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quinta-feira, 28 de fevereiro de 2019

#Livros - Anita Garibaldi, de Thales Guaracy


#Livros - Anita Garibaldi, de Thales Guaracy

Sinopse

Neste livro repleto de beleza literária e cores realistas, tão chocante quanto maravilhoso, tão particular quanto universal, Thales Guaracy vê Anita pelos olhos de Giuseppe Garibaldi, a única pessoa que testemunhou realmente a vida da revolucionária. E assim desvenda e dá-nos a conhecer, com um estilo único, pessoal e emocionante, a mulher que se lança sozinha sobre o exército inimigo; que por ciúmes corta os cabelos do marido e o ameaça com um par de pistolas; que abandona os próprios filhos entre desconhecidos para atravessar um país em convulsão, escondida sob a correspondência num carro de correio, até uma cidade sitiada. E que aprendeu que as causas perdidas são as mais certas, tornando-se numa das mais extraordinárias personagens da história, considerada a heroína de dois mundos, precursora e símbolo do feminismo, e a representação da mulher forte e independente. 

Opinião

O Brasil é mesmo todo um novo mundo à espera de ser descoberto. A sua descoberta não se limita aos seus limites geográficos e a sua riqueza vai muito além do ouro e das pedra preciosas que lá se escondiam. As figuras únicas e de dimensão universal são o seu maior legado. No seu passado encontramos o início de uma identidade própria, rica e que, absorvendo as culturas colonizadoras, criou a sua e com ela ganhou o mundo. 

No que toca a mulheres é uma fábrica de personalidade extraordinárias, à frente do seu tempo e capazes de seguir o seu caminho sem se prenderem às convenções e pressões sociais. Foi o caso de Chiquinha Gonzaga, a compositora que se destacou na criação de uma música popular brasileira. E antes dela, foi o caso de Anita Garibaldi, que rasgou as amarras e se dedicou à luta pela liberdade, causa maior dos povos. 

Desde que vi a mini-série da Globo, A Casa das Sete Mulheres, fiquei rendida a esta personagem histórica que ganhou um lugar especial no coração dos oprimidos e se tornou numa heroína de dois continentes. Depois, agarrei no livro com o mesmo nome e que está esgotado no nosso país, e apaixonei-me em definitivo por este casal de revolucionários. 

Então podes imaginar a minha reacção quando descobri que ia ser lançado em Portugal um livro sobre Anita Garibaldi, certo? O autor, Thales Guaracy, propõe-se contar sobre a vida da grande heroína através do olhar do seu companheiro de amor e de aventuras. Os factos são narrados pelo próprio Garibaldi que nos relata a vida de Anita antes das suas vidas se cruzarem, segundo o que ela lhe contou, e depois o que aconteceu durante os anos que partilharam lado a lado. 

Ao contrário de uma mulher comum, Anita não procurou prender o seu amado a uma vida segura e estável, onde os filhos se tornassem em âncoras e não permitissem perseguir as lutas que o chamavam. Em vez disso, incentivou e participou nas mesmas causas, tendo um papel fundamental e demonstrando uma coragem e destemor que poucos homens conhecem. 

Este é um excelente livro, suportado por uma história verdadeira, repleta de heróis e momentos de emoção, com personagens fortes e marcantes, o que só se poderia traduzir num caso de sucesso. E, como cereja no topo do bolo, a sua escrita é incrível e transforma uma leitura interessante num livro inesquecível. A sua escrita é quase poética e acabei a ter de me controlar para não marcar todas as páginas, porque em todas elas podemos encontrar frases ou parágrafos que queremos guardar e reter. 

Posso imaginar que talvez possa ter provocado alguma polémica, embora não me tenha prendido muito a procurar por ela, devido à forma como faz a sua versão do que se sabe, preenchendo alguns vazios e que poderá ter chocado alguns. Pela minha parte, lido bem com isso, precisamente por se tratar de um romance e não de uma biografia. 

Pela minha parte, fiquei fã do autor e deste seu romance que me permitiu matar saudades de um casal apaixonado e apaixonante. É, sem margem para dúvidas, um livro para guardar e visitar sempre que possível e voltar a viver o deslumbramento das suas belas frases. Concordas comigo? Leste este livro ou ainda não lhe deste uma oportunidade? 

"Tantas e quantas vezes até preferiu estar morto, sem carregar o peso dos companheiros perdidos, do amor perdido e das desilusões, que acumulava como ninguém. No final, a ironia suprema, estava ali, em 1882: um velho como se tivesse tido uma vida prudente, rotineira e previsível como a de um pacato sapateiro ou de um barrigudo mercador." 

