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terça-feira, 31 de outubro de 2023

#Livros - The Running Grave, de Robert Galbraith

 

A foto de capa do livro "The Running Grave" é uma imagem notável e intrigante que captura a essência da atmosfera sombria e misteriosa do enredo. Em um cais deserto, em tons de cinza, os contornos das figuras dos detetives emergem das sombras, exalando uma presença destemida e determinada. Eles estão posicionados estrategicamente, como se estivessem a ponto de desvendar um enigma ou a solução de um crime. A paleta de cores escolhida para a capa – o verde água que destaca o título do livro, e as letras douradas que exibem o nome do renomado autor Robert Galbraith – proporciona um contraste elegante e sofisticado. O verde água sutil, ao lado do cinza do cais, adiciona um toque de frescor e mistério à composição.  Essa capa instiga a curiosidade do leitor desde o primeiro olhar, prometendo uma narrativa intensa e emocionante, com personagens cativantes lutando para desvendar os segredos ocultos nas profundezas sombrias e complexas da trama. É um convite para uma aventura empolgante que os fãs do gênero não podem resistir.

Sinopse

Ellacott goes undercover in a religious cult to try and rescue a brainwashed young man in the latest addictive page-turner from Robert Galbraith featuring Cormoran Strike. 

Private Detective Cormoran Strike is contacted by a worried father whose son, Will, has gone to join a religious cult in the depths of the Norfolk countryside. The Universal Humanitarian Church is, on the surface, a peaceable organisation that compaigns for a better world. 

Yet Strike discovers that beneath the surface there are deeply sinister undertones and unexplained deaths. 

In order to try to rescue Will, Strike's business partner Robin Ellacott decides to infiltrate the cult and she travels to Norfolk to live incognito amongst them. But in doing so, she is unprepared for the dangers that await her there or for the toll it will take on her. 


Buy Me A Coffee

Opinião 

Ninguém me prende tanto a enredos e personagens como a extraordinária J. K. Rowling. Mesmo depois de me ter recusado a iniciar séries que não estejam concluídas, a única excepção em que caí, quase sem querer, foi a do seu pseudónimo, Robert Galbraith. Desta vez, só foi preciso aguardar um ano pelo sétimo volume da saga Strike, The Running Grave, um emocionante thriller policial, que nos mantém presos desde a primeira página. Nesta obra, regressamos aos detectives Cormoran Strike e Robin Ellacott e à sua agência, que vão aceitar um grande desafio, correndo grandes riscos na missão que vão aceitar, ao mesmo tempo que Strike vai precisar de lidar com os seus próprios demónios e aceitar, por fim, os seus sentimentos. 


The Running Grave apresenta um cenário sombrio e imersivo que transporta os leitores pelas ruas de Londres e pelo ambiente campestre de Norfolk alternadamente, descrevendo ambas as paisagens muito habilmente, demonstrando um conhecimento detalhado sobre os dois lugares. Aliás, a exploração da cidade de Londres já é habitual nesta série, dado que é o principal cenário das vidas e das aventuras desta dupla. A mudança de cenário, desta vez, é motivada pela investigação a uma Igreja misteriosa, que parece isolar os seus elementos das famílias e amigos do exterior e que aparenta ter uma predilecção por pessoas com meios financeiros, que acabam por ser entregues aos seus líderes como doação. O caso chega-lhes através dum pai que perdeu o contacto com o filho mais novo desde que este decidiu ir para esta Igreja, não voltando a falar com a família nem quando foi informado da doença e da morte da mãe. 


Podes ler também a minha opinião sobre The Ink Black Heart


Depois de ter despedido a agência rival de Strike, decide contratar os nossos detectives favoritos com o propósito de procurar libertar o jovem Will das garras desta Igreja manipuladora. Cientes da dificuldade desta missão, ainda assim, aceitam o caso e a abordagem escolhida, mais do que vigiar e entrevistar pessoas, será infiltrar alguém dentro da Igreja para poder entender melhor o que lá se passa e tentar uma aproximação ao jovem. Robin acredita que é a pessoa certa para esta missão e faz de tudo para convencer o seu sócio disso mesmo, contornando as suas reservas e preocupações com a sua segurança física caso seja descoberta. Lutando e negando os seus sentimentos por Robin, Strike decide confiar nas capacidades da sua sócia e elabora um plano para que ela se possa infiltrar com o mínimo risco de ser descoberta e garantindo um plano de fuga, para que possa sair de lá no momento em que quiser. 


"Look, I know you think I think she was perfect, but of course I bloody don't. D'you think I look at the kind of mother you are, and remember what she was, and can't see the difference?"


Inicialmente, parece não existir mistério a desvendar, porque sabemos logo quem são os vilões da história. Só que, à medida que a narrativa avança, começamos a perceber que existe uma morte que precisa duma melhor explicação e cujos contornos e autores são uma incógnita. Percebemos que esta é uma dúvida que existe na mente de Cormoran desde muito cedo, mas as descobertas de Robin dentro da organização alimentam ainda mais as suas dúvidas, bem como as entrevistas que consegue fazer com elementos que saíram desta Igreja ao longo dos anos e que ainda se encontram vivos. A dada altura o que nos prende é acompanhar a Robin infiltrada, perceber os riscos que corre até ter a certeza de que ela se vai safar daquela situação que parece ser impossível. Depois, é tentar descobrir para onde se encaminha a investigação e a que conclusões macabras irão chegar. 


Podes ler ainda a minha opinião sobre Troubled Blood


O tema é arrojado para um romance policial, dado que não é habitual encontrarmos um culto religioso neste tipo de livros. Mas a verdade é que a autora nos consegue prender às intrigas desta ceita duma forma entusiasmante, gerando choque, repugnância, náusea, mas, ainda assim, não conseguimos parar de ler. Penso que todos os que nunca se viram envolvidos em organizações deste género têm algumas ideias pré-concebidas do que lá acontece, mas neste livro parece que mergulhamos nos meandros mais obscuros, entendendo as fórmulas utilizadas para manipular as pessoas, prendê-las por sua aparente vontade e mantê-las desprovidas de raciocínio e pensamento crítico. É uma verdadeira lavagem cerebral, encerrando as pessoas numa bolha e fazendo com que deixem de se sentir capazes de viver na sociedade onde sempre se movimentaram. 


