expr:class='"loading" + data:blog.mobileClass'>

Subscreve a Newsletter

terça-feira, 1 de abril de 2025

#Livros - Os Buddenbrook, de Thomas Mann

 

A capa do livro "Os Buddenbrook" de Thomas Mann apresenta um fundo azul escuro que evoca uma atmosfera de nostalgia e elegância. Em destaque, uma ilustração em preto de uma bengala, um chapéu e um par de luvas remete ao estilo de vida da alta sociedade do século XIX, simbolizando a decadência e os costumes da família Buddenbrook. Esses elementos icônicos capturam a essência da trama, que explora os desafios e as transformações da aristocracia em uma época de mudanças sociais e econômicas. A composição visual convida o leitor a mergulhar em uma narrativa rica e profunda sobre o destino e a identidade familiar.

Sinopse

Os Buddenbrook, publicado quando o autor tinha vinte e seis anos, é um dos melhores primeiros romances alguma vez escritos e influenciou a atribuição do Nobel de Literatura ao autor em 1929. 

A obra acompanha a vida de quatro gerações dos Buddenbrook, uma próspera família de comerciantes no Norte da Alemanha, que tem várias características em comum com a do próprio autor. 

No romance desfilam vivências da burguesia alemã entre nascimentos e funerais, casamentos e separações, ambições e rivalidades, êxitos e crises, a chegada da modernidade acompanha o declínio moral e económico da família. 


Buy Me A Coffee

Opinião 

Thomas Mann, um dos mais proeminentes escritores do século XX, nasceu em 6 de Junho de 1875, em Lübeck, na Alemanha. Reconhecido pela sua profundeza psicológica e estilo sofisticado, Mann foi laureado com o Prémio Nobel de Literatura em 1929, solidificando a sua posição como um dos grandes mestres da narrativa moderna. A sua obra é marcada pela exploração das complexidades da condição humana, abordando temas como a decadência, a identidade e a luta entre o idealismo e a realidade. Os Buddenbrook, o seu romance de estreia publicado em 1901, catapultou Mann para o reconhecimento internacional, e ainda estabeleceu as bases para a sua futura produção literária. Através da narrativa da queda duma família mercantil, Mann oferece uma reflexão incisiva sobre as transformações sociais e culturais da Alemanha, tornando-se uma leitura essencial para compreender tanto a sua obra quanto o contexto histórico da época. 


Ambientado na cidade de Lübeck durante o século XIX, o livro narra a decadência duma próspera família burguesa, os Buddenbrook, ao longo de quatro gerações. A obra insere-se num contexto histórico de transição, marcado pela industrialização e pelas mudanças sociais que desafiavam os valores tradicionais da classe média. Mann explora a fragilidade dos valores e das tradições que sustentam o prestígio social e com a sua narrativa ilustra como a ambição e o desejo de status podem, paradoxalmente, conduzir à ruína. Por outro lado, a deterioração das relações familiares, a pressão social e as mudanças económicas são elementos cruciais que aceleram essa queda. Os personagens principais, elementos de várias gerações desta família que acompanhamos e muitos vemos crescer, e as suas interações revelam conflitos profundos, marcados pela tensão entre dever e desejo, tradição e modernidade, permeados por um sentimento de decadência e nostalgia, ilustram a fragilidade das certezas num mundo em transformação. 


Podes ler também a minha opinião sobre Sua Alteza Real


No romance, Thomas Mann apresenta Johann Buddenbrook como um patriarca que encarnas as ambições e os valores da burguesia alemã do século XIX. Johann é um homem de negócios determinado, cuja visão de sucesso está intimamente ligada à prosperidade da sua família e ao legado que pretende deixar. No início, o seu pai ainda era vivo e geria a empresa da família, começando o relato com a inauguração da casa recém comprada, numa recepção repleta de convidados importantes, servidos com luxo e requinte, ficando assente o auge a que a família chegou. Quando este patriarca morre, Johann assume o controlo da empresa familiar e torna-se o novo patriarca em torno de quem todos se movimentam. Durante a sua gestão, os negócios começam a sofrer alguns reveses, embora isso pareça ainda não afectar o bom nome da empresa, mesmo depois de se ver ligado a um genro mentiroso e pouco escrupuloso. Mas a verdade é que este homem de negócios, muito religioso, acaba por falecer cedo, e logo deixa a empresa nas mãos do seu filho mais velho, ainda um jovem, que se torna assim chefe desta família, da próxima e da periférica. 


"Sem o saber, estava convencida de que cada um desses seus traços, independentemente da sua natureza, significava um legado, uma tradição de família, sendo, por conseguinte, digno de apreço e, em todo o caso, de respeito." 


