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terça-feira, 31 de maio de 2022

#Livros - Contos de São Petersburgo, de Nikolai Gógol

 

#Livros - Contos de São Petersburgo, de Nikolai Gógol

Sinopse


Estão aqui reunidas as cinco «Histórias de Petersburgo»: «Avenida Névski (1834), «Diário de um Louco» (1834), «O Nariz» (1836), «O Retrato (1841) e «O Capote» (1841). Acrescentou-se «A Caleche» (1836), pequeno conto que alguns autores integram neste ciclo. Trata-se do chamado «segundo período» da obra do autor, que se seguiu ao período das histórias ucranianas, «Noites na Granja ao pé de Dikanka» e «Mirgorod». 

Estes contos do fantástico-real (ou real-fantástico?), integrando o humor e a sátira inconfundíveis de Gógol, tiveram grande influência no ulterior desenvolvimento da prosa literária russa e, também, no de todas as literaturas ocidentais. A modernidade das propostas de Gógol continua mais viva do que nunca nestas histórias em que a personagem principal é a cidade de Petersburgo: mesquinha, sufocante, ridícula, irrisória e ilusória. 

Opinião 


Nos tempos conturbados que vivemos, nada como relembrar que a Rússia tem muitas coisas boas para nos dar que vão muito além de conflitos e delírios de um ditador lunático. Neste caso particular de Gógol, estamos perante um escritor russo que nasceu numa província que hoje faz parte da Ucrânia, o que vem mostrar o quanto os dois países estão unidos e deveriam ser mais irmãos do que rivais. Ou, pelo menos, com uma rivalidade mais saudável, como a nossa com os nossos vizinhos espanhóis. 

A minha curiosidade sobre Gógol surgiu quando ouvi falar pela primeira vez de Almas Mortas e desde então a ideia de ler este autor, que é considerado o percursor do romance russo como o conhecemos, nunca mais me saiu da cabeça. Portanto, quando encontrei esta colectânea de contos deste autor em promoção na Fnac, não resisti a trazê-la para casa. São seis contos, cada um melhor que o outro e que nos revelam um estilo que se foca mais no cenário, nos objectos, nas roupas, do que nas personalidades dos seus personagens. 

Podes ler também a minha opinião sobre Noites Brancas

A verdadeira protagonista é a cidade de São Petersburgo, criada pelo capricho do famoso czar Pedro, o Grande, e que se transformou num lugar sombrio, muito frio, sempre com uma forte neblina, povoado pelos muitos miseráveis e pelos funcionários públicos cujos cargos foram criados para que a cidade fosse povoada mais rapidamente. Este sistema burocrático russo no século XIX era um entroncado labirinto, com cargos e mais cargos, patentes e nomenclatura imitada da militar, onde as pessoas procuravam escalar através das relações sociais, mais do que pela competência. 

"Os sonhos acabaram por se tornar a vida dele e, desde então, a sua existência tomou um rumo estranho; pode dizer-se que dormia acordado e estava de vigília no sono." 

Dos contos deste volume, o meu favorito é, por uma grande margem, O Retrato. Penso que deve ser o maior, dividido em duas partes, e conta a história de um pintor talentoso e com poucos recursos financeiros que, num impulso que nem consegue explicar, compra um retrato peculiar numa loja da cidade. O retrato tem um olhos que parecem nos perseguir e que contém uma carga que assusta. O artista descobre dinheiro no quadro e a sua vida transforma-se de uma forma inesperada e que está longe do que tinha sonhado quando era um simples aprendiz. 

Podes ler ainda a minha opinião sobre Lolita

Destaco também o Diário de um Louco que, como o nome indica, trata-se de um diário, com entradas escritas em diferentes datas, pelo nosso protagonista. Mais um funcionário público que parece um cidadão normal, com as suas peculiaridades e sem noção da sua insignificância. Só que o fantástico começa a sério quando o nosso Aksénti Ivánovitch ouve uma conversa entre dois cachorros. É nesse momento que começamos a perceber a loucura, até ao ponto em que ele descobre que afinal é o rei de Espanha. Hilariante, é só o que te digo. 

"Mecenas destes já não existem, como é sabido, uma vez que o nosso século dezanove adquiriu desde há muito a fisionomia enfadonha do banqueiro que se delicia com os seus milhões bastando-lhe apenas olhar para eles na forma de números escritos no papel."