"Yet again, she'd been forced to face the difficulty of reconciling any kind of normal personal life with her chosen line of work. She'd thought it might be easier with Ryan, given his profession, but there she was again, justifying commitments she knew he wouldn't have given a second thought to, had he been the one making them."


Com The Running Grave, J. K. Rowling demonstra mais uma vez as suas extraordinárias habilidades literárias. Com uma narrativa envolvente e meticulosamente construída, rica em detalhes ao ponto de nos conseguirmos imaginar naqueles cenários e situações sinistros, presenteia-nos com personagens complexos e bem desenvolvidos, cada um com a sua própria voz e motivações, mesmo os que nos são apresentados na dinâmica da investigação. Além disso, a sua habilidade em criar reviravoltas e mistérios estimulantes mantém o leitor constantemente intrigado e ávido por descobrir a verdade. A sua escrita elegante e precisa cativa o leitor e leva-nos numa jornada emocionante e cheia de suspense, onde cada palavra é cuidadosamente escolhida para construir uma atmosfera sombria e tensa. A forma como a autora aborda temas contemporâneos, explorando questões sociais relevantes, também é notável. 


A sua capacidade de entrelaçar tramas e subtramas de forma criativa e surpreendente faz de The Running Grave uma leitura obrigatória para os fãs do género e estabelece o pseudónimo Galbraith como um mestre do policial. A combinação perfeita entre suspense, investigação e elementos psicológicos faz com que esta obra seja um verdadeiro deleite para os amantes do género. Fica aqui mais uma vez a prova do talento de Rowling, assinando como Galbraith, para criar uma história complexa e intrigante que nos mantém colados às páginas em busca de respostas. Já tiveste a oportunidade de mergulhar neste fascinante universo da saga Strike? E o sétimo volume, já leste ou estás à espera pela tradução portuguesa? Partilha a tua opinião nos comentários abaixo e vamos começar a discussão sobre esta narrativa fascinante e viciante! 


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Wook | Bertrand 

quinta-feira, 26 de outubro de 2023

#Places - Restaurante Chiveve

 

No Restaurante Chiveve, localizado em Lisboa, os sentidos são despertados por uma explosão de sabores exóticos e autênticos da culinária moçambicana. A foto ilustrativa desta montagem, que destaca um prato exuberante de caril, é o reflexo perfeito da experiência gastronômica única que esse estabelecimento oferece. Com uma profusão de cores vibrantes e o aroma inebriante que paira no ar, o caril servido no Restaurante Chiveve é uma verdadeira obra de arte culinária. A delicada mistura de especiarias e temperos tradicionais usados na elaboração desse prato é a chave para o sabor irresistível que tantos apreciadores têm procurado.

O Verão não me trouxe as merecidas e desejadas férias, mas isso não quer dizer que não tenham existido oportunidades de passear e de conhecer novos lugares para partilhar contigo, que me lês. A oportunidade de fazer uma pequena visita guiada pela minha amada Lisboa com alguém que não conhecia nada da cidade para além do Aeroporto, foi a desculpa perfeita para este passeio que teve início com a busca por um Restaurante Moçambicano. O eleito foi o Chiveve, localizado no centro de Lisboa, perto da Avenida Duque de Loulé, sendo fácil chegar de metro ou autocarro. Apesar de ter ido de carro, estacionei com alguma facilidade num parque bem perto, o que facilitou bastante, porque ninguém aguenta andar em busca de estacionamento pelo meio de Lisboa. 


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O Restaurante começa logo por encantar os seus visitantes com a sua atmosfera acolhedora e autêntica e com a sua decoração influenciada pela cultura moçambicana, oferecendo de imediato uma experiência única, só tendo em consideração a primeira impressão visual do seu espaço. As expectativas estavam altas, o feedback que encontrei era muito bom, o espaço bem decorado também cumpria e o atendimento inicial também parecia enquadrar-se na perfeição no que espero de um bom restaurante, só faltava descobrir se a comida iria cumprir com o desejado e esperado da culinária moçambicana, que tem as suas raízes na fusão de influências indígenas, árabes, portuguesas e indianas. Em Moçambique, os pratos são conhecidos pela sua riqueza de sabores, que combinam ingredientes frescos, especiarias e ervas aromáticas. 


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A verdade é que o Restaurante Chiveve traz esse sabor autêntico e vibrante da culinária moçambicana para a capital portuguesa, proporcionando uma experiência gastronómica única, repleta de explosões de sabores exóticos e autênticos. Os pratos surpreendem tanto em termos de apresentação quanto de sabor. Cada prato é meticulosamente elaborado, com uma apresentação que torna difícil não ficar encantado logo à primeira vista. Além disso, o sabor dos pratos é simplesmente extraordinário, com uma combinação perfeita de ingredientes frescos e temperos equilibrados. Para entrada, escolhemos as Chamuças de Carne, deliciosas, crocantes, com os temperos no ponto exacto e ainda acompanhados por um picante de verdade, daqueles que, se exagerarmos, leva as lágrimas aos olhos. 


A foto retrata a encantadora montagem do Restaurante Chiveve, localizado em Lisboa. A sala é decorada com itens africanos, cercando os visitantes em uma atmosfera culturalmente rica e acolhedora. A garrafeira exibe uma vasta seleção de vinhos, cuidadosamente organizados e prontos para serem apreciados pelos clientes mais exigentes. A decoração da sala, pontuada por esculturas e artesanato tradicional africano, transmite a história e as tradições das várias regiões do continente. A combinação entre a elegância e o toque autêntico africano proporciona uma experiência gastronômica única, onde a culinária de Moçambique é o grande protagonista. Com uma decoração tão cativante, os clientes são transportados para um ambiente exótico, fazendo com que a visita ao Restaurante Chiveve seja não apenas uma refeição, mas uma viagem cultural.