Assim, Thomas Buddenbrook destaca-se como a personificação do ideal mercantil e da responsabilidade familiar, sendo o contraponto de Christian, o irmão mais novo, cuja instabilidade emocional e a constante busca por um propósito revelam as fragilidades do sistema familiar e social. No final, percebemos que ambos partilham a mesma natureza, mas enquanto Christian abraça e aceita o que sente, ainda que se sinta uma decepção para a família, Thomas procura o caminho oposto, recusando essa sensibilidade, com medo de se tornar igual ao irmão, e acaba envolto no desânimo de perceber que tudo o que alcança nunca é suficiente nem nunca o deixa saciado. Resulta que, apesar de ter alcançado posições importantes na sociedade onde se movimenta, e acumular um certo prestígio, sente que acaba invariavelmente por representar um papel, por fingir diante de todos, não conseguindo nunca ser natural e, portanto, feliz. Por fim, não posso esquecer a irmã, Antonie, mais conhecida por Tony, que proporciona um certo alívio cómico no meio da sua tendência para fazer de tudo uma tragédia, como se fosse uma mártir, sempre pronta aos maiores sacrifícios pelo bem da família e do negócio que tem o seu sobrenome. 


Podes ler ainda a minha opinião sobre As Cabeças Trocadas


São tratados de forma magistral temas como a decadência e a luta contra o tempo, através da ascensão e queda dos membros da família Buddenbrook. Deste modo, Mann ilustra como o sucesso e a prosperidade podem transformar-se em estagnação e ruína, refletindo a inevitabilidade da decadência tanto pessoal quanto social. Outro tema explorado e que permeia a trajetória da família é o choque entre tradição e modernidade, porque à medida que os membros da família se deparam com novas ideologias e estilos de vida, a resistência às transformações e a busca pela manutenção do legado familiar tornam-se fontes de conflito interno. Importa ainda referir a crítica subtil à superficialidade das convenções burguesas, demonstrando que a procura por uma vida estética pode ser tanto uma fonte de realização quanto um elemento de ruína. 


"Aprendi que muitas vezes os sinais e símbolos exteriores, visíveis e palpáveis, da sorte e do sucesso só se dão a conhecer quando, na realidade, já tudo se encontra de novo em declínio." 


O estilo de Thomas Mann revela uma prosa detalhada e rica em descrições, que se destaca pela profundidade psicológica e pela minuciosidade com que o autor retrata a vida e os dilemas da família Buddenbrook. Com uma linguagem elaborada, repleta de nuances, captura a essência dos personagens, além de evocar o ambiente social e cultural da época. As suas descrições minuciosas dos cenários, das emoções e das interações familiares permitem ao leitor imergir completamente na narrativa, ao criar uma atmosfera quase palpável. A estrutura narrativa é marcada por um realismo detalhado e uma progressão temporal que permite ao leitor testemunhar a degradação dos valores familiares e a decadência social, simbolizando a transição da sociedade europeia do século XIX. O uso do simbolismo é particularmente evidente na representação da casa dos Buddenbrook, que se torna num microcosmo das mudanças sociais e económicas da época. Assim como a estrutura da família se desmorona, a casa, que antes era um símbolo de status e prosperidade, reflete o desvanecimento dos ideais que sustentaram a família no início da narrativa. 


Esta leitura foi uma experiência profundamente enriquecedora, que me levou a refletir sobre a fragilidade das relações humanas e a inexorável passagem do tempo. Thomas Mann constrói uma narrativa rica, que além de retratar a decadência desta família, também provoca uma introspecção sobre as nossas próprias ambições e valores. A maneira como os personagens lidam com as suas aspirações e frustrações tocou-me e fez-me questionar o que realmente importa na vida e como as pressões sociais acabam por moldar as nossas escolhas. A genialidade de Thomas Mann já não me surpreende, mas admito que Os Buddenbrook foi uma experiência ainda melhor do que podia imaginar e não existe razão para ter medo deste calhamaço. Agora, quero muito saber a tua opinião! Já leste Os Buddenbrook? O que mais te impactou na narrativa? Qual o teu personagem favorito? Conta-me tudo nos comentários! 


Encomenda o teu exemplar através dos links abaixo, sem custos adicionais para ti, e contribui para as próximas leituras deste blog


Wook | Bertrand 

quinta-feira, 27 de março de 2025

Mudar a Canção - Marisa Liz & Amigos

 

Microfone antigo em destaque, com um fundo lilás suave, simbolizando a conexão e a nostalgia da música, ideal para ilustrar o artigo sobre a colaboração de Marisa Liz com diversos artistas na canção 'Mudar a Canção'

Marisa Liz é uma das vozes mais icónicas da música portuguesa contemporânea, conhecida pela sua habilidade para transmitir emoções profundas através das suas canções. Nascida em 1982, a artista ganhou notoriedade como vocalista da banda Santa Maria e, posteriormente, no projecto Amor Electro, onde conquistou o coração do público com o seu timbre inconfundível e letras marcantes. Nos últimos anos, iniciou a sua carreira a solo, onde se volta a destacar pela sua versatilidade e também pela sua capacidade de se reinventar artisticamente. A sua contribuição para a música portuguesa é inegável, influenciando novas gerações de artistas e mantendo viva a essência da cultura musical do país. 