Por último, vou referir ainda O Nariz, conto fantástico e talvez o mais conhecido do autor, pelo menos foi o que encontrei mais vezes referido pela Internet a fora. Aqui o insólito acontece quando um homem acorda, sem que nada de estranho tivesse acontecido antes, e se depara com o seu reflexo no espelho que lhe revela a ausência total do seu nariz. O espanto do homem prende-se com os problemas sociais que esta perda lhe vai trazer. Como poderá se apresentar no trabalho, nos salões, nas ruas? O que era extraordinário só piora quando Kovaliov descobre o seu nariz, vestido com uma bela farda, e com um cargo público superior ao seu. Dá para acreditar? 

No fundo, esta é uma grande crítica ao sistema burocrático russo, quase uma sátira em determinados contos, que expõe o quanto é ridícula e sem sentido a forma como são criados esses cargos. Só posso recomendar este livro para começares a ler Gógol, que para mim funcionou muito bem e me deixou com muita vontade de continuar a ler mais. Já leste alguma coisa do autor? Preferes os contos ou as novelas? 

Podes encomendar o teu exemplar através dos links abaixo, sem custos adicionais para ti, e contribuir para as próximas leituras deste blog

 

quinta-feira, 26 de maio de 2022

A minha experiência com O Chico da Fruta

 

A minha experiência com O Chico da Fruta

Não existe conceito mais cómodo do que receber produtos frescos, cuidadosamente selecionados, entregues directamente no conforto do lar. Só vejo vantagens em termos pessoais, mas além disso existem também muitos benefícios para o ambiente ao comprarmos a produtores locais e próximos. Ao mesmo tempo, estamos a contribuir para a economia das nossas regiões e obtemos a certeza de que estamos a consumir produtos de qualidade e que não são industrializados. 


Foi com todas estas preocupações em mente, que acabei por descobrir O Chico da Fruta e os seus cabazes semanais, que podemos personalizar em termos ou acrescentar outros produtos para completar o nosso cabaz. Todas as semanas são propostos três cabazes diferentes que podem incluir só frutas ou frutas e legumes variados. Os preços destes cabazes começam nos 15€ até aos 21,50€ e a entrega é gratuita, sendo possível encomendar na Grande Lisboa e na Margem Sul. 


Podes ler também a minha experiência com a Maria do Pomar


Os produtos são dos mais variados que tenho visto e a qualidade é acima da média, posso te assegurar. Já encomendei diferentes cabazes três vezes e fiquei sempre satisfeita com os produtos que recebi, e também com o atendimento atencioso e cuidadoso que recebi. Inclusivamente são permitidas algumas trocas aos produtos que compõem o cabaz, de forma a que fique mais ao nosso gosto e da nossa família. No cabaz maior, que é o que mais me agrada, recebemos duas caixas. Uma com legumes, outra com frutas, tudo acondicionado com o maior cuidado. 


A minha experiência com O Chico da Fruta

Directamente do produtor, tanto os legumes como as frutas são excepcionais, um sabor e uma frescura como se tivesse sido colhido por nós, como os nossos avós faziam noutros tempos. Na primeira encomenda, são cobradas as caixas em que são entregues, que nas seguintes são devolvidas quando recebemos o próximo cabaz. Tudo de uma forma bem sustentável e com preocupações ambientais, ambas muito importantes nos dias que correm. 


Podes ler ainda sobre a minha experiência com a Veggie Nessie


Para poderes ver os cabazes semanais, eles ficam disponíveis nos fins de semana no seu Instagram, e podes fazer a tua encomenda através do Whatsapp. Para isso, só precisas de indicar a tua morada completa, com código postal, o teu contacto e os extras que pretendes adicionar ao teu cabaz. Depois de receberes a confirmação e saberes qual o dia em que entregam na tua área de residência ou de trabalho, podes ficar descansada e aguardar pelo dia combinado. No dia anterior, recebes ainda uma mensagem a confirmar a entrega e a indicar o horário em que será feita. 


A minha experiência com O Chico da Fruta

O pagamento é feito no acto da entrega e podes pagar com Multibanco ou Numerário. Tudo se processa de forma prática, simples e sem complicações. Aqui te deixo mais uma opção, desta vez apenas para residentes de Lisboa e arredores, e que te poderá ser útil. Para os preguiçosos, para os que nunca têm tempo, para os que acham que não sabem escolher este tipo de produto, para quem quer ajudar os produtores locais, para quem tem preocupações ambientais. Em suma, acredito que seja também para ti, de alguma forma. 