Apesar de sermos apenas duas pessoas, pedimos três pratos para dividir e provar o máximo possível. Assim, pedimos os incontornáveis Caril de Caranguejo e Caril de Camarão com Quiabos e, como prato de carne, o Frango à Zambeziana. Tanto o Caril de Caranguejo quanto o de Camarão estavam perfeitos, com os sabores no ponto certo, e acompanhados de arroz branco, pronto a absorver os molhos tão bons, que era capaz de os comer à colher. O Frango foi uma total estreia para mim, que nunca tinha provado este prato moçambicano. Trata-se de um frango grelhado com leite de coco e que, depois de provar, ganhou o meu coração. A carne desfazia-se na boca e a combinação exótica com o leite de coco fica explosiva e viciante. Para acompanhar tudo isto, escolhemos uma Sangria Branca com frutas, que foi a verdadeira surpresa. Afinal, boa comida já era algo que esperava, mas esta sangria parece aquelas que fazemos em casa com as nossas bebidas favoritas. Recomendo pela qualidade e porque combina muito bem com tudo o que comemos. 


O Restaurante Chiveve, localizado em Lisboa, é um verdadeiro tesouro gastronômico africano no coração da cidade. Com uma decoração acolhedora e um ambiente que remete aos países africanos, o restaurante proporciona uma experiência única aos seus clientes. A foto da montagem exibe dois pratos de dar água na boca: o Caril de Camarão com Quiabos e o Frango À Zambeziana. O Caril de Camarão com Quiabos é uma combinação perfeita de sabores exóticos. Os camarões frescos são mergulhados em um curry rico e cremoso, que é temperado com especiarias africanas característicos, resultando em um prato deliciosamente picante. Os quiabos adicionam um toque especial ao prato, trazendo uma textura crocante e um sabor levemente adocicado.  Já o Frango À Zambeziana é uma típica iguaria da região de Zambezia, em Moçambique. A carne suculenta do frango é marinada em uma mistura de temperos tradicionais, como o piripiri e alho, que conferem um sabor marcante e levemente picante.

Depois desta experiência de verdadeira degustação, e após uma pequena pausa, chegou a hora de partir para as sobremesas. Também com o propósito de dividir e experimentar mais propostas, pedimos um Doce da Casa e um Arroz Doce com Leite de Coco. Na altura, fomos devidamente esclarecidas do que podíamos esperar de ambas, mas confesso que já não me recordo do que era feito o Doce da Casa, apenas que era delicioso, sem ser demasiado doce e com uma combinação de texturas muito interessante. Já o Arroz Doce era fantástico, com um toque exótico muito especial dado pelo leite de coco, sem se tornar demasiado doce nem enjoativo. Em suma, foi a forma perfeita de fechar uma refeição tão especial e única. 


A primeira imagem apresenta um jarro de Sangria branca, generosamente decorado com uma variedade de frutas frescas. O jarro está estrategicamente posicionado ao centro da foto, enquanto dois copos estão posicionados ao lado, prontos para serem servidos. A Sangria branca parece ser refrescante e convidativa, com sua cor clara e as diferentes frutas flutuando na bebida. A combinação de tonalidades vibrantes das frutas trazem um toque de cor à imagem, transmitindo a sensação de frescor e sabor. Na segunda foto, temos duas sobremesas deliciosas e tentadoras. A primeira é o "Doce da Casa", que parece ser uma sobremesa exclusiva do restaurante. A segunda sobremesa é o clássico "Arroz Doce com Leite de Coco". A iguaria é apresentada em uma tigela, com uma porção generosa de arroz doce cremoso

Apesar de não ser um espaço com preços económicos, não achei nada caro face à qualidade dos pratos que pedimos e penso que, nem que seja numa data especial, vale a pena conheceres o Chiveve e descobrires os sabores moçambicanos. A minha opinião geral sobre esta experiência gastronómica foi extremamente positiva. Desde o momento em que entramos, fomos recebidos com um serviço amigável e eficiente. A decoração do restaurante é encantadora, criando um ambiente aconchegante e acolhedor. Quanto à comida, os pratos servidos no Chiveve são verdadeiras obras de arte culinária, com uma mistura perfeita de sabores autênticos e frescos. Além disso, destaco a atenção e conhecimento dos funcionários em relação aos pratos e ingredientes, proporcionando uma experiência gastronómica completa. 


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O Restaurante Chiveve é uma opção única para os amantes da culinária africana, para os que desejam explorar novos sabores e experiências gastronómicas ou para os viajantes que procuram conhecer um pouco mais sobre a cultura moçambicana. Portanto, tanto os curiosos em explorar novas culturas como os apreciadores da cozinha de Moçambique encontrarão no Chiveve uma opção excelente para desfrutar duma refeição memorável e excepcional, no coração de Lisboa. Já conhecias este espaço? Gostas de experimentar e descobrir novas culturas? Deixa o teu comentário e conta-me sobre a tua experiência no Chiveve ou deixa a tua recomendação de outros espaços que mereçam ser descobertos. 

terça-feira, 24 de outubro de 2023

#Livros - A Madona, de Natália Correia

 

Na imagem, podemos observar a capa do livro "A Madona", escrito por Natália Correia e lançado em 1968. A capa possui um tom nude suave e elegante, proporcionando uma atmosfera delicada e sofisticada. Em letras pretas, destacam-se o título do livro, "A Madona", e o nome da renomada autora, Natália Correia, conferindo um contraste marcante e estabelecendo uma presença visual impactante. A combinação das cores e a escolha da tipografia transmitem uma sensação de serenidade e mistério, convidando o leitor a desbravar os segredos e reflexões presentes nesta obra literária.