Buy Me A Coffee

No universo musical actual, a colaboração entre artistas tem se tornado numa poderosa ferramenta de inovação e expressão, e Mudar a Canção é um exemplo perfeito desse fenómeno. A ideia, baseada numa música do cancioneiro tradicional, reflete a capacidade da arte se reinventar e se adaptar às diversas realidades que nos cercam. Com esta nova letra, a música é muito mais do que um meio de expressão, torna-se num veículo de mudança social e emocional, com novas interpretações e significados. Ao reunir uma série de artistas, de diferentes géneros e gerações, criou um mosaico sonoro que reflete a pluralidade das experiências humanas e mostra que existem mensagens que são transversais e podem tocar qualquer ser humano. 


Podes ler também sobre o Rock in Rio 2024


Com uma sonoridade que mistura pop com as influências da música tradicional, cada compasso é uma celebração da identidade cultural e emocional da artista Marisa Liz. Aqui fica evidente a capacidade de Marisa Liz de transformar a sua identidade musical num espaço inclusivo e vibrante, onde cada artista pode brilhar ao seu lado, enquanto registam uma mensagem de tolerância e de amor, algo que tanta falta faz nos tempos que correm. A escolha da instrumentação e os arranjos meticulosamente elaborados conferem à música uma sonoridade contemporânea, ao mesmo tempo que respeitam as raízes da base original. A sinergia entre os produtores e Marisa Liz resultou numa canção cativante com uma mensagem de transformação e renovação, características centrais da letra. Esta colaboração dinâmica foi fundamental para criar um ambiente sonoro que permitisse que a essência da música brilhasse e capturasse a atenção do público, mostrando que a união de talentos pode realmente mudar a canção e as mentalidades. 


Foto de capa da música 'Mudar a Canção', com fundo branco e várias riscas coloridas que formam um rosto. As riscas são compostas por fragmentos de imagens dos diversos artistas participantes, simbolizando a união e diversidade na colaboração musical.

Neste emocionante projecto, Marisa Liz une forças com uma impressionante variedade de artistas, que trazem diversidade e riqueza à composição, além de reforçar a sua identificação com esta mensagem de repúdio contra o racismo, a homofobia, o sexismo, entre tantas outras ideias desprezíveis que têm ganhado voz no mundo. Entre os colaboradores estão nomes bem conhecidos dos portugueses, desde jovens talentos, como Bárbara Tinoco, Cláudia Pascoal, Luís Trigacheiro, artistas consagrados, como Diogo Piçarra, Sara Correia ou Carlão, e os monstros, os gigantes, Paulo de Carvalho e Simone de Oliveira. Juntos, estes artistas tão diferentes entre si, celebram a sua arte com as suas vozes, e usam essa voz para lembrar a todos o quanto a liberdade é importante, o quanto ela é essencial para sermos capazes de construir um mundo melhor e vivermos uma vida plena. 


Podes ler ainda sobre a música Guerra Nuclear


Esta confluência de estilos revitaliza a obra e promove um diálogo entre diferentes gerações e experiências, mostrando que a música é uma forma de expressão universal capaz de unir vozes distintas em torno duma mensagem comum. Num mundo repleto de desafios e incertezas, esta canção lembra-nos da importância de adaptar as nossas narrativas, de procurar novos caminhos e de encontrar a esperança nas pequenas mudanças diárias. A verdade é que a música tem o poder extraordinário de inspirar mudanças, funcionando como um catalisador emocional das experiências individuais e coletivas. No caso de Mudar a Canção, esta mensagem torna-se muito evidente e apela para que todos e cada um de nós não permitamos que tantos ismos se tornem aceites na sociedade, pois só depende de nós aceitar o outro, sem preconceitos nem julgamentos, e não fechar os olhos às injustiças que vemos acontecer, como se de algo normal se tratasse. 




Para mim, descobrir esta música foi uma agradável surpresa e só reforça o papel cívico da Marisa Liz, que combina na perfeição com a sua carreira artística, colocando a sua arte ao serviço das suas convicções. Mas agora quero muito saber a tua opinião! Já ouviste esta música? O que achaste dos artistas envolvidos? Tens algum favorito? O que pensas sobre a mensagem da letra? Conta-me tudo nos comentários abaixo! 

terça-feira, 25 de março de 2025

#Livros - Fortuna, Caso, Tempo e Sorte, de Isabel Rio Novo

 

Capa do livro "Fortuna, Caso, Tempo e Sorte" de Isabel Rio Novo, publicada pela Contraponto. A imagem apresenta um dos raros retratos de Luís Vaz de Camões, o renomado poeta português, em tons de sépia que evocam uma atmosfera histórica e nostálgica. O retrato captura a essência do poeta, com traços que refletem a sua grandeza literária e a profundidade de sua obra. O título do livro está destacado em letras elegantes, complementando a composição visual e convidando o leitor a explorar a biografia desse ícone da literatura.

