Sinopse
Ao descobrir que herdou um antigo teatro, outrora palco de grandes sucessos da revista à portuguesa, Vanessa, uma actriz cansada da rotina televisiva, pondera vendê-lo e seguir com a sua vida. Contudo, ao visitar o espaço, vê despertar em si um inesperado desejo de o recuperar. Com o apoio de dois grandes amigos, resolve montar um novo espectáculo para devolver a vida ao velho teatro.
Com realização de Leonel Vieira, segundo um argumento escrito por si, por Aldo Lima, Manuel Prates e Alexandre N. Rodrigues, esta comédia conta com uma série de caras conhecidas, entre elas Sara Matos, José Raposo, Alexandra Lencastre, José Pedro Vasconcelos, José Pedro Gomes, Ana Guiomar, Gilmário Vemba, Carlos Cunha, Carlos Areia e Manuel Marques.
Opinião
O Pátio da Saudade é um filme português, lançado em 2025, é uma comédia que nos remete para outros tempos que parecem distantes e perdidos com a modernidade e o estilo de vida apressado das grandes metrópoles. É uma homenagem aos teatros esquecidos de Lisboa, às revistas que foram remetidas para a gaveta e para um tipo de artista que vivia para a sua profissão e pagava o preço disso todos os dias. O saudosismo existe e parece estar vivo ou não tivesse sido este o filme português mais visto nos cinemas no ano passado.
Vanessa é uma actriz famosa, mais pelo corpo que pelo talento, e encontra-se numa fase da vida em que gostaria de mudar isso e abraçar projectos verdadeiramente desafiantes. É neste momento que é informada da morte duma tia que lhe teria deixado algo em herança e que poderá mudar a sua vida financeira consideravelmente. Afinal, um imóvel em Lisboa, nos dias que correm, é uma verdadeira fortuna. Sem entender porque se teria lembrado esta tia da sobrinha, vai conhecer a sua herança e descobre que agora será dona dum teatro. Em ruínas, mas um teatro. O seu agente está determinado na venda, mas Vanessa sente-se tentada a abraçar este espaço e redirecionar a sua carreira a partir daqui.
Podes ler também a minha opinião sobre Bem Bom
Tudo se passa numa Lisboa contemporânea, onde os becos e as vielas dos bairros históricos funcionam como personagem viva da narrativa. O filme transita entre espaços urbanos decadentes e interiores intimistas, refletindo entre a modernidade acelerada e a permanência melancólica de lugares esquecidos pela cidade. A acção desenrola-se numa Lisboa que preserva cicatrizes do passado, onde a personagem de Sara Matos se move como quem procura resgatar memórias enterradas e com elas construir o seu futuro. O teatro, enquanto cenário simbólico, transforma-se num refúgio onde Vanessa confronta os seus demónios internos, reafirmando a premissa universal de que a verdadeira transformação exige uma viagem honesta pelo labirinto das emoções e memórias que nos definem.
Sara Matos constrói uma personagem complexa e multifacetada, encarnando uma mulher contemporânea confrontada com as tensões próprias duma jovem actriz que gostaria de ver o seu talento reconhecido, mas que vê apenas a sua aparência ser tida em consideração. Com o seu dilema que a divide entre a resignação de aceitar o que lhe é oferecido e a urgência de se reinventar, torna-se o coração emocional do filme e o motor que dá nova vida a um género que parecia moribundo e revitaliza a importância de preservar um teatro, ao invés de o demolir e permitir que mais um projecto hoteleiro impessoal nasça no coração da cidade. Sara Matos entrega uma performance notável, o que só consolida a sua posição como uma das actrizes mais versáteis da sua geração.
Podes ler ainda a minha opinião sobre Amadeo
Claro que não nos podemos esquecer do excelente trabalho de Ana Guiomar e Manuel Marques, que interpretam os melhores amigos de Vanessa e que a acompanham nesta aventura que culmina na tentativa desesperada para salvar um teatro em ruínas através de crowdfunding e da encenação do roteiro duma revista à portuguesa deixado pela sua falecida tia. Mas, pessoalmente, fiquei rendida aos actores mais velhos, como José Raposo, Alexandra Lencastre e Carlos Areias, que nos entregam uma verdadeira homenagem às velhas figuras teatrais, que tinham pela revista um verdadeiro amor e lhe dedicaram as suas vidas. Além disso, conta com um realizador conceituado como Leonel Vieira, que nos entrega uma fotografia lindíssima da cidade e faz o roteiro brilhar com os seus planos e escolhas artísticas.
O filme apresenta-se como uma produção leve, bem disposta, mas com uma mensagem poderosa e que nos toca nas lembranças mais remotas, quase como uma homenagem a uma Lisboa e a um teatro perdidos no tempo, mas que ainda podem ser resgatados como património que são. Ainda assim, gostaria que o final tivesse sido mais explorado, sem a precipitação para um desfecho que poderia ter sido entregue de forma mais interessante e que permitisse compreender melhor o sucesso da empreitada. Pela minha parte, foi tempo bem passado e parece-me a companhia perfeita para uma tarde em família, para descontrair e lembrar outros tempos. No entanto, acho que deves descobrir por ti e fica a saber que poderás ver O Pátio da Saudade na Amazon Prime Video. Mas agora quero muito saber a tua opinião! Já conhecias este filme? Qual foi a tua impressão sobre a interpretação de Sara Matos? Que aspectos da narrativa mais te interessaram? Conta-me tudo nos comentários abaixo!



Sem comentários:
Obrigada pela visita e pelo comentário. Terei todo o gosto em responder muito em breve.
*Não esquecer de marcar a caixinha para receber notificação quando a resposta ficar disponível.
Até breve!