"Aprendera nas lutas a conhecer os homens; sabia sempre quem eram os doentes ou os fracos, os valentes e os fortes, aqueles em que se podia ou não confiar, mas nenhuma batalha lhe ensinara a entender as mulheres. Aquela era diferente; não precisava saber de nada ou, por outro lado, era como se já soubesse de tudo. Nunca vira uma mulher assim guerreira, nem sabia de alguma, desde Joana d'Arc, que de tão rara se tornara também uma santa. Ao ver o olhar de Anita, reconhecia o magma vivo, a energia vulcânica daqueles que, como ele, não perdiam tempo com decisões, como é necessário no campo de batalha." 

Podes encomendar o teu exemplar na Wook, com 10% de desconto em cartão. 

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2019

#Filmes - Assim Nasce uma Estrela


#Filmes - Assim Nasce uma Estrela

Sinopse

Apesar de sobreviver à custa de um ordenado miserável como empregada de mesa, Ally nunca abandonou o sonho de se tornar uma estrela. Um dia, conhece Jackson Maine, um cantor consagrado com tendências autodestrutivas que reconhece o seu talento musical e resolve ajudá-la. Os dois apaixonam-se e vivem uma grande história de amor. Mas, ao mesmo tempo que ela começa a atingir o estrelato e a emocionar multidões, Maine torna-se vítima da implacável máquina que tem o poder de criar e destruir vedetas. Dominado pelo vício do álcool e drogas, Jackson inicia uma verdadeira descida aos infernos, deixando marcas profundas no seu relacionamento com Ally.

Opinião

E, finalmente, dediquei-me a ver o filme sensação do ano passado e que tanto diz que disse provocou. Os rumores que envolvem Lady Gaga e Bradley Cooper são mais que muitos e resta saber se se terão apaixonado de verdade ou se não passa de uma mera estratégia de marketing. Só o tempo o dirá, não é mesmo?

Depois de o ter sugerido para ver no Dia dos Namorados e da noite de Óscares, não podia deixar passar mais tempo para assistir ao primeiro filme realizado pelo gato do Bradley Cooper e que marca a estreia no Cinema de Lady Gaga. Mesmo antes de me dedicar ao visionamento do filme propriamente dito, já estava convencida pelas músicas que ouvi e que me conquistaram.

Os melhores momentos do filme são mesmo os musicais, especialmente os que juntam os dois talentos, o antigo e o novo. A união que transborda dessas cenas é brutal e emociona qualquer um. Embora também venha associado uma crescente sensação de tristeza pelo caminho de autodestruição que Maine trilha e que não tem como terminar bem.

No entanto, traça ainda um retrato muito interessante do caminho que leva à fama e o quanto é preciso perder para alcançar o sucesso e o reconhecimento do grande público. A transformação necessária para atingir o estrelato, leva a que a essência do artista, a sua personalidade e, por vezes, a mensagem sejam apagadas e substituídas pelo que está na moda e por fórmulas garantidas e muito semelhantes.

A química do nosso casal de protagonistas é evidente e a extravagante cantora representou muito bem o seu papel. Não imaginando que fosse possível vencer o Óscar, percebo melhor a sua nomeação, pois não deixa de ser uma surpresa ver a sua performance como Ally, porque as suas qualidades vocais já estavam mais que provadas.

Quanto às versões anteriores, não posso fazer comparações com propriedade. A primeira nunca vi e a segunda, com Barbara Streisand, tenho uma memória muito longínqua de quem viu em tenra idade e reteve muito pouco. Ainda assim, penso que esta versão está bem conseguida, pela modernidade e actualidade que trouxe a uma história intemporal e que poderá ser reescrita daqui por mais uns quantos anos.

Em suma, temos aqui um filme muito bem conseguido, com um elenco de luxo e com uma banda sonora que, se não houvesse mais nada, já seria motivo suficiente para perder duas horas a assistir. Quanto a ti, gostas de Assim Nasce uma Estrela? O que me tens a dizer sobre este filme? 


terça-feira, 26 de fevereiro de 2019

#Moda - Óscares 2019


#Moda - Óscares 2019

De facto, já estou cansada de dizer que já não se fazem passadeiras vermelhas como antigamente. Não sei se o problema está na moda e nos estilistas da actualidade, se nas estrelas pouco cintilantes dos dias de hoje, se nos nossos olhos que perderam a inocência e o deslumbramento por esse mundo tão distante de nós. 

Culpados à parte, recuso-me a perseguir as figuras tristes destes eventos, como aconteceu nos Grammys deste ano, e fiz um esforço gigante para esquadrinhar devidamente todas as fotos que saíram desta passadeira vermelha e encontrar o que de melhor, a meu ver, passou por lá. Vamos ver os eleitos?