Já conhecias O Chico da Fruta? Onde costumas comprar as tuas frutas e legumes frescos? Já te rendeste às compras online neste sector? 

terça-feira, 24 de maio de 2022

#Livros - Morte em Veneza, de Thomas Mann

 

#Livros - Morte em Veneza, de Thomas Mann

Sinopse

A Morte em Veneza é a narrativa do fascínio que Aschenbach, um escritor consagrado, sente por um adolescente, Tadzio, de deslumbrante beleza. 

Uma paixão que se arrasta pelo Lido e depois pelas ruas de uma Veneza ameaçada e através da qual se questiona a situação moral do artista. 

Trata-se de uma novela em que Thomas Mann, sob a influência filosófica de Platão, aborda a relação com o belo e fala da nostalgia e das suas emoções. 


Opinião

Depois de muitas hesitações, decidi-me a ler o meu primeiro Thomas Mann da vida e que bom que foi. Claro que não comecei por nenhum dos seus calhamaços, mais famosos e mais icónicos, mas por uma novela simples, curta e repleta do seu talento. Morte em Veneza tem menos de cem páginas e pode muito bem ser lida de uma assentada, embora uma leitura mais calma poderá trazer maior entendimento sobre os acontecimentos aqui contados. 


Não que seja algo complicado ou complexo, mas sem dúvida que está repleto de simbolismo, de mensagens subliminares, de pequenos indicadores do que, inevitavelmente, será o seu final. Tudo começa com o nosso protagonista, Aschenbach, que se sente inquieto na sua vida em Munique e não se mostra entusiasmado com a eminente viagem para a sua casa de campo. Nesses pensamentos conturbados surge-lhe a ideia de que deveria seguir para Sul, para paragens mais quentes, onde poderá desfrutar desse Verão em conformidade. 


Podes ler também a minha opinião sobre Coração das Trevas


A verdade é que estamos perante um escritor que já passou da meia idade que se leva muito a sério, disciplinado, rigoroso, que leva uma vida monótona e metódica, sem nunca sair da linha do que acha que esperam de si. Esta vontade de ir para um lugar diferente do habitual mostra um ímpeto por sair da sua rotina, por procurar cenários diferentes dos que costuma habitar. Depois de uma passagem por um primeiro destino, decide partir para Veneza e é nesse lugar que começam as atribulações do nosso escritor. 


"Tudo aquilo lhe aparecia como prenúncio de algo de invulgar, dir-se-ia que começava a envolvê-lo um alheamento próximo do sonho, uma desfiguração estranha do mundo, que poderia apagar se cobrisse os olhos por momentos e olhasse depois de novo à sua volta."


Prenúncios sucedem-se, mesmo antes da chegada a Veneza, mas o que mais me marcou entre eles foi o estranho gondoleiro que transporta Aschenbach até ao seu Hotel. Personagem esquisita que não acata as ordens e que decide qual o percurso por onde irá levar o seu passageiro e que, no final, parte sem esperar pelo pagamento. A própria gôndola onde é transportado parece também um prenúncio do que se avizinha. O Hotel está cheio de famílias a passar a época de veraneio, mas os olhos de Aschenbach ficam presos num rapaz de cerca de quatorze anos de uma beleza inacreditável, a roçar a perfeição. 


Podes ler ainda a minha opinião sobre A Metamorfose


Esta admiração à primeira vista torna-se a principal motivação dos seus dias e começa a alinhar as suas rotinas no Hotel pelas do rapaz e da sua família. Não se pense que estamos perante uma relação pedófilo ao estilo de Lolita. É tudo platónico, sem qualquer iniciativa de aproximação real, física. Nunca conversaram sequer. Mas é impossível negar que o escritor se apaixona perdidamente por este rapaz, que não conhece, cuja voz nunca ouviu, mas cuja beleza o arrebatou de uma forma como nunca antes lhe aconteceu na sua vida. 


"É de facto bom que o mundo só conheça a obra bela, acabada, e não também as suas origens, nem os condicionalismos do seu nascimento; porque o conhecimento das fontes a partir das quais jorra a inspiração do artista iria muitas vezes confundir o seu público, intimidá-lo, anulando assim os efeitos da excelência da obra." 


