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terça-feira, 30 de julho de 2024

#Livros - Vera Cruz, de João Morgado

 

A capa do livro "Vera Cruz" de João Morgado apresenta uma composição intrigante: em um fundo rico e vibrante, caravelas navegam serenamente nas águas, simbolizando a exploração e a descoberta. Acima delas, um mapa intrincado flutua, evocando as rotas marítimas de tempos antigos e a busca por novos mundos. No centro da imagem, um homem de costas observa essa vastidão, imerso em pensamentos e reflexões sobre a jornada à frente. Este design instiga a curiosidade e prepara o leitor para uma aventura repleta de história e emoção.

Sinopse

Baseado em factos históricos inéditos. Jogos, sombras e traições na época áurea dos Descobrimentos. 

Este romance de João Morgado, autor já com vasta obra publicada, centra-se na vida desconhecida de Pedro Álvares Cabral e numa época tão gloriosa quanto distante. 

Trata-se de um livro que facilmente ambienta o leitor no período áureo da nossa História e no qual depressa (re)descobrimos viagens acidentadas, jogos de sombras e traições, na Índia e no reino de Portugal, e sobretudo rivalidades e intrigas. E, claro, um Pedro Álvares Cabral intrépido e valente, mas por vezes também desiludido e arrependido. 


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Opinião 

Vera Cruz, escrito por João Morgado, é uma obra que mergulha nas complexidades da História e da identidade portuguesa, tendo sido a minha estreia com este autor tão elogiado pelas minhas amigas. O autor utiliza o seu conhecimento histórico para entregar uma narrativa rica em detalhes e emoções, ao mesmo tempo que nos entretém, leva-nos a refletir sobre o passado e as suas implicações nos acontecimentos mais famosos da época dos Descobrimentos. Assim, ao longo deste livro revisitamos episódios significativos da História de Portugal, levantando o véu sobre alguns mistérios e intrigas da corte e das viagens que buscavam encontrar o caminho marítimo para a Índia, ao mesmo tempo que se procurava levar a salvação para os hereges. 


Nesta obra, que parece ser o primeiro volume duma trilogia sobre as navegações portuguesas, temos um romance histórico que acompanha a vida, desde a infância em Belmonte, de Pedro Álvares Cabral e que nos transporta para o efervescente século XV em Portugal. Através das experiências dos personagens históricos, o autor tece uma crónica rica em detalhes, mostrando tanto a ambição e os sonhos dos exploradores e do próprio rei, quanto o impacto das suas acções sobre as populações nativas. A história desenrola-se no meio de intrigas, relações complexas e dilemas morais, criando um retrato do que terá sido a época mais gloriosa do nosso país. 


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Em Vera Cruz, João Morgado apresenta uma rica tapeçaria de personagens históricos que se entrelaçam numa narrativa envolvente sobre a época das grandes navegações. O protagonista, Pedro Álvares Cabral, emerge como um líder audacioso e determinado, cuja expedição que chega ao Novo Mundo simboliza o espírito exploratório de Portugal. Ao seu lado, parte também Bartolomeu Dias, o navegador que desbravou o Cabo das Tormentas, uma figura inspiradora que representa os desafios e os riscos da exploração marítima. Já D. Manuel I, o rei que recebeu os louros do trabalho que herdou do seu antecessor, é retratado com uma aura de ambição e pragmatismo, refletido o desejo de aumentar o ouro nos seus cofres, mais do que evangelizar ou conquistar território. Estes são só alguns exemplos de personagens que moldaram a História de Portugal e que nos levam a refletir sobre as complexas dinâmicas de poder e de descoberta. A interação entre eles revela as nuances da ambição humana, das rivalidades e das alianças que definiram uma era. 


"De repente todos estavam de acordo num ponto: Vasco da Gama era o homem do rei, mas não era o homem do reino. Não era nobre no sangue e menos nas atitudes, não tinha trato polido nem astuta prudência." 


A ambientação é um rico painel que transporta o leitor para o século XV, entre a Lisboa vibrante e cheia de vida, onde as ruas pulsavam com o comércio e as travessias marítimas para terras desconhecidas. A cidade, marcada pela efervescência das descobertas, é pontuada por mercados movimentados com o Tejo logo ali, que acolhe as naus preparadas para longas e perigosas jornadas. As descrições detalhadas da vida a bordo revelam o quotidiano dos navegadores: a luta contra a fúria das tempestades, o cansaço e camaradagem entre os marinheiros, além das esperanças e dos temores que permeiam essas travessias rumo a exóticos países. A narrativa capta a essência de terras inexploradas, onde o choque cultural e a busca por riquezas moldam não só a paisagem, mas também as experiências e destinos dos personagens, o que torna a experiência de leitura num mundo de aventuras e descobertas. 


