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terça-feira, 31 de maio de 2022

#Livros - Contos de São Petersburgo, de Nikolai Gógol

 

#Livros - Contos de São Petersburgo, de Nikolai Gógol

Sinopse


Estão aqui reunidas as cinco «Histórias de Petersburgo»: «Avenida Névski (1834), «Diário de um Louco» (1834), «O Nariz» (1836), «O Retrato (1841) e «O Capote» (1841). Acrescentou-se «A Caleche» (1836), pequeno conto que alguns autores integram neste ciclo. Trata-se do chamado «segundo período» da obra do autor, que se seguiu ao período das histórias ucranianas, «Noites na Granja ao pé de Dikanka» e «Mirgorod». 

Estes contos do fantástico-real (ou real-fantástico?), integrando o humor e a sátira inconfundíveis de Gógol, tiveram grande influência no ulterior desenvolvimento da prosa literária russa e, também, no de todas as literaturas ocidentais. A modernidade das propostas de Gógol continua mais viva do que nunca nestas histórias em que a personagem principal é a cidade de Petersburgo: mesquinha, sufocante, ridícula, irrisória e ilusória. 

Opinião 


Nos tempos conturbados que vivemos, nada como relembrar que a Rússia tem muitas coisas boas para nos dar que vão muito além de conflitos e delírios de um ditador lunático. Neste caso particular de Gógol, estamos perante um escritor russo que nasceu numa província que hoje faz parte da Ucrânia, o que vem mostrar o quanto os dois países estão unidos e deveriam ser mais irmãos do que rivais. Ou, pelo menos, com uma rivalidade mais saudável, como a nossa com os nossos vizinhos espanhóis. 

A minha curiosidade sobre Gógol surgiu quando ouvi falar pela primeira vez de Almas Mortas e desde então a ideia de ler este autor, que é considerado o percursor do romance russo como o conhecemos, nunca mais me saiu da cabeça. Portanto, quando encontrei esta colectânea de contos deste autor em promoção na Fnac, não resisti a trazê-la para casa. São seis contos, cada um melhor que o outro e que nos revelam um estilo que se foca mais no cenário, nos objectos, nas roupas, do que nas personalidades dos seus personagens. 

Podes ler também a minha opinião sobre Noites Brancas

A verdadeira protagonista é a cidade de São Petersburgo, criada pelo capricho do famoso czar Pedro, o Grande, e que se transformou num lugar sombrio, muito frio, sempre com uma forte neblina, povoado pelos muitos miseráveis e pelos funcionários públicos cujos cargos foram criados para que a cidade fosse povoada mais rapidamente. Este sistema burocrático russo no século XIX era um entroncado labirinto, com cargos e mais cargos, patentes e nomenclatura imitada da militar, onde as pessoas procuravam escalar através das relações sociais, mais do que pela competência. 

"Os sonhos acabaram por se tornar a vida dele e, desde então, a sua existência tomou um rumo estranho; pode dizer-se que dormia acordado e estava de vigília no sono." 

Dos contos deste volume, o meu favorito é, por uma grande margem, O Retrato. Penso que deve ser o maior, dividido em duas partes, e conta a história de um pintor talentoso e com poucos recursos financeiros que, num impulso que nem consegue explicar, compra um retrato peculiar numa loja da cidade. O retrato tem um olhos que parecem nos perseguir e que contém uma carga que assusta. O artista descobre dinheiro no quadro e a sua vida transforma-se de uma forma inesperada e que está longe do que tinha sonhado quando era um simples aprendiz. 

Podes ler ainda a minha opinião sobre Lolita

Destaco também o Diário de um Louco que, como o nome indica, trata-se de um diário, com entradas escritas em diferentes datas, pelo nosso protagonista. Mais um funcionário público que parece um cidadão normal, com as suas peculiaridades e sem noção da sua insignificância. Só que o fantástico começa a sério quando o nosso Aksénti Ivánovitch ouve uma conversa entre dois cachorros. É nesse momento que começamos a perceber a loucura, até ao ponto em que ele descobre que afinal é o rei de Espanha. Hilariante, é só o que te digo. 

"Mecenas destes já não existem, como é sabido, uma vez que o nosso século dezanove adquiriu desde há muito a fisionomia enfadonha do banqueiro que se delicia com os seus milhões bastando-lhe apenas olhar para eles na forma de números escritos no papel."

