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terça-feira, 31 de janeiro de 2023

#Livros - Boas Esposas, de Louisa May Alcott

 

#Livros - Boas Esposas, de Louisa May Alcott

Sinopse

Finda a Guerra Civil Americana, a família March prepara o casamento de Meg. Passaram três anos desde que se fechou a cortina sobre Mulherzinhas, as irmãs Meg, Jo, Beth e Amy estão mais crescidas e o pai regressou a casa, tornando-se pastor numa paróquia. 

As irmãs March enfrentam agora a vida adulta, trilham os seus próprios caminhos, longe da casa dos pais, e lutam pelos seus sonhos, numa viagem de autodescoberta. Em Boas Esposas, acompanhamos os bons e maus momentos desta etapa de crescimento, os problemas, as provações, as aprendizagens. Meg lida com os desafios da vida de casada, Jo procura vingar como escritora, Beth luta contra a doença, Amy viaja. 


Opinião 

A minha curiosidade é épica e todos a conhecem, portanto, não será uma surpresa para ninguém que não tenha aguentado muito tempo sem saber qual seria a continuação da história de Louisa May Alcott. Ainda que não me tenha arrebatado nem entusiasmado como gostaria, encontrei algumas personagens interessantes sobre as quais gostaria de saber o destino que lhes iria calhar em sorte. Portanto, quando procurava um Clássico para ler em Janeiro, decidi pegar no Boas Esposas e encontrar todas as respostas que me faltavam. 


Posso já adiantar que esta experiência foi muito pior do que a primeira leitura. Em Mulherzinhas as irmãs eram mais novas, mais impulsivas, menos aborrecidas, menos conformadas com o que a sociedade esperava delas. Os temas estavam mais voltados para a formação de carácter do que para podar os ramos que pudessem sair fora dos padrões. O tom moralista de todo o livro, os longos discursos moralizadores claramente tornaram o livro maior do que o primeiro e difícil de engolir. Em certos momentos, foi penoso continuar a leitura e só a minha enorme curiosidade me impeliu a continuar. 


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De antemão já adianto que não tenho por hábito avaliar ou julgar os livros, escritos noutras épocas, com os olhos de hoje, com o desejo de encontrar motivos para cancelamentos absurdos e sem sentido. Os padrões morais são diferentes ao longo dos séculos e não podemos exigir que gente antiga tenha uma moral actual. Só que, com esta autora, sinto uma falta de coerência quando tenho em conta o livro anterior, bem como quando pensamos na sua própria história de vida como autora. Uma mulher que ganhava dinheiro, em vida, com a sua obra literária, parece muito pouco complacente com outra vida que não a de esposas dóceis e obedientes para as suas heroínas. 


"Todos gostavam imenso de Jo, mas nunca se apaixonavam por ela, embora poucos escapassem sem prestar o tributo de um ou dois suspiros sentimentais ao altar de Amy." 


No início do livro percebemos que se passaram alguns anos e que estamos prestes a assistir ao casamento da mais velha, a doce e sonhadora Meg. Aqui temos uma apologia ao casamento e à vida doméstica, com todos os deveres que cabem a uma jovem esposa para providenciar um lar agradável e feliz para o seu amado marido. De qualquer modo, ainda que exagerado esse relato, faz sentido tendo em conta que o sonho desta jovem era casar com o homem pobre por quem se apaixonou, mesmo que para isso tenha de abdicar dos seus sonhos de uma vida mais luxuosa e glamourosa. 


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Jo, que deveria ser a melhor personagem, independente, desejosa de viver da sua pena, sem sonhos de amor exagerados, torna-se na mais massacrada. Como se a sua personalidade diferente das outras fosse tolerável e engraçada quando era uma menina jovem, mas se torna-se impossível de se ver numa mulher adulta, ainda que solteira. A quantidade de revezes porque passa ao longo de todo o livro é irritante e parecem servir apenas para lhe mostrar que o seu papel ideal será o de esposa e mãe, como todas as outras. A frágil Beth permanece como o anjo da família e a sua ligação com a irmã mais rebelde é um contraponto que acorda o lado mais doce e cuidador de Jo. 