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A narrativa de Vera Cruz é marcada por uma prosa envolvente que entrelaça História e ficção de forma magistral. Fica evidente que a construção do enredo é sustentada por uma rica pesquisa histórica que dá vida aos personagens e às suas vivências num cenário de exploração, descobertas, traições e intrigas. Os diálogos são incisivos e reveladores, enriquecendo a caracterização dos personagens e conferindo profundidade às suas motivações e inquietações. Os momentos de maior tensão e emoção estão habilmente construídos, refletindo a luta interna e externa dos personagens diante de cenários de incertezas, como os que encontravam em alto mar. A descrição vívida das paisagens perigosas e a atmosfera carregada de expectativas criam um sentimento palpável de urgência, enquanto os personagens se vêem forçados a tomar decisões que irão moldar não apenas os seus destinos, mas também o futuro de toda uma nação. 


"Muitas vezes o próprio Cabral era visto segurando o leme como simples piloto, para que Escobar e os mestres pudessem instruir os homens na mareação das velas. Quando o viam entre eles, labutando, com as barbas ressudadas e olhos encovados, resistindo às suas febres, sentiam que não lhes era permitido desistir ou contestar sequer o seu mando. Era um deles entre eles, lutando para sobreviver e vencer." 


Aqui, encontramos explorados de maneira profunda e emocionante temas como coragem, amor, fé e superação, com um enredo que desafia os personagens a enfrentarem os seus medos e vulnerabilidades. A coragem manifesta-se nas acções audaciosas dos navegadores, que se lançam em jornadas repletas de riscas, enquanto o amor emerge como uma força redentora, capaz de unir e salvar, mesmo nas circunstâncias mais adversas. Pessoalmente, fiquei rendida à escrita do autor, que se destaca pela sua fluidez e riqueza descritiva, sem que se torne cansativo ou aborrecido, e que dá vida aos cenários e aos personagens. O seu estilo narrativo mistura uma prosa lírica com momentos de tensão, prendendo o leitor até à última página. Apesar de utilizar uma linguagem perfeitamente acessível, também encontramos termos próprios da época, que caíram em desuso, mas cujo significado fica clarificado nas notas de rodapé. Sem querer apagar o que de mal foi feito, o autor traz à tona uma parte muito importante da História portuguesa e que ajudou a moldar o mundo como hoje o conhecemos. 


Portanto, Vera Cruz é uma contribuição valiosa que enriquece a literatura nacional, convidando os leitores a revisitar e reinterpretar a História e alguns dos seus personagens mais icónicos e famosos. Estamos perante uma obra que conquista pela sua narrativa rica e pela profundidade dos seus personagens. Como tal, recomendo este livro a todos os que apreciam uma prosa envolvente e uma abordagem sensível sobre as questões humanas e históricas. Sem esquecer os apaixonados por romances históricos, como eu, que vão aqui encontrar um verdadeiro momento de prazer e um novo vício. Pela minha parte, tenho a certeza que vou continuar a ler mais obras do autor, tendo passado a fazer parte dos que quero ler tudo o que escreveu. Agora, conta-me tudo. Já leste Vera Cruz? O que achaste da história da vida de Pedro Álvares Cabral? Que outros livros do autor me recomendas? Deixa o teu comentário abaixo! 


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Wook | Bertrand 

quinta-feira, 25 de julho de 2024

#Documentário - O. J. & Nicole: An American Tragedy

 

Uma foto da capa do documentário "O.J. & Nicole: An American Tragedy", onde é possível ver o casal O.J. Simpson e Nicole Brown Simpson vestidos de preto e sorrindo. A imagem retrata a suposta felicidade do casal antes dos trágicos acontecimentos que marcaram suas vidas para sempre.

Sinopse

Bastidores do relacionamento tumultuado entre O. J. Simpson e Nicole Brown. 