Sinopse

Quem foi o homem antes da lenda? Que circunstâncias da sua vida levaram a que se tornasse um mito? 

Antes de ser convertido em símbolo da nacionalidade ou em paradigma do poeta genial, Luís Vaz de Camões foi quase tudo quanto um homem podia ser no tempo em que viveu. Um estudioso e um humanista. Um sedutor que perseguiu amores proibidos. Um cortesão e um boémio, movimentando-se entre as casas dos grandes senhores e as ruelas da cidade. Um desordeiro, frequentemente envolvido em arruaças, que se viu atirado para a prisão. Um soldado que combateu no Norte de África, de onde saiu mutilado, perdendo um olho, e depois na Ásia, onde passou dezessete anos, naufragou e escapou à morte. Um viajante deslumbrado com os mundos que as viagens marítimas revelaram ao Ocidente. Um escritor que renovou a língua portuguesa, publicando uma obra excecional e perdendo outra de igual valor. 

Nascido no apogeu do império, testemunhando-lhe os primeiros sinais de decadência e as consequências do desaparecimento de D. Sebastião, a quem dedicou o seu poema épico, morto no dealbar da dominação espanhola, Camões celebrou e contestou os feitos do peito ilustre lusitano e pôs em verso as contradições de uma vida pelo mundo em pedaços repartida. Morreu doente, pobre e desalentado. 

Coligindo e relacionando centenas de contributos, compulsando as fontes conhecidas, mas apresentando também dados novos, confrontando as lições adquiridas sobre a vida do autor de Os Lusíadas, Isabel Rio Novo reconstitui a época para reerguer o indivíduo, revelar aspetos escondidos durante séculos e assim restituir a história de uma personalidade extraordinária. 

500 anos depois do nascimento de Luís Vaz de Camões, Fortuna, Caso, Tempo e Sorte é um avanço decisivo no conhecimento da biografia do homem e do poeta, em que o rigor da pesquisa se alia ao registo inconfundível de umas das grandes vozes da literatura portuguesa contemporânea. 


Buy Me A Coffee

Opinião 

Fortuna, Caso, Tempo e Sorte é a biografia escrita por Isabel Rio Novo que se debruça sobre a vida e a obra de Luís Vaz de Camões, o maior poeta da língua portuguesa. Neste livro, a autora explora a trajetória pessoal do poeta e, ainda, o contexto histórico e cultural em que viveu, abordando temas como a procura incessante por reconhecimento, as vicissitudes do destino e a influência do acaso e da sorte na vida de Camões. Encontramos aqui uma reflexão profunda sobre a genialidade do autor, as suas conquistas e desafios, proporcionando ao leitor uma compreensão mais ampla da sua importância na literatura e na cultura portuguesa. 


Camões nasceu em Lisboa, provavelmente em 1524, e a sua obra mais célebre, Os Lusíadas, transformou-o num ícone da literatura renascentista. O autor capturou bem a essência dos homens do seu tempo e explorou temas universais, como amor, destino e a condição humana, tudo isto imerso no contexto das grandes navegações portuguesas, sobre as quais construiu a sua narrativa épica e onde cristalizou um pouco disto que é ser português. A sua habilidade para misturar elementos épicos e líricos, em conjunto com uma profunda sensibilidade estética, fez da sua poesia um marco fundamental e incontornável na literatura nacional. A influência de Camões transcendeu gerações, tornando-o um símbolo da identidade cultural portuguesa e um ponto de referência para poetas e escritores. 


Podes ler também a minha opinião sobre O Dever de Deslumbrar


Nesta biografia, Isabel Rio Novo destaca a complexidade do autor, abordando as suas experiências de amor, as suas viagens e o impacto das circunstâncias histórias na sua produção literária. A obra também analisa as influências que moldaram a sua poesia, revelando a relação de Camões com a fortuna e o acaso, temas recorrentes nos seus escritos. Além de iluminar a figura do poeta, também o apresenta como um homem da sua época, cujas vivências pessoais e desafios refletem uma busca incessante pela identidade e pela expressão artística. O estilo da autora mistura rigor académico com uma prosa envolvente, o que torna a biografia acessível para um público mais amplo. A subtileza do seu estilo enriquece a compreensão da obra camoniana e ainda instiga uma reflexão sobre os desafios e as dificuldades que moldaram a vida do autor. 


