian Zeller, um drama sobre envelhecimento, sanidade e perda de autonomia, que adapta a peça homónima da sua autoria. 

Na 78.ª edição dos Globos de Ouro, este filme foi nomeado nas categorias melhor actor (Anthony Hopkins), actriz secundária (Olivia Colman), filme dramático e argumento; nos BAFTA, teve seis nomeações, acabando por ganhar prémios de melhor actor e argumento adaptado. Com seis nomeações para Óscares, recebeu o de melhor actor e argumento adaptado. 


Buy Me A Coffee

Opinião 

O Pai é um aclamado drama psicológico, lançado em 2020, e dirigido pelo reconhecido Florian Zeller. O filme traz Anthony Hopkins numa actuação magistral que lhe rendeu diversos prémios, incluindo o Oscar de Melhor Actor. O elenco principal conta ainda com Olivia Colman, Mark Gatiss e Imogen Poots, que juntos trazem à vida uma narrativa profunda e sensível sobre a experiência da demência e as suas implicações para a vida das pessoas afetadas e dos seus familiares. Explorando a experiência dum homem idoso, que enfrenta os desafios da demência, a narrativa mergulha na mente de Anthony, um homem inteligente e teimoso, cuja realidade começa a desvanecer-se à medida que a sua memória se deteriora. 


O filme retrata a angustiante confusão e a solidão que acompanham esta condição, além de oferecer uma visão intimista do impacto que a demência tem nas relações familiares, especialmente entre Anthony e a sua filha, Anne. Numa época em que o envelhecimento da população e questões relacionadas à demência e a doenças neurodegenerativas estão cada vez mais presentes na sociedade, o filme provoca uma profunda reflexão sobre os desafios do cuidado, a fragilidade da memória e a relação entre pais e filhos. A narrativa, estruturada de forma a colocar o espectador directamente na mente confusa do protagonista, gera um impacto emocional significativo, permitindo que o público vivencie a desorientação e a tristeza que acompanham a perda gradual da autonomia e da identidade. Assim, humaniza e dá voz a uma realidade que muitos preferem ignorar, promovendo empatia e compreensão numa questão que afeta inúmeras famílias. 


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A trama desenrola-se num mundo nebuloso e desconcertante, onde a percepção da realidade do protagonista se fragmenta. Sabemos que estamos em Londres, mas à medida que ele tenta entender as mudanças no seu ambiente e nas pessoas ao seu redor, o espectador é levado a experimentar a sua confusão e angústia. Anthony é um homem orgulhoso e teimoso, que luta para manter a sua independência no meio do caos da sua deterioração mental, ao passo que a sua filha, Anne, vivida por Olivia Colman, é a única âncora emocional na sua vida, embora também esteja claramente sobrecarregada pelo peso da responsabilidade e pela dor de ver o seu pai se perder na sua própria mente. A dinâmica entre Anthony e Anne é central para a narrativa, revelando não só a fragilidade da condição humana, mas também o profundo amor e o desgaste que a doença traz às relações familiares. 


Na cena emocionante do filme 'O Pai', Anthony Hopkins, que interpreta Anthony, aparece ao lado de sua filha Anne, interpretada por Olivia Colman, e da cuidadora Laura, em um ambiente acolhedor que reflete a luta contra o avanço da demência. A expressão de preocupação e afeto no rosto de Anne contrasta com a confusão de Anthony, capturando a complexidade das relações familiares e o impacto da doença sobre a vida cotidiana. A sala, com seus móveis clássicos, é um retrato íntimo do lar, simbolizando tanto a segurança quanto os desafios enfrentados por aqueles que lidam com a perda da memória.

Tudo se desenrola num ambiente intimista e claustrofóbico, predominantemente situado no apartamento de Anthony. Este espaço torna-se num personagem por si só, refletindo a confusão interna e a fragilidade da mente do idoso. A decoração é acolhedora, mas ao mesmo tempo, descompassada, com objectos e móveis que parecem mudar de lugar, simbolizando a instabilidade da percepção de Anthony. À medida que a narrativa avança, o cenário transcende o simples espaço físico, tornando-se num labirinto emocional que espelha as experiências de perda, solidão e a procura desesperada por compreensão e conexão. 


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Quanto às atuações, Hopkins consegue captar de maneira impressionante a fragilidade e a confusão que acompanham o avanço da demência, criando uma representação visceral da perda progressiva da realidade e da identidade. A sua habilidade em alternar entre momentos de lucidez e desorientação é angustiante, oferecendo ao espectador um vislumbre autêntico da experiência de viver com esta condição. Por seu lado, Olivia Colman, apresenta a complexidade e a dor desta dinâmica familiar na sua interpretação. O conflito interno da personagem é palpável, revelando uma filha que, apesar do seu amor incondicional, se vê sufocada pela responsabilidade e pelo temor de perder o pai. A direção de Florian Zeller cria uma experiência cinematográfica profundamente imersiva e perturbadora. A escolha de ângulos de câmera, a manipulação do espaço e os cortes temporais imprecisos geram uma sensação de desorientação que mimetiza a deterioração da memória. 