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Opinião 

O. J. & Nicole: An American Tragedy é um documentário que retrata a trágica história de O. J. Simpson e Nicole Brown Simpson, um dos casos mais famosos de violência doméstica e assassinato na história dos Estados Unidos. Com uma narrativa envolvente e detalhada, o filme explora os eventos que levaram à morte de Nicole e do seu amigo, Ron Goldman, e o subsequente julgamento de O. J. Simpson, que dividiu o país e chocou o mundo. A produção conta com entrevistas exclusivas, imagens de arquivo e informações reveladoras sobre a vida do ex-jogador de futebol americano e a sua relação conturbada com Nicole. 


O relacionamento entre O. J. e Nicole foi marcado por altos e baixos, sendo caracterizado por uma intensa e arrebatadora paixão, episódios de violência doméstica e constantes infidelidades. O casal conheceu-se em 1977, quando O. J. ainda era um jogador de futebol americano de sucesso, e casaram-se em 1985. A relação conturbada ganhou ainda mais notoriedade após a morte de Nicole em 1994, quando O. J. foi acusado de ser o seu assassino. Além de apresentar o passado de ambos os elementos do casal e detalhes da relação tóxica, o documentário também analisa o julgamento do caso, que se tornou um dos mais mediáticos e controversos dos Estados Unidos, destacando as questões de raça, classe e celebridade que influenciaram o desfecho do processo. 


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A narrativa do documentário tem como ponto de partida as memórias da irmã de Nicole, Tanya Brown, muito jovem na época dos acontecimentos trágicos que serão contados, mas que nos permite entender qual era a impressão que chegava à família de Nicole, sobre o casamento, sobre o divórcio e sobre o crime que lhe roubou a vida. Gostei também que trouxe protagonismo para a segunda vítima, tantas vezes esquecida devido ao mediatismo dos Simpsons. O tom dado pelo director procura ser objectivo e imparcial, apresentando os factos de forma clara e sem sensacionalismo, permitindo que os espectadores cheguem às suas próprias conclusões sobre o caso. A utilização de entrevistas com pessoas próximas ao casal e de imagens de arquivo contribuem ainda para enriquecer a narrativa e oferecer uma visão mais abrangente da tragédia que chocou a América. 


Na foto, vemos O.J. Simpson e Nicole Brown Simpson, sorrindo junto com seus dois filhos, Sydney e Justin. A família aparenta estar feliz e unida, mas por trás das aparências, escondem-se segredos sombrios que culminarão em uma tragédia americana que chocou o mundo. A imagem captura um momento de aparente tranquilidade antes do desfecho trágico que abalou a sociedade.

É assim que somos conduzidos pelo que parecia um conto de fadas, com o homem negro que alcançou o sucesso, a fama e o dinheiro graças ao desporto onde brilhava como estrela maior, mas este casamento perfeito e glamouroso escondia uma relação complexa e turbulenta, que parecia impossível de acabar bem e em paz. No entanto, a América não estava preparada para condenar o seu herói e parece ter-se recusado a ver e condenar o óbvio. Adicionalmente, este documentário apresenta um elemento que ainda era inédito, o diário de Nicole. É desse modo que são reveladas camadas mais profundas da história, o que a torna ainda mais impactante para quem assiste, mesmo alguém como eu que viu este documentário como o primeiro sobre este crime chocante e que acabou sem culpados a pagar pelo que fizeram. 


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Um tema abordado de forma contundente no documentário é a violência doméstica, combinado com o machismo aceite como algo normal na época. A narrativa expõe como a violência física e psicológica praticada por O. J. contra Nicole foi negligenciada e minimizada pela sociedade, evidenciando a cultura do silêncio e de culpabilização da vítima. Ao apresentar diversas imagens de arquivo e depoimentos de pessoas próximas ao casal, sem esquecer o testemunho da própria Nicole no seu diário, o documentário faz-nos refletir sobre o papel de cada um de nós na luta contra a violência de género e a necessidade de se reconhecer e combater o machismo em todas as suas formas. Deste modo, fica reforçada a importância de discutir temas como violência doméstica, racismo e a influência da comunicação social na sociedade, dado que ainda continuam a ser relevantes nos dias de hoje, pelos piores motivos. 