É uma obra bem redonda, cheia de pormenores e pequenos detalhes, escrita de uma forma espectacular, sem falhas ou lapsos, nem excessos de qualquer tipo. Tudo parece ter o seu papel, sem que nada supérfluo tenha ficado nas suas páginas. É certo que ainda não li mais nada deste autor, mas fiquei muito contente com esta escolha para começar a saga de ler este autor brilhante. No entanto, se ainda precisas de mais motivos para ler Morte em Veneza, podes ver o vídeo da Tatiana Feltrin


Já leste algum livro de Thomas Mann? Qual o teu favorito? Qual seria a tua sugestão para começar a ler a obra do autor? 


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Wook | Bertrand | Book Depository 

quinta-feira, 19 de maio de 2022

#Documentário - Senna

 

#Documentário - Senna

Sinopse

História verídica do lendário corredor de automóveis brasileiro Ayrton Senna, que muitos vêem como o melhor condutor do mundo. A sua viagem física e espiritual dentro e fora das pistas, a procura pela perfeição e a sua transformação de estreante notavelmente dotado que despontou para a F1 em 1984 para mito consagrado após o trágico acidente em Imola em 1994. 


Opinião

Este mês, no dia 1, passou mais um ano sobre a morte do mito Ayrton Senna e depois de ler tantos manifestos, tantos editoriais a recordar a sua curta e brilhante carreira, fiquei com uma vontade imensa de revisitar os anos de glória, onde abrilhantou a Fórmula 1 de uma forma inesquecível. Por isso, acabei por encontrar este documentário, Senna, que nos apresenta o piloto através de imagens e registos, alguns inéditos, dos seus anos dedicados às corridas. 


Assistimos à estreia na Fórmula 1, depois de ter feito sucesso e dado nas vistas noutras competições menos famosas e com menos notoriedade. A primeira prova que venceu, em Portugal, a transferência para uma equipa onde teria um carro capaz de corresponder e cumprir o seu desejo de vencer. É dado grande foco à sua rivalidade histórica com Alain Prost, com quem competia pelo pódio durante grande parte desses anos. É extraordinário rever a sua primeira conquista do título de campeão do mundo. Emocionante assistir à primeira vez que venceu o Grande Prémio do Brasil. 


Podes ler também a minha opinião sobre O Impostor do Tinder


Ao longo de todo o documentário somos inundados pelo carisma, pela convicção, pela determinação de Ayrton Senna. A sua vontade de vencer, de ser melhor, de se superar a si mesmo é contagiante. Faz pensar porque razão não somos todos assim. O que tinha Senna, e nos falta a nós, comuns mortais, para atingir esse patamar de excelência? Por vezes frustrado pelas intrigas política da Fórmula 1, nunca se vergou aos poderes instalados, nunca deixou de lutar pelo que achava certo, pelo que considerava justo. 


#Documentário - Senna

Revisitamos algumas das corridas mais icónicas, momentos que o celebrizaram como um piloto extraordinário. A forma como conseguia passar de uma posição pouco favorecida e terminar vencedor da corrida tornou-se lendária. Isto já para não falar do seu brilhantismo a conduzir com chuva, feito que poucos poderiam almejar. Era nessas alturas, quando os seus oponentes perdiam segundos, que ele os ganhava e conquistava vantagens inesperadas. 


Podes ler ainda a minha opinião sobre De Volta a Hogwarts


A aproximação da tragédia deixa uma sensação de impotência por não podermos impedir, de travar os acontecimentos que irão mudar tudo de forma irreversível, como só a morte consegue. Esses momentos, ainda que tantos anos se tenham passado, não deixam de nos emocionar, de entristecer pela perda tão precoce de uma pessoa tão especial, de um homem que inspirava tanta gente ao seu redor, que deu esperança a um Brasil pobre e miserável. A sua morte precoce, quando ainda teria tantos anos pela frente, tantas conquistas para alcançar, tantas glórias por reclamar, terminou com a sua hipótese de se tornar no piloto histórico que poderia ter sido, mas acredito que foi nesse momento que se tornou numa lenda, no mito que irá perdurar ao longo do tempo. 