Sinopse

Com o romance A Madona (1968), Natália Correia, anteriormente desvinculada de qualquer grupo literário, situa-se nas proximidades da vanguarda surrealista. Caracterizada por uma prosa harmoniosa e pessoal, a narrativa revela a resoluta imaginação da autora, a sua paixão pela beleza dos mitos helénicos e a intensa espiritualidade que, de uma perspectiva mística laica, impregna toda a sua obra. A influência "mágica" do surrealismo implicará uma conjunção de erotismo feminino e amor capaz de recuperar dimensões poderosas e reveladoras, que se materializam na figura da "Mátria". 

No romance, que não deixa de ser combativo e idealista, também existe uma extraordinária meditação individual e é evidente a presença da memória, a angústia, o pesar e a alegria de viver. Com este livro, Natália Correia alcançou pela primeira vez uma relativa popularidade, sem dúvida merecida para uma escritora que hoje é uma referência ideológica e artística, e que soube combinar a mais elevada literatura com postulados feministas e progressistas. 


Buy Me A Coffee

Opinião 

A Madona, obra lançada em 1968 pela escritora açoriana Natália Correia, destaca-se como um marco na literatura da época, apresentando uma narrativa intensamente poética e provocadora, que mergulha o leitor num universo repleto de simbolismos e questões sociais e culturais. Contextualizada no período da ditadura no Portugal de Salazar, a obra desafia as convenções sociais e aborda temáticas como a sexualidade feminina, a repressão e a liberdade individual. Com uma linguagem poética e uma escrita visceral, Natália Correia revela-se uma autora à frente do seu tempo, que ousou explorar tabus e quebrou paradigmas literários numa época conservadora. 


Apresentando um enredo complexo e envolvente, com vários saltos temporais entre passado e presente, e que se passa em locais totalmente opostos, a cosmopolita Paris, e uma terra pequena portuguesa perto da montanha, com uma forte componente rural, permeada por personagens carregados de emoções intensas. A trama gira em torno de Branca, uma jovem mulher de singular beleza e sensualidade, cuja vida é marcada pela busca incessante de liberdade e paixão. Ao explorar temas como política, arte e espiritualidade, Natália Correia conduz o leitor por um caminho intrincado de amor e desilusões, revelando a luta constante da protagonista em ser ela mesma, num mundo opressor e conservador, incentivada por uma mãe que não desejava que a sua filha tivesse uma vida semelhante à sua. 


Podes ler também a minha opinião sobre Laços de Família


Este é um livro desafiante e, de certa forma, difícil de acompanhar. Não é uma leitura leve, que podemos ir lendo, sem lhe dedicar toda a atenção, pois poderá não permitir que seja entendida a narrativa e todos os desdobramentos, nem compreendidos todos os temas explorados de forma brilhante pela autora e que têm o propósito de provocar e de fazer pensar os leitores em assuntos como a identidade e a liberdade feminina, imperativos na época da publicação e que continuam actuais nos dias de hoje. A autora explora as diferentes facetas da mulher e as lutas enfrentadas por elas para se libertarem das amarras sociais e culturais impostas pela sociedade patriarcal. Assim, ao longo das quase duzentas páginas, Natália Correia retrata personagens femininas fortes e empoderadas, que buscam a sua emancipação e autenticidade, enfrentando tabus, preconceitos e desafios constantes. 


"O espírito é um brinquedo que a natureza deu aos homens para eles brincarem aos deuses."


Através de diálogos instigantes, a autora questiona as normas sociais que aprisionam as mulheres, destacando a importância - e a dificuldade - de quebrar as correntes e reivindicar os seus espaços de liberdade e de expressão. O livro A Madona tornou-se numa obra atemporal que oferece uma reflexão profunda sobre a identidade e a liberdade feminina, despertando consciências para a necessidade de igualdade e justiça de género. A escrita sofisticada e poética de Natália Correia fica aqui evidente, com o uso de um estilo rebuscado e cuidadosamente construído, repleto de metáforas e imagens poéticas, que conferem uma atmosfera densa e misteriosa à narrativa. A profundidade das suas descrições e a sensibilidade com que aborda temas como amor, sexualidade e religiosidade, revelam a habilidade notável da escritora em explorar a linguagem de forma única e envolvente. Deste modo, a autora presenteia-nos com uma escrita exuberante, capaz de transportar o leitor para um mundo de emoções intensas e questionamentos existenciais. 


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Outro dos aspectos fascinantes desta obra é a profundidade e complexidade psicológica das personagens que nos obrigam a reflectir, por vezes, em assuntos pouco frequentes. Ao longo da narrativa somos apresentados a figuras intrigantes e intensas, como a protagonista Branca ou o seu namorado Miguel, cujas personalidades vão além da superfície. A autora explora com maestria os intrincados labirintos da mente humana, desvendando as motivações, as contradições e as angústias que permeiam as suas acções. A riqueza psicológica das personagens e os seus conflitos interiores são uma das principais características deste romance e um dos motivos que torna a sua leitura tão especial. Depois, temos a discussão sobre a sensualidade e o desejo como elementos libertadores, tão intensa quanto provocadora. Apesar de apresentar a sensualidade como uma força vital e transformadora, capaz de romper com as amarras sociais e despertar a consciência dos personagens, tornando-os mais livres e autênticos, ainda assim existe uma necessidade de regressar às origens com a chegada do entendimento de que, quando forçadas, as decisões libertadoras podem ser novas prisões. 


"O pranto das mulheres, ora confuso e longínquo como um choro ensopado no fundo de um poço, ora espumando como o leque da música de um órgão a abrir-se numa catedral, é o espasmo de um coração sangrando no peito nu da noite." 


A Madona causou um impacto significativo na literatura portuguesa da época. Ao abordar temáticas consideradas tabu para a sociedade conservadora da ditadura, o livro rompeu com os paradigmas estabelecidos. Além disso, a linguagem poética e provocadora utilizada pela autora contribuiu para uma verdadeira revolução estética na literatura portuguesa. Por incrível que possa parecer, mesmo passados mais de cinquenta anos desde a sua publicação, ainda nos deparamos com situações e desafios semelhantes, num mundo onde as mulheres são constantemente cerceadas e julgadas pela sua aparência, pelas suas atitudes e pelas suas escolhas. Portanto, com a sua prosa visceral e provocativa, a autora apresenta questões ainda actuais como o machismo, a opressão feminina e a luta pela liberdade individual. 