#Moda - Óscares 2019 Brie Larson

#Moda - Óscares 2019 Giuliana Rancic

#Moda - Óscares 2019 Glenn Close

#Moda - Óscares 2019 Helen Mirren

#Moda - Óscares 2019 Jennifer Lopez

#Moda - Óscares 2019 Tina Fey

Quando se encontra, entre as minhas escolhas para melhor da noite, Jennifer Lopez penso que pouco mais há a dizer. Depois, vemos senhoras acima dos sessenta a mostrar às miúdas no esplendor da idade como se faz e o que é preciso para uma passadeira vermelha digna dos Óscares da Academia. I rest my case.

O que me dizes da edição de 2019 dos Óscares? Algum vestido te encheu as medidas? Qual o teu favorito da noite? 


Podes ver também: 


Top 10 Óscares 2018
Best of Óscares 2017
Os vestidos dos Óscares 2016
Óscares 2015: O melhor e o pior
Os melhores trapinhos - Óscares 2014
Óscares 2013

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2019

A Banda Sonora da Semana #42


A Banda Sonora da Semana #42 com uma homenagem ao homem da minha vida e uma música para inspirar a semana

Ver terminar o fim de semana de folga é coisa que dói na alma, especialmente porque sei que terei de trabalhar nos próximos. É triste, mas tem de ser, que vida de pobre é trabalhar. Pelo menos enquanto não me sair o Euromilhões ou receber uma herança gigante e inesperada, é o que me resta e presumo que também seja o teu caso, estou certa? É por isso que as inspirações são tão importantes para dar o ânimo necessário para o começo de mais uma semana de trabalho. Estamos juntos?

Efemérides de 25 de Fevereiro


1961 - Independência do Kuwait.
1836 - Samuel Colt recebe a patente do revólver. 
1841 - Nasceu Pierre-Auguste Renoir, pintor francês. 
1558 - Morreu Leonor da Áustria, Rainha de Portugal e da França. 
1945 - Morreu Mário de Andrade, poeta, escritor, romancista, crítico literário, musicólogo e ensaísta brasileiro. 

A Banda Sonora da Semana #42 com uma homenagem ao homem da minha vida e uma música para inspirar a semana

Neste dia, a verdadeira efeméride é o nascimento do homem mais importante da minha vida e o que mais admiro no mundo. Esta não é a primeira vez que o homenageio por estas paragens. Dediquei-lhe as minhas palavras no Dia do Pai, em 2016, e no seu aniversário, em 2017. Estou certa, também, que esta não será a última vez que isso acontece.

É profundo e imenso o amor que lhe dedico. A admiração por este homem e, sobretudo, pelo pai extraordinário que tem sido, não pode ser medida nem comparada. É fruto de uma relação que conta já com trinta e três anos e que vai para além deles, por tudo o que sei e conheço da sua vida. Do que foi e do que decidiu fazer com ela.

A Banda Sonora da Semana #42 com uma homenagem ao homem da minha vida e uma música para inspirar a semana


Deixa marca por todo o lugar por onde passa e na vida da sua única e orgulhosa filha não poderia ser diferente. A sua protecção nunca me falhou. O seu amor é o meu melhor presente. Os valores e princípios que recebi são o seu maior legado. Quanto mais o tempo passa mais certa estou de que sou uma pessoa de sorte e o pai que tenho é o maior rasgo de sorte que me aconteceu.

É tão grande a sua importância e tão forte a influência em mim, que marcou presença no primeiro A Banda Sonora da Semana, devido à sua paixão que me transmitiu pela música. Aliás, a lista do que aprendi com ele é infinita e seria impossível colocar em palavras tudo o que seria preciso dizer para lhe fazer justiça.

Este será o último ano que estarás na década dos sessenta e só desejo que seja tão extraordinário como todos da tua vida. O mérito é teu que não desistes de nada, que nunca baixas os braços e tens um encanto a que ninguém consegue resistir. Feliz aniversário, paizão!


Depois de tanto sentimentalismo, não podemos esquecer que esta é uma rubrica de sugestões e inspirações, não é mesmo? Assim, e sem esquecer dos Óscares de ontem à noite, ficamos com uma música brilhantemente cantada pelo casal (será) sensação do momento. Viste o filme? E os anteriores? 