"As glórias do passado recente disfarçavam, porém, os primeiros sinais do declínio do império. Portugal abarrotava de armas e barões assinalados, de especiarias, de pedras preciosas, mas, despovoado e sem pão, arrastava-se numa espécie de indigência dourada, minado pelo endividamento, pela cobiça, pela corrupção, pelo peculato." 


Isabel Rio Novo apresenta uma pesquisa meticulosa e aprofundada sobre a vida de Camões, utilizando uma ampla gama de fontes primárias e secundárias que muito enriquecem a biografia. A autora não se limita a análises já consagradas, mas mergulha em documentos históricos, cartas, e obras contemporâneas ao poeta que sobreviveram até hoje, o que proporciona um contexto mais robusto e dinâmico e nos permite conhecer as várias teorias dos seus anteriores biógrafos. Além disso, ainda dialoga com estudiosos da literatura camoniana, incorporando críticas e interpretações que ajudam a traçar o perfil multifacetado de Camões, tanto como poeta quanto como figura histórica. Deste modo, Rio Novo apresenta Camões como muito mais do que um génio da literatura, mas como um homem que enfrentou as incertezas da fortuna e os caprichos do destino. São destacadas as suas experiências de amor, as suas viagens e os desafios pessoais que moldaram o homem e a obra, permitindo ao leitor vislumbrar o poeta como um ser humano profundo, imerso nas suas contradições e paixões. 


Podes ler ainda a minha opinião sobre Pessoa: Uma Biografia 


No século XVI, período em que viveu Camões, o Renascimento floresceu em Portugal, trazendo consigo uma nova visão do mundo que valorizava a razão, a individualidade e a busca por conhecimento. Este movimento cultural influenciou as artes e a literatura e refletiu as transformações sociais e políticas da época, marcadas por grandes navegações, descobertas marítimas e um intenso intercâmbio cultural. A ascensão do império português trouxe riqueza e prestígio, mas também gerou desigualdades e tensões sociais, com uma nobreza em ascensão e uma classe média emergente, enquanto muitos continuavam a viver em condições de pobreza. Camões, inserido nesta realidade, não se limitou a testemunhar estas mudanças, mas também as capturou na sua obra, utilizando a poesia como um meio de explorar as complexidades da condição humana, as paixões, os dilemas morais e as questões existenciais que permeavam a sociedade da sua época. 


"Já alguns o disseram: uma existência tão atribulada, tão cheia de necessidades, adversidades, errâncias, injustiças, podia ter aniquilado muitos outros. Mas Camões tinha um temperamento ativo: transformava o sofrimento em ressentimento, as ofensas em acusações, a mágoa na força da revolta." 


Durante a leitura de Fortuna, Caso, Tempo e Sorte, diversos aspectos se destacaram e me surpreenderam. É impressionante a profundidade com que a autora explora a vida de Luís Vaz de Camões e como entrelaça a biografia do autor com o contexto social e político de Portugal no século XVI, enquanto revela a complexidade da sua obra e a influência das suas experiências nas suas criações literárias. Quando se comemoram os 500 anos do nascimento do nosso maior poeta, sem que tenham sido empreendidas comemorações de relevo, o lançamento desta biografia é uma justa homenagem ao legado dum homem que sobreviveu ao passar dos séculos, tornando-se um mito da nacionalidade e cuja obra transformou a língua e colocou Portugal no mapa cultural, onde também podiam surgir obras atemporais e igualmente importantes, capazes de ombrear com os grandes autores europeus. 


Assim, recomendo esta leitura se és estudante ou apenas amante da literatura portuguesa e desejas aprofundar o teu conhecimento sobre um dos maiores poetas da língua portuguesa. Claro que os fãs de biografias, como eu, vão aqui encontrar uma fonte de inspiração e aprendizagem, num encontro entre vida pessoal e criação artística. Acredito que a obra contribui para um melhor entendimento da figura de Camões e também para a valorização da herança literária de Portugal, incentivando novas gerações a explorar e apreciar a riqueza da língua e da cultura nacional. Agora, quero muito saber a tua opinião. Já leste a nova biografia de Camões? Conheces o trabalho da autora, Isabel Rio Novo? Que aspectos da vida do nosso grande poeta mais te surpreenderam? Conta-me tudo nos comentários! 


Encomenda o teu exemplar através dos links abaixo, sem custos adicionais para ti, e contribui para as próximas leituras deste blog 


Wook | Bertrand 

quinta-feira, 20 de março de 2025

#Places - Barrete Verde

 

Delicie-se com a explosão de sabores do Barrete Verde: uma frigideira fumegante repleta de carne suculenta e legumes frescos, capturando a essência da gastronomia portuguesa em cada prato.