Em suma, O. J. & Nicole: An American Tragedy apresenta uma qualidade de produção impecável, com uma narrativa fluída e envolvente que mantém o espectador interessado do início ao fim. As entrevistas com pessoas próximas de O. J. e Nicole, bem como os depoimentos de especialistas e juristas, enriquecem o conteúdo, oferecendo uma visão abrangente e detalhada sobre o caso que chocou a América. Além disso, a abordagem sensível e objectiva do director ao lidar com um tema tão delicado como é a violência doméstica contribui para a relevância e impacto do documentário. Estamos perante uma produção de alta qualidade que consegue explorar de maneira profunda e esclarecedora um dos casos mais marcantes da história recente dos Estados Unidos e que voltou a ser badalada depois da morte de O. J. em 2024. Portanto, convido-te a assistires a este documentário e refletires sobre as questões levantadas, como a influência da fama e do status social na administração da justiça, a importância de proteger as vítimas de violência doméstica e a necessidade de mudanças estruturais para garantir a segurança das mulheres. 


Agora, quero saber o que tens a dizer sobre este documentário. Já viste? O que achaste desta abordagem? Achas que foi feita justiça? Recomendas outros documentários sobre este crime? Conta-me tudo nos comentários abaixo! 

terça-feira, 23 de julho de 2024

#Livros - Sua Alteza Real, de Thomas Mann

 

Na capa do livro "Sua Alteza Real", a imagem retrata uma atmosfera de realeza e poder. Em um fundo azul intenso, destacam-se uma elegante poltrona dourada, uma imponente espada encrustada com pedras preciosas, uma delicada rosa vermelha simbolizando paixão e amor, e uma majestosa coroa dourada, remetendo ao título da obra e à figura central da realeza. A composição visual sugere uma trama envolvente e cheia de intrigas palacianas, em que os personagens são levados a um jogo de poder e privilégios.

Sinopse

Thomas Mann é um dos autores germânicos que melhor soube descrever a decadência da classe burguesa e aristocrática da Alemanha do século XX. O presente romance, Sua Alteza Real, inscreve-se nessa linha. Nele nos é dada também uma descrição do confronto da velha Europa monárquica com o emergente capitalismo norte-americano. Esse novo riquismo é representado por um milionário americano que vem instalar-se na Europa num pequeno principado à beira da bancarrota. Porque já não possui a fé necessária no que deve realizar, resolve ajudar a restaurar o principado a troco do casamento da sua filha com o príncipe herdeiro. Troca que naturalmente é aceite pelo grão-ducado. 

Embora conscientes dos interesses em jogo, os jovens, devido ao isolamento em que vivem, aceitam-nos e, procurando conhecer-se, acabam por se apaixonar. Aparentemente uma história, pois, em que o poder, o amor e o dinheiro são os protagonistas. Aprofundando-a, logo vemos porém que vai muito além disso e que, tal como noutras obras, também esta constitui uma análise objectiva das contradições que paralisam e subvertem certos extractos sociais do mundo conturbado que o escritor conheceu. 


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Opinião 

Sua Alteza Real é um romance escrito por Thomas Mann e publicado pela primeira vez em 1909. Parecendo explorar temas como a responsabilidade do poder, as pressões da vida monárquica e os conflitos internos dos príncipes, Mann oferece-nos uma narrativa satírica sobre o papel da realeza e as consequências do seu estilo de vida. Com a sua escrita perspicaz e penetrante, Thomas Mann conduz-nos pelos bastidores da corte dum pequeno principado, revelando os desafios e dilemas enfrentados por um herdeiro de sangue real, cujo reino se encontra com um pé na falência. 


Estamos perante um dos primeiros romances do famoso autor alemão, que surgiu depois da sua estreia com o aclamado Os Buddenbrooks e é uma obra bem menos conhecida do que este e outros dos grandes títulos que escreveu depois. Com o seu estilo sofisticado e detalhado, traz uma análise profunda da natureza humana e das relações sociais, refletindo a atmosfera de decadência e turbulência que era vivida na Europa no início do século XX. Assim, o romance retrata a vida do príncipe herdeiro dum reino fictício da Europa Central, desde o seu nascimento, passando pelo reinado do seu pai, até que a coroa é assumida pelo seu irmão mais velho, que despreza os compromissos sociais que este cargo obriga e decide delegá-los no irmão mais novo, que coloca como seu herdeiro, dado que não tem intenção de casar e ter filhos. 