Agarrei neste livro em Setembro por causa da comemoração do centenário de Natália Correia e também porque se encontra no Guia para 50 Personagens da Ficção Portuguesa, uma espécie de projecto de leitura que iniciei recentemente e para o qual te convido a juntares-te e descobrir grandes obras nacionais e os seus melhores personagens. Em A Madona, despindo-se de tabus e convenções, Natália Correia revela-nos uma visão crítica sobre a sociedade e uma reflexão profunda sobre o papel da mulher na contemporaneidade, o que torna esta leitura interessante, desafiante e muito enriquecedora. Se gostas de desafios intensos e transformadores, tens de descobrir este romance da grande Natália Correia e mergulhar nas suas complexas reflexões. Já conhecias este romance? O que já leste da autora? Deixa o teu comentário abaixo, com as tuas opiniões, reflexões e até outras sugestões literárias e vamos enriquecer esta discussão e explorar juntos as camadas profundas deste romance atemporal! 


Esta obra está esgotada, infelizmente, mas podes encontrar ainda alguns exemplares no Marketplace da Wook, enquanto uma nova edição não chega às livrarias. 

terça-feira, 17 de outubro de 2023

#Livros - Amália a Biografia, de Vítor Pavão dos Santos

 

A imagem de capa do livro "Amália a Biografia" é elegante e cativante. Em um fundo branco imaculado, destacam-se as letras em preto e dourado, transmitindo sofisticação e charme. No centro, uma foto icônica de Amália Rodrigues de perfil, em preto e branco, capturando sua expressão serena e sua beleza atemporal. A imagem transmite a presença marcante da fadista, revelando sua personalidade única e profunda. Um convite visual irresistível para adentrar nas páginas deste livro que desvenda a vida e a carreira de uma das maiores artistas da música portuguesa.

Sinopse

"Eu tinha um tipo de magnetismo que ainda hoje tenho. Chego a um palco qualquer e as pessoas estão imediatamente comigo (...)" É justamente esse magnetismo, esse encantamento natural, sem artifícios, que nos arrebata ao longo das páginas desta biografia. 

Vítor Pavão dos Santos faz-nos sentir a presença viva de Amália, como se fossemos um amigo de longa data a quem ela conta, com graça e com ternura, a história da sua estranha forma de vida. É um retrato oral de Amália, na sua voz, que tomou corpo a partir de uma série de conversas que o autor teve com a diva do fado e que nos revela toda a sua trajectória, das primeiras actuações no Retiro da Severa ao apogeu, quando teve a seus pés o Olympia de Paris, o Savoy de Londres ou o Lincoln Center de Nova Iorque. 

Uma obra impregnada de fascínio, que nos dá a justa medida do quanto Amália foi admirada, idolatrada e profundamente amada pelas muitas plateias que levou ao delírio ao cantar a sua alma, a alma lusa, a alma que é, afinal, a de toda a humanidade e que cabe, inteira, no abraço do seu nome. 


Buy Me A Coffee

Opinião 

Amália a Biografia, escrito por Vítor Pavão dos Santos, é uma obra essencial para todos os admiradores da lendária fadista portuguesa, Amália Rodrigues. Neste livro, o autor mergulha profundamente na vida e na carreira de Amália, analisando cada aspecto da sua trajectória desde a infância humilde até ao aclamado status de rainha do fado. Com uma abordagem minuciosa e detalhada, Pavão dos Santos presenteia-nos com uma narrativa envolvente que revela não apenas os triunfos musicais de Amália, mas também os seus desafios pessoais e as nuances da sua personalidade fascinante. Com uma pesquisa meticulosa e baseado numa série de entrevistas com a artista, o autor oferece uma verdadeira imersão na sua vida, permitindo que os leitores conheçam os segredos, as paixões e os dramas que marcaram a vida de Amália Rodrigues. 


Amália Rodrigues, conhecida como a Rainha do Fado, é uma figura emblemática e singular no cenário cultural português. Nascida em 1920, em Lisboa, a sua trajectória artística e pessoal marcaram profundamente a música tradicional portuguesa, elevando-se a um patamar internacional. Ao longo dos anos, Amália conquistou o reconhecimento tanto dos críticos quanto do público, estabelecendo-se como uma das maiores intérpretes de fado de todos os tempos. Além da sua voz singular e da maneira única como interpretava as letras melancólicas e emotivas do fado, a cantora foi também uma importante protagonista na revitalização e modernização do género, incorporando novos elementos e influências nas suas performances. 


Podes ler também a minha opinião sobre Pessoa. Uma Biografia


No livro, somos apresentados a muitas figuras famosas, nacionais e internacionais, que fizeram parte do círculo social de Amália, de forma mais íntima ou mais superficial. Destaco o músico e compositor Alain Oulman, que foi responsável por importantes parcerias e composições na carreira da artista; os poetas Natália Correia e José Carlos Ary dos Santos, que eram presença frequente na sua casa em Lisboa, nas tertúlias que lá aconteciam e que se tornaram memoráveis. Outros nomes mundialmente famosos, como Edith Piaf, Anthony Quinn, Charles Aznavour, Ernest Hemingway ou Carmen Miranda, são só alguns exemplos com quem privou, partilhando um relato generoso de alguma destas personalidades que vivem como mitos no nosso imaginário e que foram figuras incontornáveis do século XX. 


"O fado começou para mim como uma cantiga e acabou por ser uma forma de vida com que me identifiquei. Uma estranha forma de vida." 


