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terça-feira, 23 de junho de 2026

#Livros - Traições, Poder e Bastardos Reais, de Ana Cristina Pereira e Joana Pinheiro de Almeida

 

Capa do livro "Traições, Poder e Bastardos Reais" de Ana Cristina Pereira e Joana Pinheiro de Almeida, editado pela Manuscrito, mostrando um trono dourado com veludo vermelho sobre fundo preto

Sinopse

Esta história começa cedo, com D. Afonso Henriques, as suas amantes e filhos bastardos que, motivados pelo sangue real que lhes corria nas veias, tentaram obter mais poder e estatuto a todo o custo. Uma luta que se foi repetindo ao longo da História de Portugal com a disputa pelo direito à sucessão entre irmãos, conflitos abertos entre filhos e pais, conspirações, prisões e exílios. 

Se houve filhos ilegítimos que permaneceram no anonimato, afastados da vida da Corte, remetidos à vida clerical, outros ganharam protagonismo junto dos seus pais, como Martim Sanches, o valente bastardo de D. Dinis, D. Jorge, bastardo de D. João II que viu a rainha D. Leonor negar-lhe o acesso ao trono, os conhecidos meninos da Palhavã, filhos de D. João V, rei que era frequentador assíduo do Convento de Odivelas, ou D. João, filho de D. Pedro I e D. Teresa Lourenço, o único ilegítimo que se tornou rei de Portugal. A história oficial nem sempre lhes dá o devido protagonismo. 

Neste livro, as historiadoras Ana Cristina Pereira e Joana Pinheiro de Almeida contam-lhe as histórias das paixões reais e dos filhos naturais que delas nasceram e que se tornaram, pelo reconhecimento paterno, infantes de Portugal. Bastardos régios. 


Buy Me a Coffee

Opinião 

O livro Traições, Poder e Bastardos Reais apresenta uma análise interessante sobre as dinâmicas do poder, legitimidade e conflito que marcaram as cortes reais portuguesas. Através duma perspectiva que entrelaça História política e estudos de parentesco, as autoras exploram como as traições e a condição de bastardos moldaram decisões cruciais no âmbito da realeza. A obra, publicada em 2018, oferece ao leitor uma compreensão renovada sobre os mecanismos do poder que operavam nos bastidores da nossa monarquia, revelando como questões de legitimidade dinástica frequentemente resultavam em confrontos que redefiniram o curso histórico. 


As autoras, Ana Cristina Pereira e Joana Pinheiro de Almeida, investigam minuciosamente os episódios de traição, as alianças estratégicas e o papel fundamental dos filhos ilegítimos da realeza na configuração do destino político do reino. Através duma narrativa envolvente e bem documentada, o livro revela como questões de legitimidade, ambição pessoal e lealdade dinástica entrelaçaram-se para criar momentos decisivos na História portuguesa, oferecendo ao leitor uma perspectiva renovada sobre personagens e eventos frequentemente negligenciados pela historiografia tradicional. 


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Com uma análise multifacetada da História medieval e moderna, entrelaça narrativas de intriga política, legitimidade dinástica e os complexos destinos de filhos ilegítimos da realeza. O tema central dos bastardos reais revela-se particularmente relevante, pois examina como estes indivíduos, à margem da sucessão legítima, frequentemente tornaram-se actores políticos significativos, seja através de alianças estratégicas, conspirações ou contribuições militares. A obra também aborda questões de poder institucional, linhagem, honra e o papel das mulheres nas dinâmicas de corte, oferecendo uma perspectiva renovada sobre personagens e eventos históricos frequentemente negligenciados pela historiografia tradicional. 


"De ilegítimo, filho natural de D. Pedro com Teresa Lourenço, a mestre de Avis e depois a rei de Portugal. D. João foi, sem dúvida, uma figura da nossa História com um percurso singular." 


Dividido em capítulos temáticos, permite ao leitor acompanhar tanto a evolução temporal dos acontecimentos quanto as diferentes dimensões do poder régio. As autoras utilizam uma metodologia que intercala narrativas biográficas de personagens-chave com análises contextuais mais amplas, criando um diálogo constante entre o individual e o coletivo. Além disso, demonstram um domínio notável na construção duma narrativa que equilibra rigor académico com acessibilidade para o leitor comum. O texto flui com elegância, alternando entre análises densas de contexto histórico e passagens mais directas que capturam a dramaticidade dos eventos relatados. A estruturação dos capítulos favorece a compreensão progressiva dos temas, enquanto o uso estratégico de detalhes narrativos humaniza as figuras históricas. 


Podes ler ainda a minha opinião sobre D. Afonso Henriques


É apresentando um elenco fascinante de personagens que moldaram a História política portuguesa através das suas ambições, lealdades e traições. Entre as figuras mais proeminentes encontram-se os bastardos reais que desafiaram a ordem sucessória estabelecida, utilizando a sua proximidade ao poder como instrumento de ascensão social e política. As autoras dedicam particular atenção aos filhos ilegítimos de reis que, apesar da sua condição, conseguiram acumular títulos, terras e influência significativa na corte. As mulheres também ganham relevo nesta narrativa, revelando-se como agentes activos nas tramas políticas, longe da passividade que lhes era frequentemente atribuída. Através deste mosaico de personagens, as autoras ilustram como as traições não eram meros actos de deslealdade pessoal, mas estratégias deliberadas inseridas num jogo político onde o poder e a sobrevivência estavam constantemente em jogo. 


"A grande maioria das mulheres que ingressavam nos conventos faziam-no por interesse: se eram das camadas mais pobres, a entrada era uma forma de ascensão social; se eram nobres, tinham na sua vida conventual uma liberdade que não tinham enquanto esposas." 


Ana Cristina Pereira e Joana Pinheiro de Almeida demonstram sensibilidade ao explorar as motivações, conflitos internos e dilemas morais enfrentados por reis, rainhas e os seus filhos bastardos, revelando as tensões entre o poder político e as aspirações pessoais. A obra não se limita a descrever actos de traição ou estratégias de poder, mas investiga as circunstâncias que os provocaram, as pressões da época e as escolhas impossível que moldaram o carácter destas personagens. Se tens interesse genuíno na nossa História e na complexidade das dinâmicas familiares que moldaram a monarquia portuguesa, vais gostar de Traições, Poder e Bastardos Reais, com toda a certeza. 


Esta leitura deixa evidente que os bastardos reais não foram meros personagens secundários, mas agentes activos na política, cujas ambições e alianças frequentemente determinaram o curso dos acontecimentos. Uma obra que nos recorda que a História não é feita apenas pelos herdeiros legítimos. Mas agora quero muito saber a tua opinião! Já leste este livro? Que aspectos da narrativa mais te impactaram? De que forma a perspectiva oferecida neste livro contribui para a tua compreensão sobre as intrigas palacianas e as relações de poder na História? Conta-me tudo nos comentários! 


Encomenda o teu exemplar através dos links abaixo, sem custos adicionais para ti, e contribui para as próximas leituras deste blog 


Wook | Bertrand 

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