"Podemos não concordar nesse aspecto, pois pertences ao velho grupo e eu ao novo: tu irás mais longe, mas eu divertir-me-ei mais." 


Por fim, temos a esperta Amy, que se transformou numa linda mulher, elegante e obstinada a tornar-se numa artista das artes ou do lar, mas sempre a espalhar harmonia e elegância como uma verdadeira senhora da sociedade. E não me posso esquecer do vizinho companheiro, Laurie, que continua os seus estudos, determinado a conquistar a admiração e respeito de Jo. Novos personagens chegam à história, mas nenhum que faça sombra aos que já conhecemos, mas que contribuem para criar novas perspectivas e proporcionar novos pontos de vista para as nossas protagonistas. 


Quem costuma ler romances, sabe que nos clássicos encontramos todos os enredos representados, só com mudanças de cenário e circunstância. Por isso, um leitor atento consegue, por vezes, prever para onde segue a narrativa e os interesses amorosos. Aqui também me aconteceu, embora tenha estado em negação por discordar em absoluto com essa reviravolta. Foi nesse momento que o livro me perdeu para sempre, mesmo que tenha continuado a leitura. Não me arrependo de ter lido, mas tenho a certeza que não voltarei a ler. Agora, só me resta dar uma oportunidade à última adaptação para o Cinema para decidir se faço as pazes com esta história ou não. 


Já leste Boas Esposas? O que achas deste desfecho? Achas que faz sentido ou concordas comigo? Conta-me tudo nos comentários e vamos falar sobre este livro clássico! 


Podes encomendar o teu exemplar através dos links abaixo, sem custos adicionais para ti, e contribuir para as próximas leituras deste blog


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quinta-feira, 26 de janeiro de 2023

#Documentário - O Mistério de Marilyn Monroe: Gravações Inéditas

 

#Documentário - O Mistério de Marilyn Monroe: Gravações Inéditas

Sinopse

Com gravações e depoimentos inéditos do seu círculo íntimo, a estranha morte de uma das actrizes mais famosas na época de ouro de Hollywood pode ter segredos que revelarão a verdadeira causa da sua morte.


Opinião

É impossível ignorar a importância duma mulher que continua a ser protagonista de filmes e documentários passados sessenta anos da sua morte. A sua carreira foi relativamente curta, mas o seu impacto é de tal tamanho que continua a ser o maior símbolo pop do século XX e sinónimo de sensualidade e beleza. Claramente, 2022 foi ano de a recordar e muita coisa foi lançada tendo a sua história trágica e misteriosa por base. É o caso deste documentário, O Mistério de Marilyn Monroe: Gravações Inéditas, que se propõe a partilhar as descobertas feitas tendo por base inúmeras entrevistas feitas por um jornalista. 


Trata-se de Anthony Summers e da pesquisa que fez para escrever Goddess, a biografia sobre a estrela de Hollywood. No documentário, este jornalista dá voz ao seu processo de pesquisa que foi difícil porque ninguém desejava falar sobre a morte de Marilyn. O silêncio das pessoas mais próximas da actriz nessa época, aguçou a sua curiosidade e a certeza de que existiam coisas por contar sobre esse assunto. Tendo essa consciência, decide percorrer o caminho inverso e começar pelo início de carreira, contactando as pessoas que lhe deram oportunidades e abriram portas e recolhendo o seu testemunho sobre a mulher que se tornou num mito. 


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É assim que percorremos o caminho da sua ascensão, através dos relatos de figuras que presenciaram e até influenciaram a sua carreira ao longo dos anos. São testemunhos interessantes e que nos ajudam a traçar um retrato da mulher por trás das lendas e mitos urbanos criados em Hollywood. Fica muito claro que Marilyn era uma mulher determinada, trabalhadora, esforçada, dedicada e com um desejo gigante de se tornar numa grande actriz de verdade. A sua infância conturbada também é abordada, embora os relatos sejam de quem ouviu o que Monroe contava, não de quem a conheceu nessa época. 