O estilo de escrita de Vítor Pavão dos Santos é notavelmente cativante, captando as palavras da própria Amália para contar a sua história, os seus feitos, os seus sentimentos, as suas desilusões, permitindo ao leitor uma imersão profunda na história, escondendo as perguntas, dando o verdadeiro protagonismo a quem o tinha de ter, a própria Amália. É precisamente esta habilidade de Pavão dos Santos em descrever minuciosamente os ambientes, as emoções e os pensamentos de Amália que torna a experiência de leitura extremamente vívida e realista. Através deste estilo peculiar, o autor conecta-nos de forma íntima com a protagonista, permitindo-nos entender não apenas a trajectória da artista, mas também as motivações e os desafios que ela enfrentou ao longo da sua carreira. 


Podes ler ainda a minha opinião sobre Amália O Romance da sua Vida


A estrutura da narrativa presente em Amália a Biografia é organizada de forma cronológica e dividida em capítulos que abrangem diferentes períodos da vida da fadista Amália Rodrigues. Essa organização facilita a compreensão do leitor, permitindo uma imersão mais clara no percurso da artista. A cada capítulo somos apresentados a eventos e momentos-chave da vida de Amália, desde a sua infância humilde entre Lisboa e a Beira Baixa, até ao seu reconhecimento como uma das maiores vozes do fado, que conseguiu internacionalizar o género como nunca antes tinha acontecido. Esta estrutura bem delineada conduz-nos através das décadas, permitindo uma compreensão gradual e esclarecedora da vida e da carreira de Amália, prendendo e envolvendo o leitor como se espera numa biografia, sobretudo quando o biografado é uma figura tão fascinante quanto esta. 


"Porque o fado é um estado de alma, uma canção que quer dizer destino e tem essa carga."


A exploração das influências políticas e culturais faz-se presente de forma marcante na vida da protagonista. A sua carreira artística foi fortemente influenciada pelas transformações políticas e sociais, como a ditadura de Salazar e o 25 de Abril. Também são exploradas as influências culturais, na infância pelo cantar das mulheres da sua família, pelos fadistas e poetas que faziam sucesso no seu início de carreira e ainda a sua evolução e crescimento, sobretudo no que toca à escolha de poetas mais eruditos na sua fase mais madura, chegando ao ponto de cantar Camões, um momento que dividiu opiniões em Portugal. Uns admiravam-se com a forma como conseguiu devolver o nosso maior poeta ao povo, outros revoltavam-se com o seu atrevimento em cantar as palavras deste génio da língua portuguesa. Ignorando as reacções, limitou-se a fazer o que achava certo, o que tinha vontade, o que acreditava ser melhor para a sua música. 


Amália Rodrigues, sem dúvida alguma, marcou de forma indelével a música portuguesa e deixou um legado que perdura até aos dias de hoje. A sua voz única e a sua interpretação visceral conquistaram o coração de milhões de pessoas, transcendendo fronteiras e levando o fado a patamares internacionais. Amália não só revolucionou a música, mas também tornou-se um ícone cultural para Portugal, representando a essência da identidade do país. O seu estilo inovador, a sua atitude destemida e o seu trabalho incansável para divulgar a música colocaram-na no topo da cultura portuguesa e garantiram a sua eternidade como uma das maiores artistas de todos os tempos. O impacto duradouro da sua carreira é inegável, pois a sua música continua a emocionar e inspirar gerações, fazendo com que o nome de Amália Rodrigues permaneça como uma referência obrigatória na história da música e da cultura portuguesa. 


Se és apaixonada pela música e pela cultura portuguesa, não podes deixar de conhecer esta obra. Explora cada página desta emocionante biografia e descobre os detalhes e as histórias por trás dos palcos que moldaram a carreira e a personalidade de uma mulher que se tornou numa lenda. Já leste a biografia escrita por Vítor Pavão dos Santos? Partilha as tuas impressões e opiniões sobre esta obra de relevância histórica nos comentários! 


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Wook | Bertrand 

terça-feira, 10 de outubro de 2023

#Livros - Esteiros, de Soeiro Pereira Gomes

 

A foto de capa deste livro publicado pela Quetzal apresenta um fundo branco, o que traz um contraste notável com a ilustração em tons de amarelo em destaque. Nesta imagem cativante, somos transportados para o rio Tejo durante uma cheia, onde a natureza se impõe com toda a sua grandiosidade e imprevisibilidade. No centro da ilustração, podemos observar um grupo de meninos, personagens essenciais na trama de "Esteiros" de Soeiro Pereira Gomes. Eles estão brincando e mergulhando na água turva e agitada do rio, mostrando-se destemidos diante dos desafios que a vida lhes apresenta.  Os tons de amarelo utilizados na ilustração sugerem um ambiente luminoso e esperançoso, talvez representando uma manhã ensolarada e cheia de promessas. A escolha dessas cores também evoca a subjetividade e a imaginação das crianças, que, mesmo vivendo em condições adversas, continuam a encontrar alegria nos momentos simples da vida.  Essa foto de capa capta perfeitamente a essência do livro "Esteiros", que aborda temas como a infância, a pobreza, a desigualdade social e a resistência. Ela nos convida a mergulhar nas páginas dessa obra literária pulsante, onde os personagens lutam por sua sobrevivência e buscam construir um futuro melhor em meio às adversidades.

Sinopse

Passam, em 2021, oitenta anos sobre a primeira edição de Esteiros, de 1941 - um livro que marcou várias gerações de leitores ao mostrar-lhes personagens que ficaram para sempre na nossa recordação, «os filhos dos homens que nunca foram meninos» (é essa a dedicatória a abrir o romance): Gaitinhas, Guedelhas, Gineto, Maquineta e Sagui. São eles os heróis anónimos de um diálogo entre o humano e a Natureza, a denúncia da injustiça e a busca de redenção, a solidariedade e a denúncia da pobreza e da penúria. 

O romance, uma das referências mais emblemáticas do movimento neorrealista português, foi de leitura obrigatória nas escolas secundárias portuguesas durante duas décadas. É hoje um livro quase esquecido. No entanto, graças à sua ingenuidade, bravura e simplicidade, Esteiros é um documento marcante da história portuguesa do século XX - e deve ser relido para que não esqueçamos a fotografia amarga desses anos. 