Estamos perante um filme profundamente tocante que oferece uma representação sem precedentes da experiência destruidora da demência. As actuações são duma intensidade e veracidade impressionantes, a narrativa mergulha o espectador na mente do protagonista, permitindo uma empatia rara e intenso pelos desafios enfrentados por aqueles que vivem com a doença. O Pai é muito mais que uma simples experiência cinematográfica, sendo um repto à empatia e à compreensão, tornando-se especialmente relevante numa sociedade que, muitas vezes, luta para lidar com questões relacionadas à saúde mental e ao cuidado dos idosos. É um testemunho poderoso da humanidade no meio do sofrimento e uma obra que provavelmente ficará gravada na memória afetiva de quem a assiste. 


Pela minha parte, só posso recomendar O Pai a todos os que procuram uma experiência cinematográfica profunda e impactante, especialmente para aqueles que têm especial interessa em temas relacionados com a demência, o envelhecimento e as complexidades das relações familiares na terceira idade. Além disso, o filme pode ser uma oportunidade para que familiares e cuidadores compreendam melhor os desafios do envelhecimento, promovendo empatia e diálogo sobre a importância do cuidado e da compreensão destas pessoas. Agora, quero te convidar a partilhares as tuas impressões sobre este filme! Viste O Pai? O que sentiste com a interpretação magistral de Anthony Hopkins? Qual o momento que mais te marcou? Conta-me tudo nos comentários abaixo! 

terça-feira, 19 de novembro de 2024

#Livros - Emma, de Jane Austen

 

A capa da edição de "Emma" publicada pela Relógio d'Água apresenta uma delicada gravura de uma mulher sentada em uma poltrona, imersa em um ambiente que exala charme e sofisticação. Vestida com um elegante vestido branco adornado com detalhes em amarelo, a figura evoca a graça e a independência da protagonista da história. O toque sutil das cores e o design clássico refletem o estilo atemporal de Jane Austen, convidando o leitor a mergulhar nas intrigas e sutilezas da sociedade britânica do século XIX. A imagem é um convite visual à jornada de autodescoberta e ao romance que permeia a narrativa.

Sinopse

Em Highburty, Inglaterra, no início do século XIX, conhecemos a história de Emma Woodhouse, uma jovem inteligente cuja convicção nas suas capacidades de casamenteira leva a uma série de desastres amorosos. Embora seja convencida de que nunca se irá casar, Emma acredita que é uma excelente promotora de casamentos entre os seus conhecidos. Ela efetivamente orquestrou o recente casamento da sua antiga governanta, Miss Taylor, e do viúvo Mr. Weston. 

Emma está determinada a gerar outro casamento após um tal sucesso: toma Harriet Smith como sua protegida e decide de imediato encontrar-lhe um marido. Procura transformar Harriet numa dama, melhorar as suas escolhas, particularmente no que toca às suas afeições amorosas. Ela persuade Harriet a deixar Robert Martin, o jovem agricultor que gosta dela, e a perseguir Mr. Elton, o clérigo da cidade. 

Austen constrói um universo social cheio de erros amorosos, descuidos sociais, e vários exemplos de costumes sociais ridículos. Ao fazê-lo, destaca como a sociedade gera expectativas irrealistas - mas também sublinha de que forma as pessoas se apoiam em convenções sociais para conseguirem sobreviver. 


Buy Me A Coffee

Opinião 

Emma, publicado em 1815, é um dos romances mais célebres da autora inglesa Jane Austen. A obra passa-se na pequena cidade de Highbury e gira em torno da vida de Emma Woodhouse, uma jovem rica e determinada, conhecida pela sua beleza e inteligência. Na sua busca por se tornar uma "casamenteira", Emma interfere nos relacionamentos dos outros, acreditando que pode guiar os destinos amorosos dos seus amigos, especialmente da ingénua Harriet Smith. No entanto, a sua confiança excessiva na sua própria habilidade para ler corações e avaliar compatibilidades leva-a a uma série de mal-entendidos e situações cómicas. Talvez seja um dos livros mais populares da autora, e que tinha deixado para trás na senda de ler toda a sua obra, precisamente por acreditar que não seria o meu favorito, o que se comprovou com a leitura. 


Jane Austen, nascida em 1775 na Inglaterra, é uma das autoras mais famosas da literatura clássica, conhecida pela sua habilidade para explorar as nuances das relações sociais e a condição feminina numa sociedade rigidamente estruturada. As suas obras oferecem sempre uma crítica mordaz à sociedade da sua época, e apresentam, de forma consistente, personagens femininas complexas e memoráveis que desafiam os papéis tradicionais que se espera delas. Austen é admirada pelo seu estilo elegante, ironia pungente e profunda compreensão da psicologia humana, influenciando gerações de escritores e leitores. No que me toca, tem sido uma viagem deliciosa esta pela obra desta autora e só lamento que esteja prestes a chegar ao fim. 


