Sinopse
Em 1996, Maggie Dawes tem 16 anos e muito pouca vontade de ir viver com uma tia que mal conhece numa vila costeira remota e ventosa. Mas a ilha de Ocracoke, na Carolina do Norte, vai mesmo ser a sua nova casa.
Contrariada, Maggie encontra refúgio nas recordações da família e dos amigos que deixou para trás. Até ao dia em que a tia lhe apresenta Bryce Trickett, um dos poucos adolescentes da zona. Bonito e genuíno, o rapaz vai mostrar-lhe a beleza da ilha e despertar nela uma paixão pela fotografia que influenciará toda a sua vida daí para a frente.
Em 2019, Maggie é já uma fotógrafa de renome e divide o seu tempo entre viagens a locais remotos e uma galeria em Nova Iorque. Mas uma notícia inesperada obriga-a a permanecer na cidade durante o Natal. Com um fiel assistente por companhia, Maggie passa os últimos dias da quadra a recordar um Natal de outrora e a avassaladora paixão que mudou o rumo da sua vida.
Nesta história de descoberta, perda e redenção, Nicholas Sparks recorda-nos que o tempo que dedicamos às pessoas que amamos é uma dádiva preciosa.
Opinião
Já passou muito tempo desde a última vez que li algo de Nicholas Sparks, mas agora é o momento de regressar com este famoso escritor americano, conhecido pelas suas histórias emocionantes e cheias de esperança. Publicado em 2021, O Sonho é mais uma história de amor complexa, que mostra como os primeiros amores podem marcar a nossa vida para sempre e influenciar toda a nossa vida. Nicholas Sparks é autor de dezenas de bestsellers e conquistou leitores ao redor do mundo com as suas narrativas sensíveis e personagens cativantes, tornando-se numa referência na literatura contemporânea. No fundo, a sua escrita delicada e envolvente faz de cada romance uma experiência emocional inesquecível.
A história alterna entre o ano de 1996, no momento em que a adolescente Maggie é obrigada a ir viver com uma tia que mal conhece numa vila costeira remota e ventosa da Carolina do Norte, e 2019, onde Maggie se instala em Nova Iorque, onde é sócia duma galeria de arte, depois de viajar o mundo enquanto fotógrafa de renome. No entanto, depois de passar alguns anos a lutar contra um cancro, pouco antes do Natal, recebe o diagnóstico mais avassalador de todos. Nada mais pode ser feito para a salvar. Sem querer partilhar essa informação com a família nesta quadra, acaba a passar as festas com o novo assistente e a contar-lhe a sua história de amor adolescente, numa viagem pelo passado que lhe permite distrair-se do seu curto futuro.
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O amor, a esperança, o sonho e a superação estão presentes durante toda a narrativa. O romance retrata a força do amor verdadeiro, capaz de transformar vidas e sustentar-nos nos momentos difíceis. Os protagonistas desta história de amor improvável são jovens cujos caminhos se cruzam num momento delicado da vida de Maggie. Afinal, tem 16 anos, está grávida e decidiu manter a gravidez em segredo, dando a criança para adopção. Refugia-se junto com a tia num lugar remoto, onde conhece um rapaz que se torna o seu explicador e por quem se apaixona perdidamente. Mas a verdade é que passados tantos anos percebemos que esse rapaz não está ao seu lado e não conseguimos perceber o que terá acontecido para se terem perdido um do outro, até chegarmos perto do final do livro.
"Não vivi exatamente o tipo de vida que os meus pais previam. Sempre tive a sensação de ter nascido na família errada, de alguma maneira, e aprendi há muito tempo que a nossa relação funciona melhor quando mantemos alguma distância entre nós."
Ao longo do livro, o autor desenvolve os seus personagens de forma profunda e comovente, permitindo que o leitor acompanhe as suas transformações emocionais e pessoais. A narrativa mostra-nos o amadurecimento de Maggie, que inicialmente lida com o medo do desconhecido de tudo que vive, mas que ao longo dos meses que passa isolada encontra forças e descobre talentos dentro de si, com a ajuda desta tia tão especial e do novo amigo que a conquista a cada novo dia. Já Bryce Trickett, o adolescente que se aproxima da jovem, começa por ser um mistério, que se revela aos poucos, conforme conhecemos a sua família, a sua relação com os pais e os irmãos, mostrando ser um rapaz com uma profunda convicção e certeza sobre o que quer fazer da sua vida, sempre preocupado em fazer o que está certo. Sparks, de forma muito hábil, mostra-nos como as experiências e os desafios enfrentados por eles moldam as suas personalidades e fortalecem os laços que os unem, tornando-os mais maduros e conscientes de si mesmos no fim dos meses que partilharam.
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Como sempre, Nicholas Sparks utiliza uma linguagem acessível, capaz de transmitir profundas emoções e criar uma conexão íntima com o leitor. O estilo é emocional e permite explorar os dilemas enfrentados pelos seus personagens com uma intimidade que poucas vezes encontramos e que o leva a tocar no coração do público e a gerar uma experiência de leitura apaixonante, memorável e quase cinematográfica. No entanto, existe uma previsibilidade que acaba por retirar alguma da emoção à história e que penso que poderia ser algo a melhorar. Apesar de me terem surgido algumas dúvidas ao longo da leitura, o que é certo é que me pareceu fácil identificar quem era, de facto, o assistente de Maggie, o que significa que a surpresa que deveria ter causado a descoberta no final não teve o impacto esperado.
"Quando olhava para trás, parecia-me que tinha passado todo o meu tempo a tentar levar as pessoas a gostarem de mim em vez de descobrir se eu gostava delas."
Ao ler O Sonho é impossível não ficar sensibilizada pela história de Maggie e pelo que passou, tanto na adolescência, mas sobretudo na vida adulta. A narrativa é carregada de emoções fortes e consegue transmitir uma atmosfera de nostalgia e reflexão que nos prende do início ao fim. Não se pode dizer que a vida da protagonista tenha sido má, que não tenha sido bem sucedida, mas a verdade é que existiu uma parte que nunca conseguiu realizar verdadeiramente. O seu final é triste, ainda que esteja rodeada de amor, mas a maior tristeza, no meu ponto de vista, está no que não lhe foi permitido viver, ainda que não tenha sido culpa de ninguém para além do destino.
Esta é uma leitura que vai agradar aos fãs de romances e tanto pode tocar os jovens quando os mais velhos, pelos saltos temporais que apresenta. Para mim foi uma leitura muito interessante e que me prendeu, enquanto me emocionava e me fazia pensar em questões profundas sobre as relações amorosas e filiais. Afinal, é sempre um prazer regressar a Nicholas Sparks e às suas histórias românticas, por isso, quero crer que não irei demorar tanto tempo a regressar. Mas agora quero muito saber a tua opinião! Já leste O Sonho? O que achaste da história de vida de Maggie? Concordas com as suas escolhas? Algo te surpreendeu na narrativa? Conta-me tudo nos comentários!


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