#Documentário - O Mistério de Marilyn Monroe: Gravações Inéditas

Evidentemente, que os seus relacionamentos amorosos também estão em destaque, sobretudo os casamentos repletos de escândalos com Joe DiMaggio e Arthur Miller. O que procurava Marilyn num marido? O que tinham de ter para a atrair e seduzir? Não temos respostas definitivas nem podemos concluir muita coisa pelas relações que lhe conhecemos. No entanto, percebe-se que procura estabilidade, uma família tradicional como não teve, mesmo que existam dúvidas se saberia o que fazer com essa família na sua vida, em conjugação com os seus projectos e sonhos cinematográficos. 


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A sua ligação com os irmãos Kennedy é muito explorada através de registos recolhidos pelas agências secretas americanas, que vigiavam a movimentação de Marilyn desde o seu casamento com Miller, autor ligado à esquerda e ao comunismo. Os próprios irmãos, devido ao cargo que ocupam, também são vigiados para sua protecção, e por isso encontramos vários registos dos encontros e, de certa forma, da dinâmica da relação deste trio. Talvez este tenha sido o aspecto que mais me surpreendeu, porque a sua relação com o presidente dos Estados Unidos foi sempre muito badalada, enquanto que a relação com o irmão Bob, pareceu-me sempre mais um rumor. Aqui, ficamos a saber que sim existiu uma relação, até mais intensa e recorrente do que a que teve com John. 



Apesar de termos a percepção de que Marilyn via a sua sexualidade de forma natural, mais próxima dos padrões de hoje do que os da sua época, não deixa de ser chocante perceber que manteve uma relação com os dois irmãos no mesmo período de tempo. Ora com um, ora com outro. Sobretudo, considero estranho quando existe testemunhos de que a actriz estaria apaixonada por Bob. O documentário não apresenta nada de verdadeiramente novo ou que, pelo menos, nos esclareça de facto sobre o que aconteceu nessa noite, se existem outras pessoas envolvidas ou se existem bases para acreditarmos que tenha sido um crime, acidente ou suicídio. 


Ainda assim, é um documento que nos permite conhecer melhor esta mulher, a sua vida e o que levou ao seu triste final tão precoce. Muito melhor que o filme de ficção, as gravações são interessantes para construirmos uma personalidade mais real, até porque são apresentadas também conversas dela própria e fotos menos famosas. Fica a certeza de que existirão aspectos que nunca saberemos, que a verdade nos escapa por entre os dedos e que, apesar disso ou por causa disso, continuaremos a ouvir falar de Monroe durante muitos mais anos. Já viste este documentário? O que achaste sobre o que trouxe de novo? Gostas deste género? Conta-me tudo nos comentários e vamos conversar sobre esta mulher misteriosa e imortal! 

terça-feira, 24 de janeiro de 2023

#Livros - As Esquinas do Tempo, de Rosa Lobato de Faria

 

#Livros - As Esquinas do Tempo, de Rosa Lobato de Faria

Sinopse

"Quando Margarida chegou à Casa da Azenha teve aquela sensação, não desconhecida mas sempre inquietante, de já ter estado ali." 

Margarida é uma jovem professora de Matemática. Um dia vai a Vila Real proferir uma palestra e fica hospedada num turismo de habitação, casa antiga muitíssimo bem conservada e onde, no seu quarto, está dependurado o retrato a óleo de um homem que se parece muito com Miguel, a sua recente paixão. Por um inexplicável mistério, na manhã seguinte Margarida acorda cem anos atrás, no seio da sua antiga família. 

Sem perder consciência de quem é, ela odeia esta partida do tempo. Mas aos poucos vai-se adaptando. Conhece o homem do quadro e apaixona-se por ele. Quando ele morre num acidente, Margarida regressa ao presente. 

Romance simultaneamente poético e fantástico, As Esquinas do Tempo é mais uma prova do indesmentível talento literário de Rosa Lobato de Faria.