Por último, vou referir ainda O Nariz, conto fantástico e talvez o mais conhecido do autor, pelo menos foi o que encontrei mais vezes referido pela Internet a fora. Aqui o insólito acontece quando um homem acorda, sem que nada de estranho tivesse acontecido antes, e se depara com o seu reflexo no espelho que lhe revela a ausência total do seu nariz. O espanto do homem prende-se com os problemas sociais que esta perda lhe vai trazer. Como poderá se apresentar no trabalho, nos salões, nas ruas? O que era extraordinário só piora quando Kovaliov descobre o seu nariz, vestido com uma bela farda, e com um cargo público superior ao seu. Dá para acreditar? 

No fundo, esta é uma grande crítica ao sistema burocrático russo, quase uma sátira em determinados contos, que expõe o quanto é ridícula e sem sentido a forma como são criados esses cargos. Só posso recomendar este livro para começares a ler Gógol, que para mim funcionou muito bem e me deixou com muita vontade de continuar a ler mais. Já leste alguma coisa do autor? Preferes os contos ou as novelas? 

Podes encomendar o teu exemplar através dos links abaixo, sem custos adicionais para ti, e contribuir para as próximas leituras deste blog

 

quinta-feira, 26 de maio de 2022

A minha experiência com O Chico da Fruta

 

A minha experiência com O Chico da Fruta

Não existe conceito mais cómodo do que receber produtos frescos, cuidadosamente selecionados, entregues directamente no conforto do lar. Só vejo vantagens em termos pessoais, mas além disso existem também muitos benefícios para o ambiente ao comprarmos a produtores locais e próximos. Ao mesmo tempo, estamos a contribuir para a economia das nossas regiões e obtemos a certeza de que estamos a consumir produtos de qualidade e que não são industrializados. 


Foi com todas estas preocupações em mente, que acabei por descobrir O Chico da Fruta e os seus cabazes semanais, que podemos personalizar em termos ou acrescentar outros produtos para completar o nosso cabaz. Todas as semanas são propostos três cabazes diferentes que podem incluir só frutas ou frutas e legumes variados. Os preços destes cabazes começam nos 15€ até aos 21,50€ e a entrega é gratuita, sendo possível encomendar na Grande Lisboa e na Margem Sul. 


Podes ler também a minha experiência com a Maria do Pomar


Os produtos são dos mais variados que tenho visto e a qualidade é acima da média, posso te assegurar. Já encomendei diferentes cabazes três vezes e fiquei sempre satisfeita com os produtos que recebi, e também com o atendimento atencioso e cuidadoso que recebi. Inclusivamente são permitidas algumas trocas aos produtos que compõem o cabaz, de forma a que fique mais ao nosso gosto e da nossa família. No cabaz maior, que é o que mais me agrada, recebemos duas caixas. Uma com legumes, outra com frutas, tudo acondicionado com o maior cuidado. 


A minha experiência com O Chico da Fruta

Directamente do produtor, tanto os legumes como as frutas são excepcionais, um sabor e uma frescura como se tivesse sido colhido por nós, como os nossos avós faziam noutros tempos. Na primeira encomenda, são cobradas as caixas em que são entregues, que nas seguintes são devolvidas quando recebemos o próximo cabaz. Tudo de uma forma bem sustentável e com preocupações ambientais, ambas muito importantes nos dias que correm. 


Podes ler ainda sobre a minha experiência com a Veggie Nessie


Para poderes ver os cabazes semanais, eles ficam disponíveis nos fins de semana no seu Instagram, e podes fazer a tua encomenda através do Whatsapp. Para isso, só precisas de indicar a tua morada completa, com código postal, o teu contacto e os extras que pretendes adicionar ao teu cabaz. Depois de receberes a confirmação e saberes qual o dia em que entregam na tua área de residência ou de trabalho, podes ficar descansada e aguardar pelo dia combinado. No dia anterior, recebes ainda uma mensagem a confirmar a entrega e a indicar o horário em que será feita. 


A minha experiência com O Chico da Fruta

O pagamento é feito no acto da entrega e podes pagar com Multibanco ou Numerário. Tudo se processa de forma prática, simples e sem complicações. Aqui te deixo mais uma opção, desta vez apenas para residentes de Lisboa e arredores, e que te poderá ser útil. Para os preguiçosos, para os que nunca têm tempo, para os que acham que não sabem escolher este tipo de produto, para quem quer ajudar os produtores locais, para quem tem preocupações ambientais. Em suma, acredito que seja também para ti, de alguma forma. 