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Assim, os principais personagens que dão vida a esta trama são o já referido príncipe herdeiro Nicolau Henrique, um jovem que se vê dividido entre as suas responsabilidades reais e os seus desejos pessoais, entre a vida isolada que leva e a realidade do que acontece fora dos palácios que habita; e o rei Alberto II, irmão do príncipe, monarca que vemos chegar ao trono, mas que gosta de viver isolado e protegido, tal como cresceu devido à sua saúde frágil. Claro que a história da família real, com pais, tios e primos, também é explorada, mas o foco está sobretudo nos irmãos e na grande diferença de personalidade entre os dois. Depois, chega ao principado falido um milionário americano de origem germânica, Samuel Spoelmann, que traz consigo a riqueza e o poder duma nova era, que parece muito distante desta Europa tradicional e pobre. Com ele vem também a filha, Imma, uma jovem moderna, independente e inteligente, que desperta sentimentos ambíguos em Nicolau Henrique, que se sente fascinado por esta mulher tão diferente de tudo o que conhece. 


"Vossa Excelência permita-me que mais uma vez lhe confesse a minha fé no idealismo do povo. O povo tem necessidade de ver representado na pessoa dos seus príncipes o que de melhor e mais elevado anseia, o seu sonho, a sua alma por assim dizer, e nunca a sua bolsa." 


De maneira peculiar e complexa são abordados temas como poder, ambição, moralidade e outros aspectos da vida da aristocracia europeia. Através destes personagens, o autor discute questões como a responsabilidade e as consequências do poder absoluto, e a luta interna entre a ética pessoal e as exigências da vida pública. Ao mesmo tempo que vai tecendo críticas claras aos regimes europeus, falidos e ultrapassados, também nos leva a refletir sobre a complexidade das relações de poder e sobre os dilemas morais que muitas vezes estão presentes na tomada de decisões de indivíduos poderosos. 


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O estilo narrativo de Thomas Mann é sempre caracterizado pela sua riqueza literária e pela complexidade psicológica. Mann utiliza uma linguagem refinada e até rebuscada, repleta de metáforas e simbolismos que enriquecem a narrativa. Além disso, o autor adopta uma estrutura narrativa que mistura realismo com elementos fantasiosos, criando um ambiente ambíguo e intrigante que desafia as expectativas do leitor a cada novo capítulo. Muito embora, ache que o final do livro foi muito abrupto, depois de ter levado tanto tempo em divagações pelo passado do reino e pela infância e juventude do jovem príncipe. 


"Amo o invulgar, amo aqueles que trazem consigo a dignidade de seres excepcionais, aqueles a quem chamam seres insólitos, estranhos e que o povo não compreende; desejo que eles amem o seu destino e não que se acomodem a essa verdade frívola e vil que acabamos de ouvir cantada a três vozes." 


Com este Sua Alteza Real, Thomas Mann leva-nos a passear pelo universo da nobreza europeia entre a opulência do século XIX até à decadência do início do século XX. O autor volta a demonstrar, com o seu segundo romance, a sua habilidade para criar personagens complexos e humanos, ao mesmo tempo que explora a moralidade, o poder e a decadência da aristocracia. No entanto, em alguns momentos a narrativa parece um tanto arrastada e repleta de digressões, o que pode cansar ou aborrecer alguns leitores, sobretudo os menos apaixonados pela obra de Mann. Mas, ainda assim, este é um livro que merece uma oportunidade para poder ser conhecida e apreciada pelos amantes da literatura clássica. 


Em suma, podemos afirmar que esta obra é um retrato magistral, repleto de ironia, da sociedade alemã do início do século XX. Assim, o autor apresenta um panorama das ambiguidades e contradições duma época marcada pela decadência da nobreza e pela ascensão da burguesia, onde passou a estar o dinheiro. É um livro menos conhecido do autor germânico, mas que vale muito a pena, ainda que não seja uma das suas obras-primas. Só posso aconselhar a que persistam na leitura, porque no final vão sentir que foi tempo bem passado, ou não estivéssemos a falar de Thomas Mann, que sempre revela novas camadas de significado e de beleza nas suas obras. Agora quero saber de ti! Já leste este livro menos famoso de Mann? O que achaste desta família real? Quanto ao autor, qual a tua obra favorita da vida? Conta-me tudo nos comentários abaixo! 