Opinião

É a minha estreia com a romancista Rosa Lobato de Faria, que conhecia enquanto actriz e autora de alguns poemas que foram musicados com bastante sucesso. Já tinha ouvido falar muito bem do seu talento literário, mas nunca tinha pegado em nenhum livro seu nem tinha nenhum na estante. Infelizmente, muitos livros da autora estão esgotados nas livrarias online, só sendo possível encontrar entre os usados. É o caso deste, que já merecia uma reimpressão para voltar às estantes e todos poderem descobrir o grande talento desta autora portuguesa. 


Parti para esta leitura sem saber bem o que esperar, por se tratar da minha descoberta desta autora, mas também pela sinopse com um tom meio fantástico, que me deixou muito intrigada. Afinal, uma jovem que viaja no tempo não é um assunto recorrente na literatura. Tinha até algumas reservas se o que iria ler seria credível e seria capaz de me prender sem se tornar numa anedota ou paródia. Descansa, que nenhum dos meus temores se confirmou. Muito pelo contrário. São pouco mais de duzentas páginas que nos prendem, não logo de início, mas cedo. 


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Acompanhamos a protagonista, Margarida, na sua viagem a Vila Real em trabalho, e temos acesso aos seus pensamentos e desse modo conhecemos alguns aspectos da sua vida em Lisboa. A família, pilar importante da sua vida, ainda que seja uma mulher independente e que não gosta de dar contas a ninguém da sua vida, o seu eterno apaixonado, Pedro, colega de trabalho mas por quem está longe de se sentir apaixonada, e o novo amante, Miguel, um homem que a tem arrebatado e feito sentir coisas novas, ainda que seja casado. Ao chegar ao seu quarto, depara-se com um quadro pintado a óleo de um homem igual a Miguel o que a deixa inquieta, pela vivacidade da pintura, que parece querer falar-lhe. 


"Outras interrogações a assolavam como, por exemplo, se as pessoas que consideramos geniais não serão apenas viajantes de tempos mais avançados que sabem aquilo que ainda não sabemos." 


Depois duma noite agitada, acorda no mesmo quarto, mas cem anos antes. Vai-se apercebendo estupefacta, sem entender como pode ser possível tal coisa lhe ter acontecido. Curiosamente, o quadro que a tinha perturbado na noite anterior, não se encontra nesse quarto. A sua nova família não se apercebe de qualquer diferença e assume que esta Margarida é a mesma de todos os dias. Descobre que tem uma pai e uma mãe próprios do século XIX e duas irmãs mais novas, cada uma com a sua personalidade e que, aos poucos, começa a querer bem. 


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Passada a surpresa e uma certa resignação, começa a sentir-se frustrada por se encontrar presa tão longe da sua realidade, sem os confortos proporcionados pelas novas tecnologias, e com algum medo de ficar ali para sempre. Até que chega um convidado que procura uma esposa e pretende escolher entre as três irmãs. É um homem de meia-idade, viúvo, com um cargo importante e que acaba por escolher a irmã mais nova, a mais doce e que parece ser mais provável de vir a ser uma dona de casa prendada e uma esposa obediente. Mas o que realmente vai mudar a vida de Margarida é o sobrinho do noivo, um homem lindo, charmoso, interessante e que é igual ao seu Miguel do século XXI, nome e tudo. 


"Sentia remorsos das vezes em conta em que maldissera os horrores do século vinte e um, a crise económica, a violência, a pedofilia, a sida, esquecendo as vantagens incalculáveis da vida moderna." 


Este romance modernizado pelos padrões da noiva, não impede Miguel de a pedir em casamento e tornar-se noivo oficial, com autorização do pai e tudo. É uma paixão arrebatadora, que quase a faz esquecer as saudades da sua vida moderna e da sua família. As viagens no tempo são uma grande protagonista deste livro, mas não é a única. As críticas sociais são uma constante e povoam toda a narrativa. Temas como a violência doméstica, classes sociais, o papel da mulher em diferentes épocas e o machismo sempre presente ao longo do tempo. 