O Barrete Verde, localizado na pitoresca vila de Alcochete, é um encantador restaurante que combina a tradição da culinária portuguesa com um ambiente acolhedor e descontraído. Com uma decoração que reflete o charme rústico da região, o restaurante destaca-se pela sua oferta de pratos que valorizam ingredientes frescos e locais, proporcionando uma experiência gastronómica de excelência. A despedida duma querida colega foi o mote para este jantar que me levou de volta a Alcochete que, sendo aqui ao lado, acaba por não ser um destino recorrente. A verdade é que esta vila, conhecida pelo seu charme e pela sua vista deslumbrante sobre a cidade de Lisboa, está muito desenvolvida e é de facto um excelente destino, com muito para oferecer. 


Buy Me A Coffee

O espaço é bastante rústico, com muitos toques tauromáquicos, algo muito presente nesta região. A decoração é cuidadosamente elaborada, com elementos em madeira e detalhes que remetem para a tradição local e que criam um ambiente acolhedor e convidativo. A atmosfera é descontraída, perfeita para refeições em família ou encontros com amigos, enquanto a iluminação suave contribui para uma experiência relaxante. A sua localização é bem no centro, nas vielas antigas da vila histórica, o que não permite estacionamentos à porta, embora isso não seja impedimento para a visita, ou não estivesse próximo da marginal onde facilmente se consegue estacionar. 


Podes ler também sobre o De Pedra e Sal 


O serviço no restaurante é, sem dúvida, um dos pontos fortes desta experiência gastronómica. A equipa destaca-se pela cordialidade, sempre com um sorriso no rosto e uma atitude acolhedora que faz com que todos se sintam à vontade. Além disso, a eficiência no atendimento é notável, com os pedidos a serem processados rapidamente, sem que a qualidade do serviço fosse comprometida. Quanto ao tempo de espera entre ser atendido e receber os pratos, foi bem razoável, mostrando um serviço atencioso, mas não apressado. Assim, embora o restaurante estivesse consideravelmente preenchido, a equipa mostrou-se eficiente e cortês, garantindo que cada mesa fosse atendida com cuidado e prontidão. 


**Descrição Alternativa para Montagem de Fotos - Restaurante "Barrete Verde"**  Nesta montagem, podemos ver uma seleção deliciosa das entradas do Barrete Verde, que inclui uma variedade de enchidos artesanais, um cremoso paté e azeitonas temperadas, apresentadas de forma apetitosa em tábuas rústicas que realçam a autenticidade da experiência gastronômica. Ao lado, destaca-se um prato fumegante de arroz de pato, com seu aroma irresistível e cores vibrantes, que promete uma explosão de sabores a cada garfada. A combinação destas iguarias reflete a tradição e o carinho que o restaurante coloca em cada receita, proporcionando uma experiência única a todos os amantes da boa comida.

A cozinha tradicional portuguesa é o grande destaque do Barrete Verde, onde os sabores autênticos da região se transformam numa celebração da gastronomia do país. Entre os pratos que chamaram a minha atenção estavam o bacalhau com natas, as lulinhas fritas à algarvia e as costeletas de vitela grelhadas, que vi chegarem à mesa com um excelente aspecto, mas que ainda não provei, e que ficarão para uma próxima visita. A sua proposta com preços bastante acessíveis é de louvar, especialmente considerando a qualidade dos pratos e a experiência oferecida. As porções são generosas e bem preparadas, o que garante um excelente custo-benefício para quem procura uma refeição saborosa sem comprometer o orçamento. No geral, posso dizer que o Barrete Verde se destaca como uma escolha sólida para quem valoriza a qualidade e o preço justo num ambiente acolhedor. 


Podes ler ainda sobre o Talho Central 


Nesta primeira visita, a experiência gastronómica começou logo com as entradas que já estavam na mesa à nossa espera. O couvert incluía pão delicioso e estaladiço, azeitonas, chourição, um paté viciante e um queijinho de comer e chorar por mais. Como prato principal, decidi experimentar o Arroz de Pato, servido numa tradicional tigela de cerâmica, bem repleto de carne e encimado por chouriço e rodelas de laranja. O sabor estava perfeito, com o arroz bem solto e a carne tenra e suculenta, por isso, se gostas deste prato, podes escolher sem medo de te decepcionares. Para a sobremesa, escolhi uma Baba de Camelo, que estava doce no ponto certo, sem ser enjoativo, com a cremosidade esperada, embora pudesse ser apresentada de forma mais moderna. A regar toda a refeição, a maioria escolheu as sangrias tinta e branca, que combinaram muito bem com todos os paladares. Pessoalmente, mantive-me na tinta e posso assegurar que estava deliciosa. 