Já conhecias O Chico da Fruta? Onde costumas comprar as tuas frutas e legumes frescos? Já te rendeste às compras online neste sector? 

terça-feira, 24 de maio de 2022

#Livros - Morte em Veneza, de Thomas Mann

 

#Livros - Morte em Veneza, de Thomas Mann

Sinopse

A Morte em Veneza é a narrativa do fascínio que Aschenbach, um escritor consagrado, sente por um adolescente, Tadzio, de deslumbrante beleza. 

Uma paixão que se arrasta pelo Lido e depois pelas ruas de uma Veneza ameaçada e através da qual se questiona a situação moral do artista. 

Trata-se de uma novela em que Thomas Mann, sob a influência filosófica de Platão, aborda a relação com o belo e fala da nostalgia e das suas emoções. 


Opinião

Depois de muitas hesitações, decidi-me a ler o meu primeiro Thomas Mann da vida e que bom que foi. Claro que não comecei por nenhum dos seus calhamaços, mais famosos e mais icónicos, mas por uma novela simples, curta e repleta do seu talento. Morte em Veneza tem menos de cem páginas e pode muito bem ser lida de uma assentada, embora uma leitura mais calma poderá trazer maior entendimento sobre os acontecimentos aqui contados. 


Não que seja algo complicado ou complexo, mas sem dúvida que está repleto de simbolismo, de mensagens subliminares, de pequenos indicadores do que, inevitavelmente, será o seu final. Tudo começa com o nosso protagonista, Aschenbach, que se sente inquieto na sua vida em Munique e não se mostra entusiasmado com a eminente viagem para a sua casa de campo. Nesses pensamentos conturbados surge-lhe a ideia de que deveria seguir para Sul, para paragens mais quentes, onde poderá desfrutar desse Verão em conformidade. 


Podes ler também a minha opinião sobre Coração das Trevas


A verdade é que estamos perante um escritor que já passou da meia idade que se leva muito a sério, disciplinado, rigoroso, que leva uma vida monótona e metódica, sem nunca sair da linha do que acha que esperam de si. Esta vontade de ir para um lugar diferente do habitual mostra um ímpeto por sair da sua rotina, por procurar cenários diferentes dos que costuma habitar. Depois de uma passagem por um primeiro destino, decide partir para Veneza e é nesse lugar que começam as atribulações do nosso escritor. 


"Tudo aquilo lhe aparecia como prenúncio de algo de invulgar, dir-se-ia que começava a envolvê-lo um alheamento próximo do sonho, uma desfiguração estranha do mundo, que poderia apagar se cobrisse os olhos por momentos e olhasse depois de novo à sua volta."


Prenúncios sucedem-se, mesmo antes da chegada a Veneza, mas o que mais me marcou entre eles foi o estranho gondoleiro que transporta Aschenbach até ao seu Hotel. Personagem esquisita que não acata as ordens e que decide qual o percurso por onde irá levar o seu passageiro e que, no final, parte sem esperar pelo pagamento. A própria gôndola onde é transportado parece também um prenúncio do que se avizinha. O Hotel está cheio de famílias a passar a época de veraneio, mas os olhos de Aschenbach ficam presos num rapaz de cerca de quatorze anos de uma beleza inacreditável, a roçar a perfeição. 


Podes ler ainda a minha opinião sobre A Metamorfose


Esta admiração à primeira vista torna-se a principal motivação dos seus dias e começa a alinhar as suas rotinas no Hotel pelas do rapaz e da sua família. Não se pense que estamos perante uma relação pedófilo ao estilo de Lolita. É tudo platónico, sem qualquer iniciativa de aproximação real, física. Nunca conversaram sequer. Mas é impossível negar que o escritor se apaixona perdidamente por este rapaz, que não conhece, cuja voz nunca ouviu, mas cuja beleza o arrebatou de uma forma como nunca antes lhe aconteceu na sua vida. 


"É de facto bom que o mundo só conheça a obra bela, acabada, e não também as suas origens, nem os condicionalismos do seu nascimento; porque o conhecimento das fontes a partir das quais jorra a inspiração do artista iria muitas vezes confundir o seu público, intimidá-lo, anulando assim os efeitos da excelência da obra." 


É uma obra bem redonda, cheia de pormenores e pequenos detalhes, escrita de uma forma espectacular, sem falhas ou lapsos, nem excessos de qualquer tipo. Tudo parece ter o seu papel, sem que nada supérfluo tenha ficado nas suas páginas. É certo que ainda não li mais nada deste autor, mas fiquei muito contente com esta escolha para começar a saga de ler este autor brilhante. No entanto, se ainda precisas de mais motivos para ler Morte em Veneza, podes ver o vídeo da Tatiana Feltrin


Já leste algum livro de Thomas Mann? Qual o teu favorito? Qual seria a tua sugestão para começar a ler a obra do autor? 