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Wook | Bertrand 

quinta-feira, 18 de julho de 2024

Mais 10 Favoritos do Mercadona

 

Descubra mais 10 produtos favoritos do Mercadona que vão facilitar a sua vida no carrinho de compras perfeito para fazer as suas compras no supermercado. Venha conhecer as novidades e surpreenda-se com as opções que vão tornar as suas idas às compras mais práticas e deliciosas!

O Mercadona entrou com tudo em Portugal e tem conquistado meio mundo com os seus produtos que oferecem qualidade e preços acessíveis. As novidades estão sempre a chegar e se és fã como eu adoras conhecer os novos produtos e descobrir novos favoritos na loja. Mais dum ano se passou desde a última vez que falámos sobre esta marca disruptiva e a lista dos meus favoritos cresceu desde então. De produtos alimentares a produtos de limpeza, estes são os que se têm destacado nos últimos meses e acabaram por conquistar um lugar muito especial no meu coração e na minha despensa. Portanto, se também procuras novidades para experimentar e adicionar à tua lista de compras, continua a ler para descobrir quais são os meus mais recentes favoritos do Mercadona. 


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1. Detergente Flor de Cerejeira

Desde que trouxe para casa o primeiro, nunca mais quis outro. É um detergente para lavar o chão, mas tem um aroma delicioso que se sente logo quando se entra em casa. Gosto do cheirinho, da sua acção de limpeza e da durabilidade, por isso só posso recomendar que experimentes e comproves. 


2. Detergente Roupa Colónia

Continuando na saga dos produtos de limpeza, este detergente de roupa tem um cheiro incrível e limpa verdadeiramente a roupa. É verdade que não costumo ter roupa muito suja, mas para as necessidades cá de casa tem sido fantástico e o preço é a parte ainda mais incrível, sobretudo face aos aumentos que têm sofrido este tipo de produto nos últimos tempos. 


3. Spray Ambientador para Tecidos 

Confesso que quando comprei este spray pela primeira vez não tinha muitas expectativas. Não podia estar mais enganada. Tem um aroma a roupa lavada inacreditável e adoro passar nos lençóis a meio da semana para prolongar a sensação de cama acabada de fazer e nas mantas do sofá. Passou a ser imprescindível cá em casa. 


4. Salada Russa

A gama de comida pronta do Mercadona é bem variada e interessante, mas um dos meus favoritos é esta Salada Russa. Apesar de ter o hábito de fazer este prato em casa, fiquei rendida à qualidade que oferece, de longe melhor do que qualquer outra de supermercado, e é muito prático ter sempre uma embalagem no frigorifico para quando precisamos dum acompanhamento saboroso e não temos tempo para cozinhar. 


5. Caril de Frango

Cá em casa somos muito apreciadores de Caril, ou não houvesse por cá um moçambicano. No entanto, nunca tinha visto este prato pronto a comer, facilmente acessível num supermercado. Agora, todos começam a oferecer, mas o do Mercadona é claramente o melhor e recomendo muito que experimentes e saboreies! 


A imagem mostra uma montagem de produtos favoritos do Mercadona, incluindo a deliciosa Salada Russa, as salsichas com queijo e o prático spray ambientador de tecidos. Descubra esses e outros produtos que fazem sucesso entre os clientes do supermercado espanhol.

6. Salsichas com Queijo

Tinha deixado de consumir salsichas, sabemos que não é saudável a comida processada, além de que as alemãs de que gostava não se encontravam em todo o lado e eram um tanto ou quanto caras. Até que, quando ia buscar o meu bacon, deparei-me com estas salsichas com queijo, tal e qual como as que eu mais gosto. Assim, passou a ser presença obrigatória no meu carrinho de compras e no meu frigorifico. 


7. Vinho Finca La Malcriada

Tendo em conta a quantidade de vinho português de qualidade e acessível que existe no mercado, nunca tinha bebido vinho espanhol. Como comecei a ir muitas vezes ao Mercadona, acabei por dar mais atenção à sua oferta de vinho, que tem muita coisa nacional, mas tem também este vinho branco doce que despertou a minha curiosidade. Pois é tão bom que passou a ser presença obrigatória nos meus almoços de família. Não pode mesmo faltar em casa, sobretudo agora que estamos no Verão e um vinho fresco sabe ainda melhor. 