No fundo, o Barrete Verde destaca-se pela qualidade dos seus pratos e pela sua atmosfera acolhedora e descontraída. Ao contrário de outros restaurantes, que seguem tendências passageiras, aqui é valorizada a tradição culinária local, criando receitas que refletem a rica herança portuguesa. Por isso, se estás à procura duma experiência gastronómica única e acolhedora, tens aqui uma paragem obrigatória. Perfeito para refeições em família ou para juntar um grupo de amigos e vir desfrutar da comida e do atendimento, num dos lugares mais bonitos da margem sul, a poucos minutos de Lisboa e com uma vida noturna muito interessante. Agora, quero que me contes a tua experiência! Já conheces o Barrete Verde? Qual a especialidade da casa que mais recomendas? Conta-me tudo nos comentários abaixo! 

terça-feira, 18 de março de 2025

#Livros - A Sétima Praga, de James Rollins

 

Capa do livro "A Sétima Praga" de James Rollins, publicada pela Bertrand Editora. A imagem apresenta imponentes edifícios egípcios, evocando a grandiosidade da antiga civilização, em um cenário envolto em tons de roxo que conferem um ar de mistério e intriga. A composição visual é intrigante, refletindo a combinação de aventura e suspense que permeia a narrativa.

Sinopse

Dois anos depois de desaparecer no deserto do Sudão, o professor Harold McCabe aparece a cambalear saído das areias do deserto, mas morre antes de contar o que aconteceu. A autópsia revela que alguém tinha começado a mumificar o professor em vida. Não tarda que todos os médicos envolvidos na autópsia adoeçam e morram, e uma estranha doença arrasa o Cairo. Painter Crowe, diretor da Força Sigma, é chamado a agir. O professor McCabe desapareceu enquanto procurava vestígios das dez pragas de Moisés. Será que as pragas estão a ganhar vida de novo? A filha do arqueólogo, Jane McCabe, ajudará a desvendar o mistério que remonta a milénios atrás. A Força Sigma terá de enfrentar uma ameaça do passado tornada possível pela ciência moderna, e que poderá causar uma vaga de pragas que pode matar todos os seres humanos. 


Buy Me A Coffee

Opinião 

Famoso autor americano, James Rollins é conhecido pelas suas fascinantes obras de ficção que combinam aventura, História e ciência. Formado em Medicina Veterinária e com um profundo interesse por arqueologia e história antiga, Rollins utiliza o seu vasto conhecimento para criar enredos intrigantes e repletos de pesquisa meticulosa. Os seus livros, frequentemente centrados num grupo de protagonistas que enfrentam desafios extraordinários, são marcados por reviravoltas surpreendentes e uma narrativa eletrizante. Com uma carreira consolidada, o autor conquistou uma base de fãs leal, também em Portugal, e tem solidificado a sua posição com um dos autores mais vendidos de ficção de aventura contemporânea. A Sétima Praga traz de volta a Força Sigma e todos os personagens que já conhecemos, com as suas valências profissionais e os seus problemas pessoais, que voltam a ser desenvolvidos neste novo episódio da série. 


O livro gira em torno do episódio bíblico relacionado com as pragas do Egipto, que, ao serem reexaminadas à luz das descobertas arqueológicas e científicas, revelam um perigo iminente para a humanidade. No meio de mistérios arqueológicos e segredos antigos, a história divide-se entre o rio Nilo e uma ilha glaciar do Canadá. O mistério começa com o aparecimento de Harold McCabe, saído do deserto, num estado lastimável, depois de ter estado dois anos desaparecido com toda a sua equipa. Antes de conseguir dar respostas sobre o sucedido, acaba por falecer e o seu corpo é devolvido a Londres, onde a sua colega fica a par de algo misterioso no corpo do homem e decide procurar a ajuda dum amigo de longa data, Painter Crowe, o director da Força Sigma. Mas durante a conversa online, Crowe acaba por assistir ao rapto da amiga, sem que possa fazer nada para impedir. 


Podes ler também a minha opinião sobre O Labirinto de Ossos


É nesse momento, na ânsia de ajudar Safia que decide investigar e colocar a Força Sigma a colaborar em duas frentes. Assim, regressam os principais personagens que já conhecemos, que carregam as suas motivações próprias e que impulsionam a trama e o desenrolar do mistério que entrelaça elementos históricos e científicos de forma intrigante, explorando a conexão entre as pragas bíblicas do Egipto e questões naturais contemporâneas. A narrativa foca-se nas dez pragas que, segundo o Antigo Testamento, assolaram o Egipto como um castigo divino, embora os cientistas defendam que se trata duma metáfora, dado que nunca encontraram provas da sua existência no território. Mas o professor McCabe defendia que essas pragas tinham de facto acontecido e a sua investigação procurava provar isso mesmo, quando todos desapareceram no Sudão, e o seu reaparecimento permite vislumbrar um fundo de verdade nessa teoria, levando a Força Sigma a reproduzir o seu percurso no Sudão, enquanto o director procura encontrar Safia numa base de investigação no Canadá, financiada pela mesma entidade que comanda a sua equipa, a DARPA. 