Fica a saudade de um tempo de ouro da Fórmula 1 que não creio que se repetirá, as memórias de corridas alucinantes, de vitórias impossíveis, e de homens que conseguiram tornar-se a inspiração de tantos jovens, a esperança de que todos podemos alcançar os nossos sonhos, desde que estejamos dispostos a trabalhar para isso. Também eras fã de Senna e da Fórmula 1 desse tempo? Viste o documentário? O que sentiste ao ver ou rever tantos momentos icónicos reunidos? 

terça-feira, 17 de maio de 2022

#Livros - Adapte-se, de Tim Harford

 

#Livros - Adapte-se, de Tim Harford

Sinopse


Nesta obra inovadora, Tim Harford, autor do livro O Economista Disfarçado, apresenta-nos uma abordagem pioneira e inspiradora para a resolução dos problemas mais prementes das nossas vidas, apontando como essencial a capacidade de nos adaptarmos. Congregando psicologia, biologia evolutiva, antropologia, física e economia, Harford salienta a importância do método de tentativa e erro no combate ao terrorismo, às alterações climatéricas, à pobreza e à crise financeira bem como a necessidade de fomentarmos a inovação e a criatividade nos nossos negócios e vidas pessoais. Adapte-se dá-nos a conhecer todos os ingredientes que nos possibilitam transformar o fracasso em sucesso. 

Opinião


Sou uma grande fã de livros de não ficção e tenho um carinho especial sobre livros técnicos e relacionados com desenvolvimento pessoal. Na minha mesa de cabeceira tem sempre um livro do género a ser lido em simultâneo com outros de ficção e o escolhido da vez foi este de Tim Harford, autor que se propõe a ensinar-nos a importância de nos adaptarmos, que revela que para chegar ao sucesso é sempre preciso e talvez até inevitável passar pelo fracasso. 

Tinha grandes expectativas para este livro, pois considerei muito interessante e estimulante a sua proposta. No entanto, tenho de admitir que foi penosa a leitura deste livro com menos de trezentas páginas. Não porque fosse aborrecido o tema ou porque esteja mal escrito, mas porque se focou, nos primeiros capítulos, em tantos exemplos militares que por momentos senti que estava a ler sobre a Guerra no Iraque ou sobre o Exército dos Estados Unidos. 

Podes ler também a minha opinião sobre Gestão - Tudo o que precisa de saber

As mensagens que constam do livro são mesmo interessantes e conforme os exemplos dados começam a ser diversificados ou, pelo menos, alternados, torna-se muito mais fácil manter o interesse, a atenção e retirar maior partido da sua leitura. É-nos explicada a importância de estarmos receptivos ao fracasso, de não ter medo de tentar, de diferentes formas e com diferentes métodos. Os maiores sucessos conhecidos são muitas vezes fruto destas tentativas que parecem tolas e vãs. 

"O método que utilizou para lidar com isto pode ser resumido como os três «princípios de Palchinsky»: primeiro, procurar novas ideias e experimentar coisas novas; segundo, quando se experimenta alguma coisa nova, deve-se fazê-lo a uma escala em que se consiga sobreviver ao fracasso; terceiro, procurar retorno e aprender com os erros cometidos à medida que se avança." 

Os exemplos bancários também são grande destaque, bem como as descobertas científicas, algumas bem famosas, por sinal. Tudo para nos revelar que muitos dos avanços de que hoje desfrutamos são consequência de incentivos, de prémios ou da simples liberdade dada para a criação sem pressão dos resultados. Por vezes, ao constatar que fracassamos, a observação do erro cometido é a base para o sucesso que virá em seguida. 

Podes ler ainda a minha opinião sobre Smarketing

Para falar a verdade, não há nada que seja totalmente novo neste livro, pois se pararmos para pensar e analisar as situações entendemos que tudo faz sentido e muito faz parte do senso comum. No entanto, os exemplos práticos e reais que nos apresenta servem como base para a sua teoria e para nos convencer de que tem razão e que devemos procurar adaptação sempre, em todas as áreas da nossa vida. Apesar de tudo, achei o livro demasiado teórico e pouco prático, ou seja, faltam aplicações práticas, dicas de como podemos transpor os seus ensinamentos para a vida pessoal, profissional e financeira. 

"A lição a retirar é a de que o pluralismo fomenta o pluralismo. Se quiserem estimular muitas inovações, aliem muitas estratégias." 

Apesar de tudo, foi uma leitura interessante embora nem sempre tenha sido agradável ou estimulante, pelo menos não tanto quanto eu gostaria. Os capítulos finais são bem melhores, mas os primeiros foram difíceis de concluir sem desistir. Ainda assim, gostaria de dar uma nova oportunidade ao autor para me convencer com outra das suas obras. Já leste este livro ou algum de Tim Harford? O que achaste do seu estilo? Qual me aconselhas? Conta-me tudo nos comentários. 

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