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quinta-feira, 19 de maio de 2022

#Documentário - Senna

 

#Documentário - Senna

Sinopse

História verídica do lendário corredor de automóveis brasileiro Ayrton Senna, que muitos vêem como o melhor condutor do mundo. A sua viagem física e espiritual dentro e fora das pistas, a procura pela perfeição e a sua transformação de estreante notavelmente dotado que despontou para a F1 em 1984 para mito consagrado após o trágico acidente em Imola em 1994. 


Opinião

Este mês, no dia 1, passou mais um ano sobre a morte do mito Ayrton Senna e depois de ler tantos manifestos, tantos editoriais a recordar a sua curta e brilhante carreira, fiquei com uma vontade imensa de revisitar os anos de glória, onde abrilhantou a Fórmula 1 de uma forma inesquecível. Por isso, acabei por encontrar este documentário, Senna, que nos apresenta o piloto através de imagens e registos, alguns inéditos, dos seus anos dedicados às corridas. 


Assistimos à estreia na Fórmula 1, depois de ter feito sucesso e dado nas vistas noutras competições menos famosas e com menos notoriedade. A primeira prova que venceu, em Portugal, a transferência para uma equipa onde teria um carro capaz de corresponder e cumprir o seu desejo de vencer. É dado grande foco à sua rivalidade histórica com Alain Prost, com quem competia pelo pódio durante grande parte desses anos. É extraordinário rever a sua primeira conquista do título de campeão do mundo. Emocionante assistir à primeira vez que venceu o Grande Prémio do Brasil. 


Podes ler também a minha opinião sobre O Impostor do Tinder


Ao longo de todo o documentário somos inundados pelo carisma, pela convicção, pela determinação de Ayrton Senna. A sua vontade de vencer, de ser melhor, de se superar a si mesmo é contagiante. Faz pensar porque razão não somos todos assim. O que tinha Senna, e nos falta a nós, comuns mortais, para atingir esse patamar de excelência? Por vezes frustrado pelas intrigas política da Fórmula 1, nunca se vergou aos poderes instalados, nunca deixou de lutar pelo que achava certo, pelo que considerava justo. 


#Documentário - Senna

Revisitamos algumas das corridas mais icónicas, momentos que o celebrizaram como um piloto extraordinário. A forma como conseguia passar de uma posição pouco favorecida e terminar vencedor da corrida tornou-se lendária. Isto já para não falar do seu brilhantismo a conduzir com chuva, feito que poucos poderiam almejar. Era nessas alturas, quando os seus oponentes perdiam segundos, que ele os ganhava e conquistava vantagens inesperadas. 


Podes ler ainda a minha opinião sobre De Volta a Hogwarts


A aproximação da tragédia deixa uma sensação de impotência por não podermos impedir, de travar os acontecimentos que irão mudar tudo de forma irreversível, como só a morte consegue. Esses momentos, ainda que tantos anos se tenham passado, não deixam de nos emocionar, de entristecer pela perda tão precoce de uma pessoa tão especial, de um homem que inspirava tanta gente ao seu redor, que deu esperança a um Brasil pobre e miserável. A sua morte precoce, quando ainda teria tantos anos pela frente, tantas conquistas para alcançar, tantas glórias por reclamar, terminou com a sua hipótese de se tornar no piloto histórico que poderia ter sido, mas acredito que foi nesse momento que se tornou numa lenda, no mito que irá perdurar ao longo do tempo. 


Fica a saudade de um tempo de ouro da Fórmula 1 que não creio que se repetirá, as memórias de corridas alucinantes, de vitórias impossíveis, e de homens que conseguiram tornar-se a inspiração de tantos jovens, a esperança de que todos podemos alcançar os nossos sonhos, desde que estejamos dispostos a trabalhar para isso. Também eras fã de Senna e da Fórmula 1 desse tempo? Viste o documentário? O que sentiste ao ver ou rever tantos momentos icónicos reunidos? 

terça-feira, 17 de maio de 2022

#Livros - Adapte-se, de Tim Harford

 

#Livros - Adapte-se, de Tim Harford

Sinopse


Nesta obra inovadora, Tim Harford, autor do livro O Economista Disfarçado, apresenta-nos uma abordagem pioneira e inspiradora para a resolução dos problemas mais prementes das nossas vidas, apontando como essencial a capacidade de nos adaptarmos. Congregando psicologia, biologia evolutiva, antropologia, física e economia, Harford salienta a importância do método de tentativa e erro no combate ao terrorismo, às alterações climatéricas, à pobreza e à crise financeira bem como a necessidade de fomentarmos a inovação e a criatividade nos nossos negócios e vidas pessoais. Adapte-se dá-nos a conhecer todos os ingredientes que nos possibilitam transformar o fracasso em sucesso. 