8. Caju Torrado sem Sal

Adoro frutos secos e é uma opção saudável para substituir as porcarias que gostamos de comer entre refeições. No entanto, a maioria da oferta ou está carregada de sal ou apresenta o fruto cru. Se procurarmos atentamente, encontramos alguns assim, torrados mas sem sal, só que os preços são um tanto ou quanto puxados e a vontade de comprar da pessoa esmorece. No Mercadona, encontramos uma grande oferta e os meus favoritos são os cajus torrados sem sal, uma verdadeira delícia. 


9. Bolo de Iogurte

Costumo comprar sobremesas no Mercadona e já experimentei várias das que se encontram na arca congeladas, cada uma melhor que a outra. Tenho para mim que quase seria possível fazer uma publicação só com sobremesas que recomendo. Mas a verdadeira surpresa foi o Bolo de Iogurte, simples e singelo, que já tinha visto antes, só não achava que fosse assim tão interessante. Acabei por experimentar quando fui às compras, mas não ia logo para casa, e percebi que é mesmo espectacular. Saboroso, fofinho, capaz de agradar toda a gente e muito, muito barato. 


10. Bolacha Belga

Não sou muito fã de bolachas, mas as belgas são a minha tentação. Claro que não podia ignorar a versão do Mercadona e, mais uma vez, superou as expectativas e passou a ser uma presença habitual cá por casa e que não fica muito tempo no armário. 


Vê também os primeiros 10 Favoritos do Mercadona


Aqui estão então reunidos mais 10 produtos incríveis que encontrei no Mercadona e que não posso deixar de recomendar a toda a gente. Desde alimentos deliciosos até produtos de limpeza eficazes, o Mercadona surpreende sempre com a sua qualidade e variedade. Se ainda não experimentaste algum destes produtos, não percas mais tempo e corre para o Mercadona mais próximo de ti! Tenho a certeza de que vais adorar tanto quanto eu. Entretanto, aproveita e conta-me nos comentários quais são os teus favoritos do Mercadona, os que recomendas e achas que todos precisam conhecer. Desta lista, já conhecias alguma das sugestões? 

terça-feira, 16 de julho de 2024

#Livros - D. Afonso Henriques, de José Mattoso

 


Sinopse

Personagem oculta por inúmeras e sucessivas camadas de interpretações ideológicas, quer eruditas quer populares, a figura verídica do primeiro rei de Portugal só muito hipoteticamente se pode reconstituir nas suas dimensões históricas. O mito sobrepõe-se, teimosamente, à história, para justificar a permanência da nação que fundou e justificar a confiança que os cidadãos de todos os tempos têm posto na colectividade a que pertencem. Mas pode-se tentar descobrir como nasceram as diversas narrativas tecidas em torno da sua personalidade, examinar o sentido que tinham quando apareceram e reconstituir os sucessos de que Afonso Henriques foi protagonista principal. 

Se não é possível traçar-lhe o retrato preciso, pode-se, pelo menos, estudar as suas orientações políticas e administrativas, conhecer os seus principais auxiliares e justificar o êxito da sua obra. Apesar de assim desaparecer o herói sobrenatural, toma inegável relevo o seu talento político e militar e, por conseguinte, o seu direito a ser de facto considerado o rei fundador de Portugal. 

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Opinião 

Em D. Afonso Henriques, José Mattoso narra a vida e trajetória do primeiro rei de Portugal, desde a sua infância até à sua morte. O autor, reconhecido historiador português, famoso internacionalmente pelas suas pesquisas na área da História Medieval, utiliza uma abordagem académica e rigorosa para trazer ao leitor um retrato fiel e detalhado do fundador da nação portuguesa, apesar de todas as limitações que reconhece e destaca a cada capítulo. A obra é uma importante contribuição para o estudo da História de Portugal e oferece uma visão aprofundada sobre a figura de um dos principais personagens da História do país. 


Assim, este livro traz uma abordagem histórica sobre um dos períodos mais importantes da História de Portugal, o reinado de D. Afonso Henriques. É neste contexto que o autor explora a formação e consolidação do Reino de Portugal no século XII, no meio de disputas territoriais, alianças políticas e conflitos com os reinos vizinhos, como Leão e Castela. Assim, a obra destaca a figura do primeiro rei de Portugal como um líder visionário e estrategista, que soube aproveitar as circunstâncias favoráveis para afirmar a independência do país e estabeleceras bases para a construção duma nação forte e unida, sem ficar refém da nobreza ou dos seus aliados. 