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Opinião 

Este é um livro emblemático da literatura portuguesa, publicado em 1941 e escrito por Soeiro Pereira Gomes, onde é retratada, de forma contundente e realista, a dura realidade dos trabalhadores das esteiras, nas margens do rio Tejo, em Lisboa. O autor, nascido em 1909, teve uma vida marcada pelo activismo político e pela luta em prol dos direitos dos trabalhadores. Soeiro Pereira Gomes utiliza a sua experiência como ex-metalúrgico para dotar o livro duma linguagem crua e visceral, evidenciando as injustiças sociais e as desigualdades presentes nessa comunidade. De maneira vívida e intensa, o autor retrata a vida difícil das personagens principais, crianças que não podem ser meninos, destacando a exploração e a pobreza a que estão submetidos. Esteiros apresenta-se como um retrato fiel e eloquente não só dos trabalhadores das esteiras, mas também de todo um contexto social e político da época, estabelecendo-se como uma das maiores contribuições literárias sobre a temática do proletariado em Portugal. 


Assim, apresenta uma contextualização histórica e temática da época em que é situado, o período do Estado Novo, como um retrato expressivo de todas as misérias existentes e pouco valorizadas por quem mandava no país. O foco é dado à pobreza extrema, à miséria e à falta de oportunidades enfrentadas pela população em geral, mas com mais destaque para estes meninos que nos chocam por, claramente, não lhes ter sido dada a oportunidade de ter uma infância como seria o seu direito. Com uma linguagem realista e crítica, o autor fez com que Esteiros seja uma obra de denúncia e reflexão sobre questões sociais e políticas. Tudo acontece em torno dum lugar pouco desenvolvido, onde ainda existem esteiros, zonas de extração de argila onde são construídas as telhas, durante a década de 1930. Apesar de existir uma Fábrica, não existe trabalho para todos, nem a vida desses trabalhadores é menos miserável que a dos restantes. 


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Os personagens principais são todos crianças que precisam sobreviver, fugir da miséria, procurar pelo seu sustento para si mesmos ou para ajudar a família, sendo que, para isso, precisam de cedo perder a inocência e ingenuidade próprias dessas idades precoces. Através destes rapazes e da sua jornada, ficamos a conhecer a sua rotina marcada pela brutalidade do trabalho árduo nos esteiros, pela pobreza, pela miséria ao seu redor e pelas relações de camaradagem e solidariedade que são criadas entre estes meninos, bem como as suas aspirações e sonhos, na maioria das vezes frustrados pelo sistema opressivo vigente. Com personalidades muito distintas, cada um com a sua história pessoal de pobreza, de solidão e de abandono, a amizade é o que os une e lhes dá esperança para viver o dia seguinte e que lhes permite ser um pouco criança, partilhando brincadeiras e conspirando golpes, nem sempre dentro da lei e da moral. 


"Os pobres tiram o pão da boca para os filhos dos pobres. E os ricos sacodem as migalhas, em nome de Deus." 


Com um estilo literário marcado pela objectividade e pelo realismo, Soeiro Pereira Gomes procura retratar fielmente a dura vida destes meninos que cresceram sem viver a infância, que perderam quem os podia proteger ou que, ainda os tendo, não lhes conseguem proporcionar essa protecção, porque precisam de trabalhar e da ajuda do pouco que estes jovens possam conseguir. Através das suas descrições detalhadas, mas não aborrecidas, o autor consegue transportar o leitor para dentro deste universo cruel, retratando com assustadora precisão as condições precárias de vida e trabalho dos esteiros. A verdade é que a temática abordada no livro Esteiros permanece relevante nos dias de hoje ao retratar de forma contundente as desigualdades sociais e as condições de vida precárias vivenciadas pelos trabalhadores nas margens do rio Tejo. 


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A obra traz à tona questões como a exploração dos operários, a falta de acesso à educação e à cultura, a falta de moradia digna e luta dos trabalhadores pela melhoria das suas condições de vida. Estas problemáticas, ainda que com outros contornos e aliadas a outros tantos problemas mais modernos, ainda estão presentes na sociedade contemporânea, tanto em Portugal como em outros lugares do mundo. Com esta leitura é possível ampliar o debate sobre a necessidade de garantir direitos básicos aos menos favorecidos e promover uma sociedade mais justa e igualitária. No fundo, é um convite para uma reflexão sobre os desafios que ainda enfrentamos na construção de uma sociedade mais digna e com oportunidades para todos. 


"Senhores das ruas, abandonaram-nas no ímpeto das águas e do vento, vencidos em luta desigual. E lá se foi o mundo imaginário em que brincavam." 


Pessoalmente, só tomei consciência da existência deste livro depois de ter lido o Guia para 50 Personagens da Ficção Portuguesa, onde fiquei com muita vontade de ler todas as obras que ainda não conhecia. Assim, como um projecto de leitura que pretendo testar, comecei por este livro tão peculiar da nossa literatura, para o qual deixo um convite para que aceites embarcar nesta jornada emocionante e que promete tocar em todos os leitores sensíveis. Através das páginas de Esteiros, obra magistral de Soeiro Pereira Gomes, prepara-te para te envolveres com personagens fortes, mergulhar nas suas dores e aspirações, e testemunhar a sua luta incessante por uma vida melhor. Esta pode ser considerada uma leitura obrigatória para todos os que se interessam por literatura que mistura questões políticas, sociais e humanas de um modo envolvente e impactante. 


Já conhecias este livro? Leste a obra? O que achaste desta resenha? Se chegaste até aqui, tens de deixar o teu comentário abaixo! Quero muito saber a tua opinião!