Opinião


Sou uma grande fã de livros de não ficção e tenho um carinho especial sobre livros técnicos e relacionados com desenvolvimento pessoal. Na minha mesa de cabeceira tem sempre um livro do género a ser lido em simultâneo com outros de ficção e o escolhido da vez foi este de Tim Harford, autor que se propõe a ensinar-nos a importância de nos adaptarmos, que revela que para chegar ao sucesso é sempre preciso e talvez até inevitável passar pelo fracasso. 

Tinha grandes expectativas para este livro, pois considerei muito interessante e estimulante a sua proposta. No entanto, tenho de admitir que foi penosa a leitura deste livro com menos de trezentas páginas. Não porque fosse aborrecido o tema ou porque esteja mal escrito, mas porque se focou, nos primeiros capítulos, em tantos exemplos militares que por momentos senti que estava a ler sobre a Guerra no Iraque ou sobre o Exército dos Estados Unidos. 

Podes ler também a minha opinião sobre Gestão - Tudo o que precisa de saber

As mensagens que constam do livro são mesmo interessantes e conforme os exemplos dados começam a ser diversificados ou, pelo menos, alternados, torna-se muito mais fácil manter o interesse, a atenção e retirar maior partido da sua leitura. É-nos explicada a importância de estarmos receptivos ao fracasso, de não ter medo de tentar, de diferentes formas e com diferentes métodos. Os maiores sucessos conhecidos são muitas vezes fruto destas tentativas que parecem tolas e vãs. 

"O método que utilizou para lidar com isto pode ser resumido como os três «princípios de Palchinsky»: primeiro, procurar novas ideias e experimentar coisas novas; segundo, quando se experimenta alguma coisa nova, deve-se fazê-lo a uma escala em que se consiga sobreviver ao fracasso; terceiro, procurar retorno e aprender com os erros cometidos à medida que se avança." 

Os exemplos bancários também são grande destaque, bem como as descobertas científicas, algumas bem famosas, por sinal. Tudo para nos revelar que muitos dos avanços de que hoje desfrutamos são consequência de incentivos, de prémios ou da simples liberdade dada para a criação sem pressão dos resultados. Por vezes, ao constatar que fracassamos, a observação do erro cometido é a base para o sucesso que virá em seguida. 

Podes ler ainda a minha opinião sobre Smarketing

Para falar a verdade, não há nada que seja totalmente novo neste livro, pois se pararmos para pensar e analisar as situações entendemos que tudo faz sentido e muito faz parte do senso comum. No entanto, os exemplos práticos e reais que nos apresenta servem como base para a sua teoria e para nos convencer de que tem razão e que devemos procurar adaptação sempre, em todas as áreas da nossa vida. Apesar de tudo, achei o livro demasiado teórico e pouco prático, ou seja, faltam aplicações práticas, dicas de como podemos transpor os seus ensinamentos para a vida pessoal, profissional e financeira. 

"A lição a retirar é a de que o pluralismo fomenta o pluralismo. Se quiserem estimular muitas inovações, aliem muitas estratégias." 

Apesar de tudo, foi uma leitura interessante embora nem sempre tenha sido agradável ou estimulante, pelo menos não tanto quanto eu gostaria. Os capítulos finais são bem melhores, mas os primeiros foram difíceis de concluir sem desistir. Ainda assim, gostaria de dar uma nova oportunidade ao autor para me convencer com outra das suas obras. Já leste este livro ou algum de Tim Harford? O que achaste do seu estilo? Qual me aconselhas? Conta-me tudo nos comentários. 

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terça-feira, 10 de maio de 2022

#Livros - Mansfield Park, de Jane Austen

 

#Livros - Mansfield Park, de Jane Austen

Sinopse

Mr. e Mrs. Price, um humilde casal que casou por amor e não por prestígio social são os pais de Fanny Price, uma menina que, aos nove anos, é enviada para Mansfield Park para viver com o seu tio abastado, Sir Thomas Bertram, e a sua tia Mrs. Norris devido às dificuldades financeiras da sua família. 