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O livro destaca os principais acontecimentos da vida e do reinado de D. Afonso Henriques, como a sua luta pela independência de Portugal e o reconhecimento da sua legitimidade como rei de pleno direito pela Igreja e pelos restantes reinos da Europa, a batalha de São Mamede, a conquista de territórios aos muçulmanos e a consequente consolidação do reino português. Além disso, também aborda a sua relação com a Igreja, os seus confrontos com o rei de Leão e a sua consagração definitiva como rei no ano de 1179. Ao longo da leitura, fica demonstrada a habilidade excepcional na narrativa histórica de José Mattoso, que apresenta ao leitor uma visão detalhada e abrangente sobre a vida e os feitos do primeiro rei de Portugal. 


"Tinha de ser conciliador, prudente, maleável; mas nem por isso deixava de ser firma, autoritário, decidido e persistente. Eram as principais qualidades de um bom chefe." 


O estilo de escrita do autor é claro, conciso e envolvente, possibilitando a compreensão dos acontecimentos e personagens da época de forma acessível e interessante. Mattoso utiliza uma linguagem academicamente rigorosa, apoiada em documentos que nos chegaram, sendo transcritos alguns excertos que considera relevantes, mas ao mesmo tempo é uma linguagem dinâmica, proporcionando uma leitura fluída e agradável. A sua narrativa torna-se imersiva, sempre cuidadosamente baseada em fontes primárias, enriquecendo a compreensão do leitor sobre o contexto histórico, sobretudo da Península Ibérica, no qual D. Afonso Henriques esteve inserido. 


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José Mattoso oferece importantes contribuições para a desmistificação de inúmeros mitos que foram criados em torno da figura deste rei, mitos esses que chegaram até aos dias de hoje e que ocultam ou negam a verdade do que terá sido o homem e o político. No entanto, é inegável que a sua liderança e determinação foram cruciais para a conquista da independência do Condado Portucalense e para a consolidação do território português. Ele foi capaz de unir diferentes regiões em torno dum projecto comum, desafiando o domínio muçulmano e, com isso, atingindo conquistas determinantes, como as de Lisboa e de Santarém, que provaram que a expansão territorial do reino era não só possível como obrigatória para o futuro do país. A sua coragem e a sua visão estratégica foram decisivas para consolidar a identidade nacional que já existia neste território, que já almejava uma afirmação efectiva, que parecia apenas esperar por um líder para seguir e lutar pelos seus propósitos independentistas. 


"A geração que começou a venerar Afonso Henriques como herói das lutas contra os mouros, como fundador da nacionalidade e como chefe capaz de conduzir todo o seu povo depressa o inclui na categoria dos heróis com um destino trágico." 


Em suma, é incontestável a relevância da figura de Afonso Henriques para a História de Portugal e para a historiografia portuguesa. Apesar das lacunas e das incertezas que envolvem a vida e o reinado do primeiro rei de Portugal, o autor não deixa de ressaltar a importância de compreender o contexto político, social e cultural da época para analisar adequadamente o legado deixado por D. Afonso Henriques. Além disso, Mattoso também enfatiza a necessidade de revisitar e reavaliar constantemente as fontes históricas, a fim de ampliar e aprofundar o nosso conhecimento sobre este período crucial da História de Portugal. Com isto, este livro revela-se fundamental para quem quer compreender melhor a formação do Reino de Portugal e a construção da identidade nacional portuguesa. 


Portanto, só posso recomendar a leitura de D. Afonso Henriques para todos os que desejam aprofundar os seus conhecimentos sobre a História de Portugal e sobre a figura mística do primeiro rei deste país. José Mattoso oferece uma narrativa envolvente, revelando os desafios e as conquistas do jovem príncipe que se tornaria o grande fundador de Portugal. Assim, os leitores interessados em compreender as origens e os feitos deste importante personagem histórico certamente encontrarão neste livro uma fonte de informação valiosa e esclarecedora. Pessoalmente, adoro esta colecção da Temas e Debates com as biografias de reis e rainhas de Portugal e, apesar de já ter lido algumas, quero ler todas, ou não fosse o tema fascinante. 


Agora, quero saber a tua opinião. Gostas de biografias? Já conhecias esta? Também sentes curiosidade sobre o nosso primeiro rei e sobre este época tão distante da nossa História? Conta-me tudo nos comentários abaixo! 


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Wook | Bertrand 

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