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terça-feira, 20 de janeiro de 2026

#Livros - Leonor Teles, de Isabel Stilwell

 

Ilustração de uma mulher usando uma capa vermelha, montada em um cavalo negro, em meio a um campo aberto.

Sinopse

Três de rubi. 
Três de diamante. 
E, o maior de todos, de esmeralda. 

Sete anéis, símbolos de poder, que passariam, um a um, das mãos do rei D. Fernando para os dedos da sua adorada mulher, como prova do seu amor e do seu desejo de a proteger. Leonor Teles não esquecia que haviam pertencido ao assassino de Inês de Castro. Mas, não, apesar de partilharem o mesmo cabelo cor de fogo, a mesma paixão pela vida e a mesma ambição pelo poder, não, Leonor não teria o mesmo destino da sua prima. Seria rainha em vida. Teria o poder nas suas mãos. 

Casada, mãe de um rapaz, Leonor não se deixa ficar presa nem à vida num paço perdido, nem ao senhor de Pombeiro, seu marido. Parte para Lisboa, onde a sua beleza, inteligência e artes de sedução conquistam o coração de D. Fernando e o ódio das gentes e da nobreza que a apelidam de adúltera. O tom das críticas sobre ainda mais quando corre o rumor de que se tornou amante do Conde Andeiro. Mas Leonor tem um plano e não olhará a meios para o concretizar, nem que para isso tenha de desafiar todo um reino. 

A autora best-seller Isabel Stilwell traz-nos a fascinante história de Leonor Teles, maltratada pela História, que a apelidou de Aleivosa. Entre as guerras com Castela, intrigas e conspirações familiares, Isabel Stilwell traça o retrato desta mulher, sem medo, que lutou por aquilo em que acreditava. 


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Opinião 

Leonor Teles é o romance histórico de Isabel Stilwell que decidi ler em 2026 e que vem retratar esta última rainha da primeira dinastia, figura enigmática e controversa da História de Portugal. O livro situa-se no século XIV, um período conturbado em Portugal, marcado pelos conflitos constantes com Castela e pelo início da aliança com a Inglaterra, a mais antiga do mundo. Nesta época, a sociedade era fortemente influenciada pelos valores medievais, com uma estrutura social hierárquica e uma grande concentração de poder nas mãos da nobreza e do clero. A figura de Leonor Teles emerge num ambiente de intrigas palacianas, onde interesses políticos e alianças familiares moldavam o destino do reino. 


Foi rainha consorte de D. Fernando I, mas foi muito mais do que isso e talvez seja esse o motivo para ter conquistado tantas inimizades. Numa época que as rainhas eram figuras decorativas que serviam apenas para procriar e manter a linhagem real, Leonor governou lado a lado com o rei e não procurava esconder a sua inteligência e capacidade estratégica. Deste modo, foi uma figura central em momentos decisivos da História portuguesa, envolvendo-se em questões políticas e familiares que moldaram o destino do reino. Nascida por volta de 1350, teve uma vida marcada por intrigas, poder e controvérsia. Filha de Martim Teles de Meneses e de Aldonça de Vasconcelos, e prima da trágica Inês de Castro, ascendeu ao trono, apesar de ser casada quando seduziu D. Fernando e o conquistou para sempre, o que lhe valeu acusações e suspeitas de manipulação e ambição desmedida. 


Podes ler também a minha opinião sobre Filipe I de Portugal 


Ao longo deste romance histórico, são destacados diversos episódios marcantes que revelam a complexidade da vida da rainha Leonor Teles e o contexto político da sua época. A narrativa aborda a sua infância, em Portugal e em Espanha, com a tragédia que culminou com o assassinato do pai e a morte da mãe, e que a fez regressar a Portugal órfã e aos cuidados dos tios que iriam ditar o seu futuro. Depois, segue com o seu crescimento e os tempos do seu primeiro casamento, que tão infeliz a fazia, e a rejeição dos filhos gerados desse homem tacanho. Seguidamente, somos confrontados com a sua ascensão ao trono de Portugal, marcada por intrigas e alianças estratégicas, bem como os momentos de crise que enfrentou durante o reinado do seu marido. São destaques os episódios de disputas pelo poder, os conflitos com a nobreza e as dificuldades na manutenção do seu papel de rainha, sobretudo com a perda de saúde do rei a colocar uma nuvem sobre a sua cabeça. 