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terça-feira, 3 de outubro de 2023

#Livros - Fale Menos Comunique Mais, de Carla Rocha

 

A foto da capa do livro "Fale Menos Comunique Mais", de Carla Rocha, publicado pela editora Manuscrito, apresenta um fundo branco irradiando uma sensação de leveza e simplicidade. Em destaque, o título do livro é exibido de forma vibrante e convidativa, com as letras coloridas dispostas em balões de texto, transmitindo a ideia de diálogo e interação. O uso dos balões, símbolo das conversas e do compartilhamento de ideias, retrata o objetivo principal da obra: incentivar o leitor a aprimorar sua comunicação, estabelecer conexões significativas e expressar-se de forma eficaz. A foto da capa representa visualmente o propósito do livro, mostrando que é através do diálogo que construímos laços humanos e nos tornamos melhores comunicadores.

Sinopse

Uma boa comunicação evita conflitos, discussões e problemas na vida pessoal, familiar e profissional. E uma comunicação eficaz pode fazer a diferença quando se trata de influenciar pessoas e situações e, em última análise, de atingir pequenos ou grandes objetivos. 

Carla Rocha, locutora da RFM e formadora experiente na área da Comunicação, partilha neste livro estratégias muito práticas para falar menos e comunicar mais. Ou seja, para saber tirar partido do poder da comunicação, que implica preparação, ouvir o outro antes de falarmos, e comunicar de forma direta e assertiva, sem ruídos, criando empatia com quem nos ouve. De preferência, de forma autêntica e com uma pitada de humor. 

Com dez estratégias, exercícios para praticar, conselhos para fazer apresentações inspiradoras e dicas para uma comunicação eficaz, este manual é essencial para se tornar um grande comunicador. 


Buy Me A Coffee

Opinião 

A terceira leitura dos livros comprados na Feira do Livro de Lisboa 2023 chega agora ao blog com o Fale Menos, Comunique Mais, da comunicadora Carla Rocha, onde nos apresenta uma abordagem inovadora e indispensável sobre a importância da comunicação no mundo contemporâneo. Num mundo cada vez mais conectado e influenciado pelas redes sociais e meios digitais, comunicar-se efectivamente torna-se uma habilidade essencial para o sucesso pessoal e profissional. Com uma linguagem clara e exemplos práticos, a autora explora a necessidade duma comunicação autêntica, empática e assertiva, mostrando como pode ser uma poderosa ferramenta para construir relacionamentos sólidos, driblar conflitos e atingir objectivos. 


Neste livro, a Carla Rocha convida-nos a reflectir sobre os nossos padrões comunicacionais e auxilia-nos a desenvolver técnicas para nos expressarmos de forma mais clara, eficiente e empática, transformando a nossa forma de nos relacionarmos com o mundo ao nosso redor. É por tudo isto que esta é uma leitura indispensável para todos os que buscam aprimorar as suas habilidades de comunicação. Com a sua linguagem acessível, a autora guia-nos por um caminho de reflexão e prática, mostrando a importância de ouvir activamente, expressar de forma assertiva e compreender as diferentes formas de linguagem não verbal. Através de exemplos reais e exercícios práticos, o livro fornece as ferramentas essenciais para nos tornarmos comunicadores mais eficazes e empáticos. 


Podes ler também a minha opinião sobre Adapte-se


É uma leitura enriquecedora tanto para profissionais que desejam melhorar o seu desempenho no ambiente de trabalho, quanto para qualquer pessoa que procura relacionar-se de forma mais autêntica e significativa com os outros. Fazendo uso da sua experiência pessoal e profissional, a autora aborda diversos tópicos, como o poder das palavras, a importância da escuta activa, a empatia ou a linguagem corporal. Ao longo da leitura de Fale Menos, Comunique Mais, encontramos diversas lições importantes. Uma das principais lições é a valorização do ouvinte, entendendo que comunicar-se efectivamente vai muito além de apenas transmitir uma mensagem, é também sobre ouvir atentamente e compreender o ponto de vista do outro. 


Outra lição muito significativa é a importância de ser claro e objectivo ao se comunicar, evitando termos técnicos em excesso e utilizando uma linguagem simplificada, de forma a ser compreendido por todos. Além disso, o livro destaca o poder das histórias, como ferramenta essencial e diferenciadora para uma apresentação bem sucedida. Estas são apenas algumas das valiosas e úteis lições abordadas pela Carla Rocha ao longo deste livro, que nos convida a repensar os nossos hábitos de comunicação e a procurar aprimorar as nossas habilidades para nos tornarmos comunicadores mais eficientes e eficazes. 


Podes ler ainda a minha opinião sobre Profissão: Influencer


Esta é uma leitura bastante fluída e atractiva para os leitores, enriquecida ainda com os exercícios práticos ao longo do texto, que visam consolidar os conhecimentos adquiridos. Estes exercícios permitem que o leitor coloque em prática as técnicas e reflexões apresentadas, tornando-se numa verdadeira ferramenta de trabalho, de auto-conhecimento e de aprimoramento das habilidades de comunicação que queremos desenvolver ou melhorar. Assim, podemos concluir que o livro proporciona uma experiência completa e eficiente, tanto em termos de compreensão do conteúdo, quanto na aplicação das suas ideias. 


Através do livro Fale Menos, Comunique Mais, Carla Rocha reafirma a importância da comunicação efectiva tanto na vida pessoal quanto na profissional. A autora explora como a comunicação certa pode facilitar as relações interpessoais, evitando mal-entendidos, conflitos desnecessários e promovendo um ambiente de confiança e colaboração. Além disso, ressalta como a comunicação eficaz pode aproximar as pessoas, fortalecer os relacionamentos e impulsionar o sucesso profissional. Portanto, fica por demais evidente que dominar a arte da comunicação é essencial para obter resultados positivos em cada aspecto da nossa vida e que esta leitura tem o potencial de nos tornar comunicadores mais conscientes e habilidosos, desde que sejam colocados em prática os ensinamentos e as dicas que ele contém. 


Gostaste desta resenha? Já leste o livro da Carla Rocha? Quero muito saber a tua opinião, as tuas impressões, reflexões e experiências relacionadas com este tema da comunicação! Deixa o teu comentário abaixo para podermos conversar! 


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