"Ali estava um homem que nunca fazia concessões e sempre retaliara contra o mundo, contra qualquer hipotética falta de respeito, e até contra o próprio filho, tão casmurro quanto ele." 


Além dos que já conhecemos, como Gray e Seichan, Monk e Kowalski ou Painter e Kat, junta-se nesta aventura a filha de McCabe, Jane, e o jovem que trabalhava de perto com Harold e Safia, Derek, que seguem rumo ao Sudão, para ajudar na investigação e conseguirem melhor compreender que mensagem estava a tentar passar no seu regresso, para além da doença que trouxe consigo e que parece estar a causar o caos por onde o seu corpo passou, desde o Cairo até Londres. Deste modo, acompanhamos a intensa evolução que os personagens passam ao longo da narrativa, com as suas lutas internas e a adaptação a situações extremas. A tensão entre os personagens é exacerbada pelas adversidades que enfrentam, como o bando criminoso que os tenta impedir de descobrir o que aconteceu e a corrida contra o tempo para impedir uma catástrofe global. 


Podes ler ainda a minha opinião sobre A Sexta Extinção


A Sétima Praga mergulha ainda nas tensões entre ciência e religião, apresentando uma narrativa onde a busca pelo conhecimento se torna tanto uma fonte de poder quanto um catalisador para a destruição. O autor explora como as crenças religiosas podem ser desafiadas ou reforçadas à medida que as descobertas científicas revelam verdades inquietantes sobre a natureza da realidade e da história humana. Com esta trama repleta de reviravoltas, Rollins destaca as consequências imprevisíveis das acções humanas, sugerindo que o avanço do conhecimento não é isento de riscos, especialmente quando se trata de manipular forças que estão além do controlo humano. É neste ponto que entra no livro a visão futurista de Nikola Tesla, que muito me fascina e sobre quem quero saber mais, que conseguiu concretizar muito pouco do que imaginou, especialmente pela falta de recursos da sua época. Em suma, o livro instiga reflexões sobre a responsabilidade moral que acompanha a busca incessante por respostas, questionando até onde a humanidade está disposta a ir em nome da ciência e quais limites devem ser respeitados para evitar a ruína coletiva. 


"É por isso que o nome de Thomas Edison é conhecido por toda a gente, ao passo que o de Nikola Tesla não passa de uma curiosidade obscura. Edison era um homem do seu tempo... Tesla vivia no futuro." 


James Rollins é conhecido pelo seu estilo de escrita dinâmico e envolvente, que combina elementos de ficção científica, aventura e thriller. Neste novo volume, ele volta a utilizar uma prosa ágil, repleta de descrições vívidas e diálogos rápidos que mantém o leitor preso, sem conseguir parar de ler. Ao entrelaçar informações científicas e históricas com uma narrativa emocionante, cria um ritmo frenético que impulsiona a trama. A sua habilidade para construir cenas de acção intensas e momentos de suspense é complementada por um desenvolvimento cuidados dos personagens que, apesar de estarem inseridos em cenários fantásticos, apresentam motivações e dilemas humanos palpáveis. Assim, a escrita de Rollins destaca-se por equilibrar entretenimento e erudição, proporcionando uma experiência literária rica e multifacetada. 


Um dos momentos mais espectaculares foi o encontro com os elefantes, onde ficamos a conhecer mais sobre estes animais inteligentes e fica explicada a sua importância para o desvendar do mistério em torno das pragas e também da cura que tanto precisam. Adoro a forma como este livro desafia a lógica e estimula a nossa curiosidade, deixando já pontas soltas que tenho a certeza que irão marcar presença nos próximos volumes desta saga. No fundo, além de termos um livro emocionante, temos aqui também uma obra instigante, que nos leva a refletir sobre a fragilidade da civilização e sobre as consequências dos nossos actos. Portanto, se és amante de thrillers repletos de acção e suspense, especialmente aqueles que gostam também duma boa dose de mistério histórico e de ciência, e ainda não conhecem James Rollins, estão a vacilar, porque este autor tem tudo para te encher as medidas. 


Agora, quero muito saber a tua opinião! Já leste A Sétima Praga? Conheces a Força Sigma? O que achaste deste enredo bíblico? Qual o momento que mais te marcou? Tens algum personagem favorito? Conta-me tudo nos comentários! 


Encomenda o teu exemplar através dos links abaixo, sem custos adicionais para ti, e contribui para as próximas leituras deste blog 


Wook | Bertrand

Subscreve a Newsletter

Buy Me A Coffee
Se gostaste deste conteúdo, podes pagar um café ;)