O livro é incrível e muito amarrado, sem pontas soltas, sem perguntas sem resposta. Talvez o aspecto menos explorado seja a viagem da Margarida do século XIX para o século XVIII e o que teria acontecido com a mulher que foi substituir. Compreendo, porque acompanhar essas viagens iria confundir, tornar o livro interminável e impossível de saber tudo o que teria acontecido a todas estas Margaridas do passado longínquo. Acho também que o final poderia ser mais explorado, ser mais claro e menos subentendido, mas não deixa de ser um fim espectacular. As portas do fantástico que Rosa Lobato de Faria abre são extraordinárias e obrigam o leitor a pensar nessa possibilidade como algo real, que nos poderia acontecer e em como reagiríamos. 


Já conhecias este romance? E a autora, já conhecias alguma das suas obras? O pensas desta temática de viajar no tempo? Conta-me tudo nos comentários e vamos conversar sobre os livros de Rosa Lobato de Faria! 

quinta-feira, 19 de janeiro de 2023

Top 5 - Filmes de 2022

 

Top 5 - Filmes de 2022

O ano de 2022 foi produtivo em termos de bons filmes, inclusive nas salas de Cinema, como tanto gosto. Claro que gostaria de ir todas as semanas, mas os lançamentos não são assim tantos dentro do que me agrada, além de ficar caro no final do mês comprar tanto bilhete. Ainda assim, juntando com o streaming, novidades e filmes mais antigos, posso dizer que vi filmes bem interessantes e variados. Entre os mais variados géneros cinematográficos, porque a diversidade só nos enriquece e proporciona diferentes tipos de entretenimento. 


Depois de ter feito uma retrospectiva das melhores leituras de 2022, decidi eleger os melhores filmes que vi em 2022, e descobri que o que parecia fácil, foi bem mais complexo. Foi preciso alguma reflexão para chegar a este Top 5, que espero que te sirva para escolheres algum destes filmes para ver, caso ainda não lhes tenhas dado uma oportunidade. Vens descobrir o Top5? 


1. Harry Potter 20.º Aniversário: De Volta a Hogwarts

Harry Potter - 20.º Aniversário: De Volta a Hogwarts é um evento especial de 20 anos em comemoração do lançamento de Harry Potter e a Pedra Filosofal (2001) e todos os outros filmes da franquia do bruxo. Daniel Radcliff, Emma Watson, Rupert Grint e muitos outros se reúnem para discutir sobre o que se passou por trás das câmeras de gravação no estúdio. O elenco todo dos filmes foi chamado para falar sobre as suas experiências, momentos marcantes, amizades com colegas actores, curiosidades e histórias que serão contadas ao público pela primeira vez e como a franquia do "Rapaz que sobreviveu" marcou cada um deles desde crianças. Cenários do primeiro filme foram montados mais uma vez para que todos possam revisitar a escola de magia Hogwarts, a vila local Hogsmeade, a cabana de Hagrid e outros locais marcantes do primeiro filme, assim como os vilões mais amados dos filmes.


Top 5 - Filmes de 2022 | Harry Potter 20.º Aniversário

2. Casa Gucci

Inspirado na chocante história verídica dos bastidores da família detentora do império da moda italiana. Quando Patrizia Reggiani, uma desconhecida de origem humilde, se casa com Maurizio Gucci, a sua ambição desmedida começa a desencadear no legado da família uma imparável espiral de traição, destruição e vingança que culmina... num assassínio.


Top 5 - Filmes de 2022 | Casa Gucci

3. O Impostor do Tinder

Ele passa-se por um magnata do ramo dos diamantes e conquista mulheres na internet com uma identidade falsa. Tudo isso para dar um golpe milionário nas mulheres. Mas algumas das suas vítimas não aceitam o que aconteceu e querem justiça. 