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A protagonista, Emma Woodhouse, é uma jovem rica, inteligente, determinada, que se destaca pela sua personalidade autoconfiante e pelas suas opiniões fortes sobre o mundo ao seu redor. Ambiciosa na sua busca por fazer o bem, Emma vê-se como uma mão amiga na vida dos outros, especialmente na tentativa de orquestrar relacionamentos amorosos entre os seus conhecidos. Para quem gosta tanto de promover estes casamentos nas suas relações, para si afirma que prefere ficar solteira, uma vez que é uma rica herdeira que não precisa de marido para ocupar um lugar na sociedade e viver confortavelmente. Emma é marcada por um espírito independente, uma habilidade de manipulação social que roça a arrogância e a soberba, mas que culmina na sua capacidade de reconhecer as suas falhas e no quanto o desejo de ajudar pode conduzir os amigos por caminhos infelizes. 


"Os reais males da situação de Emma eram, na verdade, a possibilidade de levar em demasia a sua avante e certa propensão para pensar um pouco bem de mais de si própria; tais inconvenientes ameaçavam estragar algumas das suas alegrias." 


Neste livro, os personagens secundários desempenham papéis cruciais que complementam e contrastam com a nossa irritante protagonista. Mr. Knightley, amigo leal e crítico de Emma, serve como a sua consciência moral, desafiando as suas falhas e incentivando o seu crescimento pessoal, porque acredita que ela pode ser bem melhor do que se mostra ser no início do livro. Harriet Smith, por outro lado, representa a inocência e a vulnerabilidade, com a sua dependência de Emma, influenciada pelas opiniões da amiga rica que a introduz numa sociedade cujo acesso sempre lhe esteve vedado e que, no fundo, nunca teve real interesse para pertencer, a não ser pela sua nova amizade. Já Mr. Elton, com o seu orgulho e ambição, é um exemplo de como o status social podes distorcer a percepção do carácter, revelando a natureza superficial das classes sociais da época. 


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No romance, a dinâmica entre os personagens é crucial para o desenvolvimento da trama e para a exploração dos temas centrais da obra. Assim, a interação entre Emma e Mr. Knightley, o único que a desafia e que melhor a conhece, introduz uma tensão que leva ao seu crescimento pessoal. A relação entre Emma e Harriet, a sua amiga de classe inferior, reflete a superficialidade das distinções sociais da época e o quanto esta poderia ter sido a grande vítima das acções e dos mal-entendidos de Emma. Aqui, Jane Austen mergulha nas complexidades do amor e dos relacionamentos, contrapondo o amor romântico idealizado à amizade genuína e ao amor familiar. Além de retratar o romantismo da época, também expõe falhas e verdades sobre os laços que unem as pessoas, mostrando que o amor verdadeiro é frequentemente encontrado nas relações mais simples e autênticas. 


"A natureza humana é tão benevolente para com aqueles que se encontram em situações interessantes, que, acerca de qualquer jovem que case ou morra, é certo, ouvir sempre as melhores referências." 


Como já referi, este foi o livro que menos me agarrou da autora até ao momento e a culpa é claramente desta protagonista tão irritante, manipuladora e até arrogante, que acredita que pode moldar o destino daqueles que a rodeiam. É verdade que, à medida que a narrativa avança, começa a entender o quanto errou e a enfrentar as consequências das suas acções e das suas percepções distorcidas sobre amor e amizade. Ganha alguma redenção e todos conseguem o seu final feliz, mas Emma não ganhou mesmo o meu coração e permanece uma mulher desocupada e prepotente na minha opinião. No entanto, apesar do meu desagrado com Emma, é inegável que voltamos a encontrar a prosa refinada e incisiva de Jane Austen, que é sempre um deleite. O uso de diálogos espirituosos e observações astutas tornem a leitura ainda mais envolvente e agradável. Sem esquecer o humor refinado e a ironia afiada, temos os ingredientes certos para oferecer uma experiência de leitura espectacular. 


A narrativa acaba por dar destaque ao crescimento pessoal de Emma, promovendo uma crítica social às convenções da época, como é apanágio da autora. Em suma, Emma combina humor, romance e uma profunda exploração do carácter humano ou da falta dele. Sabemos o medo que muita gente tem dos clássicos, mas Jane Austen pode muito bem ser uma porta de entrada acessível e cativante, para desmistificar esse medo irracional. Obra rica em nuances que, ao longo das suas páginas, desafia os leitores a refletirem sobre temas como a classe social, o amor e a autodescoberta, que precisa ser lida e descoberta como parte do trabalho brilhante que Jane Austen nos deixou. Agora, quero muito saber a tua opinião! Já leste Emma? O que achaste desta protagonista tão diferente? O final surpreendeu-te? Conta-me tudo nos comentários! 


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