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2019

#Livros - Orgulho e Preconceito, de Jane Austen


#Livros - Orgulho e Preconceito, de Jane Austen

Sinopse

Orgulho e Preconceito é o romance mais conhecido de Jane Austen. Embora o universo que retrata seja circunscrito - a sociedade inglesa rural da época -, graças ao génio de Austen o seu apelo mantém-se intacto. É uma história de amor poderosa, entre Elizabeth Bennet, a filha de espírito vivo e independente de um pequeno proprietário rural, e Mr. Darcy, um aristocrata altivo da mais antiga linhagem. Mas é também uma deliciosa comédia social, à qual estão subjacentes temáticas mais profundas. A sua atmosfera é iluminada por uma jovialidade contagiante, por uma variedade de personagens e vozes que tornam o enredo vibrante e constantemente agitado pelo elemento surpresa, pela genialidade da inteligência e da ironia de Austen. 

Opinião

E cá estou eu na minha caminhada pelos clássicos da Literatura mundial que me faltam ler e aproveitando para deles falar no blog. Não sou uma fundamentalista que defende que só os clássicos são bons e que tudo o resto não presta para nada. Pelo contrário, acredito que o importante é ler. Não importa o quê. Mesmo que sejam livros de qualidade duvidosa. Pois penso que só conhecendo o mau se pode valorizar e tirar verdadeiro prazer do bom que nos vem parar às mãos.

É o caso do livro mais famoso de Jane Austen, Orgulho e Preconceito. Embora tenha visto o filme, passados tantos anos, isso não atrapalhou em nada a surpresa da leitura. Até porque os finais dos romances são, regra geral, bastante previsíveis. Raros são os que, de facto, surpreendem. O que importa são os acontecimentos e peripécias que sucedem entre o início e o desfecho esperado e desejado pelo leitor.

Desde 2016, quando enumerei os 20 clássicos que me faltam ler, que queria muito agarrar na obra de Jane Austen e neste livro em particular. Devo dizer, em abono da verdade, que a edição que li não é das melhores. Não só pela qualidade e beleza do livro, mas sobretudo por causa da tradução que deixa muito a desejar. Serviu para me iniciar na autora, mas pretendo, logo que seja possível, comprar uma edição melhor. Como por exemplo esta edição bilíngue e de capa dura, que ficava a matar na minha estante!

Antes de mais, é preciso colocar este livro no contexto da sua época. Afinal, Austen é fruto do seu tempo, embora tenho um olhar crítico sobre a sociedade onde se insere. Em Orgulho e Preconceito, ficamos a conhecer Elizabeth Bennet, uma jovem inteligente e de língua aguçada, segunda filha de uma família de classe média, que vivia num meio rural. Este é um livro repleto de humor, embora os melhores momentos cómicos são protagonizados pela mãe Bennet, que é desprovida de qualquer ponderação, falando o que pensa sem se preocupar com quem a rodeia.

No lado oposto temos o cosmopolita, rico e orgulhoso Mr. Darcy, que se encanta contra a sua vontade pela nossa protagonista. Apesar de lhe reconhecer todas as qualidades, tem muita dificuldade em aceitar a sua família, o meio onde se movimenta e a sua falta de recursos financeiros. Enquanto tenta lutar contra o que sente, muitos mal entendidos surgem no caminho e impedem que seja bem recebido pela sua amada quando lhe declara o seu amor.

Primeiro quero destacar os diálogos brilhantes que se podem encontrar neste livro. São deliciosos e, assim que terminam, só temos vontade de voltar a ler e absorver tudo o que dentro deles se encerra. Essa é uma das razões que fazem deste livro intemporal e que lhe garantiram o título de clássico da Literatura. A outra razão é a forma subtil e irónica como Jane Austen critica a sociedade, as mulheres e o casamento.

Não se trata de uma critica aberta, mas de algo subliminar que se percebe pela voz do narrador. Na época, para as mulheres o casamento era uma forma de garantir a segurança financeira. Uma mulher que não arranjasse marido, ficava refém da boa vontade da família. Sem um marido que lhe garantisse o sustento, um tecto e comida na mesa, era muito difícil uma mulher sobreviver condignamente. Essa mentalidade está bem expressa ao longo de todo o livro, mas sempre polvilhada com o picante da ironia bem disposta, como uma alfinetada que critica o que está estabelecido.

Se queres saber mais sobre este livro, aconselho-te a ver este vídeo, e a assistir a uma análise mais técnica e conhecedora da obra e da própria autora. Pela minha parte, fiquei rendida a este livro incrível e já decidi que quero ler tudo o que esta mulher escreveu. E tu, já leste Jane Austen? Qual o teu livro favorito da autora?

"(...) a perda de virtude numa mulher é irreparável, que um passo em falso pode causar-lhe a maior das ruínas, que a sua reputação é um bem tão frágil como belo, e que uma mulher não pode ter um comportamento demasiado precavido contra os indignos membros do sexo oposto." 

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