Top 5 - Filmes de 2022 | O Impostor do Tinder

4. Top Gun Maverick

Após mais de 30 anos de serviço como um dos melhores aviadores da Marinha, Pete "Maverick" Mitchell está onde deveria estar: a voar nos limites como piloto de testes e a evitar uma subida na hierarquia que o faria deixar de voar. Quando se encontra a treinar um destacamento de graduados Top Gun para uma missão especializada que nenhum piloto vivo alguma vez viu, Maverick encontra o Tenente Bradley Bradshaw, nome de código "Rooster", filho do falecido amigo de Maverick, o Tenente Nick Bradshaw, nome de código "Goose". Face a um futuro incerto e confrontado com fantasmas do passado, Maverick é obrigado a enfrentar os seus medos mais profundos, culminando numa missão que exige o sacrifício daqueles que forem escolhidos para voar nela. 


Top 5 - Filmes de 2022 | Top Gun Maverick

5. Elvis

A cinebiografia de Elvis Presley acompanhará décadas da vida do artista e a sua ascensão à fama, a partir do relacionamento do cantor com o seu controlador empresário "Coronel" Tom Parker. A história mergulha na dinâmica entre o cantor e o seu empresário por mais de 20 anos em parceria, usando a paisagem dos EUA em constante evolução e a perda da inocência de Elvis ao longo dos anos como cantor. No meio da sua jornada e da sua carreira, Elvis encontrará Priscilla Presley, fonte da sua inspiração e uma das pessoas mais importantes da sua vida.


Top 5 - Filmes de 2022 | Elvis

Agora só espero que os filmes de 2023 sejam tão bons e, se possível, até melhores do que estes. Que as salas de cinema voltem a ser palco de estreias fantásticas e que o streaming permita a criatividade em todos os cantos do mundo. Viste algum destes filmes? Qual o melhor que viste em 2022? Conta-me tudo nos comentários e vamos conversar sobre Cinema! 


terça-feira, 17 de janeiro de 2023

#Livros - O Jogador, de Fiódor Dostoiévski


#Livros - O Jogador, de Fiódor Dostoiévski

Sinopse

Publicado em 1866, ano em que saiu também Crime e Castigo, O Jogador reflecte muito da biografia de Dostoiévski, que foi, ele próprio, jogador compulsivo durante vários anos. 

Com a Alemanha sob pano de fundo e um ambiente de casinos, encontramos Aleksei Ivánovitch, figura principal deste romance, um jovem com um forte sentido crítico em relação ao mundo que o rodeia mas sem objectivos, que descobre em si a paixão compulsiva pelo jogo. 

Usando de humor satírico, Dostoiévski expõe as motivações mais íntimas desta e de outras personagens, criando uma obra simultaneamente viva e dramática. 

O fascínio culpabilizado dos jogadores, o descontrolo e o desespero, paixões que raiam a loucura e uma solidão sem recurso são temas que se adequam ao genial universo da ficção dostoievskiana. 


Opinião

Continuo na minha descoberta de livros russos e, até ao momento, não me desiludi com nenhum dos que li. Quanto mais leio, mais quero ler. Quantos mais autores conheço, mais quero conhecer. Quando descubro um autor, quero ler tudo dele. É um excelente exemplo o caso do inacreditável Dostoiévski. Feliz ou infelizmente, li pouca coisa do autor, mas isso quer dizer que tenho todo um universo para descobrir ainda. Já tenho alguns na estante, mas, como tenho feito com alguns dos meus autores favoritos, tenho procurado ler um livro por ano, para fazer render a sua obra por mais tempo e não me sentir órfã tão cedo. 


Assim, o Dostoiévski de 2023 foi O Jogador, um livro que foi lançado no mesmo ano que um dos seus livros mais famosos. Mais curto que esse calhamaço, e com uma temática que aborda o poder que o jogo pode exercer nas mais diversas pessoas. Aliás, este livro com pouco mais de cento e cinquenta páginas, pode ser perfeitamente lido num dia ou dois, sem grande esforço. A linguagem é acessível, a narrativa simples, com poucas personagens destacadas, e que envolve e prende pela necessidade de descobrir o que irá acontecer com aquelas pessoas. Os saltos temporais também ajudam a aguçar a curiosidade do leitor e imprimir alguns avanços numa narrativa que se passa, essencialmente, numa mesa de jogo. 


