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quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

O homem da minha vida


 
E pronto, é triste, eu sei. Ou eu ou ele nascemos na data errada e portanto tornou-se impossível o momento do nosso encontro. Uma pena. Principalmente, quando penso que o desgraçado do cancro venceu a batalha contra o meu querido Patrick Swayse.
 
Mas, ainda assim, e apesar de todas as imagens dos últimos anos que não mostram este homem como aqui está representado, é mesmo esta a minha memória mais antiga e a forma como o recordo sempre. Lindo e a esbanjar charme por onde passa e, ainda por cima, a dançar que era uma loucura. Acho que foi por causa dele que me apaixonei por qualquer tipo de dança (logo eu, que sou alérgica a qualquer género de exercício físico). Com um professor como o Johnny Castle, era aluna toda a vida e das aplicadas, podem crer.
 
Sendo assim, aqui me confesso que além do Patrick Swayse ser o homem da minha vida, também o Dirty Dancing é o filme da minha vida. Sou capaz de ver, rever e tornar a rever e ainda ver mais uma vez. Isto vezes sem conta e sem nunca me cansar. Um filme quase da minha idade e que me deixa vidrada como uma menina. Como é possível não gostar dele? Não consigo imaginar!
 

E esta banda sonora então? Nem se fala. I've had the time of my life é tão delicioso como estes dois meninos juntos a dançar. Inesquecível!

Que música escutas tão atentamente



Que música escutas tão atentamente
que não dás por mim?
Que bosque, ou rio, ou mar?
Ou é dentro de ti
que tudo canta ainda?
Queria falar contigo,
dizer-te apenas que estou aqui,
mas tenho medo,
medo que toda a música cesse
e tu não possas mais olhar as rosas.
Medo de quebrar o fio
com que teces os dias sem memória.
Com que palavras
ou beijos ou lágrimas
se acordam os mortos sem os ferir,
sem os trazer a esta espuma negra
onde corpos e corpos se repetem,
parcimoniosamente, no meio de sombras?
Deixa-te estar assim,
ó cheia de doçura,
sentada, olhando as rosas,
e tão alheia
que nem dás por mim.

Eugénio de Andrade


terça-feira, 29 de janeiro de 2013

nada sei...



Não me perguntes,
porque nada sei
Da vida,
Nem do amor,
Nem de Deus,
Nem da morte.
Vivo,
Amo,
Acredito sem crer,
E morro, antecipadamente
Ressuscitando.
O resto são palavras
Que decorei
De tanto as ouvir.
E a palavra
É o orgulho do silêncio envergonhado.
Num tempo de ponteiros, agendado,
Sem nada perguntar,
Vê, sem tempo, o que vês
Acontecer.
E na minha mudez
Aprende a adivinhar
O que de mim não possas entender.

Miguel Torga

Destino secreto


 
E esse destino secreta revela-se, quase sempre a melhor parte da viagem!
E por isso é tãooooooo bom viajar e conhecer mundo e novas culturas e novos rostos e novas línguas...
Um dos maiores prazeres desta vida é entrar num avião, ou num barco ou até mesmo num carro e partir para o desconhecido.
Se fosse uma pessoa rica ou sem qualquer apego às raízes, era isso que fazia. Metia o pé na estrada e partia por esse mundo a fora, sem olhar pra trás.
Quem sabe um dia...
 

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Cavalo à solta



Cavalo à solta

Minha laranja amarga e doce
meu poema
feito de gomos de saudade
minha pena
pesada e leve
secreta e pura
minha passagem para o breve breve
instante da loucura.

Minha ousadia
meu galope
minha rédea
meu potro doido
minha chama
minha réstia
de luz intensa
de voz aberta
minha denúncia do que pensa
do que sente a gente certa.

Em ti respiro
em ti eu provo
por ti consigo
esta força que de novo
em ti persigo
em ti percorro
cavalo à solta
pela margem do teu corpo.

Minha alegria
minha amargura
minha coragem de correr contra a ternura.

Por isso digo
canção castigo
amêndoa travo corpo alma amante amigo
por isso canto
por isso digo
alpendre casa cama arca do meu trigo.

Meu desafio
minha aventura
minha coragem de correr contra a ternura.

José Carlos Ary dos Santos

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