Fanny aproxima-se de Edmund, o único que a recebe e trata amavelmente, e apesar do seu tio tentar mais tarde encorajar o seu casamento com um vizinho, Fanny possui as suas próprias resoluções. Ela enfrenta as consequências dos seus atos, reexaminando os seus próprios sentimentos enquanto desfruta da sua feliz inocência, e luta contra a indiferença de uns, e dos discursos incriminadores de outros. 

Mansfield Park centra-se tematicamente na questão da moralidade entre as diferentes classes sociais. Embora a protagonista seja apenas uma rapariga pobre e tímida, disposta a ser marginalizada pela sofisticação dos seus familiares, ela ultrapassa-os a todos através do seu sentido inato de moralidade e dever familiar.


Opinião

Em 2022, regresso à leitura de mais um clássico de Jane Austen, autora que sempre aquece o meu coração com as suas histórias de amor deliciosas, temperadas com o seu estilo único e irónico, que retratam bem os costumes da sua época. Depois de ter lido algumas das mais famosas que, inclusivamente, têm várias adaptações cinematográficas, dediquei-me a um título sobre o qual nada sabia, além da sua existência. Assim, falaremos hoje sobre Mansfield Park


É um livro maior que os que li anteriormente, mas cuja leitura não aborrece de forma alguma. Embora encontre alguns aspectos que me fazem gostar menos do que gostei de outras obras da autora. Então, tudo começa com a apresentação de três irmãs que casaram de forma bem diferente o que causou terem vidas distantes e pouco semelhantes entre si. Uma casou por amor e vive longe das outras duas, com uma vida de dificuldades, com poucos recursos e um bando de filhos. Outra casou com um reverendo com poucos recursos, mas contou com a ajuda da irmã que fez o melhor casamento das três. Esta última casou com um barão, que lhe proporcionou uma vida muito acima das suas ambições. 


Podes ler também a minha opinião sobre Sensibilidade e Bom Senso


As irmãs cortaram relações com a irmã mais nova, pelas diferenças sociais das suas vidas e ficaram muitos anos sem contacto. Até que, impelidas por um impulso, ambas decidiram que poderiam ajudar essa irmã de forma indirecta, criando uma das suas muitas filhas. A mais velha, Fanny, é a eleita para passar a viver em Mansfield Park, com os tios abastados e os primos mais velhos. A menina chega a esta nova casa com dez anos de idade e com uma timidez e reserva absoluta. Triste por abandonar a família e, sobretudo, o irmão mais velho, a sua adaptação está longe de ser imediata. 


"Tudo o que fosse passear, falar e formar planos, nisso Mrs. Norris era extremamente caridosa e ninguém melhor do que ela sabia incutir bondade aos outros; mas o amor ao dinheiro era igual ao gosto de dar ordens, e ela sabia poupar o seu tão bem como sabia gastar o dos seus amigos." 


Os primos não se parecem importar com Fanny, à excepção de Edmund, que a acolhe, conversa com ela e consegue convencê-la na maioria das situações que a deixam desconfortável ou indecisa. Com a ajuda deste primo e da calma que desfruta nesta propriedade, cresce virtuosa e moralmente sã, de acordo com os parâmetros da época. Apesar de nunca ter sido mimada nessa nova casa, teve acesso a uma boa educação, boas relações e paz de espírito. Conforme os anos passam, o contraste entre esta menina humilde e as suas primas é gritante a cada novo capítulo. 


Podes ler ainda a minha opinião sobre Persuasão


Os anos da infância são os que mais custam a passar, com relatos que se tornam menos interessantes que os acontecimentos que nos esperam quando todos crescem e estão prontos para o casamento. Tudo fica ainda mais interessante quando o severo pai de família parte numa viagem que o afasta de casa por longos meses. Os filhos, inebriados por essa liberdade desconhecida, e acompanhados por jovens menos escrupulosos, dedicam-se à sedução inapropriada e são ultrapassados limites de decência e da moralidade que se espera de jovens da sociedade. 


"Uma mulher que já está comprometida é sempre mais agradável do que uma que o não está. Já sente que pode agradar sem que ninguém suspeite dela. Uma senhora comprometida está segura; ninguém a pode prejudicar." 


Confesso que tudo se desenrola de forma previsível, embora os escândalos tenham sido uma surpresa, pois não imaginei que a autora fosse nos revelar esses episódios - que se encontram em qualquer família que se preze - de forma tão explícita. No entanto, tenho de referir que o último capítulo foi apressado e o desfecho, apesar de óbvio, entregue de forma abrupta. Depois de longas páginas a contar todos os acontecimentos, achei que o final foi pouco explorado e poderia ter sido melhor aproveitado. 