Podes ler também a minha opinião sobre Noites Brancas


Tudo começa com a figura do protagonista, perceptor do filho mais novo do general, que se revela apaixonado pela enteada do patrão, uma jovem orgulhosa e que parece não ter qualquer interesse no rapaz, além de o usar para os seus caprichos e se entreter nos momentos aborrecidos. O ambiente é multicultural, pois acompanhamos esta família russa, numa cidade alemã, rodeados por alguns franceses que exercem grande influência. Sem esquecer ainda um misterioso inglês que rodeia de forma discreta todos os russos, procurando ser útil, ainda que não sejam óbvios os motivos deste seu interesse. 


"Mas o prazer é sempre útil, e o poder louco, ilimitado, nem que seja sobre uma mosca, também é uma espécie de deleite. O ser humano é déspota por natureza e gosta de ser carrasco." 


Esta cidade vive em séria dependência do casino, pois parece ser por causa dele que tanta gente se reúne nesse lugar. Sente-se o chamamento do jogo a cada momento. O próprio protagonista vive com a sensação de que, se for jogar, irá sair vencedor. Com uma estranho convicção, mesmo sem correr para a mesa de jogo, parece saber que lá irá fazer a sua fortuna. Como parece não precisar dessa fortuna, não vai para o casino. O patrão, o general reformado, lança alguns avisos, como se pressentisse a tentação do jogo na personalidade do perceptor, ou na sua própria personalidade. 


Podes ler ainda a minha opinião sobre Coração Fraco


No meio de tantos personagens peculiares e meio loucos, a minha favorita é a avó. A senhora é dona de uma fortuna considerável e todos aguardam a sua morte para receber a tão esperada e desejada herança. Quando chega a notícia de que a senhora estaria muito doente, a família corre a enviar telegramas diários, na ânsia que chegue a notícia da sua morte e da resolução de todos os seus problemas financeiros. Para surpresa de todos, em vez da notícia, chega a própria da avó, para visitar a família e ver o que se passava para terem tanta pressa que morresse. O seu sentido de humor, os seus comentários mordazes, sem se preocupar com a opinião de ninguém, são deliciosos e fazem com que a sua visita seja o ponto alto da narrativa. 


"Reconheço nessas palavras o meu velho amigo, inteligente, entusiasta e, ao mesmo tempo, cínico; só os russos são capazes de combinar em si, simultaneamente, tantas características contraditórias." 


Depois desta visita, onde a própria avó se vê tentada pelo jogo e acaba por perder tudo o que trouxe consigo, tudo descamba e a pobre estrutura que segura esta família é destruída. A jovem noiva do general, ao saber que a herança está distante, volta para Paris. O pretendente francês da enteada do general também a abandona com um bilhete de despedida. Este equilíbrio precário é totalmente derrubado e o papel do casino neste processo cresce a um ponto desmedido. Os relatos das sensações que provocam a vertigem do jogo, de arriscar uma fortuna, de colocar o tudo ou nada de uma vida numa aposta mortal, são descrições tão vívidas que parece que somos nós, leitores, que estamos a jogar e a apostar o nosso dinheiro. 


Só posso repetir-me, porque não me canso de recomendar os autores russos, pela sua riqueza literária, pelo sentido de humor único, pelos elementos fantásticos que sempre surgem nas suas histórias e pelo seu talento gigante de escrever enredos extraordinários que nos prendem e fascinam. De qualquer modo, se ainda precisas de mais razões ou incentivos para ler O Jogador, aconselho a veres o vídeo do Ler Antes de Morrer. Já leste este ou outro livro de Dostoiévski? Qual o teu livro favorito do autor? Que outros autores russos aconselhas? Conta-me tudo nos comentários e vamos conversar sobre literatura russa! 


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