"Leonor, os rumores são a forma como os traidores matam as mulheres, cobrindo-as de imerecida vergonha, conscientes de que dependemos do bom nome para legitimar a nossa descendência." 


O livro evidencia a complexidade de Leonor Teles, as suas ambições e as adversidades enfrentadas, o que oferece uma visão aprofundada do contexto histórico e das dinâmicas de poder na corte portuguesa. Graças ao estilo de escrita da autora, envolvente e acessível, que combina uma narrativa clara e bem estruturada com uma linguagem fluida e agradável. Stilwell consegue transformar temas históricos distantes em histórias cativantes, demonstrando um cuidado especial na elaboração de personagens e ambientes, transmitindo emoções, enquanto prende a atenção do leitor e facilita a compreensão do período em questão. A autora consegue equilibrar a dramatização dos eventos com a fidelidade histórica, o que permite ao leitor uma compreensão aprofundada do período e da personagem sem distorções ou exageros, e muito mais próximas das novas teorias em torno desta rainha polémica e mal-amada. 


Podes ler ainda a minha opinião sobre Inês de Castro 


Leonor é retratada por Isabel Stilwell como uma mulher marcada por uma personalidade complexa e multifacetada. Desde criança, ela é apresentada como inteligente, ambiciosa e determinada, características que a impulsionam a buscar o seu espaço na corte e na política do século XIV. Com o passar do tempo, a rainha também revela um lado vulnerável, especialmente diante das pressões do poder e da iminência da morte do rei, que a coloca numa posição delicada, sem um herdeiro varão. A sua evolução ao longo do livro demonstra a transformação da jovem ambiciosa numa mulher determinada e disposta a tudo, para se proteger e ao direito da sua filha de ser a próxima rainha. Um dos pontos fortes do livro é a sua pesquisa histórica, que proporciona uma nova visão, mais moderna e acertada, desta mulher e do próprio contexto político e social da época, e que torna esta leitura enriquecedora e interessante para quem deseja conhecer mais sobre este período e estas personagens históricas. 


"Nas veias do senhor D. João corre a ira fácil do pai e do avô. A sedução da mãe. A ambição de todos eles juntos e a ferida aberta que os bastardos nunca saram: são e não são, podem e não podem, sempre aquém do que acreditam merecer." 


Ao longo da leitura, como sempre acontece com as obras de Isabel Stilwell, fui profundamente envolvida por uma narrativa que mistura História, política e a complexidade duma figura feminina que desempenhou um papel crucial na monarquia portuguesa. A autora consegue captar a nossa atenção ao explorar os acontecimentos históricos, mas também as emoções e os dilemas enfrentados por Leonor Teles, uma personagem muitas vezes envolta em mistério e controvérsia. Foi uma experiência que volta a despertar o meu interesse para o papel das mulheres na História de Portugal, algo que tem sido, ao longo dos séculos, oculto ou renegado pelo patriarcado. Neste caso em particular, o que mais prendeu a minha atenção nesta leitura foi a complexidade e a ambiguidade de Leonor, que desafia as percepções tradicionais duma rainha da sua época. 


Recomendo esta leitura para quem deseja explorar a História de Portugal e a vida duma das figuras mais intrigantes e controversas da sua monarquia. Isabel Stilwell reforça o papel central que Leonor Teles desempenhou no contexto da corte e da política portuguesa, explorando as suas influências e as controvérsias que marcaram a sua vida. Portanto, só posso deixar-te o convite para embarcares nesta fascinante jornada pelo universo de Leonor Teles através das páginas deste livro. Mas agora quero muito saber a tua opinião! Já leste Leonor Teles? O que achaste da trajetória desta rainha tão controversa? Acreditas que foi uma vilã ou uma sobrevivente que agarrou todas as oportunidades? Conta-me tudo nos comentários! 


Encomenda o teu exemplar através dos links abaixo, sem custos adicionais para ti, e contribui para as próximas leituras deste blog 


Wook | Bertrand 

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