À parte estes pequenos pormenores, gostei bastante desta leitura e, não me tendo apaixonado pela protagonista, Fanny, considero que Mansfield Park tem algumas figuras muito interessantes e controversas e, por outro lado, outras bem irritantes e hipócritas. Em suma, mais uma experiência positiva pela pena de Jane Austen. Já leste Mansfield Park? O que achaste deste livro? Qual o teu favorito de Jane Austen? Conta-me tudo nos comentários! 


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quinta-feira, 5 de maio de 2022

#Places - O Boss Picanharia

 

#Places - O Boss Picanharia

Quem já tinha saudades de uma recomendação de um bom restaurante? Eu, pessoalmente, já tinha muitas saudades de descobrir um novo spot com boa comida, bom atendimento, daqueles que ficamos a conhecer e já só pensamos em voltar. É precisamente o caso particular do Restaurante que hoje te venho apresentar. Desta vez nem para longe de casa fui, pois fiquei muito curiosa com as fotos do seu Instagram, e por isso esta foi a escolha para o jantar com os amigos. 


O seu conceito está focado em carnes de qualidade grelhadas no ponto e servidas acompanhadas com os clássicos arroz, batatas e feijão preto. Ainda por cima, ainda tem o bónus de ter música ao vivo, o que aquece o coração de qualquer um, mais ainda o meu. Mas vamos começar pelo princípio. Situado no centro do Montijo, é fácil chegar para quem vem de Lisboa ou para quem mora na Margem Sul. 


Podes ler também a minha opinião sobre De Pedra e Sal


O espaço é moderno, agradável, bem decorado e passa uma sensação de conforto. Sensação essa que só aumenta com o atendimento de excelência que este restaurante proporciona. Todos com uma atenção e um cuidado que nos fazem sentir como se estivéssemos em casa. Eu sei que a comida é muito importante e já vamos falar sobre ela, mas a verdade que o que torna um lugar verdadeiramente especial é a forma como somos atendidos durante o serviço. E neste ponto, O Boss tem nota máxima, sem margens para dúvidas. 


#Places - O Boss Picanharia | Entrada

A carta de entradas é curta mas está cheia de coisas deliciosas, como estas batatas recheadas que são deliciosas. Tinha também pão de alho, bolinhas de alheira e um queijo típico do Brasil que fiquei muito curiosa para experimentar numa próxima vez. Depois temos uma carta especial cheia de carnes premium, que nos colocam na posição de descobrir como vamos conseguir escolher no meio de tanta coisa boa. 


Podes ler ainda a minha opinião sobre a Hamburgueria Fidalgo


A maioria preferiu a Maminha com Alho, que foi super bem servida, acompanhada com arroz, batata e feijão preto, para os que apreciam. Eu optei pela banana frita, que me agrada muito mais nos churrascos brasileiros. A carne era excelente, cozinhada no ponto, bem temperada. Em suma, nada a apontar, tirando a demora na preparação que aconteceu por termos pedido depois de um grupo maior. Portanto, aqui está o único aspecto que poderia ser melhorado neste espaço. 


#Places - O Boss Picanharia | Maminha

Para acompanhar O Boss tem uma série de sangrias que nos tentaram bastante e optámos por uma Sangria Tropical, que estava deliciosa, embora tenha ficado de olho na de Maracujá para uma próxima visita. Por outro lado, as sobremesas poderiam ser mais diversas ou, pelo menos, assegurar que não se esgotam tão depressa para que seja possível escolher entre mais opções. Tirando estes pequenos detalhes, parece-me que ganhei um excelente restaurante para visitar com mais frequência e, ainda por cima, perto de casa. 


#Places - O Boss Picanharia | Sangria

Para os fãs da boa carne, especialmente Picanhas e afins, este é o lugar certo que deves conhecer. Gostaste da sugestão? Já conhecias O Boss? 


terça-feira, 3 de maio de 2022

#Livros - O Olho de Deus, de James Rollins

 

#Livros - O Olho de Deus, de James Rollins

Sinopse

A visão apocalíptica de um futuro anunciado por um passado remoto. 

Numa área remora da Mongólia, despenhou-se um satélite de investigação, desencadeando uma busca frenética pela sua carga valiosa: o projecto de um físico ligado ao estudo da energia negra - e uma imagem chocante de destruição da Costa Leste dos EUA. 

Ao Vaticano, chega uma encomenda contendo dois estranhos objectos: uma caveira com gravações em aramaico antigo e um livro encadernado com pele humana. Os testes de ADN revelam que pertenceram ao mesmo corpo: o rei mongol Gengis Khan. 

O comandante Gray Pierce e a Força Sigma preparam-se para descobrir uma verdade ligada à decadência do Império Romano e a um mistério que remonta ao início da Cristandade, assim como a uma arma escondida há séculos e que encerra em si o futuro da humanidade. 


Opinião

E porque há autores que nunca nos falham, é sempre um prazer regressar a eles, e é precisamente o caso de James Rollins, em especial com a saga Força Sigma, que me tem apaixonado nos últimos tempos. Este grupo de gente especializada nas mais diversas áreas da ciência e com treino militar, formam uma equipa de elite com uma capacidade acima da média e cujas missões são sempre empolgantes e de tirar o fôlego. E em O Olho de Deus não é excepção. 


O meu propósito de ler os livros desta saga em ordem cronológica segue a bom ritmo e só não está a ser mais rápido porque estou a fazer render estas aventuras, para não me sentir órfã nem ficar à espera de novos livros com ansiedade, coisa que muito me enlouquece. Curiosamente, neste livro temos um toque de Portugal sobre o qual não tinha conhecimento, o que muito me surpreendeu. Pois que desta vez tudo começa em Macau, com a busca de Seichan pela sua mãe. 


Podes ler também a minha opinião sobre Linhagem Sangrenta


As descrições sobre essa cidade tão intimamente ligada a Portugal são fantásticas e, apesar dos perigos, nos deixam com uma vontade imensa de conhecer com os nossos próprios olhos. O problema adensa-se quando Seichan, Gray e Kowalski são encurralados e ficam nas mãos de um homem que os pretende vender e lucrar com este encontro. A perseguição sucede entre Macau, Hong Kong e até a perigosa Coreia do Norte, com momentos de tensão inacreditáveis e onde escapam por muito pouco. 


"Assim, como podia ela não desejar protegê-lo? Em Roma, o medo levara-a a querer defendê-lo do mal, até mesmo contra a sua vontade. Mas ao olhar para ele neste momento, sorridente e entusiasmado, sabia que se tinha enganado. Desconhecia quantos anos passaria com ele, mas reconhecia que chegara a altura de ser ela a pegar-lhe na mão e dar-lhe força quando ele necessitasse." 


Por outro lado, temos o regresso de Vigor e Rachel, que apresentam duas relíquias misteriosas e que, de forma surpreendente, parecem estar ligadas com outro fenómeno que está a suceder no espaço. Um satélite de investigação que se despenha na Mongólia e que promete apresentar respostas sobre a energia negra, a energia da criação do universo. Só que também é um perigo se cair nas mãos erradas pois poderia transmitir informações confidenciais que deveriam permanecer secretas. 


Podes ler ainda a minha opinião sobre A Colónia do Diabo


É deste modo que somos levados por uma viagem entre o passado, o presente e o futuro, que revela o quanto estes estão interligados e conectados de formas que nem imaginamos. Ficamos a saber mais sobre São Tomé, Gengis Khan, física quântica e energia negra, só para dar alguns exemplos. Este autor tem uma fórmula de entrelaçar ciência com factos históricos que nos prende de uma forma única, fazendo ligações, conexões que sempre nos surpreendem e ensinam ao mesmo tempo. 


"Só os jovens estavam convencidos da sua imortalidade e desejavam desafiar a morte de forma tão negligente. A idade acabava por sabotar essa confiança, mas os melhores de entre nós continuavam a combater moinhos de vento apesar de estarem ao corrente disso - ou, se calhar, por isso mesmo, apreciando cada dia, vivendo plenamente, mas sabendo que haveria um fim."


No entanto, e sem querer dar qualquer spoiler, preciso dizer que o final foi devastador. Apesar de alguns elementos que são partilhados ao longo do livro, nada nos prepara para a perda de alguns dos personagens mais importantes da saga até à data. Chega a ser um choque ler esses capítulos finais e confesso que senti alguma confusão por este desfecho violento. É verdade que não é a primeira vez que o autor nos surpreende deste modo, mas ainda assim isso não diminuí o impacto que sentimos. 


Agora, admito que estou muito curiosa para ler o próximo volume e perceber para que caminho segue esta história e, principalmente, estes personagens. Já conheces a Força Sigma? Acompanhas esta saga de James Rollins? Qual o teu favorito? Conta-me tudo nos comentários! 


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